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De tudo um pouco. Cada manhã. Ao sair da pena, bem cedinho. Tudo me interessa.

29
Ago17

 

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com Noronha da Costa, na Casa Museu Medeiros e Ameida

Dêem-me perguntas. Adoro. Deus e o diabo vão aturar-me sempre. Escolhi estudar Filosofia por "desporto". É mesmo o trabalho que gosto. E "felizes" os que trabalham naquilo que gostam, porque aumentam ao gostar natural o das horas de trabalho - dimensão enorme da existência, não só por nos ocupar longas horas, mas porque é através dele que temos a oportunidade de realizar, descobrir e construir. Tudo. O desemprego pode aumentar. Mas trabalho há sempre. O dinheiro é uma grande chatice, e quero também escrever sobre isso. Mas hoje escrevo sobre homens e mulheres. O assunto interessa-me há muito. Nas discussões de adolescência, quando se falava das diferenças entre homens e mulheres, amuava e não discutia. Dizia apenas que o que interessava era a pessoa. Estava completamente out. Eles estavam certos.

No fundo fui sempre um bocadinho tótó; um dia, na 3ª classe, perguntei à D. Júlia por que é que na pré-história só se falava do "homem", se "não havia então mulheres?"...; não que fosse completamente estúpida, um dia até mordi a Cristina. E agora? Não falo de cor. Não há muitos anos, por razões de trabalho recebi uma pessoa que tinha nascido homem (devia ter sido cá uma brasa! alto, olhos lindos, verdes, etc; fui tentando adivinhar ao longo da conversa como seira "ela" antes, mas não me podia distrair porque o tema era sério) e que tinha feito uma operação de restituição sexual e agora é mulher. Passamos umas boas, boas, horas, a "tratar" do problema que a levava ali. Normalmente quando falo com alguém olho muito para a pessoa. Foi o que aconteceu. Ela olhava-me intensamente. A certa altura disse-me que se sentia tão bem a falar comigo que nem tinha vontade de fumar. E cheirava-se que fumava muito. E que era feliz com o namorado. Mas o que eu via não coincidia. Ela dizia uma coisa e eu via outra. Não me venham com a conversa do "respeito". O que é que isso acrescenta aos factos? É como a palavra "assumir"? Mas assumir o quê. A pessoa é, ou não é. Ama ou não ama. Eu sei lá se sou se sou mais doente do que aquela rapariga? E que há muitas doenças que escangalham a pessoa há. Respeitar, assumir, estão a mais. Se não é doença, melhor.

As diferenças entre homem e mulher qualquer criança sabe. É como quando pergunto aos amigos dos meus filhos quando vêm pela primeira vez lá a casa: quantos dedos do pé tenho, e eles dizem logo "5". "Como é que sabes? Não estás a ver!", dizia eu.  Podia escrever um livro com as respostas. Mas têm a certeza que é "5". Não precisam de ver. Por acaso num deles só tenho quatro, fui operada...

É uma questão de sexualidade. O que é sexualidade? Não estou a devolver a batata quente. É a pergunta que fiz e à qual venho obtendo resposta. Já sabia mas faltava mais. E continuo a aprender. E aprender implica descobrir os elos, as razões, e de como o sentimento a ela (à razão) está colado (Kant neste ponto não teve pontaria, porque eu não sou, nem quero ser, anjo). E nada se percebe se não se passa pela homossexualidade; e aqui há a masculina e a feminina, que distam uma da outra como o céu da terra. "Perdi" muito tempo a ver as pessoas. Fiquei a conhecer-me melhor e aos outros. E isto não acaba...

Andamos muito tempo no tabu do corpo. Foi a religião católica, dizem. Há uma parte de razão, nos factos. Mas não esquecer as religiões e as morais antigas, e as de hoje, que pensam que ao inundarem-nos de incensos, óleos e mirras (olhem as lojas dos milhares de centros comercias) nos querem elevar acima do sofrimento, que vem do corpo e sofrimentos adjacentes. Nunca gostei de anestesias, prefiro chorar. Mas, claro, gosto mais de abraços. Todos. O corpo é muito bom!

Ó Richard, meu oficial e cavalheiro, que pena! E eu que gosto tanto do Lama, de facto. Mas foi um papa polaco, filósofo, que agarrou em Husserl e voltou a olhar para o corpo e a discorrer (não fosse ele um atleta). Estava demasiado perto da Rússia para não se ter deixado espantar pela beleza dos corpos de um homem e de uma mulher. Foi nele que bebi, aprendo, e vou vivendo as "palavras" magníficas. Experimento e verifico quem sou e o que é ser mulher. Experimento e verifico o que é ser homem. Sei o que se ganha e o que se perde. Não respeito, nem assumo. Limito-me a ser mulher. Mas sei porque não gosto do "mesmo do mesmo". Não sou bruxa, sou apenas humana, converso, dou atenção (tento) e por isso sei os factos e as razões - porque conheci e conheço pessoas assim - que levaram (e levam; e aqui mea culpa...) a procurar o mesmo do mesmo.

A mim o diferente abre-me ao mistério, dá-me vertigens. Voo e vejo mais longe - saio da gaiola - e não me limito às promessas de um conforto que insiste em invadir-me como se fosse uma ditadura a dizer "da igual, se te gusta"! Isto já vai longo. Há pano para mangas. Para as por e tirar. A sexualidade reside na bela diferença. Beleza é a resposta, por isso quero conviver com ela.

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23
Ago17

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A Secretária de Estado da Modernização administrativa,  disse ao DN que é homossexual. Graça Fonseca considera “importante” fazer a declaração a que chama “afirmação política”, "assumiu" publicamente a sua homossexualidade, leio no jornal. Por isso escrevo este post. Mas principalmente porque o tema da sexualidade me interessa e é raro, sim, falar-se sobre o que é a sexualidade. E porque esta política está cada vez mais fora do real.

Tive o privilégio de estudar com  bons professores de fenomenologia. São João Paulo  II, que poucos conhecem como fenomenólego, deu um passo de gigante no estudo do corpo, uma vez que desde São Tomás de Aquino, século XIII, que não se  dizia nada de novo e verdadeiro sobre o tema. Ligando o sexo ao amor, reconheceu que sexo não se identifica com procriação, mas que as pessoas envolvidas se querem unir, fundir, se querem como que comer uma à outra. Novidade na Igreja Católica? Sim. Pouco conhecida? Sim. A Igreja Católica errou? Sim. A Ciência também erra? Sim. Lembro o que a Ciência disse antes de Galileu, antes de Pasteur. O pensamento evolui, sim senhor.

Em relação à secretária de estado tenho a dizer que entendo "assumir" como um verbo que não faz sentido no seu discurso.  Uma pessoa é homosexual, ponto. O que acrescenta "assumir"?

“Acho que as leis não bastam para mudar mentalidades", diz Graça Fonseca. Pois não, são as mentalidades que fazem mudar.

“Se as pessoas começarem a olhar para políticos, pessoas do cinema, desportistas, sabendo-os homossexuais, como é o meu caso, isso pode fazer que a próxima vez que sai uma notícia sobre pessoas serem mortas por serem homossexuais pensem em alguém por quem até têm simpatia”, sublinhou. Sim, eu gosto de ver os governantes a falarem de si. Agora, "assumir" aplica-se a responsabilidades. Por exemplo, quem assume a responsabilidade destes fogos? Isso sim. Isso é política!

“E se as pessoas perceberem que há um semelhante, que não odeiam, que é homossexual...". Será que li bem? Pessoas mortas ? Odiar?  Preferia estar enganada, mas esta entrevista cheira a agenda mediática, eleições (e aqui ressalvo as intenções da senhora secretária de estado, a quem ponho, como a cada pessoa, político ou não, acima de mim, por razões ontológicas). A esquerda é moderna, e eu sou de esquerda. Um dia destes ainda me vêem a "assumir" que sou católica? A palavra "assumir" é palavra de telenovela.

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02
Ago17

Sexo "ocológico"...

por Fátima Pinheiro

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Só faltava esta: o sexo ecológico! Tomar banhos à dúzia, vibradores a energia solar ou brinquedos eróticos sem PVC. Ideias que convencem  os sexólogos? A mim mais me parecem relações ocas!!!!! Mas apetece-me dizer: cada um que faça o que quiser!!!

Os retiros sexuais, o "sexo ecológico" e a utilização de emoticons eróticos nas mensagens são algumas das tendências sexuais de há uns meses para cá. Ao que parece, segundo um artigo publicado no El País Brasil, o futuro passa, ainda, pelo heart hunting sentimental (recrutamento de parceiros estáveis) e por encontros não focados na penetração. Para alguns sexólogos, só esta última faz algum sentido, mas a grande tendência para o futuro deveria ser "os casais viverem em intimidade de forma genuína, dizendo o que gostam e o que não gostam, sem terem medo que o outro vá embora".

O "eco sex". É então uma palavra para designar a tendência de tornar o sexo mais ecológico. Rege-se por alguns princípios como tomar banho a dois para economizar água e apagar as luzes ou usar velas. Mas há muito mais para quem quiser tornar a sua vida sexual mais verde: há por todo o lado sex shops ecológicas -  a Other Nature foi pioneira - que, além de lubrificantes ecológicos, vendem, por exemplo, chicotes feitos de pneus de bicicletas, ao invés do couro.

Podemos ter todas as opiniões sobre sexo. Tanto faz, o  que tenho eu a ver com o sexo dos outros? Mas neste assunto lembro-me sempre do que dizia Chesterton, de que a imparcialidade é um nome elegante para a ignorância.

Durante muito tempo andamos de boca fechada. Sexo era um tema tabu. Alguém me falava disso? Hoje  é o contrário. E o que oiço? Tudo muito pela rama. Por paradoxal que pareça foi João Paulo Il o primeiro filósofo a pegar no tema de uma forma completa. Conhecer é muito bom. Tudo sabe de forma diferente.

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15
Ago15

 

 imagem tirada da net

 

Mais que batidas as teclas: "por detrás de um grande homem, está sempre uma grande mulher." E é das tais que nunca serão deixadas de se ouvir. Curioso que nunca se ouviram estas: "por detrás de um grande homem, está sempre uma grande homem"; ou estas "por detrás de um grande mulher, está sempre uma grande mulher." As palavras que usamos têm razões. Por vezes saem de uso porque as razões deixaram de o ser. Neste caso, em que ficamos?

A filosofia é feita de razões. Nesse sentido é verdade afirmar que todas as filosofias têm razão. Todo o alinhavado de palavras que saia deste cabide é tudo menos razoável. Devo esclarecer - para não ser mal interpretada - que a poesia, e as outras artes, contem filosofia, só que são expressões diferentes. Cada uma tem a sua modalidade de dizer razões. À filosofia cabe o papel de articulá-las de forma lógica, demonstrativa e intuitiva. No caso, mulher e homem, grandes, onde, são tantas as perguntas! Complementaridade entre eles? O que é ser "grande"? E o "onde", que aqui não é usado para designar o local, mas outro lugar, aponta para quê?

Acordei com isto na cabeça. Por isso é que "rasante" é o nome deste blog. O meu trabalho é filosofar e muitas outras coisas. Poesia muita, também. E nem sempre me sai bem. Por isso é que se pode dizer que todas as filosofias têm razão, mas há umas que têm mais razões que outras. E para escolher um dos bons, um poema de Mário de Sá Carneiro, que me tem nestes dias levado ao colo. Diz o que é ser grande, homem, mulher e o lugar. 

Último Soneto: « Que rosas fugitivas foste ali:/ Requeriam-te os tapetes – e vieste.../– Se me dói hoje o bem que me fizeste,/É justo, porque muito te devi./Em que seda de afagos me envolvi/Quando entraste, nas tardes que apareceste –/Como fui de percal quando me deste/Tua boca a beijar, que remordi...//Pensei que fosse o meu o teu cansaço –/Que seria entre nós um longo abraço/O tédio que, tão esbelta, te curvava...//E fugiste... Que importa? Se deixaste/A lembrança violeta que animaste/Onde a minha saudade a Cor se trava?...» Mário de Sá-Carneiro, Indícios de Oiro, Paris, Dezembro 1915 in Verso e Prosa, Assírio e Alvim, Lisboa, p 114.» 

 

Hoje não quero filosofar.

 

 

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29
Jul15

O meu corpo é muito bom!

por Fátima Pinheiro

 Pier Paolo Pasolini/imagem tirada da net

 

Dêem-me perguntas. Adoro. Deus e o diabo vão aturar-me sempre. Escolhi estudar Filosofia por "desporto". É mesmo o trabalho que gosto. E "felizes" os que trabalham naquilo que gostam, porque aumentam ao gostar natural o das horas de trabalho - dimensão enorme da existência, não só por nos ocupar longas horas, mas porque é através dele que temos a oportunidade de realizar, descobrir e construir. Tudo. O desemprego pode aumentar. Mas trabalho há sempre. O dinheiro é uma grande chatice, e quero também escrever sobre isso. Mas hoje escrevo sobre homens e mulheres. Normalmente acordo cheia de coisas na cabeça, e só descanso quando as passo ao papel. Hoje acordei a pensar neles.

O assunto interessa-me há muito. Nas discussões de adolescência, quando se falava das diferenças entre homens e mulheres, amuava e não discutia. Dizia apenas que o que interessava era a pessoa. Estava completamente out. Eles estavam certos. No fundo fui sempre um bocadinho tótó; um dia, na 3ª classe, perguntei à D. Júlia por que é que na pré-história só se falava do "homem", se "não havia então mulheres?"...; não que fosse completamente estúpida, um dia até mordi a Cristina, e levei reguadas. Mas era assim. E quando, já no liceu, as 7 mais belas raparigas se juntaram para serem as 7 mosqueteiras, as 7 magnífícas, ou os 7 anões, aceitei - e ainda hoje gosto de ser - o nome "Dunga". O que ainda nos divertimos.

Agora? Não falo de cor. Não há muitos anos, por razões de trabalho recebi uma pessoa que tinha nascido homem (devia ter sido cá uma brasa! alto, olhos lindos, verdes, etc; fui tentando adivinhar ao longo da conversa como seira "ela" antes, mas não me podia distrair porque o tema era sério) e que tinha feito uma operação de restituição sexual e agora é mulher. Passamos umas boas, boas, horas, a "tratar" do problema que a levava ali.

Normalmente quando falo com alguém olho muito para a pessoa. Foi o que aconteceu. Ela olhava-me intensamente. A certa altura disse-me que se sentia tão bem a falar comigo que nem tinha vontade de fumar. E cheirava-se que fumava muito. E que era feliz com o namorado. Pois ainda bem. Mas o que eu via não coincidia. Ela dizia uma coisa e eu via outra.

Não me venham com a conversa do "respeito". O que é que isso acrescenta aos factos? É como a palavra "assumir"? Mas assumir o quê. A pessoa é, ou não é. Ama ou não ama. Eu sei lá se sou se sou mais doente do que aquela rapariga? E que há muitas doenças que escangalham a pessoa há. Respeitar, assumir, estão a mais. Se não é doença, melhor.

As diferenças entre homem e mulher qualquer criança sabe. É como quando pergunto aos amigos dos meus filhos quando vêm pela primeira vez lá a casa: quantos dedos do pé tenho, e eles dizem logo "5". "Como é que sabes? Não estás a ver!" Podia escrever um livro com as respostas. Mas têm a certeza que é "5". Não precisam de ver. Por acaso num deles só tenho quatro, fui operada...

É uma questão de sexualidade. O que é sexualidade? Não estou a devolver a batata quente. É a pergunta que fiz e à qual venho obtendo resposta. Já sabia mas faltava mais. E continuo a aprender. E aprender implica descobrir os elos, as razões, e de como o sentimento a ela (à razão) está colado (Kant neste ponto não teve pontaria, porque eu não sou, nem quero ser, anjo). E nada se percebe se não se passa pela homossexualidade; e aqui há a masculina e a feminina, que distam uma da outra como o céu da terra. "Perdi" muito tempo a ver as pessoas. Fiquei a conhecer-me melhor e aos outros. E isto não acaba...

Andamos muito tempo no tabu do corpo. Foi a religião católica, dizem. Há uma parte de razão, nos factos. Mas não esquecer as religiões e as morais antigas, e as de hoje, que pensam que ao inundarem-nos de incensos, óleos e mirras (olhem as lojas dos milhares de centros comercias, ou bestiais...) nos querem elevar acima do sofrimento, que vem do corpo e sofrimentos adjacentes. Nunca gostei de anestesias, prefiro chorar. Mas, claro, gosto mais de abraços. Todos. O corpo é muito bom!

Ó Richard, meu oficial e cavalheiro, que pena! E eu que gosto tanto do Lama, de facto. Mas foi um papa polaco, filósofo, que agarrou em Husserl e voltou a olhar para o corpo e a discorrer (não fosse ele um atleta). Estava demasiado perto da Rússia para não se ter deixado espantar pela beleza dos corpos de um homem e de uma mulher. Foi nele que bebi, aprendo, e vou vivendo as "palavras" magníficas. Experimento e verifico quem sou e o que é ser mulher. Experimento e verifico o que é ser homem. Sei o que se ganha e o que se perde. Não respeito, nem assumo. Limito-me a ser mulher. Mas sei porque não gosto do "mesmo do mesmo". Não sou bruxa, sou apenas humana, converso, dou atenção (tento) e por isso sei os factos e as razões - porque conheci e conheço pessoas assim - que levaram (e levam; e aqui mea culpa...) a procurar o mesmo do mesmo.

A mim o diferente abre-me ao mistério, dá-me vertigens. Voo e vejo mais longe - saio da gaiola - e não me limito às promessas de um conforto que insiste em invadir-me como se fosse uma ditadura a dizer "da igual, se te gusta"! Isto já vai longo. Há pano para mangas. Para as por e tirar. A sexualidade reside na bela diferença.

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22
Jan15


 

Alessandra Negrini em "2 Coelhos",  de Afonso Poyart/ imagem tirada da net

 

Tenho muito apreço pelos media. São uma "beleza", um meio excepcional de se fazer uma humanidade melhor. As primeiras páginas nem me incomodam. Podem até por o Cristiano Ronaldo nu a bater umas bolas. Ou a Alessandra Negrini. Eu, que sou católica, sempre vi no corpo, uma das coisas mais belas que Deus criou. Aliás, contrariamente a muitas outras religiões, o corpo é tão importante que é até no Antigo Testamento que aparece a palavra "sax", que quer dizer "carne", e é uma autêntica revolução na Antropologia Filosófica. Tenho é horror à mediocridade da falta de informação. Digo o mesmo em relação à desinformação e à manipulação. Isto é muito complexo: os jornais não vendem, todos sabemos que é caro, todos sabemos quem os paga. Agora, fazer um jornal não pode ser fazer coelhos! Abortem. Eu explico.

 

Não sou uma santinha, antes pelo contrário, caio milhares de vezes ao dia. Por isso é que peço, todos os dias a quem me fez - e faz - me ajude a ser "bela". Chama-se a isto liberdade, oração. Já fiz muitos "coelhos" porque sim. Agora, por entre coisas boas, os media oferecerem-nos sempre e sempre do mesmo (excuso de dizer, ou digo? ), é demais. É fazer coelhos. Merecemos mais. Eu mereço mais. E, à minha escala, esforço-me por dar o meu melhor. Salgado, Salgado Salgado? Bárbara, Barbára, Bárbara? Francisco, Francisco, Francisco? (agora parece que vem aí um novo assunto :o sexo ecológico - ou será antes "ocológico"? aviso já que não devem entrar na minha cama, era o que faltava!; a não ser que me apeteça). Casa, descasa, engana, engana, acerta, descasa, casa outra vez. Pedro e Paulo, Paulo e Pedro.

 

Falo em particular deste último, Francisco, porque estou dentro do assunto, dada a minha formação e experiência filosófica e teológica ("que gaja mais convencida!", pode ser, não me importo). E porque sei o que é ser mulher de um marido e por ser mãe de três filhos. E, não menos importante: conheco casais que não podem ter filhos. E porque a sexualidade é um dos campos que mais me interessam. Jornais? Devoro tudo. Ontem, a propósito dos católicos, coelhos, e do que disse o Papa, a confusão que por lá andou. Para dar um exemplo - senão parece que falo do nada - li que a célebre e citada passagem bíblica do crescei e multiplicai-vos é um mandamento de Cristo, do Novo Testamento. Isto é caso para grande penalidade. Outro caso: nunca li nada de fundo sobre a Teologia do Corpo iniciada por João Paulo II. Outra penalidade. Mas não falo mais em penalidades. Senão teria que ir para as crueldades que se fazem a inocentes - dentro e fora da Igreja - e deixa pessoas escangalhadas para a vida inteira. Mas como fui treinada a reter o "bom" (isto vem no Novo Testamento, para abolir o olho por olho do Antigo Testamento),  ainda acredito que isto vá melhorando. Um dia de cada vez, a começar por mim. A ter presente que há mais coisas no céu e na terra do que Guimarães, Salgados e Carrilhos. E que escrever sobre o joelho - eu sei que um ritmo frenético e exigente diário é extenuante e leva a deslizes não intencionais - não dá bom resultado. Pode até ser grave se os assuntos são da beleza e da gravidade da vida. Enganem-se - abortem -  sem querer num assunto menos determinante -  embora, paradoxalmente, todos o sejam. 

 

 

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   4.10.2014 Fátima Pinheiro/  MR@MIGUELRIBEIROPHOTO.COM

 

Nestas coisas a dois, ou dão os dois para a caixa, ou a coisa fica torta. Vem isto agora porque no meu facebook dei com um texto de um grupo de jovens casais católicos. Genial! Dizem como eu não saberia dizer. Por isso o transcrevo. Rasantes, não querem uma Igreja que mude com o mundo, mas uma Igreja que mude o mundo (Chesterton). E muito oportunos, enquanto em Roma decorre o Sínodo da família.

 

Cada um faz da sua vida o que quiser. No sentido em que temos razões, sentimentos e uma vontade que serve para consentir. Eu escolhi a Igreja Católica, ou, melhor foi Ela a mim. Não que seja melhor que os outros. Sei de mim o que faço e argoladas tenho feito e farei muitas. E até esta é uma das razões porque esta Igreja é mais humana que as outras. Não se venha agora com a coisa: fazes, confessa-te, e pronto. Toda a gente sabe que isso é batota. Mas até a batota “cabe” na Igreja de Pedro, que negou Cristo muito mais que três vezes. Mas tal como ele, também eu não digo como a raposa disse das uvas maduras: “são verdes, não prestam”. Não meço o que quero para a minha vida pelos meus “conseguires”. Todos, católicos e não católicos, somos feitos da mesma massa. A Igreja Católica não é uma moral mas sim uma presença que muda. Ai tanta ignorância sobre estes assuntos, sobre esta vida. 

 

Apesar de não ser jovem, de o meu casamento ter agora outra cara, assino então por baixo, porque quero ser católica mesmo. É no pertencer a esta família que encontro as razões do meu viver.

 

“No artigo publicado no passado dia 14 de Outubro, o jornal I quis saber como vivem e pensam os jovens casais católicos de hoje. Para ajudar a cumprir o propósito do artigo, vimos por este meio apresentar-nos: somos jovens casais católicos de hoje, unidos pelo Sacramento do Matrimónio, fiéis à doutrina da Igreja. Passamos a explicar:

 1)Somos casais, homem e mulher, baptizados, que aderiram a Cristo por Amor, em total liberdade. E esta adesão é completa porque, para nós, Amar implica uma experiência de entrega total, sem reservas ou limites: por isso frequentamos regularmente os Sacramentos e participamos activamente das comunidades e Movimentos a que pertencemos.

2) Entendendo o Amor como a nossa vocação, ou seja, aquilo para que fomos chamados, e tendo como exemplo máximo Cristo que morreu por nós na Cruz, para nós o Sacramento do Matrimónio não pode significar uma entrega menor que esta. Por isso, com Deus, tornamo-nos um só, uma só carne, até que a morte nos separe.

3) Sabemos que a sexualidade é parte integrante do nosso corpo e que, tal como ele, é boa e foi criada por Deus. Sabemos que não temos um corpo, mas que somos um corpo, e o sexo para nós só faz sentido se corresponder a uma entrega total por amor: livre, aberto a todas as suas consequências, sem reservas, uma experiência de comunhão total entre 2 pessoas. Menos do que isto não queremos.

Trocado por miúdos, dispensamos as pílulas, os preservativos e tudo o que poderia distorcer esta união livre. Não queremos ser objectos sexuais, queremos amar e ser amados. E não queremos excluir Deus desta parte da nossa vida. Para nós, o sexo tem tanto de humano como de divino. Os casais católicos de hoje são sem dúvida muito exigentes neste assunto.

4)Sim, estamos abertos à procriação, porque consideramos que a Vida é um dom. Os filhos são os frutos do nosso amor e não faria sentido negá-los, adiá-los ou planeá-los com a leveza de quem projecta umas férias ou a compra de uma casa. Viver assim, em generosidade, traz-nos uma alegria imensa. Mas sabemos que as circunstâncias da vida nem sempre são fáceis. E por essa razão procuramos conhecer o nosso corpo, estudar em casal a fertilidade da mulher, e os métodos naturais que melhor se adaptarem a nós nessas alturas difíceis. Mas a generosidade mantém-se. Os bebés, para nós, nunca são persona non grata.

5)Por último, era bom que fosse, mas nada disto veio da nossa cabeça. Veio do Novo Testamento, das encíclicas dos Papas (Humanae Vitae, Familiaris Consortio, ...), das catequeses do Papa João Paulo II que deram origem à Teologia do Corpo, e do próprio Catecismo, que estabelece inequivocamente, apesar de V.Exas. não terem publicado no fim do artigo, que: "a sexualidade é fonte de alegria e de prazer. (...) foi o próprio Criador quem estabeleceu que, nesta função, os esposos experimentassem prazer e satisfação do corpo e do espírito."

Serve esta carta aberta para dar testemunho real de casais jovens que vivem de acordo com aquilo que a Igreja lhes pede. Não faz sentido querer fazer uma entrevista a um maratonista e para tal inquirir uma pessoa que faz jogging aos sábados de manhã.

Queremos dizer que é possível e que desejamos que todos os casais sejam tão felizes como nós somos, apesar das dificuldades que possam surgir"  http://samuraisdecristo.blogspot.pt/2014/10/resposta-de-jovens-casais-catolicos-ao.html

 

 

 

 

 

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Eduardo Lourenço dá-nos hoje, ao final do dia, a chave que abre a beleza, riqueza e complexidade do aparente “Mundo fechado” (1948) de Agustina. Mundo dele e dela. E meu também. Será a última intervenção do Congresso que a Fundação Calouste Gulbenkian acolheu, ontem e hoje. Múltiplas foram as reflexões sobre, entre outros temas, o divino e o religioso em Agustina Bessa-Luís.  De difícil leitura, a obra desta rainha ou génia do norte, abre-nos um mundo solar cuja densidade tudo encerra. E por tudo conter é paradoxal, como o é a cinematografia de Oliveira. Foi alíás ele que ma apresentou. “Gémeos falsos”, coincidem em cada canto. Destaco “Vale Abrãao”, que ela escreve em 1991 e ele adapta em 1993. Foi a ela que o cineasta pediu uma “bovarinha” mais nossa. A mão foge-lhe logo para a caneta. E Ema chega-nos assim num filme obrigatório. Destaco ainda “A ronda da noite”, romance de 2006, que Oliveira gostaria de incluir num dos projectos que tem em mão, que é também o título de um dos quadros de Rembrandt.

 

Eduardo Lourenço falará sem papéis, num discurso sempre novo, sem esquema nem etiquetas. Com a virgindade dum olhar que não acaba, um olhar que com nada se escandaliza, tudo encerra e tudo dá. Ele? Um absolute beginner...E tenho a certeza que, neste caso, a sua fonte é incerta, mas poderosa, duma pobreza pródiga da riqueza de sentido. Com plena consciência da vertigem em que vivemos, por entre as trilogias de amores frustrados, a norte e a sul, não nos facilitará a vida. Mas dá-nos o que mais precisamos. É como se estivesse no Sínodo da família, a decorrer ainda em Roma. Tanto disparate tenho lido estes dias sobre a Igreja, sobre as famílias, sobre a liberdade, sobre sexualidade. Mas por que se fala tão superficialmente, quando tudo é mais simples: parar, escutar e olhar. Mas não, falar de cor e no joelho, do é assim porque se diz que é assim, é o que tenho visto. Escrevam livros, sei lá, sobre doçaria conventual portuguesa.E a pergunta a que se foge, como diabo da cruz: “o que quero?” Devolve-me os laços, devolve-me a mim mesmo. Estreia absoluta; esta, a de uma liberdade provocadora.  E como Eduardo não fala sem mais nem porquê, terá já pedido a Agustina: diz-me “tu” quanto vale Abrãao!

 

O que nos valeu Caim, sabemos muito bem. E o que vence a morte, já o devíamos saber há muito. Mas “quero lá saber”, diz Leonor Silveira, a Ema presa à gaiola de uma vida que corre para a felicidade, aquilo que mais deseja. Mas a felicidade que a bovarinha tanto quer, insiste em não se dar no barulho da sua vida agitada. “Ó menina, não diga disparates”, diz-lhe um dia uma das suas criadas. Ema nem a ouve. É tão melhor navegar com Diogo Dória, no Douro e a alta velocidade. A Bovarinha sou eu, também. Sim, porque a luz de Agustina,  de Oliveira, a luz de Eduardo Lourenço, dá-nos a porta de uma vida humana. E esta não se compra de chave na mão.

 

 

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Acordei na Rádio Renascença. A ouvir um dos administradores da Gulbenkian, Marçal Grilo, a comentar o que Cavaco quer entre os partidos políticos, tema do Conselho de Estado de hoje. E a concluir: “o consenso é uma miragem”. Noutro registo recebi da jornalista da mesma rádio, a vaticanista Aura Miguel, a sua leitura de um documento que os Bispos têm agora entre mãos para analisar e sintetizar, e estar pronto para a Assembleia Ordinária dos Bispos, a realizar de 4 a 25 de Outubro do ano que vem: “ Jesus Cristo revela o mistério e a vocação da família”. Outra miragem?

O Instrumentum Laboris (IL), divulgado a 26 de Junho, http://www.vatican.va/roman_curia/synod/documents/rc_synod_doc_20140626_instrumentum-laboris-familia_po.html#APRESENTAÇÃO , “recolhe os dados, testemunhos e sugestões enviados pelas dioceses, paróquias, movimentos e comunidades de todo o mundo católico, em resposta ao questionário enviado pela Santa Sé, no passado mês de Novembro, com perguntas relativas ao matrimónio, família e educação cristã” , resume a jornalista. Está estruturado em três partes, que serão amplamente desenvolvidas nos trabalhos do próximo Sínodo de 5 a 19 de Outubro em Roma, sobre “O Evangelho da família nas circunstâncias actuais; a pastoral familiar face aos novos desafios; e a responsabilidade dos pais e abertura à vida”. O Papa “extraordinário” resolveu ele também convocar este Sínodo extraordinário.

Deixo então o meu Best of do resumo elaborado pela jornalista da RR. Uma miragem também (passo de 11 para uma página) que percorro nas três partes em que o IL se divide, a saber: I - O Evangelho da Família nas circunstâncias atuais; II - A Pastoral da Família face aos novos desafios; III – Abertura à vida e responsabilidade educativa.

I. A maioria dos cristãos, incluindo os pastores ignora os ensinamentos da Igreja sobre a família, “os documentos não são minimamente conhecidos e sente-se uma certa dificuldade em pegar nestes textos e estudá-los. A maioria das respostas sublinha “o crescente contraste entre os valores propostos pela Igreja sobre matrimónio e família e a situação social e cultural diversificada em todo o planeta”. “Hoje, não só no Ocidente, mas progressivamente em todas as partes da terra, a investigação científica representa um sério desafio ao conceito de natureza. A evolução, a biologia e as neurociências, confrontando-se com a ideia tradicional de lei natural, chegam a concluir que ela não deve ser considerada «científica».”
Muitas respostas consideram desejável “linguagens acessíveis” e “melhores homilias” sobre a palavra de Deus e o valor do matrimónio e da família, bem como “promover uma pastoral capaz de estimular a participação da família na sociedade”, com incidência no mundo do trabalho, educação, saúde; na capacidade de unir entre si as gerações; na promoção de leis justas.

II. Muitas respostas frisam “a insuficiência e até a incapacidade de construir relações familiares devido ao sobrevir de tensões e conflitos entre os cônjuges, causados pela falta de confiança recíproca e de intimidade, ao domínio de um cônjuge sobre o outro, mas também pelos conflitos geracionais entre pais e filhos.”
As respostas que chegaram de todo o mundo mencionam os “escândalos sexuais no âmbito da Igreja (pedofilia, sobretudo), mas também em geral a de uma experiência negativa com o clero ou com outras pessoas”.

Todas as Conferências Episcopais se expressaram contra uma “redefinição” do matrimónio entre homem e mulher, através da introdução de uma legislação que permita a união entre duas pessoas do mesmo sexo. Quanto a uma pastoral a favor destas pessoas, ainda não existem programas pastorais a este propósito, por isso “não faltam pedidos para que se aprofunde, os sentidos antropológico e teológico da sexualidade humana e da diferença sexual entre homem e mulher, capaz de fazer face à ideologia do género.”

As respostas recebidas pronunciam-se “contra uma legislação que permita a adopção de filhos por parte de pessoas em união do mesmo sexo, porque vêem em perigo o bem integral do filho, que tem direito a ter uma mãe e um pai, como foi recordado recentemente pelo Papa Francisco (cf. Discurso à Delegação do departamento internacional católico da infância, 11 de Abril de 2014).“

III. Os atuais contrastes entre uma visão cristã da vida e da sexualidade, e um delineamento fortemente secularizado foram identificados já pelo Papa Paulo VI que, na Encíclica Humanae Vitae, estava consciente das dificuldades que as suas afirmações poderiam suscitar. Em contextos mais secularizados, “a redução da problemática à casuística não beneficia a promoção de uma visão ampla da antropologia cristã. Faz-se notar, muitas vezes, como o ensinamento da Igreja é rejeitado apressadamente pela mentalidade predominante como retrógrado, sem se confrontar com as suas razões e com a sua visão do homem e da vida humana.”

A última parte do IL trata do desafio educativo. “Frequentemente, se verificam reticências e desinteresse por parte dos pais em relação ao percurso de preparação cristã proposto pelas comunidades. O resultado é que muitas vezes os pais evitam participar nos percursos previstos para os filhos e para eles, justificando-se com razões de tempo e de trabalho, enquanto muitas vezes se trata de desleixe e de busca de soluções mais cómodas ou rápidas. Sente-se a necessidade de um acompanhamento melhor, permanente e mais incisivo em relação aos pais que vivem tais situações. Uma vez que é elevado o número de quantos voltam à fé por ocasião da preparação dos filhos para os sacramentos.”

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