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De tudo um pouco. Cada manhã. Ao sair da pena, bem cedinho. Tudo me interessa.

09
Out17

Os que estão na mó de baixo...

por Fátima Pinheiro

 

A Vida é injusta e muito difícil, dizias. Eu digo-te antes, a vida parece injusta, nós é que não entendemos tudo. Falámos nestes dias das nossas vidas. De política também, que faz parte da vida, é pública, e recentemente muito pública mesmo.  Mas em feliz hora,  o Prémio Nobel da Literatura foi este ano para Kazuo Ishiguro. Precisavamos de um filósofo de boas pretensões e não de um vaidoso qualquer. E que, mais uma vez mostrasse que a vida é literatura, no sentido que o dizer reflecte o que somos de uma forma criativa, inspiradora bela.  Bela, como a vida, que às vezes parece cruel e injusta. A palavra pode mudar,  independentemente da intenção do autor. As coisas mais belas, as mais importantes, não dependem de nós. E são elas que nos fazem correr. Isso sim, depende de nós.

E aqui para nós. Só está na mó de baixo quem quer. A vida é um moinho. Ponho aqui para mim e para ti. Não, não fico à beira do abismo. Ainda o Nobel e as razões da academia : a Academia informou em comunicado que Ishiguro recebeu o prêmio porque "nos seus romances, de grande força emocional, revelou o abismo sob a nossa sensação ilusória de conexão com o mundo".

Neste tempo de incerteza em  que vivemos, como refere o escritor no video que escolhi e postei em cima, importa lembrar que costumamos por uma pedra no passado, quer nas vidas pessoais, quer na História. Isso é desumano. Importa trazer tudo ao de cima, à flor da pele. Doa o que doer.

É esta a literatura que interessa. Dou parabéns à Academia. Não que eu ache que a literatura, para o ser, tenha que ter mensagem. A mensagem, a vida,  é que tem que ser literatura.  E música,  a mais metafísica de todas as artes. 

Tudo tem um propósito. O que anda agora mais nas vistas são as distintas agitações dentro dos partidos. Refiro-me a Portugal. Os que estão na mó de cima, os que passaram para a mó de baixo. É tempo sim de viver, com tudo no prato, e nada debaixo do tapete. A vida é breve e bela demais para jogos e joguinhos.  Chega de espelhos e leituras que não nos levam a nada. Tenho sim saudades do teu olhar, não me deixes ir embora!

Anthony Hopkins um mestre. E ainda Ishiguro, no livro em que usa o esquema fabuloso de uma escola que educa doadores de orgãos (sem que estes o saibam desde o nício), pergunta, pela boca de uma professora: será que temos alma ? 

 

 

 

 

 

 

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08
Ago17


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fotografia de um dos meus Conhaque-Philo, que me fazem muito feliz, na Casa Museu Medeiros e Almeida

 

O meu método para ser feliz custou-me apenas o que vivi até hoje e é feito de lugares comuns. Só se distingue dos outros porque é o meu. Contudo, porque é mais o que nos une do que aquilo que nos separa, partilho. Penso que posso poupar tempo a muitos, e porque faz parte da vida um princípio básico: experimento mais alegria em dar do que em receber, o que só acontece - a alegria - depois de dar. Sem saltar primeiro,  nada de verdadeiramente  interessante me acontece. É uma receita sim. Uma prescrição que tenho aprendido. Paradoxalmente, é no entanto intransmissível. E os 5 highligts andam sempre juntos e sem ordem cronológica. São casados.  O sol nasce para todos, mas ninguém o vê por mim. O meu método numa palavra: rasar. 

 

Manoel de Oliveira, o Papa, Eduardo Lourenço, Santo Agostinho, Luigi Giussani, Luis Osório, Mafalda Sá da Bandeira, Georges Stobbaerts, Tim Cook,  são decisivos. "O resto é mar, coisas que eu não sei contar".

 

1. Confiar

Sem isso nada feito. Confiar significa apostar na hipótese de que ela, a vida, é e está para me ser favorável. Também posso mandar tudo à fava. É uma opção. Razões para a minha hipótese? Basta reconhecer que houve pelo menos uma vez na vida em que foi assim.

 2. Simplificar 

A vida é simples, não é difícil. Ela, a vida é, sim, complexa. Razões? O que faço eu para me por a funcionar, o que fiz e faço para ser e existir? Rien, de rien. Do envelope vazio não tiro 20€, verdade? Dificil é por exemplo, e digo para mim agora, fazer o pino ou jogar como o Ronaldo. Por outras palavras,  a vida está ao meu alcance, o trabalho que me é exigido é tão  só seguir ou desbravar as circunstâncias. Ser muito esperta a olhar, abrir os olhos. Observar, observar, observar. O quê? O que me vai caindo ao colo, e levantar o rabinho para ir ver por detrás, debaixo da mesa, ou do outro lado da rua. A vida é simples e exige simplicidade. E trabalho.

3. Distinguir

Distinguir o que interessa daquilo que não leva a lado nenhum. Distinguir essenciais. Aguçando o interesse, o gosto, ir ao core, ao que vale a minha atenção. "Não me encontrei no lixo". Um bom banho ajuda sempre. E depois? Depois sento-me e escrevo num papel o que quero. Um plano ambicioso. Mas verdadeiro. Um plano com aquilo que quero mesmo, de coração na mesa e sem medos. Neste momento não interessa se vou ou não vou conseguir. Interessa sim saber identificar aquilo que me pode fazer feliz. Sem rodeios, identificar o alvo. Mas sem pintar a manta ou brincar às utopias mentirosas, porque nos enganam com adiares perniciosos e subversivos. Por exemplo, não me venham dizer que gordura é formosura.

4. Decidir

Identificado o que quero, segue-se a grande revolução: ter coragem para decidir lutar pelo que quero. Revolução significa ruptura e por vezes vilolência. Este é o ponto de viragem. E não é difícil!!!!! Está à mão. É arranjar a coragem, cuja etimologia é "ação do coração".  Escuso de subir aos altos das montanhas ou ao fundo dos mares. É já.

5. Pedir

Não dá para nos isolarmos. É mentira. Tudo e todos ajudam. Mesmo quem nos é obstáculo. Podemos usar a varinha mágica do espírito positivo que corta a direito e entende quem mais não sabe do que emanar o negativo. Há pessoas e coisas leves e outras pesadas. Neste ponto o segredo está no pedir eficaz, que pede à pessoa certa. Se pedimos também a Deus, então chama-se oração. E peço também aos outros e a tudo.  Arrepio caminho, ganho gosto e consolação. É mesmo "impossível viver sozinho". Companhia, memórias, sabedoria, amor. Vamos a isto, agora!!!

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28
Jul17

A cultura do autoclismo

por Fátima Pinheiro

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Tanta pressa!! Passamos a vida a despachar. Ontem uma amiga de infância fez anos. Enviei logo de manhã uma sms, para despachar. O ideal era ir lá e dar um abraço. Mas ao menos um telefonema seria muito melhor do que a mensagem  digital. E o que dizer da voz, as gargalhadas!! Mas pronto, ao menos estive digitalmente. Sou tão organizadinha. E tenho medo de não ter tempo para tudo. Não é bem medo. É não querer deixar nada para trás, não me deixar ao improviso. Se fosse um funeral, ia, claro. Mas amanhã é dia de trabalho, e tenho tanto para fazer!! Ou então vou já à missa, para despachar. Ao menos cumpri o dever dominical. Eu que gosto e preciso de missa sempre, caio nesta tantas vezes!

Outra.  Vamos ao cinema. Antes comemos qualquer coisa - não é jantar - e depressinha. A que horas é o filme? perguntamos entre duas dentadas, faltam 5 minutos, despacha-te. Mas tem os anúncios. Ok. E vamos. Este está feito, fui ao cinema. Às vezes adormeço. Quem bom! Despacho umas horas de sono, e fui ver um fime. Quer dizer não vi nada. Parece que fazemos tudo o que é bom, mas sem o fazer. Não gozamos mesmo. É como lavar mal os dentes. Mas lavamos. Ou curtir o almoço com um colega, sem almoçar e na boca, com o sabor agro-doce de uma coisa que não leva a lugar nenhum. Só para despachar este ar antiquado de quem, na prática, não  vive neste maravilhoso século XXI, de homens e mulheres que mudam de partner como quem vai à casa de banho, faz o que tem a fazer e clica no autoclismo.  É como ir ao ginásio, a correr, claro! Agora inventaram o conceito  de "escapadinhas"...

E no trabalho? Às vezes dá gosto, outras não. É como os dias. É como o fim de semana. Muitas vezes o melhor é despachar: os cinco dias que passem depressa para chegar aos dois; ou que se despachem os dois para chegar aos cinco. O mesmo dos dias de férias. Temos pressa de chegar às rotinas do trabalho. E queremos mais um reveillon, queremos passar para o ano a seguir. E as prendas, ou prenda, de Natal? Tudo a  postos. Agora às vezes, para despachar, é um envelope com dinheiro. E damos a  boa  desculpa de que é com dinheiro porque a pessoa pode escolher o que quer. Ele tem tudo! Ela é que sabe! Na, na, queremos é vêr  o assunto despachado,  não ter que pensar. Bastaria um bocadihno para imaginar o que a pessoa gostaria. Mas, até ja me esqueci de ti! Já não sei quase nada de ti. De que cor é o teu cabelo? És careca? Fiquei na semana que passou, ou ainda me lembro de coisas de há 10 anos ou mais atrás. E nunca mais tenho netos!!! E a viagem que vou fazer para o ano. E a minha festa de anos? Feita. E aquela dos meus filhos arrumados, só falta o mais novo!!!!!?????? E os dias para os sogros??

Tanta pressa. E os dias não perdoam. Vão passando. E vou a correr buscar os filhos, sobrinhos, ou visitar os velhinhos que encaixo aos sábados na minha vida, ou vou ao jantar marcado atempadamente para não falhar - ou despachar... - fazer as compras, o comer. E a loiça lavada, e  a roupa em dia. E o livro todo lido. Às vezes a passar as páginas à pressa, para chegar ao fim. E ter lido! Há quem leia em cruzado. E fui ver o tio ao hospital. E as rotinas das praias e dos toldos ! E a abstenção, os inquéritos parlamentares, comissões independentes e segredos de justiça?

Pode ser tudo muito bom, eu sei. Mas pode ser tudo muito mau. E por ser a despachar - vida que não me dá prazer nem gozo - tenho vindo a inovar. Como? Comecei seriamente há uns meses. Embora dê trabalho, é muito simples. É perguntar-me: "Fatinha, o que queres?" "Escreve num papel!". Esta pergunta pode ser feita em qualquer lugar, mesmo em plena asneira.

Escrevi tudinho. É só coragem e decisão. E tenho vindo a despachar o que não me interessa. Uma espécie de ascese. O papel é um vade  mecum, um escapulário onde decidi  escrever os nomes dos meus amigos.  Há coisas que não se deitam no autoclismo. 

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06
Jun17

Também tenho falta de ar

por Fátima Pinheiro

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Não tenho asma ou coisa parecida mas às vezes falta- me o ar. A falta de ar manifesta-se de muitas formas, tem muitas causas, e muitas das vezes é atitude, ou falta dela. Digo hoje mais palavras que dizem o que digo sempre. Em grande parte faço da vida o que ela merece, ou não. Tudo me é servido de bandeja, os bens e os males. A mim cabe-me decidir. Decidir isto ou aquilo, decidir existir. A vida tem o grande mistério de um futuro que eu não sei, simplesmente porque o futuro não existe. Existe o que está aqui, hoje, agora. Falta-me o ar sim, bato com o murro na mesa. Isso acontece se me falta visão, e se resolver achar que a vida será como eu projetar. Tudo se atropela. O que fazer?

Parar, ter consciência que da minha parte, nas minhas mãos, tenho  "apenas" o bem precioso que é a liberdade , e, claro, os condicionalismos que todos conhecemos.  Agir em conformidade. Erguer a cabeça. Olhar o essecial. Que é bem visível aos olhos. Começo então a respirar, de novo. E com verdade devo dizer que nada fiz por isso.

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22
Mai17

Passas?

por Fátima Pinheiro

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 Sintra

 

"Passar" é dos verbos mais ricos e polivalentes que temos. Misterioso mesmo. E muito, muito estratégico. Sem ele não se vai onde planeamos. Por isso acabamos por deixar de planear, o que não nos favorece. Certo é que são poucos o que lhe tiram o chapéu. Usamo-lo à toa, com aliás usamos tudo, muitas vezes, à toa. O tempo, nas suas rotinas, está sujeito a mudanças. Começa uma semana, outra vez. Decidi passar a fazer a diferença. Vou passar a dar umas passas bem boas.

No meu tempo "dar uma passa", todos sabiam o que era. Não deixava se ser uma forma de passar o tempo, melhor ainda, era uma forma de não o deixar passar. Decidi que hoje não vou deixar passar nada em branco. O mesmo é dizer que decidi ser "eu". Discernir, para saber por onde e para onde quero passar. Navegar à vista, siga a marinha, mas não sem passar por um olhar avassalador, curioso, cheia duma justiça que até pode admitir que me pisem os calos. Agora, ninguém  me passa a ferro, nem passa sem que eu esteja no lugar que me compete. Nem Pilatos. Nem Herodes.

A Comédia é divina, eu sei. Passar em Bruxelas, sim, está anunciado para as hoje às 10h e 30. Passo para onde? Se eu não decido e não luto por isso, passo a uma prateleira. Pode ser. Sou soberana da minha liberdade.  Mas não há uma prateleira igual a outra. Tudo o mais é passar a vida a ver como os outros passam as suas. Estratégicos facebooks que ajudam a queimar o tempo e a encher muitos bolsos, que passam a estar cheios de nada.

E passou tudo tão depressa, diz-se. Não acho nada. Ritmos diferentes, escolhas, tolerâncias, respeitos e liberdades. Nada disso. Os nuetros hermanos  dizem "no passa nada". Não meus queridos: passa tudo! Nós é que andamos mesmo distraídos. Zénicos? Ok, mas q.b.

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01
Fev17

Eutanásia: desejada ou desejante?

por Fátima Pinheiro

 

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Hoje analisa-se no Parlamento a Petição a favor da Eutanásia. O deputado do Bloco de Esquerda, José Manuel Pureza, abriu anteontem o Programa prós e contras, precisamente sobre a Eutanásia. É o autor dessa petição, como o nome mais light de "Despenalização da morte medicamente assistida". Desta vez foi muito claro quem é pró e quem é contra (parabéns Fátima Campos Ferreira). A questão, apesar de muito complexa, é simples, como se pode verificar logo nessa intervenção inicial. Tudo o que a seguir se disse seria até escusado. Não querendo brincar com uma coisa muito séria, até parece que há uma espécie de alzeihmer filosófico.

Sabemos que é fácil navegar na maionese holandesa, e nos chamados direitos já aquiridos, e sabemos também que Kant é o guru de muitos; os gurus têm crescido como cogumelos, e tal como eles, é preciso ter cuidado, não vão ser eles venenosos. Os números postos na mesa ontem divergiam. Mas o que escrevo vem antes, ou melhor, está noutro patamar.

Com uma calma que lhe vem de defender o que acha ser óbvio o deputado começa a desenrolar o seu discurso. Muito simples: lembra que cada um dos presentes - a Fátima Campos Ferreira, por exemplo, é que decide o que faz. Não sei dizer à letra, mas era uma coisa do género: sou eu que decido com quem quero casar, sou eu que decido de que música gosto, sou eu que decido o que visto, sou eu que decido que filme vou ver,...lá,lá,lá,....sou eu que decido que vou morrer. Sou eu que decido tudo. Mesmo que se seja entregar nas mas mãos do médico a encomenda, sou eu que decido. Claro como a água, eu sou uma terra de decisões. Falta perguntar-lhe: senhor deputado, terá sido também o senhor que decidiu vir à vida?

Pode parecer simplista, mas passar por cima deste "pequeno" pormenor, que é "ao dar por mim já cá estou", é desonesto inteletualmente. Ninguém está aqui para ser do contra, para ser contra a pessoa, para prolongar sofrimentos que parecem monstruosos. Trata-se de realismo. Nenhum de nós tens as chaves da vida, a morte é sempre assistida, e medicamente assistida, e não tem dignidade. A vida sim, é digna, por isso tem mais razão quem quer "proporcionar" vida, mais e melhor se possível. Quem propociona os paliativos adequados (aqui bastaria menos estádios de futebol e mais cuidados de uma humana assistência médica; e eu que sou uma benfiquista ferranha, mas sei que a vida vale mais que o futebol - até parece ridículo ter que dizer isto; mas o futebol é só um exemplo...). Tem mais razão quem tem para oferecer ao outro mais do que abrir-lhe uma porta antes de tempo.

Há muitas janelas que se podem abrir para que o outro não se sinta um peso. É muito fácil sentir-se pesado, saber que dá trabalho, e dá. E se nós quisermos ter trabalho? Quem me impede de amar o outro custe o que custar? Falinhas mansas, não obrigada. 

Mais de 14 mil pessoas assinaram no entanto outra  petição , intitulada "Toda a vida tem dignidade", contra a eutanásia, que foi entregue a passada quarta-feira no Parlamento. 

 

 

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07
Jul16

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 Fernando Santos e D. Manuel Clemente juntos, na 2ªed. do Conhaque-Philo

na Casa Museu Medeiros e Almeida

 

Debate-se o estado da Nação. A Nação tem as atenções na final de Domigo. Tudo certo, tudo faz parte. A vida é uma bela mistura. Também Fernando Santos sabe que é assim. E sabe que ganharemos porque acreditamos. Mas fazemos por isso.

Acreditar não é uma fezada, muito menos um cruzar de braços. Acreditar é trabalhar. É a aventura de arriscar permanentemente naquilo que mereçe a nossa tensão. Balelas, desculpas, reticências, pessimismos, caneladas, faltas, amarelos, podem entrar, mas não têm categoria para me definir, nem para decidir por mim. Tal como o selecionador, eu também só volto a casa quando quero, ou seja, quando me deixo descobrir pelas razões que me atraem e me fazem perder medos de existir e ser feliz, mesmo se às vezes dói. Melhor, é através do que dói que a melhor parte nos é reservada e servida de forma requintada. A Torre Eiffel é minha, e não há nada nem ninguém que ma possa tirar, como não há ninguém que me teça cada batida do meu coração, que domingo soa mais forte. 

Estranha forma de vida? Antes pelo contrário. E preferia que tudo se decidisse nos 90 minutos. Quem tem autoridade para me apoucar o desejo? 

Ia a dizer que o facto deste homem ser católico não é para aqui chamado. Mas seria mentira. Ele é um homem de camisa e camisola, que se põe todo em tudo e sabe porquê. Quando não há razões, isto é uma burricada, como diz a Sofia Areal, onde tudo é novo, mesmo a Oriente. Seja a França ou a Alemanha.

Eu acredito nele, é um homem de corpo inteiro. Não tem medo de existir. São poucos os homens com a simplicidade desarmante que sabe que dependemos de tudo, e principalmente da nossa liberdade, no apostar dos talentos que cada um tem. Tenho o privilégio de conhecer alguns desses homens. Ele é um deles. Keep your shirt on. Encontramo-nos em casa, na Vitória da Nação.

 

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Não faço mesmo cerimónia. Trato as pessoas e a vida por "tu", e sigo sempre atrás dos amigos. Não tenho agenda rigorosa, embora esteja mais ou menos a par do que se passa. O que não ponho é nada de lado. Porque que em cada esquina encontro um interesse, uma surpresa, uma insignificância, um bocado de tudo, um pedaço de lixo, um vaso partido, e uma tampa ainda boa para o meu frasco. Tudo me pode acontecer hoje. Ontem já não, e amanhã será. É hoje. Uma cara nova, um "eu" mais à frente, uma gargalhada diferente. Por isso é que "isto" é bom.

É um gosto de vida nova que acontece, cada dia. Às vezes parece que andamos para trás. Mas como diz o Amadeu, é sempre para a frente. Ponho a fasquia junto à lua, já não é preciso sonhar. Dão-me a sopa à boca. Vamos ganhar o Europeu, quem sabe!

Não se agarra tudo nesta vida! Mas já percebi que é assim: a vida não é para agarrar "tudo", a vida é para agarrar Toda. Amanhã é sexta. Pode ser que sim. Se não for, tenho a certeza que será melhor. Porquê? Porque quem me garante a vida hoje, não me larga.

Ainda anteontem, o António  desafiou-me a ir ver umas coisas novas. Cortaram a respiração: beleza, luz e simplicidade. A arte que eu comtemplei, leva-me depois para casa, e o jantar sai-me melhor. À mistura com a fome, a guerra, a crise e as doenças, tudo isto parece ridículo. Mas não. Ridícula é a injustiça que mata, minuto a minuto.

Sigo sem cerimónias, a aparar a vida. A sorver tudo. A prescindir de últimos capítulos, a estrear vestidos novos e a gozar os memoráveis. As voltas das horas desaguam-nos no infinito. E do que gosto mesmo é de respirar fundo. Estar com os amigos e abraçar.

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03
Ago15

Marimbo-me

por Fátima Pinheiro

imagem tiradada net

 

Não faço mesmo cerimónia. Trato as pessoas e a vida por "tu", e sigo sempre atrás dos amigos, ao lado dos que se querem encostar. Não tenho agenda rigorosa, embora esteja mais ou menos a par do que se passa. Não há televisão. O que não ponho é nada de lado. Porque em cada esquina encontro um interesse, uma surpresa, uma insignificância, um bocado de tudo, um pedaço de lixo, um vaso partido, e uma tampa ainda boa para o meu frasco. Tudo me pode acontecer hoje. Ontem já foi, e amanhã será. Hoje, agora é que ... ups! já passou! Uma cara nova, um "eu" mais à frente, uma gargalhada diferente. Por isso é que "isto" é bom.

 

É um gosto de vida nova que acontece, cada dia. Às vezes parece que andamos para trás. Mas o que é, é sempre para a frente. Ponho a fasquia junto à lua, já não é preciso sonhar. Dão-me a sopa à boca. Não se agarra tudo nesta vida! Mas já percebi que é assim: a vida não é para agarrar "tudo", a vida é para agarrar Toda. Hoje é segunda. Pode ser que sim. Se não for, tenho a certeza que será melhor. Porquê? Porque quem me garante a vida hoje, não me larga.

 

Ridícula é a injustiça que mata, minuto a minuto. Sigo sem cerimónias, a aparar a vida. A sorver tudo. A beijar as caras todas, as de dentro e as de fora de casa. A prescindir de últimos capítulos, a estrear vestidos novos e a gozar concertos memoráveis. E os sorrisos dos meus pássaros, que no momento que vieram ao mundo, começaram a voar! Que bons que são.

 

As voltas das horas desaguam-nos no Infinito. É o  gosto de respirar fundo. Estar com os amigos e gozar. Ser de tudo, de todos, de cada um e de ninguém. A Foz quem a sabe? Marimbo-me, ou seja não me levo a sério, como diz a genial Agustina. 

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31
Jul15

O Fado não existe (audio)

por Fátima Pinheiro

 

 Ana Roque/TM Rasante

 

Ontem fiz-me ao fado. De facto, e apesar de ele ter nascido um dia, quando o vento mal bulia, o fado não existe. Adeus tristeza, cantou-me a Ana Roque no fim da conversa que tivemos no final do seu espetáculo. Não existe?!

É como disse um dia Manoel de Oliveira: o cinema não existe, existem sim as cadeiras. Oiçam o que registei. E no fim marquem como "não ouvido". Apesar de não existir, ele nasce cada dia, neste veleiro, na boca de um marinheiro. Beija o ar, mais nada, e tudo é teu.

 

 

 

 

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