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De tudo um pouco. Cada manhã. Ao sair da pena, bem cedinho. Tudo me interessa.

27
Out17

A Católica foi provocada!

por Fátima Pinheiro

 

 

A Universidade Católica faz 50. Visitou ontem  o papa, que sublinhou a sua natureza e missão, num discurso a reter. Se uma Universidade não precisa de adjectivos, já o ser católica é substancial. Foi uma pro-vocação e con-vocação. O que diz e faz esta instituição? Doutores?

A natureza e missão mais alta de uma universidade é a de buscar a verdade. Não se reduz ao modelo parcial da utilidade. Mas como se ensina a não olhar um grau universitário como sinónimo de maior posição, sinónimo de mais dinheiro ou maior prestígio social? Não são sinónimos. Ajudamos a ver esta preparação como sinal de maior responsabilidade perante os problemas de hoje, perante o cuidado do mais pobre, perante o cuidado do meio ambiente? Não basta realizar análises, descrições da realidade; é necessário gerar espaços de verdadeira pesquisa, debates que gerem alternativas para as problemáticas de hoje. Como é necessário descer ao concreto! 

Uma razão equivocada reconhece como seu último critério a pressão dos interesses e a atração da utilidade. Tendemos para isso em muitos aspectos da nossa vida. Mas insistimos  em não desisistir das duas asas do espírito, que são a razão e a  fé, como lembrou S.João Paulo, numa encíclica que é uma autêntica jóia e muito pouco usada.

A universidade na sua plenitude é sede e Sede de Sabedoria (um dos nomes de Nossa Senhora). Só assim pode ensinar. Na sua plenitude.

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12
Out17

Madonna virou homeless...

por Fátima Pinheiro

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Estás triste? Andor! Já temos homeless que cheguem. Não há paciência. Eu até percebo o queixume, que seguramente vai ter consolo. Quem não chora não mama, não é? E vêm todos de cócoras. Mas é sol de pouca dura, minha querida. Virgem só há uma, a de Fátima e mais nenhuma. Altares contemporâneos?  Cada um faz os que quer. É isso e a nova telenovela socrática. 

Ao que se chegou! O que me vale é que tenho para onde olhar e me encher de sentido e alegria.

 

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18
Set17

Hoje resolvi escrever javardices

por Fátima Pinheiro

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         Francisco Seixas da Costa, António Correia de Campos, numa das sessões do meu Conhaque-Philo de 2017

 

Domingo são as autárquicas. Tanta tinta, sangue e mentira têm corrido! Hoje vou escrever sem norte, em modo de salada mista. É que os assuntos são tantos, tratados sem critérios que se estimem, arbitrariedade e estupidez, que decidi escrever, nem sei bem o quê. E porquê? Porque por muito que alguns digam que se estão a lixar para isto tudo, é mentira. E os que não se lixam, escusam de por fotografias da "humanidade" coitadinha, crianças a sofrer, os vários alepos e coisas do género, estamos em Portugal e há crianças e os outros que sofrem muito. Mas mais longe custa menos, não é? É só ilusão. Eu também me iludo...

Porque é que há um senhor muito salgado que recebe uma pensão de 90.000 mil euros, mês ? O que fez ele? Porque é que Sócrates ganha também uma choruda quantia mensal? O que fez ele? Deve ser de família!!!! Como de família deve ser o que se dá a César e não é de César! É que é a família toda com trabalhos muito porreiros. Se fosse um ou dois! Agora todos! Eu sei que uma pessoa pode ser excelente profissional apesar do nome. Mas todos e adjacentes!! Não me cheira bem.

Os impostos vão baixar em 2018, senhor ministro Centeno. Não tenho razões para acreditar que "eles não virão" de outra forma. Ou será que nas férias conheceu o tio Patinhas? Duvido. Parece-me mais uma promessa sem tino.

Sócrates deu uma entrevista à "Voz da Galiza". Então cadê a voz de Paris? Compara-se  a Lula da Silva. Por supuesto...

Medina compra e mete no bolso, Moreira favorece a família. Há mesmo eleições no Domingo? Pelas temáticas em debate não parece,

Poe  rotunda, estátua, mais as selfies e levar com o cheiro do povo.  A cultura dá-me vontade de rir. Não me apetece escrever mais. Só quero daqui enviar os meus parabéns ao senhor embaixador Francisco Seixas da Costa.

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14
Ago17

Tenho interesse em mudar?

por Fátima Pinheiro

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 Naomi Tereza Salmon, Exhibits , 1994

 

Deu a vida por um homem. É uma história conhecida, a deste homem que hoje recordo. Refiro-me ao dar a vida no sentido de morrer mesmo. Lembro-me em particular dos que o fizeram e fazem por um futuro a vir (para abreviar, comunistas e homens-bomba). Ou seja, por utopias. Este post não é contudo um artigo da categoria "obituário", mas é sim uma opinião, por muito que seja desagrável. Há opiniões muito desagradáveis, sobretudo para uma mentalidade que erigiu o agradável em valor primordial. Nem por acaso folheei há pouco um livro que tenho na cabeceira, "Beleza desarmada", de Julián Carron, cuja apresentação em Portugal foi feita pelo historiador Rui Ramos, no Campo Pequeno. E vejo sempre com muito agrado a apresentação desse livro em S.Paulo na Livraria Cultura. A pessoa a quem dedico este pequeno texto deu a vida por um homem que conheceu num campo de concentração. Trata-se de  Maximiano Kolbe, que João Paulo II canonizou, e cuja Memória a Igreja hoje celebra. Sei que, para  dar um exemplo atual, muitos bombeiros merecem o altar e muitos são aqueles que têm morrido queimados vivos. Mas nada disso tira o valor ao caso que hoje aqui trago.

Quero  sublinhar dois pontos. Primeiro, que a crise que se vive hoje a vários níveis tem origem numa sociedade que acreditou que os valores do cristianismo poderiam vingar sem ele. A famosa "Religião nos limites da razão", do filósofo Kant. O resultado está à vista: em privado ninguém se entende, cada um faz o que lhe apetece  e a gestão da vida pública é o que se vê. Pedrogão é um bom case study. A cosmética das uniões de valores e pessoas ao sabor das ondas já mostrou que tem pés de barro. As mesmas palavras de sempre - trabalho, família, política, amor, religião, prazer e outras- estão vazias, como vazios estão quem as pronuncia e com elas se engana e enganam os outros, enquanto vivemos a média dos 70 anos que nos cabe neste planeta.

O  segundo ponto que sublinho: para quem está interessado em mudar-se a si à sociedade em que vive, olhar para o gesto de Kolbe fornece as razões que podem realmente mudar para um sentido que faz sentido. Mais: muda mesmo!

No final de julho de 1941 estava o santo no Bloco 14, “bunker da morte”: um subterrâneo, onde um grupo de sorteados, nus, esperavam a morte. Era um terror, podia ser a qualquer momento. As razões de Kolbe? Ofereceu-se para morrer em lugar de um deles, que gritava pela sua família. Kolbe não se ofereceu pela humanidade. Deu sim a sua vida por aquele homem. A revolução que transforma vem deste olhar para o outro , nos  olhos, como filho de um mesmo Pai. As igualdades, as liberdades e a fraternidades são "nadas", "fazem mal" (Papa Francisco), se não se nutrem n'Aquele que um dia chamou este filho polaco a ser abraçado para ser franciscano. Sem o Cristianismo assim entendido e vivido, não vamos longe. Graças a ele, o bunker da morte foi bem longe. Transformou-se em capela de oração e de cânticos, com vozes cada dia mais debilitadas, mas vozes. Foi com injeção letal num braço que se estendeu espontaneamente, e que chega até mim...

 

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01
Ago17

A minha querida LGBTIQ+++++....

por Fátima Pinheiro

 

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A ideologia de género é mesmo ideologia e não faz o meu género. Pretende fazer do zero, rebentar com a família, embora use o mesmo termo para a sua aquitectura. E, obviamente, eu, e alguns como eu,  sou categorizada, pertenço, a um período histórico mental ultrapassado.  Até a gramática já mudou!! A língua, essa, já mudou.

Não é por acaso que a Filosofia, há milénios, começou com a lógica, com um estudo das palavras e, sempre que surge um filósofo, é da linguagem que tem de tratar primeiro. Aristóteles ontem, Husserl em 1900, e hoje, para abreviar, os analíticos. Não falo hoje da origem, mas da natureza. Da origem há novidades: Dan Brown já nos deu o presente de Natal.  Da natureza sim, vou abundar. Para isso recorro ao meu filósofo preferido que diz que reconhece, e bem, que "o enunciado não termina em si, mas na coisa". Por exemplo, se eu digo "este copo é de vidro" este enunciado não fica fechado em si mas aponta para "isso" que intenciono. E posso intencionar de forma gestual, ou das formas que eu for capaz de criar para referir a mesma coisa, neste caso o que é designado pela palavra "copo". Com a LGBTIQ (a abreviatura tem vindo a aumentar) passa-se o mesmo.

Pouco importa o nome que eu der a esta ou àquela pessoa, o masculino e o feminino são intencionados por mim, mesmo se eu usasse outras palavras. Há homens e há mulheres. Ponto. Por muito que se diga o contrário quando alguém nasce, não nasce selvagem, é menino ou é menina. É como na gramática haver o género masculino e o femininino. 

Uma vez perguntaram ao  D.José Policarpo se era a favor do casamento homosexual. Ele, que conhecia o jovem jornalista, respondeu: "só se for na tua terra!". 

Obviamente que "cada cabeça sua sentença", não nos vamos processar uns aos outros por pensarmos as coisas de forma diferente. Posso ser Lésbica, Gay, Bisexual, Transexual, Intersexual ou ainda a Questionar. Trata-se de uma ideologia porque trás disto vem uma visão do mundo, não faz por menos. É uma uma forma de entender os homens e as mulheres,  uma forma de ver que parte da cabeça e perde pouco tempo a olhar as coisas; que defende que uma visão do sexo apenas como atração entre um homem e uma mullher é mentirosa e redutora. É só uma opção, uma entre tantas... Ser mulher  e ser homem é algo que cada um vai decicidindo ao longo da vida. O "y" dos cromossomosas é para esquecer.

E se argumentos mais não tenho para pensar de forma diferente, paciência. Tenho o mais forte de todos: a natureza. Gosto de ter pai, de ter e ser mãe e de ter filhos. Claro que se algum deles fosse das comunidades LGBTIQ, amá-lo-ia assim, da forma como escolheram viver. Faz parte da minha natureza e da deles. Amarmos e ser amados.

Donde tira a sociedade, de onde tiramos nós, a ideia dos papéis masculino e feminino? Não é de ser rico ou pobre. É das vidas e das caras das pessoas que por mim passaram e passam. É das vidas e das caras das pessoas por quem passei e passo. E esses encontros e desencontros são muitas vezes duros e complicados. Mas não é por isso que as coisas deixam  de ser o que são. Só a liberdade é que gosta de "sair", faz parte da sua natureza. Tudo o mais é para se construir. Um filósofo português lembrou que o homem é dado em natureza para se reconstruir em liberdade. E  ontem Eduardo Lourenço - um homem que sempre quiz ser homem ao longo da vida... - na entrevista que deu ao Público disse "Sei tanto agora que tenho quase cem anos como quando tinha dois."

Quando eu era pequenina, aos domingos de manhã, ainda na cama, ouvia o meu pai e a minha mãe, também ainda na cama, falavam, falavam, falavam. Por isso eu sou hoje tão feliz. Ao longo da vida fui questionando, finalmente encontrei-me e sei o que quero. Fui a menina do meu pai. Não fui a sobrinha do tio que ia casa do irmão brincar ao "ursinho" com a menina que conheci em mulher, e ainda  lhe dói o que calou durante anos. 
Teria mil mil histórias para aqui contar. E sei que somos todos únicos e irrepetíveis. Lembro só a da Patrícia, que antes de se chamar  assim, se tinha chamado Pedro,  fez uma operação ... Disse que ainda era infeliz, mas que ao pé de mim se sentia bem, que nem precisava de fumar. A cara rebentava de silicone.

E a história do João, que passa a vida a dizer bem das tias, que eram gays, lésbicas, ou homosexuais, mas que o criaram, e que lhe deram tudo, mais do que muitas famílias com pai e mãe. Ainda bem. O amor é muito bom. Agora, as coisas são o que são. E cada caso é um caso.  Como se passa com os heterosexuais. Eu não me reduzo a um número.

Por vezes é como se os meus queridos LGBTIQ tivessem várias peles vestidas. Às vezes despem-nas. Para mim!!! Alguns fumam...

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30
Mai17

Trocar as pernas pelas mãos

por Fátima Pinheiro

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O corpo tem nas mãos e nas pernas muito que se lhes diga. Pôr as mãos à obra, ter pernas para andar, apenas duas expressões entre as muitas existentes e que as glosam como poderosas. Pois é, há quem as constate como boas pernas, e boas mãos, querendo dizer muita, muita coisa.  Ter mão. Ter perna. "Meter os pés pelas mãos" é outra coisa. O quero dizer hoje é que não há necesssidade de trocar nada. Porém, como tudo na vida, tem a sua complexidade. Venha ela. Mas digo já que com  tudo a correr bem não troco nada. Só para melhor e porque é subjectivo.

Ao sétimo dia Deus viu que era tudo muito bom. Eu demorei um bocadinho mais. Disseram-me, não há muito tempo, que a partir dos cinquenta uma pessoa começa a entender um pouco da vida. E que depois só pára se quiser. E aprendi que ninguém manda na minha liberdade. Por isso é que ela se chama liberdade. A verdade é que confere.

Uma coisa é ficar sem pernas, num acidente ou assim. Conheço pessoalmente algumas pessoas que sofrem porque estão incapacitadas de andar. Não sei o que isso é. Só as vejo, vejo como vivem, e também como reagem de formas diferentes. Quanto a mim, ainda tenho as duas pernas, apesar de já ter tido alguns acidentes. E tenho as duas mãos. Não as troco por nada. Nem umas pelas outras. Todas me fazem falta. Digo isto porque já mas quiseram cortar, e trocar, mas eu não deixo. Sou uma mulher de sucesso!!! Ah, e não atiro os sapatos a ninguém. Só lhes tiro o chapéu.

 

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01
Fev17

Eutanásia: desejada ou desejante?

por Fátima Pinheiro

 

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Hoje analisa-se no Parlamento a Petição a favor da Eutanásia. O deputado do Bloco de Esquerda, José Manuel Pureza, abriu anteontem o Programa prós e contras, precisamente sobre a Eutanásia. É o autor dessa petição, como o nome mais light de "Despenalização da morte medicamente assistida". Desta vez foi muito claro quem é pró e quem é contra (parabéns Fátima Campos Ferreira). A questão, apesar de muito complexa, é simples, como se pode verificar logo nessa intervenção inicial. Tudo o que a seguir se disse seria até escusado. Não querendo brincar com uma coisa muito séria, até parece que há uma espécie de alzeihmer filosófico.

Sabemos que é fácil navegar na maionese holandesa, e nos chamados direitos já aquiridos, e sabemos também que Kant é o guru de muitos; os gurus têm crescido como cogumelos, e tal como eles, é preciso ter cuidado, não vão ser eles venenosos. Os números postos na mesa ontem divergiam. Mas o que escrevo vem antes, ou melhor, está noutro patamar.

Com uma calma que lhe vem de defender o que acha ser óbvio o deputado começa a desenrolar o seu discurso. Muito simples: lembra que cada um dos presentes - a Fátima Campos Ferreira, por exemplo, é que decide o que faz. Não sei dizer à letra, mas era uma coisa do género: sou eu que decido com quem quero casar, sou eu que decido de que música gosto, sou eu que decido o que visto, sou eu que decido que filme vou ver,...lá,lá,lá,....sou eu que decido que vou morrer. Sou eu que decido tudo. Mesmo que se seja entregar nas mas mãos do médico a encomenda, sou eu que decido. Claro como a água, eu sou uma terra de decisões. Falta perguntar-lhe: senhor deputado, terá sido também o senhor que decidiu vir à vida?

Pode parecer simplista, mas passar por cima deste "pequeno" pormenor, que é "ao dar por mim já cá estou", é desonesto inteletualmente. Ninguém está aqui para ser do contra, para ser contra a pessoa, para prolongar sofrimentos que parecem monstruosos. Trata-se de realismo. Nenhum de nós tens as chaves da vida, a morte é sempre assistida, e medicamente assistida, e não tem dignidade. A vida sim, é digna, por isso tem mais razão quem quer "proporcionar" vida, mais e melhor se possível. Quem propociona os paliativos adequados (aqui bastaria menos estádios de futebol e mais cuidados de uma humana assistência médica; e eu que sou uma benfiquista ferranha, mas sei que a vida vale mais que o futebol - até parece ridículo ter que dizer isto; mas o futebol é só um exemplo...). Tem mais razão quem tem para oferecer ao outro mais do que abrir-lhe uma porta antes de tempo.

Há muitas janelas que se podem abrir para que o outro não se sinta um peso. É muito fácil sentir-se pesado, saber que dá trabalho, e dá. E se nós quisermos ter trabalho? Quem me impede de amar o outro custe o que custar? Falinhas mansas, não obrigada. 

Mais de 14 mil pessoas assinaram no entanto outra  petição , intitulada "Toda a vida tem dignidade", contra a eutanásia, que foi entregue a passada quarta-feira no Parlamento. 

 

 

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Uma mulher sem importância e um Presidente afectuoso

Fotografia de Rui Ochoa

 

 

Pois é. Agora - de barriga de aluguer na agenda - a porca torçe o rabo. Concerteza que sim, o Presidente da República é-o de todos os portugueses, concilia, previne e tudo o mais, o que é bom, o bem comum. Sabemos. Agora preciso de saber, de ouvir da sua boca se acha que é para o bem de uma mulher alugar-se, ser realmente, ontologicamente, MÃE, e depois deixar de o ser? E um filho ser arrancado ao lugar onde foi gerado? Ou Aristóteles já não vale? Se não, é como dizer (e pior ainda) que o Direito de hoje nada tem a ver com o direito Romano. Um Presidente de afectos não se despiu da pele de homem. Ou despiu?

 

Com todo o respeito que lhe devo e merece, pode até chutar a bola. Mas não sem antes DIZER o que pensa deste assunto. Senão é um igualzinho ou pior que os outros.  Ou afinal é só conversa esta cena dos afectos? Ou afinal è à vontade do freguês? Ou andarei distraída? Eu sou a favor do que nos liberta da ditadura dos pseudo-afectos, vestidos e convencidos das mais boas intenções. Há pessoas que não podem ter filhos, e sofrem muito com isso, eu sei. Mas o que sofrem não é resolvido por um expediente  do género dá cá aquela palha. Sem uma razão que valha a pena, em nada contribuimos para construir uma sociedade humana. Então é preciso gritá-lo. Baixinho, mas prenho e cheio de razões adequadas, à altura do Portugal que sempre desejei. À altura de cada pessoa. Não é esta uma boa causa?

 

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14
Mai16

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 Sofia Reimão, José Diogo Martins e João Carlos Loureiro, ontem na inauguração do Congresso

 

Milhares de seres humanos ceifados , zás e já está. Não eram os pobrezinhos. Saiba aqui como , quando, onde e porquê. E se a eutanásia passasse, como agora se pretende, mais ficariam sem cartão antes de tempo. Um pequeno detalhe: o dono do tempo e da vida tem outro nome, não se chama Estado, e tem amigos especiais. Hoje há novidades.

A 'Federação Portuguesa Pela Vida' organiza ontem e hoje o Congresso "Os desafios da vida e dos tempos." O programa . À tarde somos convidados para uma Caminhada pela Vida. Nesta terá início a recolha de assinaturas para uma petição que diga sim à vida e a uma cultura humana, um sim para se por no lixo estas modernices de quem nem sabe do que fala quando diz a palavra "eutanásia". Esta apresenta-se como solução, como a promessa de uma boa morte ( do  grego , eu+tanós ). A morte não pode ser uma coisa boa assim sem mais, por muito que o queiram perspectivas de blocos de esquerda, de meio ou direita. A morte só é 'boa' numa perpectiva que nada descarta. Autoridade, sabedoria e experiência para dizer que morrer é 'bom', que é natural, que faz parte da vida, só a tem quem já por ela passou. Quem tem as chaves da vida?

Do ponto de vista filosófico - esta questão não é do foro religioso - a razão impõe que não se toque no que não se sabe. O antes do embrião, o que é? Quando é que eu começei? Naquele instante em que a minha mãe foi violada? E o que se passa realmente na pessoa que lhe dói e sofre? Quero morrer, diz. Mas será que quer mesmo? Autonomia é uma coisa, dignidade outra.

Deixemos mentiras. E  tretas. Não me venham com a conversa de que não há cuidados paliativos suficientes. Eu sei que é preciso mais e melhor. Vamos por pé em rama verde? E o cartão de cidadão, como é? Vamos sim trabalhar nas obras. Fazer para que se possa  nascer, para que se possa crescer e passar pelos momentos finais, em Companhia, em Solidaridade. Tenham pachorra para me aturar. Por outro lado chamem-me tótó, não faz mal.

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11
Abr16

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Florbela Espanca, imagem tirada da net

 

A cultura esteve na baila, na semana que passou. Mas cá para mim está sempre. E cada dia é um princípio, gordo de passado e grávido de futuro. Pois vamos a isto. Florbela Espanca, num dos seus poemas que os Trovante tornaram bem conhecido, reconhece que "ser poeta é ser mais alto". Hoje aposto em ser mais "alto", ter de mil desejos o esplendor, ter cá dentro um astro que flameja, ter garras e asas de condor! ter fome, ter sede de Infinito, condensar o mundo num só grito!

Ok, não é alheio a este post o fato de o novo ministro da cultura ser, entre outras "coisas", poeta. Nem o espancar vem ao acaso. Quero apenas aproveitar estas circunstâncias para desabafar; para fortalecer a ideia de que a cultura não pode ser o parente pobre de um povo (sei que as barrigas não podem estar vazias, mas sei também que a cultura mata fomes podendo assim minorizar outras fomes). Antes pelo contrário, a cultura é o que nos involve e impregna ao tutano, mesmo sem o sabermos ou disso termos consciência.  Não falo da cultura de rotina, do pica o ponto dos concertos, sejam eles na Gulbenkian ou na Casa da Música. Falo de cultura mesmo. Vamos "espancar" a pseudo cultura, esventrar máscaras, e parir os belos? Ou não?

A pancadaria cultural não precisa de recuar a Caim e Abel.O ollho por olho, dente por dente, é ainda tão vivo - e agora banal - que já nem damos por isso. A cultura, no sentido de humanidade, é pisada, adulterada, comercializada, e outras coisas em "ada", desde o momento em que pomos os pés fora da cama. Em ver de acordar somos acordados, passamos o dia sem VER. Passamos o dia a catalogar e a sermos catalogados. "A minha vida fartou-se", diz o poeta. Como te entendo a ti que de carneiro só tinhas o nome...

Então grito. Alto. "A toda a gente". Começo com as mãos sujas e com elas vou contar.

 

 

 

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