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De tudo um pouco. Cada manhã. Ao sair da pena, bem cedinho. Tudo me interessa.

19
Set17

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Politicamente incorrecto este post. A palavra "essência", dizem, já não se usa. Vem agora o Papa, na sua visita à Colômbia reconhecer que “A vulnerabilidade deve ser considerada como a essência do ser humano, porque todos somos vulneráveis”  - Bogotá (RV). Será que li bem?

Francisco explicou : “Somos todos vulneráveis; quem é a única pessoa que não é vulnerável? perguntou aos adolescentes que o foram ouvir, e que responderam com outras perguntas. Foi isto uma surpresa para mim. Principalmente pela forma original que este Papa tem para dizer o mesmo que disseram os filósofos e os doutores  da Igreja. É o mesmo que dizer que é convivendo com a vulnerabilidade que se dá a possibilidade de eu me encontrar, de me realizar.

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13
Abr17

ECCE MEN ou PAUSA

por Fátima Pinheiro

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 Zurbaran, Nossa Senhora em pequenina

imagem tirada da net

 

Sim, é sobre a Semana Santa. No princípio era Descartes. "Culturalmente" falando, claro. Já tinha havido muitos filósofos antes. E há-os por todo o lado. O eu foi dividido, a parte mensurável uma, a parte não mensurável, outra.  O ideal da ciência: tudo medir. Mas há coisas que não se medem. Uma coisa é o  olho, outra o olhar. A fenomenologia tem razão. Husserl e M.-Ponty, neste ponto, em particular. A mão e o gesto, etc.

O golpe cartesiano deu lugar a tanta sabedoria, como se o eu se desdobrasse nas suas infinitas possibilidades como projecto, podendo assim reflectir-se e ficar a conhecer-se melhor. É a vantagem da História. De nascer hoje. Aliás não pode ser de outra forma.

E o eu desagregou-se a um ponto que já não se considera insensato afirmar que cada um é o pós-pós-pós-moderno que quiser ser. Sem esquecer a utopia de um futuro feliz e socialista ao qual pouco importa que cada um possa assistir, porque o material é decomponível. E a luta era para o outro, e para o outro a seguir, sempre para melhor, mas sem mim.

E sem esquecer a, tão de hoje, modalidade de um eu que se quer ele próprio confundir com o infinito; passando assim a haver só infinito, sem que o eu se diferencie. Um desejo de dissolução, porque a dor é insuportável, melhor então é vivê-la estando acima dela. Multiplicam-se filosofias, religiões, movimentos, sincretismos, “à la cartes”, etc., que encorajam e ensinam uma ascese que se pretende boa. Uma elevação ou despojamento que devolve o eu ao Absoluto, a gota ao mar, uma espécie de panteísmo. Uma felicidade sem eu, sem mim.

A mim parece-me mais humano um eu que não se apague e que veja cumprida a sua fome e sede de infinito, como lembrou a nossa Florbela Espanca. Um eu que quanto mais grita pelo que quer, mas se afirma a si mesmo, sendo ele e não outro. Porque é nessa diferença que pode entender e partilhar o seu e o grito do outro. Na mesma dor. Na mesma alegria. A desejar beberem e comerem do mesmo Pão e do mesmo Vinho.

De que me serve um futuro ou uma dissolução, se aquilo que eu sou é mesmo fome  e sede de infinito, mas AGORA e sem PAUSAS? Insaciáveis. Sobretudo diante da dor, dos outros, que é minha também. Gosto de vestir a camisola. Eu, não outro. Também a dou se for preciso. É isso que quer dizer que nos comemos e bebemos uns aos outros. Simpatia. Compaixão. Amizade. Amor.

E o melhor mesmo, é uma boa refeição em que cada um saboreia com gosto o que está à mesa no meio de todos. E brinda. Em companhia. Não quero que comam por mim. Não o impessoal. Posso até morrer de fome. Mas isso é uma decisão minha.

Onde está o LOCUS ISTE? O meu lugar? Na verdade eu não tenho lugar, eu sou um lugar, sou eu.

Onde “está” o LOCUS ISTE? Acontece-me. A mim.  Tudo o mais seria alienação estética, religiosa, e outras. A minha tensão está em sentir, levantar-me, com os meus pés. Toda. Onde quer que seja. A ser eu, aos bocadinhos, sem maniqueísmos. Para que serve a minha vida se não é para ser dada, dizia Claudel. As coisas anunciam-se e eu quero dizer sim. Não mudo o mundo, sei que há quem lute por um feijão. Posso dar sopa a toda a gente? Se calhar podiamos. Mas quem nos dá a nós?

O mais importante no Cristianismo não são os valores, não é a moral. O diamante do cristianismo está muitas vezes envolto na lama das nossas mãos sujas. Mas está.

As partes da feijoada de que eu gosto mais são a farofa e a couve. Passo sem elas se for bom. E não quero nada rever-me naquilo que o Cardeal Cerejeira dizia dos católicos (ou de Lisboa, ou Portugal, não me recordo agora): comem, bem e não fazem mal a ninguém.

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08
Dez16

Perdi a fé...

por Fátima Pinheiro

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Duas mães

 

Fé pode ser muita coisa. Mas tem dois sentidos básicos. É o acto de acreditar ou confiar em alguém. E é também "aquilo" em que se acredita, o conteúdo da fé.

Nesta época de Natal é natural que se fale disto. Eu sou isto, eu sou aquilo, ou seja, acredito em Deus mas não pratico, ou, pratico mas não acredito em Deus. Ou sou crente mas à minha maneira. Poderia multiplicar as posições que, com mais ou menos convição, cada um vive, ou diz ser a "sua". 

Há quem diga que perdeu a fé. E há muitas formas de o dizer. Da menos à mais inquieta. Neste mundo pleno de posssibilidades cada um vê o que quer. O que é certo é que se caminha sempre. Uns dias melhores que os outros. Mas é impossível fazê-lo sem se acreditar, seja no que for. 

Quando digo que perdi a fé tenho que identificar o que perdi. Se calhar não perdi nada...

 

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fotografia tirada do meu TM

 

As tradições religiosas, todas, contemplam um tempo de "lavagem". Tempo em que cada um é convidado a centrar-se, para saber chutar. Paragem, para recuperar forças. Para distinguir o essencial do que não o é; do que não é essencial mas pretende sê-lo. Tempo de jejum do que impede o "querer", ou pode reduzir fasquias. Preto no Branco. Na tradição judaico-cristã chama-se "Quaresma, e começa amanhã, quarta feira de cinzas. Tempo para sublinhar quem afinal "sou eu". O que eu "quero" disto tudo. Acentuar e clarificar a divisão que S. Paulo sintetizou assim: não faço o bem quero, mas sim o mal que não quero. Um fio de navalha. Um trabalho sobre "si mesmo". Uma cor-versão (coração vertido, transparente). Reconhecer uma rica "pobreza". A de quem dá porque não tem, e assim tudo recebe.

O Senhor dos Anéis é que sabe o tempo. Como ferro em brasa. O jejum que interessa é o que levanta a escravidão de quem eu oprimo. Não pôr obstáculos a que a unidade aconteça. Melhor, por-se a jeito, mesmo a saber que quem vai à guerra dá e leva. Ter as mãos sujas (sorry Sartre), mesmo sujonas.

 

Viver de forma intensa a dimensão caritativa. Não é como caiar a cara, tipo túmulo vazio e cínico, como dizia Nietzsche, e bem. É sim gozar a vida, que não tem intervalos, e abandonar-se sempre na crista de ondas sucessivas. Na vida não há saldos nem rebajas, é pegar ou largar. A vida é uma senhora que se chama  liberdade. Mas hoje é carnaval. Já tenho a minha máscara, danço até doer. "Não percamos este tempo (...) favorável à conversão!", lembra o Papa Fransciso na sua Mensagem Quaresmal 2016. É pegar.

 

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03
Set15

Sou nudista não praticante

por Fátima Pinheiro

 Henri Cartier Bresson / imagem tirada da net

 

Já viu um nudista não praticante? Eu não. Até agora só vi nudistas. E não sou praticante. Não sou nudista, quero eu dizer. Até posso vir a ser. Se tiver razões para isso. Vem isto a propósito da expressão "católico não praticante", que muitos utilizam ao posicionaram-se no quadro das religiões. Dizem-me isto quando eu digo que sou católica, que vou à missa e o resto. Podem dizer. Como eu também o posso. Cada um é o que escolhe. Mas não faz pleno sentido dizer "católico não praticante". Usa-se o adjetivo para dar mais força a essa auto-declaração? Porque sempre são 3.000 anos "às costas"! E com cremação ou sem ela, quando um dos nossos morre, lá se chama o padre, não é?

Eu percebo o sentido que se quer dar: alguém, batizado ou não, quer dizer com essa expressão que tem determinado apreço por certos valores "católicos", mas que não aceita tudo o que o Vaticano diz. Mas para apreciar e seguir esses valores não é preciso ser católico. Qualquer moral os apregoa: amor, justiça, paz, e os outros todos.

O que oiço mais de quem assim se designa é: a Igreja está cheia de contradições; o fausto, pompa e circunstância; as riquezas em geral; a pedofilia; os padres que têm amantes; a inquisição; e mais, muito mais. Mesmo assim não tem sentido. É como se alguém dissesse: eu sou nudista, mas não sou praticante. Mas não é bom. É bom ser-se plenamente uma coisa. Ser benfiquista assim-assim, por exemplo, não tem graça nenhuma. Quando ele perde, na minha casa cai o Carmo e a Trindade. Mas ninguém é obrigado a ser isto ou aquilo. E como pessoas valemos todos o mesmo. Qual o mal em ser católico, ou não o ser? Onde está a liberdade religiosa? E não me venham com os fantasmas do passado. Neste ponto todos temos culpas no cartório.

É costume dizer-se que para uma boa diplomacia há dois assuntos que devem ser evitados: religião e política. Vou a muito sítio e confirma. Fala-se de tudo, menos disso. Há que ser politicamente correto. Como se fosse possível viver tirando a pele: a da política e a da religião. Eu percebo que se possa viver sem querer tomar posição; o que redunda numa posição também. Mas como optei por refletir estas coisas, sou politicamente incorreta. Se vem a propósito, abordo tudo. Às vezes também o faço quando parece não vir a propósito, como hoje, se calhar, agora aqui.. Ou seja, não faço questão de começar a atirar para matar, mas considero mais humano não fazer tabu de certos temas. Uso a "razão". Nasci com ela. E aplico-me à argumentação. Na praia onde descansamos, ainda sabe melhor. E vai mais um mergulho.

É bom ser-se plenamente de uma coisa, dizia eu. Pois é, a minha família (a começar por mim) está cheia de contradições. Mas eu não a trocava por nada. Tenho orgulho nela. Por ser a minha. E não me calo. O segredo e a intimidade é outra coisa. E esta última é do que mais humano há. Aí o silêncio é natural. Como a respiração. Aliás, sem isso não há "família" que resista.

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28
Fev15

Religiões? Passo.

por Fátima Pinheiro

 Coimbra, ontem por volta das 14h/ TM do Rasante

 

As religiões têm pontos em comum e pontos em que se distinguem radicalmente. Em geral todas têm períodos de retiro, de paragem das rotinas. Tempo para tomar a vida nas mãos. Falo hoje da religião católica, e mesmo dentro desta há muitas formas de os “passar”. Há quem vá por moralismo, ou para fugir da vida, ou para ser “bonzinho”, sei lá, cada um terá uma razão para esse “passo”. Eu como faço?

 

Vou hoje a um retiro e sei que todas razões para o fazer – que acima referi - podem ser minhas também. E muitas vezes são. Mas sei que o que quero é dar este “passa tempo” para ser mais “eu”, mais livre; para que as rotinas sejam cada vez uma novidade, para me casar com a vida, para ser uma e una com cada respiro, meu e dos outros. Quero ir para ser cada vez menos “boazinha”: chamar cada coisa pelo seu nome, sorrindo ou não, mas a partir de dentro, e não com uma cara de plástico, descartável e fungível. Se isso não acontecer, paciência! Desisitir? Nem pensar.

 

Como diz a nossa Agustina: eu não me levo muito a sério, a vida acaba por vencer. Entenda-se bem: não se trata de uma falta de seriedade diante da vida, dos outros, de mim. É perceber e viver na certeza de que todos os nossos “cabelos estão contados”; e quanto a isso, cito a Bíblia e saio agora para o retiro. Não quero chegar atrasada. Para uma Quaresma em grande! Um “recuo” para um passo livre. Para um gosto de vida nova. Vou, por isso, descalça. Não sem antes beber a minha "italina" de eleição.

 

Lucas  

12, 6 -7

Não se costuma vender cinco pardais por duas pequenas moedas? Entretanto, nenhum deles deixa de receber o cuidado de Deus./ 7 Portanto, até os fios de cabelo da vossa cabeça estão todos contados. Não temais! Valeis muito mais do que milhares de pardais.

 

Mateus

6,26
Contemplai as aves do céu: não semeiam, não colhem, nem armazenam em celeiros; contudo, vosso Pai celestial as sustenta. Não tendes vós muito mais valor do que as aves? 

Mateus
10, 30

E quanto aos muitos cabelos da vossa cabeça? Estão todos contados. 

Lucas
21,18

Contudo, não se perderá um único fio de cabelo da vossa cabeça. 

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O papa Francisco foi recentemente à Coreia e à Albânia. "Desde " S.João Paulo II, a Rádio Renascença envia a jornalista Aura Miguel,  para acompanhar as viagens dos Papas. É a única vaticanista portuguesa, uma profissional exemplar, que um dia quis ser diplomata, como conta num dos seus livros. "Venha saber como é viver a fé em contextos adversos e o que significa optar pelo essencial quando tudo à volta diz o contrário!", é o convite que ela deixa aos leitores deste Rasante. Enviou-mo ontem. Eu - primeira leitora deste blogue - aceitei. É hoje à noite, em frente ao Coliseu, e não é preciso bilhete, a não ser a boa e simples curiosidade acerca do que se passa, e "fazer" o que um dia lhe disse João Paulo II. Santidade, como posso ser uma boa jornalista? Perguntou ela , mais ou menos com estas palavras. Como é vaticanista, Aura faz quase todas as viagens no avião papal. Foi pois num deles que Ele lhe respondeu : "é preciso discernir, discernir sempre".

Aura Miguel conhece como ninguém quem é este Papa que a todos agrada - ver os videos dela no youtube, como este que considero DOS MELHORES, http://youtu.be/1tt1k0gNxbw  "como o Vaticano se tornou próximo como ninguém". A jornalista  acampanhou estas últimas duas visitas, que eu também segui, quase como se fosse  no avião de Francisco, e andasse com Ele por dois Países dos quais pouco conheço. Duas ou três coisas (como eu gosto deste título do blogue doutro Francisco, o Embaixador Seixas da Costa, que fez o seu último posto em Brasília! - "Me perdoa, tá?"): eu que vivo a fé num contexto "adverso", eu que quero saber o que andamos aqui a fazer, eu que sei que a fé é simples ( nós é que "simples" só às vezes...), opto pelo essencial?

Há Papas e Papas. Conversa de chá das cinco (estamos na mesa ao lado a tomar o café e ouve-se tudo): eu gosto mais do João Paulo II... Ai, Ratzinger, que horror, aquele ar frio, parece a polícia. Este Papa é que é. E o nome Francisco é o máximo.  Poderia referir outros chás e outros cafés. Mas hoje não é para isso. Hoje é sobre a Coreia e a Albânia que quero aprender a discernir. Sem saber o que se passa lá, como poderei discernir? Não gosto de falar de cor, e muito menos de conversa fiada. Os jornalistas têm muito a aprender com ela. Muito do "jornalismo" que temos: "diz-se", "tem que se"; ou "vai-se" em comitivas em aviões e "cobrem-se" os acontecimentos. Não é que às vezes são mesmo "cobertos"? Ficamos iguais ou pior. O jornalismo a sério é de todo o terreno - não é para ficar de pantufas no hotel pago; estou a falar nas horas de serviço, claro. E sobre as notícias do que se passa em Portugal? Vai dar tudo ao mesmo. Como em tudo há raras excepções. Temos crème de la crème temos, é preciso é saber discernir. Tenho aprendido a ler o essencial. Como sei? Muda-me em direção ao melhor, nos outros e em mim. Tenho a certeza que S.Antão me vai propocionar hoje à noite mais um passo. 

Eu já aqui disse - foi  no Prós e contras - como vejo este Papa http://youtu.be/RhfNYlQrHGk . O Cristianismo não são os valores. Como o principal não são os seus "monstruosos" aspetos externos: o despesismo dos escândalos do vaticano, a sua pedofilia, tudo verdades. Os valores são iguais em todas as pessoas de bem, e todos queremos endireitar o mundo, não duvido. E é bom. Mas não chega para se perceber o que está em causa. Neste sentido a esquerda divina - que vive também de certas homilias, ou cassettes - dá muitas vezes uma no cravo e outra na ferradura. 

Até parece que estou enxofrada com os discursos que valorizam este Papa ( com os 11 milhões de seguidores no Twitter). Mas não, não me enxofro por isso. O que me enxofra - talvez até por deformação profissional - é a ignorância: o que é específico no cristianismo não são os ensinamentos de Cristo. Esses são iguais aos de Buda, Maomet, ONU, etc.

Estou contente com tanto elogio, sim! Mas por razões que não dependem de aberturas de Papas, mas do Logos da vida. Por isso gosto mesmo de Pasolini e daquela troca de olhares entre Maria e José, quando este percebe finalmente o que estava em causa. Aquela silenciosa troca de olhares  (o filme "Evangelho segundo Mateus" está inteirinho no youtube) dá-se porque a Ponte tinha acabado de se fazer - ou fazer - Presente. A Unidade está dada. Não é uma Utopia. O essencial do Cristianismo é própria Pessoa de Jesus Cristo.  Ponte feita, encarnou há 2000 anos e hoje Passa por mim no Rossio. 




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