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A mim não me enganas tu

por Fátima Pinheiro, em 29.05.17

 

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Foi ao pequeno almoço. Com o dia em frente. Estava uma das minhas revistas preferidas mesmo ao meu lado. Uma daquelas que não li, e está em banho maria quase há um ano, numa mesa da sala. Porque sim, gosto da "Attitude" e do  tema de capa deste número: felicidade. "Aquela é uma pessoa de atitude", dizemos por vezes. "Mas não ganha nada com isso", acrescentamos por vezes. O outro é que se safa. Sem um propósito à altura do humano que nos mede, a vida acaba por ser uma sucessão de safadices, sacanices, violências: físicas, psicológicas, morais religiosas. Contra homens, animais e mais que haja. Atitude: é precisa? perdeu-se?

Tenho presente atitudes de que me orgulho, nos outros e em mim. E sei que é ambivalente. Atitude de ditador e de santo, de mafia e de gebo. A questão é a montante. Não vale a pena fingir. O melhor para mim é saber o que quero, cara a descoberto, desmascarada. Sempre, sempre, a perguntar. A quem sabe claro. E às coisas também. Usar inteligência e liberdade. O resto, a grande parte da performance, está nas minhas mãos. A minha atitude.

Sem ela , sem uma atitude sustentada, acabo por vegetar, e não ser feliz. Sim, a felicidade não passou de moda. Posso dizer que a rosa é feliz, mas a felicidade aplica-a em primeiro lugar a quem sabe se o é, ou não. E a mim não me enganas tu, diz a canção.

 

 

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Arménios: genocídio "nosso" nos dais hoje?

por Fátima Pinheiro, em 12.04.15

 

Papa convoca Jubileu Extraordinário da Misericórdia/youtube

 

O genocídio do Povo Arménio, o primeiro do século XX, foi lembrado esta manhã na missa em Roma presidida pelo Papa Francisco, que lembrou outros genocídios . Os que acontecem hoje, agora. É a primeira vez que o termo "genocídio" é utilizado pela Igreja para se referir a este massacre. Os Turcos não terão gostado...

 

«Em várias ocasiões, defini este tempo como um tempo de guerra, uma terceira guerra mundial combatida por pedaços, assistindo nós diariamente a crimes hediondos, a massacres sangrentos e à loucura da destruição. Ainda hoje, infelizmente, ouvimos o grito, abafado e transcurado, de muitos dos nossos irmãos e irmãs inermes que, por causa da sua fé em Cristo ou da sua pertença étnica, são pública e atrozmente assassinados – decapitados, crucificados, queimados vivos – ou então forçados a abandonar a sua terra. Também hoje estamos a viver uma espécie de genocídio, causado pela indiferença geral e colectiva, pelo silêncio cúmplice de Caim, que exclama: A mim, que me importa? (…) Sou, porventura, guarda do meu irmão? (Gn 4, 9; Homilia em Redipuglia, 13 de Setembro de 2014). » O que vou fazer, decidir, este Domingo?

 

Aproveitemos a porta aberta por Francisco na sexta-feira passada ao proclamar um Jubileu da Misericórdia (a começar a 8 de Dezembro próximo, Dia da Imaculada Conceição, e  a terminar dia 20 de Novembro de 2016, Dia de Cristo Rei do Universo). Do alto do milenar vaticano ouviu-se: «Caros irmãos e irmãs, tenho pensado muito sobre como a Igreja pode tornar mais evidente a sua missão de ser testemunha da misericórdia. É um caminho que começa com uma conversão espiritual. Por isso, decidi convocar um jubileu extraordinário que terá no seu centro a misericórdia de Deus.» «Estou convencido que toda a Igreja poderá encontrar neste jubileu a alegria de redescobrir e tornar fecunda a misericórdia de Deus, com a qual todos somos chamados a consolar os homens e as mulheres do nosso tempo.» mais disse (ver video acima).


Durante este período será enfatizada a misericórdia de Deus pelos homens e as igrejas de todo o mundo serão convidadas a abrirem as suas portas mais tempo do que o costume, para promover o acesso ao sacramento da confissão, ou da reconciliação, como é conhecido também. Why not?  E há mais....

Na Bula que traça os grandes objectivos da iniciativa, Francisco pede uma Igreja centrada no essencial, propõe o perdão e a misericórdia como critério imperativo no concreto das intenções, atitudes e comportamentos quotidianos,  pedindo especial atenção aos que vivem nas mais diversas periferias existenciais que o mundo moderno cria de maneira dramática.

 

Para isso, é preciso “não cairmos na indiferença que humilha, nos hábitos que anestesiam a alma e impedem descobrir a novidade, ou no cinismo que destrói”, o que implica “abrir os olhos para ver as misérias do mundo, as feridas de tantos irmãos e irmãs privados de dignidade e ouvir o seu pedido de ajuda”.

 

Francisco dirige-se também “aos homens e mulheres que vivem no mundo do crime”: “mudem de vida” e “não caiam na terrível armadilha de pensar que a vida depende do dinheiro”. O Papa conta com os “autores e cúmplices da corrupção”, que o Papa define como “uma chaga putrefacta da sociedade e um grave pecado que brada aos céus, porque mina as bases da vida pessoal e social”. Francisco espera ainda que este Ano Santo da Misericórdia “favoreça o encontro entre religiões”: vamos acabar com todo o tipo de desprezo, violência e discriminação?

 
 

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Tive ontem um desatre de carro porque sou mulher

por Fátima Pinheiro, em 23.10.14

 

  Julia Roberts: ela sim, faz parar o trânsito 

 

Ontem, IC 19, kilómetro 5, 8h e 45, direcção Sintra Lisboa. No meu carro levava uma amiga e os seus filhos pequenos. O meu carro bate no carro da frente. E mais uma vez confirmo que ser mulher faz toda a diferença. Estamos bem, graças a Deus.  Sem carro, tudo bem. E a pancada física e moral não deixa de ser uma mais valia. Quanto ao homem já não sei. A responsabilidade é dele e por isso não assinei a declaração amigável. Porque não somos amigos, não passamos a sê-lo, e porque ninguém merece ser mal tratado por ninguém. Resolvi ir para tribunal, não só por mim, mas também pelas pessoas que podem apanhar pessoas como este homem de mercedes prateado, calções de licra, ténis, blusa de cavas, e cheio de pressa.

 

O clássico, que conto em 5 linhas. Ia sossegada na minha faixa, à velocidade amansada pelo pára arranca da hora de ponta e nas abertas não me pus em grandes velocidades. Olho para a faixa da esquerda e vejo um homem, que falava comigo dizendo coisas como (imagino, porque não se ouvia nada), vá lá, anda mais depressa, sua isto, sua aquilo....Estava zangado, violento, e gesticulava  muito. Eu continuei na minha. Só que de repente vejo o mercedes a fazer uma manobra perigosa. Avançou numa manobra rápida na faixa dele, fazendo uma espécie de "S". Para ir colar a traseira dele ao meu "regina" (é o nome do meu carro). Mesmo assim travei a evitar o pior. Não evitei o embate,  é certo. E o carro ficou avariado, não anda. Graças a Deus sou de reações rápidas. 

 

Mas valerá a pena meter-me em tribunais? Eu sei que tenho uma boa testemunha, mas do que me vale se quem bate por trás tem a culpa? Há casos excepcionais, eu sei. Mas se calhar desisto da acção. Tenho a minha casa para cuidar. Não posso ficar nem mais um minuto com você, é que o irá acontecer. Pena esta falta de cidadania. Hoje decido se vale a pena. E tenho a certeza - pelas palavras infelizes  que trocamos - que este senhor Alfredo não teria feito o que fez se eu fosse um homem.

 

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