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Também tenho falta de ar

por Fátima Pinheiro, em 06.06.17

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Não tenho asma ou coisa parecida mas às vezes falta- me o ar. A falta de ar manifesta-se de muitas formas, tem muitas causas, e muitas das vezes é atitude, ou falta dela. Digo hoje mais palavras que dizem o que digo sempre. Em grande parte faço da vida o que ela merece, ou não. Tudo me é servido de bandeja, os bens e os males. A mim cabe-me decidir. Decidir isto ou aquilo, decidir existir. A vida tem o grande mistério de um futuro que eu não sei, simplesmente porque o futuro não existe. Existe o que está aqui, hoje, agora. Falta-me o ar sim, bato com o murro na mesa. Isso acontece se me falta visão, e se resolver achar que a vida será como eu projetar. Tudo se atropela. O que fazer?

Parar, ter consciência que da minha parte, nas minhas mãos, tenho  "apenas" o bem precioso que é a liberdade , e, claro, os condicionalismos que todos conhecemos.  Agir em conformidade. Erguer a cabeça. Olhar o essecial. Que é bem visível aos olhos. Começo então a respirar, de novo. E com verdade devo dizer que nada fiz por isso.

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Passas?

por Fátima Pinheiro, em 22.05.17

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 Sintra

 

"Passar" é dos verbos mais ricos e polivalentes que temos. Misterioso mesmo. E muito, muito estratégico. Sem ele não se vai onde planeamos. Por isso acabamos por deixar de planear, o que não nos favorece. Certo é que são poucos o que lhe tiram o chapéu. Usamo-lo à toa, com aliás usamos tudo, muitas vezes, à toa. O tempo, nas suas rotinas, está sujeito a mudanças. Começa uma semana, outra vez. Decidi passar a fazer a diferença. Vou passar a dar umas passas bem boas.

No meu tempo "dar uma passa", todos sabiam o que era. Não deixava se ser uma forma de passar o tempo, melhor ainda, era uma forma de não o deixar passar. Decidi que hoje não vou deixar passar nada em branco. O mesmo é dizer que decidi ser "eu". Discernir, para saber por onde e para onde quero passar. Navegar à vista, siga a marinha, mas não sem passar por um olhar avassalador, curioso, cheia duma justiça que até pode admitir que me pisem os calos. Agora, ninguém  me passa a ferro, nem passa sem que eu esteja no lugar que me compete. Nem Pilatos. Nem Herodes.

A Comédia é divina, eu sei. Passar em Bruxelas, sim, está anunciado para as hoje às 10h e 30. Passo para onde? Se eu não decido e não luto por isso, passo a uma prateleira. Pode ser. Sou soberana da minha liberdade.  Mas não há uma prateleira igual a outra. Tudo o mais é passar a vida a ver como os outros passam as suas. Estratégicos facebooks que ajudam a queimar o tempo e a encher muitos bolsos, que passam a estar cheios de nada.

E passou tudo tão depressa, diz-se. Não acho nada. Ritmos diferentes, escolhas, tolerâncias, respeitos e liberdades. Nada disso. Os nuetros hermanos  dizem "no passa nada". Não meus queridos: passa tudo! Nós é que andamos mesmo distraídos. Zénicos? Ok, mas q.b.

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Eutanásia: desejada ou desejante?

por Fátima Pinheiro, em 01.02.17

 

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Hoje analisa-se no Parlamento a Petição a favor da Eutanásia. O deputado do Bloco de Esquerda, José Manuel Pureza, abriu anteontem o Programa prós e contras, precisamente sobre a Eutanásia. É o autor dessa petição, como o nome mais light de "Despenalização da morte medicamente assistida". Desta vez foi muito claro quem é pró e quem é contra (parabéns Fátima Campos Ferreira). A questão, apesar de muito complexa, é simples, como se pode verificar logo nessa intervenção inicial. Tudo o que a seguir se disse seria até escusado. Não querendo brincar com uma coisa muito séria, até parece que há uma espécie de alzeihmer filosófico.

Sabemos que é fácil navegar na maionese holandesa, e nos chamados direitos já aquiridos, e sabemos também que Kant é o guru de muitos; os gurus têm crescido como cogumelos, e tal como eles, é preciso ter cuidado, não vão ser eles venenosos. Os números postos na mesa ontem divergiam. Mas o que escrevo vem antes, ou melhor, está noutro patamar.

Com uma calma que lhe vem de defender o que acha ser óbvio o deputado começa a desenrolar o seu discurso. Muito simples: lembra que cada um dos presentes - a Fátima Campos Ferreira, por exemplo, é que decide o que faz. Não sei dizer à letra, mas era uma coisa do género: sou eu que decido com quem quero casar, sou eu que decido de que música gosto, sou eu que decido o que visto, sou eu que decido que filme vou ver,...lá,lá,lá,....sou eu que decido que vou morrer. Sou eu que decido tudo. Mesmo que se seja entregar nas mas mãos do médico a encomenda, sou eu que decido. Claro como a água, eu sou uma terra de decisões. Falta perguntar-lhe: senhor deputado, terá sido também o senhor que decidiu vir à vida?

Pode parecer simplista, mas passar por cima deste "pequeno" pormenor, que é "ao dar por mim já cá estou", é desonesto inteletualmente. Ninguém está aqui para ser do contra, para ser contra a pessoa, para prolongar sofrimentos que parecem monstruosos. Trata-se de realismo. Nenhum de nós tens as chaves da vida, a morte é sempre assistida, e medicamente assistida, e não tem dignidade. A vida sim, é digna, por isso tem mais razão quem quer "proporcionar" vida, mais e melhor se possível. Quem propociona os paliativos adequados (aqui bastaria menos estádios de futebol e mais cuidados de uma humana assistência médica; e eu que sou uma benfiquista ferranha, mas sei que a vida vale mais que o futebol - até parece ridículo ter que dizer isto; mas o futebol é só um exemplo...). Tem mais razão quem tem para oferecer ao outro mais do que abrir-lhe uma porta antes de tempo.

Há muitas janelas que se podem abrir para que o outro não se sinta um peso. É muito fácil sentir-se pesado, saber que dá trabalho, e dá. E se nós quisermos ter trabalho? Quem me impede de amar o outro custe o que custar? Falinhas mansas, não obrigada. 

Mais de 14 mil pessoas assinaram no entanto outra  petição , intitulada "Toda a vida tem dignidade", contra a eutanásia, que foi entregue a passada quarta-feira no Parlamento. 

 

 

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Fernando Santos só volta a casa quando quer

por Fátima Pinheiro, em 07.07.16

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 Fernando Santos e D. Manuel Clemente juntos, na 2ªed. do Conhaque-Philo

na Casa Museu Medeiros e Almeida

 

Debate-se o estado da Nação. A Nação tem as atenções na final de Domigo. Tudo certo, tudo faz parte. A vida é uma bela mistura. Também Fernando Santos sabe que é assim. E sabe que ganharemos porque acreditamos. Mas fazemos por isso.

Acreditar não é uma fezada, muito menos um cruzar de braços. Acreditar é trabalhar. É a aventura de arriscar permanentemente naquilo que mereçe a nossa tensão. Balelas, desculpas, reticências, pessimismos, caneladas, faltas, amarelos, podem entrar, mas não têm categoria para me definir, nem para decidir por mim. Tal como o selecionador, eu também só volto a casa quando quero, ou seja, quando me deixo descobrir pelas razões que me atraem e me fazem perder medos de existir e ser feliz, mesmo se às vezes dói. Melhor, é através do que dói que a melhor parte nos é reservada e servida de forma requintada. A Torre Eiffel é minha, e não há nada nem ninguém que ma possa tirar, como não há ninguém que me teça cada batida do meu coração, que domingo soa mais forte. 

Estranha forma de vida? Antes pelo contrário. E preferia que tudo se decidisse nos 90 minutos. Quem tem autoridade para me apoucar o desejo? 

Ia a dizer que o facto deste homem ser católico não é para aqui chamado. Mas seria mentira. Ele é um homem de camisa e camisola, que se põe todo em tudo e sabe porquê. Quando não há razões, isto é uma burricada, como diz a Sofia Areal, onde tudo é novo, mesmo a Oriente. Seja a França ou a Alemanha.

Eu acredito nele, é um homem de corpo inteiro. Não tem medo de existir. São poucos os homens com a simplicidade desarmante que sabe que dependemos de tudo, e principalmente da nossa liberdade, no apostar dos talentos que cada um tem. Tenho o privilégio de conhecer alguns desses homens. Ele é um deles. Keep your shirt on. Encontramo-nos em casa, na Vitória da Nação.

 

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Não faço mesmo cerimónia. Trato as pessoas e a vida por "tu", e sigo sempre atrás dos amigos. Não tenho agenda rigorosa, embora esteja mais ou menos a par do que se passa. O que não ponho é nada de lado. Porque que em cada esquina encontro um interesse, uma surpresa, uma insignificância, um bocado de tudo, um pedaço de lixo, um vaso partido, e uma tampa ainda boa para o meu frasco. Tudo me pode acontecer hoje. Ontem já não, e amanhã será. É hoje. Uma cara nova, um "eu" mais à frente, uma gargalhada diferente. Por isso é que "isto" é bom.

É um gosto de vida nova que acontece, cada dia. Às vezes parece que andamos para trás. Mas como diz o Amadeu, é sempre para a frente. Ponho a fasquia junto à lua, já não é preciso sonhar. Dão-me a sopa à boca. Vamos ganhar o Europeu, quem sabe!

Não se agarra tudo nesta vida! Mas já percebi que é assim: a vida não é para agarrar "tudo", a vida é para agarrar Toda. Amanhã é sexta. Pode ser que sim. Se não for, tenho a certeza que será melhor. Porquê? Porque quem me garante a vida hoje, não me larga.

Ainda anteontem, o António  desafiou-me a ir ver umas coisas novas. Cortaram a respiração: beleza, luz e simplicidade. A arte que eu comtemplei, leva-me depois para casa, e o jantar sai-me melhor. À mistura com a fome, a guerra, a crise e as doenças, tudo isto parece ridículo. Mas não. Ridícula é a injustiça que mata, minuto a minuto.

Sigo sem cerimónias, a aparar a vida. A sorver tudo. A prescindir de últimos capítulos, a estrear vestidos novos e a gozar os memoráveis. As voltas das horas desaguam-nos no infinito. E do que gosto mesmo é de respirar fundo. Estar com os amigos e abraçar.

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Marimbo-me

por Fátima Pinheiro, em 03.08.15

imagem tiradada net

 

Não faço mesmo cerimónia. Trato as pessoas e a vida por "tu", e sigo sempre atrás dos amigos, ao lado dos que se querem encostar. Não tenho agenda rigorosa, embora esteja mais ou menos a par do que se passa. Não há televisão. O que não ponho é nada de lado. Porque em cada esquina encontro um interesse, uma surpresa, uma insignificância, um bocado de tudo, um pedaço de lixo, um vaso partido, e uma tampa ainda boa para o meu frasco. Tudo me pode acontecer hoje. Ontem já foi, e amanhã será. Hoje, agora é que ... ups! já passou! Uma cara nova, um "eu" mais à frente, uma gargalhada diferente. Por isso é que "isto" é bom.

 

É um gosto de vida nova que acontece, cada dia. Às vezes parece que andamos para trás. Mas o que é, é sempre para a frente. Ponho a fasquia junto à lua, já não é preciso sonhar. Dão-me a sopa à boca. Não se agarra tudo nesta vida! Mas já percebi que é assim: a vida não é para agarrar "tudo", a vida é para agarrar Toda. Hoje é segunda. Pode ser que sim. Se não for, tenho a certeza que será melhor. Porquê? Porque quem me garante a vida hoje, não me larga.

 

Ridícula é a injustiça que mata, minuto a minuto. Sigo sem cerimónias, a aparar a vida. A sorver tudo. A beijar as caras todas, as de dentro e as de fora de casa. A prescindir de últimos capítulos, a estrear vestidos novos e a gozar concertos memoráveis. E os sorrisos dos meus pássaros, que no momento que vieram ao mundo, começaram a voar! Que bons que são.

 

As voltas das horas desaguam-nos no Infinito. É o  gosto de respirar fundo. Estar com os amigos e gozar. Ser de tudo, de todos, de cada um e de ninguém. A Foz quem a sabe? Marimbo-me, ou seja não me levo a sério, como diz a genial Agustina. 

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O Fado não existe (audio)

por Fátima Pinheiro, em 31.07.15

 

 Ana Roque/TM Rasante

 

Ontem fiz-me ao fado. De facto, e apesar de ele ter nascido um dia, quando o vento mal bulia, o fado não existe. Adeus tristeza, cantou-me a Ana Roque no fim da conversa que tivemos no final do seu espetáculo. Não existe?!

É como disse um dia Manoel de Oliveira: o cinema não existe, existem sim as cadeiras. Oiçam o que registei. E no fim marquem como "não ouvido". Apesar de não existir, ele nasce cada dia, neste veleiro, na boca de um marinheiro. Beija o ar, mais nada, e tudo é teu.

 

 

 

 

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 imagem tirada da net

 

 

Poucos dias depois da morte de Oilveira, uma conversa com Eduardo Lourenço,  onde ele nos diz, afinal, o que entende por cinema. O que entende sobre a vida.

 

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"Me olvideé de vivir": é capaz!

por Fátima Pinheiro, em 21.05.15

 

Julio Iglesias estará a 30 de maio no MEO Arena, onde irá apresentar o seu novo espetáculo, integrado na WORLD TOUR 2015.

45 anos de carreira, mais de 300 milhões de discos em todo o mundo. É o único artista a quem foi atribuído um Disco de Diamante por ter vendido, nos seus primeiros 10 anos de carreira internacional, mais de 120 milhões de discos.

Foi distinguido com mais de 3.195 discos de ouro e platina. Figura no Guiness Bookof World Records como sendo o artista que mais discos vendeu num maior número de idiomas e já realizou mais de 5.423 espetáculos em 89 países de todos os continentes.

A letra: "De tanto correr por la vida sin freno/ Me olvidé que la vida se vive un momento/De tanto querer ser en todo el primero/ Me olvidé de vivir los detalles pequeños. /De tanto jugar con los sentimientos/Viviendo de aplausos envueltos en sueños/ De tanto gritar mis canciones al viento/ Ya no soy como ayer, ya no se lo que siento/ Me olvidé de vivir/ Me olvidé de vivir /Me olvidé de vivir! Me olvidé de vivir/ De tanto cantarle al amor y la vida /Me quede sin amor una noche de un día/ De tanto jugar con quien yo más quería/ Perdí sin querer lo mejor que tenía./ De tanto ocultar la verdad con mentiras /Me engañé sin saber que era yo quien perdía /De tanto esperar, yo que nunca ofrecía/ Hoy me toca llorar, yo que siempre"

 

 

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A menina de 12 anos: não soube tê-lo, nem fazê-lo

por Fátima Pinheiro, em 04.05.15

 

 imagem tirada da net/ teria seria melhor "assim"...

 

Bato na mesma tecla, porque é um assunto dolororoso, um assunto que mede uma civilização, um assunto recorrente, e que não adianta por de lado. Ainda para mais estes dias das mães servem também para este género de ponto de situação. Foi com profunda tristeza que soube ontem do aborto do bébé de 5 meses que estava naquela barriguinha da menina de 12 anos. Mãe será sempre , queira ou não queira. Por mais dramático que tenha sido, a verdade é essa. E não há delete que lhe apague a ferida emocional. Por muito que se diga que não, apagar um mal com outro mal, não é a solução. Fala a experiência de casos e casos semelhantes.  Nem adianta dizer à menina "esqueçe", "no passou nada". Nem dizer que olhar o bébé só serviria para a magoar ainda mais.

 

Importa dizer-lhe, sim, que aquele ato com o namorado da mãe foi sim de um violência sem adjetivos. Uma coisa que não se faz. Uma monstruosidade. Ela nunca irá esquecer. Só um chuveiro de rosas pode por o negro do que se passou no seu lugar, isto é, esbatido. Mas estará lá sempre. Como ser mãe. Sempre será.  O que faz uma mãe? Nada, acontece-lhe. A vida é um dom que se aceita, sem que se tenha "feito" nada para isso. Ou haverá por aqui na Blogoesfera alguém que possa dizer COMO É? Mais, a vida é imprevisível. Que razoabilidade está numa decisão sobre um assunto que não tem em conta este fator X que rega cada vida gerada no seio de uma rapariga? O que é ter 12 anos? Se teve idade para o conceber, não tem idade para o dar à luz? De quantas surpresas a vida nos brinda. Quem sou eu para dizer "não"? Já basta a ceifa da morte. Não são precisas mais ceifas, impotentes.

 

Eu sou uma menina de 12 anos. Não soube ter os meus  três filhos, nem soube, nem sei  "fazê-los". Cada dia é uma novidade e ai de mim se não o percebo e experimento. Uma triste e acabada existência. Uma violação contínua, e sem sentido. Uma infelicidade mentirosa.

 

 

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