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A minha querida artrose

por Fátima Pinheiro, em 03.06.17

 

 

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 Almada Negreiros

 

Isto aconteceu mesmo, aí há um mês. Até parece que fiz um milagre. Ia na rua, no meu bairro. Agora obrigo-me a andar, porque é saudável, e desde que o pé me começou a doer depois do desastre, e o médico me recomendou  andar e fazer exercício por causa de uma artrose que ganhei no pé direito, é o que tenho feito e estou melhor. Às vezes dói mas isso não impede de andar. Antes pelo contrário. Devo. Tem sido um espetáculo!

Ia nessa manhã para o trabalho. À minha frente arrastava-se uma senhora mais velha, toda encurvada. Quando a ultrapassei pela esquerda disse-me em tom pesaroso: "em tempos eu andava assim, agora...". Eu, apesar da pressa que levava, resolvi parar. Olhei para a senhora e respondi firmemente e com o maior dos realismos: "a senhora não faz ideia as dores que tenho". Acrescentei, um bocadinho a frio , porque estava com pouco tempo para rodeios: "a  senhora se quiser pode endireitar-se um bocadinho!". "Tente lá!".

E fiz com o meu corpo um gesto de endireitar de costas para ela imitar. Não é que ela imitou e e se desencurvou? Parecia milagre. Não sei como ela está agora. O que sei é que ela podia andar direita.  Pedi- lhe que ela me prometesse que passaria a ficar assim, a andar de forma diferente. E que se nos cruzassemos outra vez eu iria vê - la "direita". Com a bengala, mas direita.

Segui caminho. Levo ainda comigo o "novo" ar dela. 

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Quem me dera um Físico assim!

por Fátima Pinheiro, em 17.08.15

 

vamos a isto/ imagem tirada da net

 

Hoje acordei de um regresso ao passado. Sonhei com um Físico que estava sentado na primeira fila a ouvir-me a discursar assim:

« A Física é um esforço intelectual ímpar em que toda a humanidade se tem envolvido há séculos.

Na verdade, pode mesmo dizer-se que é um esforço intelectual milenar pois desde a remota Antiguidade até aos nossos dias os homens têm tentado incessantemente compreender os mistérios mais profundos da realidade que os rodeia.

A Física é, sem dúvida, um dos maiores empreendimentos intelectuais na história da humanidade.

Em certo sentido a Física ocupa um lugar único entre todas as ciências. Nenhuma outra ciência conseguiu combinar até hoje, de forma tão profunda e tão frutuosa, a relação entre observação da natureza e aplicação de técnicas matemáticas.

Nenhuma outra ciência conseguiu tantos sucessos, tantas respostas para as perguntas com que se debatia.

É, pois, compreensível que a Física se tenha tornado num modelo que muitas outras disciplinas científicas têm pretendido imitar e, ao mesmo tempo, que a própria designação “Física” se tenha tornado sinónimo de um conhecimento certo, seguro e rigorosamente fundamentado e testado.

Isto não significa que a história da Física tenha sido uma serena história de acumulação de saber. Pelo contrário. Foi sempre uma história pautada por debates e polémicas, foi sempre uma história humana, com toda a paixão da alma humana.

Na verdade, como todos sabemos, alguns dos mais profundos e vivos debates intelectuais que afectaram a história da humanidade, nasceram de polémicas em torno de assuntos de Física e o facto de esses debates terem influenciado outros âmbitos culturais, artísticos, filosóficos e religiosos, é uma confirmação da excepcional importância da Física (...)

Conjunto de princípios básicos que unem todos os físicos e que constituem como que os fundamentos epistemológicos desta ciência:

  • que a razão humana é capaz de superar mesmo as interrogações mais perturbadoras;
  • que a natureza é compreensível;
  • que a matemática é fonte de saber seguro sobre o mundo natural;
  • que a observação, a experiência é, como diziam os navegadores portugueses do passado, “ a mãe do conhecimento”.

 O extraordinário sucesso da Física não é apenas uma fonte de regozijo que vem do passado; é uma fonte de esperança para o futuro.

Mas todos os empreendimentos humanos têm um lado mais obscuro. Precisamente no século XX, quando os progressos e conquistas da Física atingiam um desenvolvimento nunca igualado, os físicos viram-se a braços com graves dilemas éticos.

Saber é verdadeiramente uma forma de poder e muitos físicos sucumbiram, e sucumbem ainda hoje, a usar o seu saber ao serviço de poderes muitas vezes totalitários.

Tudo isto exige dos físicos uma elevada responsabilidade moral, e todos esperamos que o Ano Internacional da Física sirva para sensibilizar, sobretudo os mais jovens, para a responsabilidade que vem com o conhecimento.

Mas aqui temos bons motivos para celebrar com alegria: a história da Física é muito mais a história do conhecimento que foi posto a bom uso, do que o contrário.

Toda a investigação nasce sobretudo do desejo de satisfazer a curiosidade, mas é natural que depois os resultados dessa investigação sirvam para resolver problemas, por vezes problemas prementes, aumentando a duração da vida humana.

O progresso material que a Física gerou é de uma tal dimensão que é impossível de contabilizar. Temos razões fundadas para acreditar que o progresso da Física ajudará a resolver muitos problemas que hoje afligem os povos e as sociedades do nosso tempo.

Como conclusão, partilho a convicção de que a Física proporciona uma base significativa para a compreensão da natureza, proporciona aos homens e mulheres os instrumentos para construir as infra-estruturas científicas essenciais ao desenvolvimento; e a convicção de que a investigação na Física e as suas aplicações foram e continuam a ser uma importante força motriz dinamizadora de desenvolvimento científico e tecnológico.

A Física é um pilar fundamental da cultura contemporânea, que não pode ser substituído nem removido. Promove, pois, o bem-estar de toda a humanidade.

Depositamos a nossa esperança na Física e na Ciência no sentido de poder encontrar as soluções para os muitos problemas que afectam as sociedades modernas.

Portanto, estamos profundamente preocupados com a auto-exclusão dos jovens em relação à Física, não só porque os físicos desempenham um papel insubstituível nas sociedades baseadas no conhecimento, mas também porque o fenómeno da auto-exclusão se está a alastrar para as áreas afins da Ciência e Tecnologia(...).

Possa Einstein trazer o entusiasmo pela Física ao público em geral e inspirar uma nova geração de cientistas e engenheiros.

Muito obrigada.» [Pedro Sampaio Nunes, Discurso Inaugural do Ano Internacional da Física, 2005]

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Saiu da gaiola e já coça a pilinha...

por Fátima Pinheiro, em 13.07.15

 

 

 

Contaram-me de casos de sucesso, do Rafaels, por exemplo, que não se mexia e passou a mexer-se, e a fazer coisas que não fazia. "Fala com a Iara". E assim foi. Pode ouvir-se no registo acima, a nossa conversa.

 A Iara dePaula é uma terapeuta do Projeto Therapy4kids:  um centro Especializado do Desenvolvimento, com características únicas e especiais, filial da American Therapy House e da Therapies4kids localizadas na Florida (USA), no Brasil, na Malásia, Colômbia e, agora também em Portugal!

VER: leo@pediasuit.com

www.therapies4kids.pt   

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Dr. Basílio Horta: "Nós ainda estamos aqui"?

por Fátima Pinheiro, em 17.06.15

 

 A Filomena a contar tudo/fotografia tirada aqui pelo Rasante

 

 

Não sou mulher de causas, a não ser que a causa seja uma pessoa. A Filomena não "é" uma paralisia infantil. È uma pessoa muito especial, uma lutadora nata, que conheço desde o liceu de Sintra, de onde somos. Reencontramo-nos ao fim de 40 anos no FB. Continua na mesma cadeira de rodas, mas com um sorriso ainda maior. Atravessado pelo sofrimento, claro. Esse bem duro de roer. Voltamos a estar juntas. Apanhou o virus quando tinha um ano e meio. Falo de Poliomielite, também conhecida por paralisia infantil porque o virus "gosta" de crianças. Terá a última palavra?

 

Foi nos anos 40 e seguintes que o flagelo afectou milhares como ela, cá, e lá fora. Ela conta tudo nesta conversa que tivemos na Cantina do Picadeiro, em Galamares. Diz que em tempos houve uma Associação em Évora, mas que agora não há nada. Eu não percebo nada disto, sou amiga e basta. Por isso faço o que posso. E a ela não lhe basta ter recebido da Câmara de Sintra (o ano passado) uma medalha de mérito, pelo trabalho que tem realizado na Biblioteca Municipal. A Filomena quer criar uma Associação :  "Nós ainda estamos aqui". Para melhorar a vida dela e dos que precisam de ajuda, nos 4 pppp, em especial.  Ela explica.

 

Só mais uma coisa. O Dr. Basílio Horta, Presidente da Câmara Municipal de Sintra,  "sou eu". Isto para dizer que sou sempre a favor. Vamos agarrar esta "causa", ou já não estamos aqui? Ou derrapamos?

 

Polio e pós polio Portugal - https://www.facebook.com/groups/388189197960162/

 

 

 

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Os adultérios de Coelho

por Fátima Pinheiro, em 27.07.14

A actualidade deste tema clássico - o adultério- é gritante. Escuso de relembrar - e para não ir mais longe – o que se passou na semana que passou. Tantos problemas, escusados também; porque a traição é muitas vezes tão frequente quanto inocente. É “humana”. O moralismo é que não adianta nada. Uma traição, pelo contrário, pode “adiantar o amor”; pode enriquecer em humanidade.

“Adultério” é o mais recente livro de Paulo Coelho. Entre nós, há dois meses, editado pela Pergaminho. O tema é a traição. Há mil definições de “traição”. O básico: “traição: 1. Acto ou efeito de trair./ Perfídia./3. Entrega aleivosa./4. Quebra aleivosa da fé prometida e empenhada./5. Infidelidade conjugal./6. Emboscada desleal; surpresa vil." (in “Dicionário Priberam da Língua Portuguesa”, 2008-2013). E Santo Agostinho mete sempre a sua colherada: "Negar a verdade é um adultério do coração." Serei eu adúltera?

O fenómeno da traição é universal; habita entre nós também, portanto. O livro estará já por tudo o que é país. Não fosse Coelho o escritor mais lido e traduzido em todo o mundo. Isto diz tudo.

Paulo Coelho escreve sobre o assunto porque a maior parte das mensagens que recebe dos seus leitores é recorrente na confissão de que a traição é o grande problema que afecta as suas vidas. Mais do que o problema da saúde.

O autor veste a pele de uma personagem feminina e escreve que o caminho da felicidade é o compromisso. Uma relação é um desafio. Casado há 34 anos, Paulo Coelho tem dito e repetido que o que mantém uma relação viva é o diálogo. É o perdão. Incondicionais. Reconheceu que é isso que se passa com Jesus Cristo. Quando Pedro Lhe pergunta até quantas vezes se deve perdoar - o tal moralismo tecido de uma mentalidade de cálculos, neste caso quem interroga o mestre avança com o número 7 - , Ele responde: “não 7, mas sim 70x7” (Mateus 18, 21.-22). Um galope de coração.

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