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Exortai-vos cada dia uns aos outros, até ao dia que se chama «Hoje» (Hebr 3, 13). Renovai-vos pela transformação espiritual da vossa inteligência e revesti-vos do homem novo (Ef 4, 23-24).

Rasante

De tudo um pouco. Cada manhã. Ao sair da pena, bem cedinho. Tudo me interessa.

Rasante

De tudo um pouco. Cada manhã. Ao sair da pena, bem cedinho. Tudo me interessa.

26
Set15

O plafonamento socrático destas eleições


Fátima Pinheiro

 Já estou a preparar-me para as próximas eleições..

fotografia de JP

 

O show must go on? Parece que sim. E vamos lá saber porquê. Mas do quero mesmo falar é da Campanha para as Legislativas, que decorre com uma espécie de plafonamento socrático. O Engenheiro Sócrates quer ir agora a prolongamento e penalties? (o DN de hoje explica muito bem o que aconteceu ontem). Temos pena. Só o pus no título, porque a marca vende, e eu quero ser ouvida. É a banalidade deste meu blog. A grande pouca vergonha de querermos falar uns com os outros.

 

A Campanha então. A Democracia é um valor inestimável. E mais ainda o é, se ativada; se na base se oferecer uma informação transparente e total, sem tirar nem pôr; uma formação educada. E last but not the least, o primus inter pares é a vocação política "encarnada", para a "execução" do Bem Comum. Seria tão bom! Para o teu, e para o meu bem.

 

Campanha:onde estás, de onde vens, para onde vais? "Conhece-te a ti mesma!", ouve-se no templo em pleno coração da Grécia. O bom senso - outro inestimável, muito prático, sempre à mão - pede razoabilidade nas despesas, na forma de se "dialogar", no esgrimir de argumentos e pontos de vista, largos (humanos) de preferência, sem nada por de parte, por esquecimento,ou porque "não cabe",ou é demasiado complexo para se abordar. "Esquece", oiço tantas vezes...

 

A Campanha: o que vejo? Eu sei. Entra pelos olhos adentro que a justiça é quase sempre feita de justiças.Coloridas de penas e pesares que não dão a cada um aquilo que é seu. Não precisamos de utopias, eu sei. Mas sei que melhor é possível. Vejo que a Campanha é uma burricada se nela passa apenas gente afiambrada. Sei muito bem quem tem a mão no meu bolso.

 

Exortai-vos cada dia uns aos outros, até ao dia que se chama «Hoje» (Hebr 3, 13). Exortai-vos cada dia uns aos outros, até ao dia que se chama «Hoje» (Hebr 3, 13).
20
Set15

Shakespeare e Ralph Fiennes dão tudo


Fátima Pinheiro

 Ralph Fiennes diz o soneto 129 de Shakespeare/ video tirado da net

 

Não é só por causa do "to be or not to be". É a poesia. Meu Deus, ninguém até agora soube como Shakespeare por os sentimentos a preto e branco, e com as tonalidades de todas as cores, em forma letrada. Ontem mostraram-me o soneto 129. Porque o achei dos mais fabulosos,  fui ao google para saber mais e há rios de análises e mais análises. Não tenho por isso qualquer pretensão ou intenção de as ler. Fica sim comigo um soneto que descreve o céu e o inferno, o espírito e a matéria, o homem e a mulher, o amor e o sexo, a natureza e a graça, a liberdade, a felicidade e o tempo. Prazer e dor, e mais do mais que houver. E um Ralph Fiennes genial também.

BY WILLIAM SHAKESPEARE

"Th' expense of spirit in a waste of shame
Is lust in action; and till action, lust
Is perjured, murd'rous, bloody, full of blame,
Savage, extreme, rude, cruel, not to trust,
Enjoyed no sooner but despisèd straight,
Past reason hunted; and, no sooner had
Past reason hated as a swallowed bait
On purpose laid to make the taker mad;
Mad in pursuit and in possession so,
Had, having, and in quest to have, extreme;
A bliss in proof and proved, a very woe;
Before, a joy proposed; behind, a dream.
All this the world well knows; yet none knows well
To shun the heaven that leads men to this hell."
 
Exortai-vos cada dia uns aos outros, até ao dia que se chama «Hoje» (Hebr 3, 13). Exortai-vos cada dia uns aos outros, até ao dia que se chama «Hoje» (Hebr 3, 13).
15
Set15

O debate Passos-Costa: será preciso despi-los?


Fátima Pinheiro

imagem tirada da net

 

5ª feira é o debate nas Rádios, temos dois ouvidos, pode ser que se perceba melhor. Mas regresso ao da Televisão.

Era o frente a frente decisivo entre Passos e Costa. Em direto. Ambos "perderam", e mais os três jornalistas (saudades cá de umas boas perguntas que não vão atrás nem do que vende, nem do que não é essencial, neste caso na política; e esta coisa moderna do tempo, segundo minuto a minuto que cada um rouba ao outro; como se isto fosse ao metro; se se contasse o tempo que eles perdem a contar o que se pode contar....não contem comigo para isto). Perdemos todos. Todos, todos, menos o da Joana. Realmente o Rei vai nu (o poder é por natureza monárquico, absoluto). Eu explico.

Não sou maquiavélica, mas os argumentos que Joana apresenta para aparecer nua e de barriga com o pai do filho que é deles (ele também se podia ter posto um pouco mais exposto, mas isso agora não interessa), em nada compromentem o que penso de meios e fins. Há pontos que sublinham o que anda esquecido, ao arrepio do que parece feio fazer-se. E que mal tem o corpo, que não possa estar numa capa? Digo de outra maneira: sou mais da matéria informada, do que de formalismos. Numa palavra: o essencial anda esquecido. É este o ponto daquela mulher cuja política só lhe pode estar colada à pele. Quem pense que as coisas se dividem de forma absoluta, engana-se. As divisões tem uma dimensão formal, como dizer "trabalho é trabalho, conhaque é conhaque".  E é bom que assim seja.

 Voltando à TV, estavam afinal todos nus, vestidos às cores e panejamentos da ocasião. Quem dos dois ou quem dos jornalistas perguntou ou levantou o nível? As perguntas? A política? Cultura? Europa?  (e os refugiados?...) Economia?Defesa? Social? Educação. Apenas uma pitada de segurança social e de saúde. Passos podia muito bem não se limitar a estar à  defesa, pois tinha razões, factos e pano para mangas. Costa dirigiu o andamento ao som de uma demagogia irónica, esperta e mentirosa (a demagogia é; ele? não entro em intenções, só sei que uma coisa é a mentira, outra o mentiroso, etc.). Como se não pertencesse ao mesmo partido daquele que foi o centro das atenções - mais uma vez - e que deixou o país como sabemos: Sócrates.

O debate foi um exame à governação, mas com espingarda de curto calibre. Um programa de jovens e mais não sei quê que falhou? Aqui calo-me, porque falar de jovens faz-me arrepios. Passos permaneceu na resposta ao rasteiro ataque e não soube ser o que é. Mesmo assim, e de certo modo, ele ganha.Sob fogo durante quase duas horas, sem que se reconhecesse a mínima coisa boa em quatro anos de governação, soube não fugir, procurou responder ao que era perguntado, e reconhecer aquilo em que errou. Querem que faça um bom boneco ou que o dispa em direto?

Quem deixou o País neste estado? Não, não é preciso ir a Adão e Eva. Paro no Largo do Rato e é quanto basta.

Exortai-vos cada dia uns aos outros, até ao dia que se chama «Hoje» (Hebr 3, 13). Exortai-vos cada dia uns aos outros, até ao dia que se chama «Hoje» (Hebr 3, 13).
05
Set15

Gosto mais de Sócrates de brincos ou colar...


Fátima Pinheiro

O meu heterónimo "não te conheças a ti mesma" é uma segunda natureza. Gera-se e sai quando menos espero. Alegrei-me com o facto do autor do livro - escrito em inglês,  presumo que não técnico...- que é uma tese defendida na Science Po (ou Poucachinha), ou wanna be tese, esteja agora, desde ontem sem pulseira. (Um à parte :  foi Maria Filomena Mónica, na edição do Expresso de 22 de Agosto passado, que de forma rigorosa - bom jornalismo!!!!!! -, magnífica, tratou deste assunto da tese ou livro, ou assim.) Comigo alegraram-se todos os que consideram este novo estádio socrático ( e porque não até "comptiano") emergente ontem, e, note-se, não daqui a meia dúzia de dias, uma benção para para o ambiente de campanha;  isto no pressuposto de que a democracia é um bem que todos se esforçam por promover.

 

Não tendo nascido ontem, e saindo agora daquele heterónimo, nada disto me soa bem. Sócrates está livre, não usa já aquela coleira de pulso eléctrico/a. Sócrates é mesmo  um brinco, ou um brincar connosco; ou um colar, mas que já não vai pegar. Vai estar por aqui, mas já nada é igual. Fico triste, muito triste com estes directos televisivos tão pouco avisados, a darem-nos, em directo também, a nova morada do homem que saiu de Évora e que agora já pode encomendar pizza em Lisboa (quelle merveille!). Com número de porta e tudo. Se eu lá quiser ir ou fazer uma manifestação, são dados porreiros. Tristeza eu estar aqui a perder tempo com isto. Tristeza os rios de tinta que se gastam neste nada que parecer ser tudo. O mito.

 

Num tempo que precisa de debate, de argumentos e de paz para que se escolham os melhores para nos conduzir no bem comum, andamos a brincar às bonecas. E se decidissemos ir fazer o que ainda não foi feito?

Exortai-vos cada dia uns aos outros, até ao dia que se chama «Hoje» (Hebr 3, 13). Exortai-vos cada dia uns aos outros, até ao dia que se chama «Hoje» (Hebr 3, 13).
04
Set15

Gustavo Santos: músculos e best sellers


Fátima Pinheiro

 imagem tirada da net

 

Caro Gustavo

 

conheco-te do facebook e já noutra ocasião escrevi sobre os teus livros e disse que dizias frases verdadeiras. Simplesmente não gosto do teu populismo,moralismo, isto é, da tua falta de argumentos. Ainda ontem apareceste no meu feed de notícias a dizer esta: "(...) A educação que tiveste já não é desculpa para nada. Perdoa quem tens a perdoar e põe-te a mexer. (...)" in "AGARRA O AGORA". Apeteceu-me perguntar-te: porquê  e para onde? Mas se calhar o que tenho mesmo é inveja  dos teus músculos e da quantidade de livros que vendes. E posso dizer-te que às vezes aprendo contigo. Ontem, por exemplo. E tu,  se quiseres aprender alguma coisa comigo lê o meu livro "RASANTE".

 

E hoje quero escrever como tu e dizer:" Quanto queres mesmo uma pessoa, corre e alcançarás. Se não correste é sinal de que não a queres assim tanto. Deixa e segue mas é o teu coração. Não te mexas."

E para ser verdadeira contigo, digo-te já que não vou comprar os teus livros. Mas tenho a certeza que com o que escreves empurras muita gente para uma auto-ajuda preciosa; sei que o erro é, como diz Chesterton, " uma verdade enlouquecida", e que todas as filosofias têm razão, só que umas têm mais que outras. Não me leves a mal. Leva-me até a bem. E agradeço-te o pensamento de ontem. E vou passar a fazer como tu: por no meu facebook algumas frases do "RASANTE" e outra soltas, assim como aquela que pus acima, ao teu estilo. Olha, agora lembrei-me desta: "Pensas que és mais que os outros? Estás enganado ou enganada. Todos somos de um valor inestimável." Sabes dizer porquê, qual a razão, Gustavo? Aposto que não. Mas não faz mal. Vamos mas é agarrar o dia, que o resto vem por  acréscimo.

com toda estima

 

Fátima

Exortai-vos cada dia uns aos outros, até ao dia que se chama «Hoje» (Hebr 3, 13). Exortai-vos cada dia uns aos outros, até ao dia que se chama «Hoje» (Hebr 3, 13).
03
Set15

Sou nudista não praticante


Fátima Pinheiro

 Henri Cartier Bresson / imagem tirada da net

 

Já viu um nudista não praticante? Eu não. Até agora só vi nudistas. E não sou praticante. Não sou nudista, quero eu dizer. Até posso vir a ser. Se tiver razões para isso. Vem isto a propósito da expressão "católico não praticante", que muitos utilizam ao posicionaram-se no quadro das religiões. Dizem-me isto quando eu digo que sou católica, que vou à missa e o resto. Podem dizer. Como eu também o posso. Cada um é o que escolhe. Mas não faz pleno sentido dizer "católico não praticante". Usa-se o adjetivo para dar mais força a essa auto-declaração? Porque sempre são 3.000 anos "às costas"! E com cremação ou sem ela, quando um dos nossos morre, lá se chama o padre, não é?

Eu percebo o sentido que se quer dar: alguém, batizado ou não, quer dizer com essa expressão que tem determinado apreço por certos valores "católicos", mas que não aceita tudo o que o Vaticano diz. Mas para apreciar e seguir esses valores não é preciso ser católico. Qualquer moral os apregoa: amor, justiça, paz, e os outros todos.

O que oiço mais de quem assim se designa é: a Igreja está cheia de contradições; o fausto, pompa e circunstância; as riquezas em geral; a pedofilia; os padres que têm amantes; a inquisição; e mais, muito mais. Mesmo assim não tem sentido. É como se alguém dissesse: eu sou nudista, mas não sou praticante. Mas não é bom. É bom ser-se plenamente uma coisa. Ser benfiquista assim-assim, por exemplo, não tem graça nenhuma. Quando ele perde, na minha casa cai o Carmo e a Trindade. Mas ninguém é obrigado a ser isto ou aquilo. E como pessoas valemos todos o mesmo. Qual o mal em ser católico, ou não o ser? Onde está a liberdade religiosa? E não me venham com os fantasmas do passado. Neste ponto todos temos culpas no cartório.

É costume dizer-se que para uma boa diplomacia há dois assuntos que devem ser evitados: religião e política. Vou a muito sítio e confirma. Fala-se de tudo, menos disso. Há que ser politicamente correto. Como se fosse possível viver tirando a pele: a da política e a da religião. Eu percebo que se possa viver sem querer tomar posição; o que redunda numa posição também. Mas como optei por refletir estas coisas, sou politicamente incorreta. Se vem a propósito, abordo tudo. Às vezes também o faço quando parece não vir a propósito, como hoje, se calhar, agora aqui.. Ou seja, não faço questão de começar a atirar para matar, mas considero mais humano não fazer tabu de certos temas. Uso a "razão". Nasci com ela. E aplico-me à argumentação. Na praia onde descansamos, ainda sabe melhor. E vai mais um mergulho.

É bom ser-se plenamente de uma coisa, dizia eu. Pois é, a minha família (a começar por mim) está cheia de contradições. Mas eu não a trocava por nada. Tenho orgulho nela. Por ser a minha. E não me calo. O segredo e a intimidade é outra coisa. E esta última é do que mais humano há. Aí o silêncio é natural. Como a respiração. Aliás, sem isso não há "família" que resista.

Exortai-vos cada dia uns aos outros, até ao dia que se chama «Hoje» (Hebr 3, 13). Exortai-vos cada dia uns aos outros, até ao dia que se chama «Hoje» (Hebr 3, 13).
03
Set15

Sou nudista não praticante


Fátima Pinheiro

 Henri Cartier Bresson / imagem tirada da net

 

Já viu um nudista não praticante? Eu não. Até agora só vi nudistas. E não sou praticante. Não sou nudista, quero eu dizer. Até posso vir a ser. Se tiver razões para isso. Vem isto a propósito da expressão "católico não praticante", que muitos utilizam ao posicionaram-se no quadro das religiões. Dizem-me isto quando eu digo que sou católica, que vou à missa e o resto. Podem dizer. Como eu também o posso. Cada um é o que escolhe. Mas não faz pleno sentido dizer "católico não praticante". Usa-se o adjetivo para dar mais força a essa auto-declaração? Porque sempre são 3.000 anos "às costas"! E com cremação ou sem ela, quando um dos nossos morre, lá se chama o padre, não é?

Eu percebo o sentido que se quer dar: alguém, batizado ou não, quer dizer com essa expressão que tem determinado apreço por certos valores "católicos", mas que não aceita tudo o que o Vaticano diz. Mas para apreciar e seguir esses valores não é preciso ser católico. Qualquer moral os apregoa: amor, justiça, paz, e os outros todos.

O que oiço mais de quem assim se designa é: a Igreja está cheia de contradições; o fausto, pompa e circunstância; as riquezas em geral; a pedofilia; os padres que têm amantes; a inquisição; e mais, muito mais. Mesmo assim não tem sentido. É como se alguém dissesse: eu sou nudista, mas não sou praticante. Mas não é bom. É bom ser-se plenamente uma coisa. Ser benfiquista assim-assim, por exemplo, não tem graça nenhuma. Quando ele perde, na minha casa cai o Carmo e a Trindade. Mas ninguém é obrigado a ser isto ou aquilo. E como pessoas valemos todos o mesmo. Qual o mal em ser católico, ou não o ser? Onde está a liberdade religiosa? E não me venham com os fantasmas do passado. Neste ponto todos temos culpas no cartório.

É costume dizer-se que para uma boa diplomacia há dois assuntos que devem ser evitados: religião e política. Vou a muito sítio e confirma. Fala-se de tudo, menos disso. Há que ser politicamente correto. Como se fosse possível viver tirando a pele: a da política e a da religião. Eu percebo que se possa viver sem querer tomar posição; o que redunda numa posição também. Mas como optei por refletir estas coisas, sou  politicamente incorreta. Se vem a propósito, abordo tudo. Às vezes também o faço quando parece não vir a propósito, como hoje, se calhar, agora aqui.. Ou seja, não faço questão de começar a atirar para matar, mas considero mais humano não fazer tabu de certos temas. Uso a "razão". Nasci com ela. E aplico-me à argumentação. Na praia onde descansamos, ainda sabe melhor. E vai mais um mergulho.

É bom ser-se plenamente de uma coisa, dizia eu. Pois é, a minha família (a começar por mim) está cheia de contradições. Mas eu não a trocava por nada. Tenho orgulho nela. Por ser a minha. E não me calo. O segredo e a intimidade é outra coisa. E esta última é do que mais humano há. Aí o silêncio é natural. Como a respiração. Aliás, sem isso não há "família" que resista.

Exortai-vos cada dia uns aos outros, até ao dia que se chama «Hoje» (Hebr 3, 13). Exortai-vos cada dia uns aos outros, até ao dia que se chama «Hoje» (Hebr 3, 13).
02
Set15

Erotismo e pornografia


Fátima Pinheiro

 

 imagem tirada da net

 

Ontem à noite, alta discussão sobre o tema, porque pus um nu no meu fb. O verão proporciona este género de conversa. Eu sei que as palavras, em geral, estão gastas. Mas tenho sempre o dicionário à mão, neste caso, o TM.  Erotismo:  conjunto de expressões culturais e artísticas humanas referentes ao sexo. A palavra provém do latim ‘eroticus’ e este do grego ‘erotikós’, que se referia ao amor sensual e à poesia de amor.  Pornografia :   representação, por quaisquer meios, de cenas ou objetos obscenos destinados a serem apresentados a um público e também expor práticas sexuais diversas, com o intuito de despertar desejo sexual no observador. O termo deriva do grego πόρνη (pórne), "prostituta", γραφή (grafé), representação. Quase sempre a pornografia assume um caráter de atividade comercial, seja para os próprios modelos, seja para os empresários do setor. Está no hora de ir para a praia, mas queria deixar umas fotografias. Tal como para definições que acima refiro, recorri a um colega de Blog, Blog da Circuito Fashion e da fotógrafa Giovanna Batista. Está tudo AQUI. Claro como água. Boas Férias. Eu? Preto no branco, e às cores.

Exortai-vos cada dia uns aos outros, até ao dia que se chama «Hoje» (Hebr 3, 13). Exortai-vos cada dia uns aos outros, até ao dia que se chama «Hoje» (Hebr 3, 13).
01
Set15

António Lobo Antunes:Olé!


Fátima Pinheiro

 imagem tirada da net

 

Do Bau. Porquê este texto? Porque ele faz hoje anos e eu gosto muito dele. Na altura em que o conheci pessoalmente fiz-lhe um rasante, mas não tinha nem gravador, nem papel. Escrevi assim, e relembro. Não que recordar seja viver. A minha vida, é que tem muito que se diga.

 

«A Feira do Livro, ontem. No rescaldo, hoje ponho António Lobo Antunes. Conheci-o numa conferência. Até então sabia: de dois livros; passagens de outros; muitas crónicas; de familiares; de prémios (mas nisto estou, em parte, com ele, o mais importante no prémio é o dinheiro); que se acha que devia ser Nobel. Convidaram-me para ir ouvi-lo. Uma surpresa e um desafio, uma lide e um milagre. Entre os dois, e não foi de cernelha.

A curiosidade era grande e, se posso e vejo razões, tiro chinelos e corro: muitas vezes descalça. Tinha dele uma escrita "grande", ciclónica, novelo que não se desenrola nunca, repetitiva, embriagante, fatigante.  E uma atração por "uma coisa" maior que o livro, que nas entrelinhas está lá. Contudo, um escrever muito a empatar ou a adiar qualquer coisa.  É escritor? Não é escritor? Não se pode desligar a obra do seu autor, da carne e do osso. Ver os olhos, o olhar. Tocar se puder. Para mim é natural. Conclusão: conheci um escritor e desde esse dia "deu-me a mão". Porquê? Respondo com as minhas palavras, repetindo as dele, grande entertainer e de humor inconfundível - às vezes cru, mas certeiro, a desmontar as máscaras, todas mesmo; não há cinismo que lhe escape; o dele, se é que o tem, é-lhe íntimo, não o conheço assim tão bem...

Disse que escrever é dar um passo mais longe, e a certeza de que se é escritor é experimentar que não se pode viver sem escrever. Que a escrita são as perguntas milenares e a "última" pergunta tem diante de si um abismo. Bem lhe perguntamos, no final, se continuar a escrever é pressupor que há resposta, ao que ele deixou um composto e desenvolvido "não sei porque escrevo", "não lhe sei responder"... Determinante para ele, reconheceu, foi a mão que segurou a sua mão, antes da operação que fez quando lhe diagnosticaram um cancro. A mão que agarrou a sua, até à anestesia. Nunca mais se vai esquecer, repetiu. E que continua a escrever para viver e a viver para escrever. "O segredo para ser escritor?", perguntaram-lhe. Embora tenha citado muitos autores e contado histórias hilariantes sobre o tema, a prova está em que vida e escrita se confundem e que não há fórmulas: o eu diante do touro está sozinho, frisou, silenciando os risos que nunca faltaram, ritmados, a quem o ouviu naquela sala. E que ninguém desce de uma cruz vivo. E que o escritor sofre mais que os outros homens, e que sofrer é horrível.

Chegou a altura dos olhos, do olhar e do tocar. Foi no jardim. Tive então a  certeza de estar diante de um homem que sabe até onde quer ir. Sabe pôr e tirar a "máscara" muito bem, quando lhe apetece e quando quer. Dotado de uma inteligência fabulosa sabe mais do que diz, e sabe que sabe que não diz tudo o que sabe. E isto, diante da angustiante e famosa folha branca, às vezes não tão branca como a pintam.

O abismo de que falou na conferência: "é preciso saltar?", pergunto e respondo. Ele responde em silêncio com os olhos fixos em mim, e em quem me acompanhava, "mas quem são vocês?!" É que nós não lhe pedimos o autógrafo, ficamos para o fim, tão só para estar com ele. Só se pode saltar, disse eu, na certeza de que  uma mão  que nos vai agarrar. Tal como no Hospital. O eu e o touro não estão totalmente sozinhos...

A vida, volto às suas palavras,  não tem sentido sem escrever, e apesar de já estar tudo escrito, o homem tem tendência para se esquecer. Por isso, António continua a escrever"A melhor maneira de dizer as coisas é a única boa." Os grandes livros são um milagre, acrescentou. A certa altura, dos lindos olhos que tem, saiu um olhar sem qualquer máscara e eu tive o privilégio de ver um homem (acho que ele se "descaiu"...). Um "eu" como o meu, que anda neste lide, às vezes distraído, mas que vê a vida consolada quando alguém lhe pega a mão, ou se "pegam" as mãos. Não precisamos de estar (quem sabe quando?) à beira da faca ou da morte. E do que sei do meu toureio a pé ou das "pegas" de todos os dias, experimento - e nisso a natureza não falha- que o material tem sempre razão: se há razões para investir (o mesm

o é: saltar o abismo), é avançar. Só assim o  sofrimento se torna humano e a escrita uma beleza. 

Não é preciso enrolar tanto. Como ele disse a certa altura, precisamos de ser "mais" crianças. Da sua simplicidade. Rápida. Inteligente. De olhos impressionados - uma expressão da qual ele fez, aliás, um pequeno e certeiro exercício fenomenológico. O que mostra que o tempo pode ser um instante. Como cada cigarro que fumava enquanto falava, enquanto mostrava e escondia o olhar. É um touro de raça. Como um bom livro. A literatura é afinal uma bela tourada.

 

(Expresso online http://expresso.sapo.pt/blogues/Blogue:Luzelata/-lobo-antunes-um-touro-cheio-de-raca=f802410)

 

 

 

 

 

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