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Grande mariquice

por Fátima Pinheiro, em 16.06.17

 

mariquices.jpg

 imagem tirada da net

 

Eu sei que estou a fazer o mesmo que hoje critico. Mas não faz mal, é só hoje! Isto dava mesmo pano para mangas. Podemos dizer "Madonnas há muitas!". Pois podemos, e até devemos. E títulos também. Mas o que agora ponho  aqui no meu blog se calhar enferma já de vícios de olhar. Uma Madonna já não é o que era. Nem um título. Muitas vezes não sabemos ao que vamos, outras vezes somos enganados. Para ir ao que interessa tenho passado, antes, a ler os verdadeiros opinion makers, que para mim são pessoas que pensam. Referências. Graças a Deus ainda há quem pense. Parafraseando Nuno Abecasis, "o que se escreve ou é uma coisa séria, ou é uma grande mariquice". Referia-se à política, mas não estamos longe dessa grande área. Pensar, escrever, dizer, fazer. Exterminar as barracas intelectuais que crescem em tablets e coisas digitais, como se o caminho fosse por aí. Digital sim, mas com cérebro. E a Madonna?

Não sei quem escolheu o título da exposição que está agora no Museu das Janelas Verdes, sobre a Mãe de Deus. Mas também isso não me interessa. Olho o título e poderia ser um convite a uma exposição sobre a estrela rock que tem andado pelo nosso país, e, diz-se, vai comprar a bela Quinta do Relógio, em Sintra, onde neste momento me encontro. Ainda ontem passei por ela, pela Quinta.

A exposição tem como título "Madonna. Tesouros dos Museus do Vaticano". Embora a cantora não seja ainda de museu, o título combina com ela no mood de um Dan Brown ou de um Rodrigues dos Santos. Estratégia de marketing para chamar para uma visita ao museu? É mesmo ao arrepio de chamar as coisas pelos nomes. As pessoas em geral pensam que Madonna é a Madonna. Como uma vez, estavamos perto da Páscoa, pus no Goole "Quaresma" e sairam-me só coisas de futebol.  

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Sou nudista não praticante

por Fátima Pinheiro, em 03.09.15

 Henri Cartier Bresson / imagem tirada da net

 

Já viu um nudista não praticante? Eu não. Até agora só vi nudistas. E não sou praticante. Não sou nudista, quero eu dizer. Até posso vir a ser. Se tiver razões para isso. Vem isto a propósito da expressão "católico não praticante", que muitos utilizam ao posicionaram-se no quadro das religiões. Dizem-me isto quando eu digo que sou católica, que vou à missa e o resto. Podem dizer. Como eu também o posso. Cada um é o que escolhe. Mas não faz pleno sentido dizer "católico não praticante". Usa-se o adjetivo para dar mais força a essa auto-declaração? Porque sempre são 3.000 anos "às costas"! E com cremação ou sem ela, quando um dos nossos morre, lá se chama o padre, não é?

Eu percebo o sentido que se quer dar: alguém, batizado ou não, quer dizer com essa expressão que tem determinado apreço por certos valores "católicos", mas que não aceita tudo o que o Vaticano diz. Mas para apreciar e seguir esses valores não é preciso ser católico. Qualquer moral os apregoa: amor, justiça, paz, e os outros todos.

O que oiço mais de quem assim se designa é: a Igreja está cheia de contradições; o fausto, pompa e circunstância; as riquezas em geral; a pedofilia; os padres que têm amantes; a inquisição; e mais, muito mais. Mesmo assim não tem sentido. É como se alguém dissesse: eu sou nudista, mas não sou praticante. Mas não é bom. É bom ser-se plenamente uma coisa. Ser benfiquista assim-assim, por exemplo, não tem graça nenhuma. Quando ele perde, na minha casa cai o Carmo e a Trindade. Mas ninguém é obrigado a ser isto ou aquilo. E como pessoas valemos todos o mesmo. Qual o mal em ser católico, ou não o ser? Onde está a liberdade religiosa? E não me venham com os fantasmas do passado. Neste ponto todos temos culpas no cartório.

É costume dizer-se que para uma boa diplomacia há dois assuntos que devem ser evitados: religião e política. Vou a muito sítio e confirma. Fala-se de tudo, menos disso. Há que ser politicamente correto. Como se fosse possível viver tirando a pele: a da política e a da religião. Eu percebo que se possa viver sem querer tomar posição; o que redunda numa posição também. Mas como optei por refletir estas coisas, sou politicamente incorreta. Se vem a propósito, abordo tudo. Às vezes também o faço quando parece não vir a propósito, como hoje, se calhar, agora aqui.. Ou seja, não faço questão de começar a atirar para matar, mas considero mais humano não fazer tabu de certos temas. Uso a "razão". Nasci com ela. E aplico-me à argumentação. Na praia onde descansamos, ainda sabe melhor. E vai mais um mergulho.

É bom ser-se plenamente de uma coisa, dizia eu. Pois é, a minha família (a começar por mim) está cheia de contradições. Mas eu não a trocava por nada. Tenho orgulho nela. Por ser a minha. E não me calo. O segredo e a intimidade é outra coisa. E esta última é do que mais humano há. Aí o silêncio é natural. Como a respiração. Aliás, sem isso não há "família" que resista.

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 Fotografia:  Bernardo/Rasante

O Papa a um metro do meu amigo  Fechi (também Francisco) e de mim,  na Audiência  com o Movimento Comunhão e Libertação, na Praça de São Pedro, no dia 7/03/2015

 

 

Nem de propósito.  Hoje, passa um ano do dia em que João Paulo II passou a "santo". Ontem foi anunciada a notícia da vinda do Papa Francisco a Fátima, a 13 de Maio de 2017. Melhor, a da sua intenção em vir a Portugal no centenário das Aparições, como manifestou a D. António Augusto dos Santos Marto, Bispo de Fátima. De Papas percebe a vaticanista, Aura Miguel. Aqui a deixo.

 

Esta foi mesmo Rasante. Aliás, ela é assim. Um dia confessou que preferia a adrelanina da rádio, à da de outro tipo de media. Se continuar neste registo feito ontem, vai ficar a saber o jornalismo que é feito, e como ela entende que ele deve ser. Discernir sempre, sem defesas, sem rede, contando o que "vê", arriscando....

 

Mais, a jornalista da Rádio Renascença "define" em três palavras os três papas que tem seguido. Uma espécie de três retratos. Abre-nos o que pensa da visita de Francisco a Fátima, do valor das aparições na História da Igreja, e mais.O quê?. Abra os ouvidos e oiça.

 

 

 

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Cortar as Relações

por Fátima Pinheiro, em 15.04.15

 Está?/Imagem de Rasante

 

Tema da ordem do dia. Atar, reatar. Estar numa relação. Cortar relações. Mas as palavras não são tudo, não esgotam a realidade. Vem isto a propósito da política e da diplomacia - Turquia e Vaticano - no Domingo, e dos amores, ainda ontem. Óbvio que não conhecemos tudo de uma vez e que a verdade não é "absoluta". Como "luz" (Aletheia=verdade) não é absoluta. Tudo depende de que lado o cubo me é dado, ou me aparece (fenómeno = aparecer-me). Verdade não significa que haja apenas uma face de um cubo que não existe. Pendurada, ou assim. Por isso, amigos, quanto mais subjectivo eu for (quanto mais me deixar invadir por este lado do cubo) mais objectivo sou. Não posso é ficar parado numa face do cubo: é preciso virá-lo, revirá-lo, mexê-lo, remexê-lo. Perspectivá-lo. Vê-lo noutros espaços, noutros tempos. Bebê-lo mediante os olhos de outros. Uma aventura que se dá num horizonte que não é a soma das partes, mas excede, em cada passo, em cada respirar, em cada, abraço, em cada olhar, em cada beijo. Cada dia. Como? Muito simples. E a realidade, o que há (o que sei e o que não sei que há e como é), vai sendo descoberto precisamente como relação, da qual não dominamos os contornos e potencialidades. Desde a Trindade, que é relação, ao que se passa comigo, eu comigo somos três.

 

O material tem sempre razão. As relações de sangue não se podem cortar. As outras que eu digo que corto não dependem de palavras mentirosas. Só se pode cortar aquilo que nunca esteve cosido. Viver é então manter, alimentar, tratar do "cosido". É conhecer, amar os laços. Não adianta pintar a manta. "Conhece-te a ti mesmo", "O homem é um ser social", "Eu sou eu e a minha circunstância", tudo bem. Não alinho é com Kant, que nas suas  gordas críticas da razão, nega que a realidade se possa conhecer. Ao distinguir entre "fenómeno" e "coisa em si", isto é, ao distinguir entre o que me aparece, no espaço e no tempo, e a coisa tal como ela é em si, se está a por num patamar que não sei de que espaço e de que tempo... Ou melhor, sei muito bem. Aqui ao leme sou mais do que eu, meu querido Pessoa.

 

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O papa Francisco foi recentemente à Coreia e à Albânia. "Desde " S.João Paulo II, a Rádio Renascença envia a jornalista Aura Miguel,  para acompanhar as viagens dos Papas. É a única vaticanista portuguesa, uma profissional exemplar, que um dia quis ser diplomata, como conta num dos seus livros. "Venha saber como é viver a fé em contextos adversos e o que significa optar pelo essencial quando tudo à volta diz o contrário!", é o convite que ela deixa aos leitores deste Rasante. Enviou-mo ontem. Eu - primeira leitora deste blogue - aceitei. É hoje à noite, em frente ao Coliseu, e não é preciso bilhete, a não ser a boa e simples curiosidade acerca do que se passa, e "fazer" o que um dia lhe disse João Paulo II. Santidade, como posso ser uma boa jornalista? Perguntou ela , mais ou menos com estas palavras. Como é vaticanista, Aura faz quase todas as viagens no avião papal. Foi pois num deles que Ele lhe respondeu : "é preciso discernir, discernir sempre".

Aura Miguel conhece como ninguém quem é este Papa que a todos agrada - ver os videos dela no youtube, como este que considero DOS MELHORES, http://youtu.be/1tt1k0gNxbw  "como o Vaticano se tornou próximo como ninguém". A jornalista  acampanhou estas últimas duas visitas, que eu também segui, quase como se fosse  no avião de Francisco, e andasse com Ele por dois Países dos quais pouco conheço. Duas ou três coisas (como eu gosto deste título do blogue doutro Francisco, o Embaixador Seixas da Costa, que fez o seu último posto em Brasília! - "Me perdoa, tá?"): eu que vivo a fé num contexto "adverso", eu que quero saber o que andamos aqui a fazer, eu que sei que a fé é simples ( nós é que "simples" só às vezes...), opto pelo essencial?

Há Papas e Papas. Conversa de chá das cinco (estamos na mesa ao lado a tomar o café e ouve-se tudo): eu gosto mais do João Paulo II... Ai, Ratzinger, que horror, aquele ar frio, parece a polícia. Este Papa é que é. E o nome Francisco é o máximo.  Poderia referir outros chás e outros cafés. Mas hoje não é para isso. Hoje é sobre a Coreia e a Albânia que quero aprender a discernir. Sem saber o que se passa lá, como poderei discernir? Não gosto de falar de cor, e muito menos de conversa fiada. Os jornalistas têm muito a aprender com ela. Muito do "jornalismo" que temos: "diz-se", "tem que se"; ou "vai-se" em comitivas em aviões e "cobrem-se" os acontecimentos. Não é que às vezes são mesmo "cobertos"? Ficamos iguais ou pior. O jornalismo a sério é de todo o terreno - não é para ficar de pantufas no hotel pago; estou a falar nas horas de serviço, claro. E sobre as notícias do que se passa em Portugal? Vai dar tudo ao mesmo. Como em tudo há raras excepções. Temos crème de la crème temos, é preciso é saber discernir. Tenho aprendido a ler o essencial. Como sei? Muda-me em direção ao melhor, nos outros e em mim. Tenho a certeza que S.Antão me vai propocionar hoje à noite mais um passo. 

Eu já aqui disse - foi  no Prós e contras - como vejo este Papa http://youtu.be/RhfNYlQrHGk . O Cristianismo não são os valores. Como o principal não são os seus "monstruosos" aspetos externos: o despesismo dos escândalos do vaticano, a sua pedofilia, tudo verdades. Os valores são iguais em todas as pessoas de bem, e todos queremos endireitar o mundo, não duvido. E é bom. Mas não chega para se perceber o que está em causa. Neste sentido a esquerda divina - que vive também de certas homilias, ou cassettes - dá muitas vezes uma no cravo e outra na ferradura. 

Até parece que estou enxofrada com os discursos que valorizam este Papa ( com os 11 milhões de seguidores no Twitter). Mas não, não me enxofro por isso. O que me enxofra - talvez até por deformação profissional - é a ignorância: o que é específico no cristianismo não são os ensinamentos de Cristo. Esses são iguais aos de Buda, Maomet, ONU, etc.

Estou contente com tanto elogio, sim! Mas por razões que não dependem de aberturas de Papas, mas do Logos da vida. Por isso gosto mesmo de Pasolini e daquela troca de olhares entre Maria e José, quando este percebe finalmente o que estava em causa. Aquela silenciosa troca de olhares  (o filme "Evangelho segundo Mateus" está inteirinho no youtube) dá-se porque a Ponte tinha acabado de se fazer - ou fazer - Presente. A Unidade está dada. Não é uma Utopia. O essencial do Cristianismo é própria Pessoa de Jesus Cristo.  Ponte feita, encarnou há 2000 anos e hoje Passa por mim no Rossio. 




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