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Rasante

De tudo um pouco. Cada manhã. Ao sair da pena, bem cedinho. Tudo me interessa.

Rasante

De tudo um pouco. Cada manhã. Ao sair da pena, bem cedinho. Tudo me interessa.

08.07.18

As minhas aventuras na Rússia


Fátima Pinheiro

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"Ontem fomos ver Romeu e Julieta. Mais uma vez lá fomos ao Palácio de Congressos do Kremlin. Mais uma vez tive a oportunidade de me aperceber de várias coisas. Estavam milhares de pessoas. Quando chegamos às portas das muralhas, estranhamos desde logo a multidão. Nem nos passou pela cabeça que toda aquela gente se deslocara ali para ir ver o nosso (afinal o deles...) Prokoviev. Foi o André que nos esclareceu acerca do destino de tal mar. Lá entramos bem devagar, uns atrás dos outros, muitos que éramos. Todos tão diferentes…Já não falo nas cores, ou nas nacionalidades. Refiro-me também à idade, à maneira de vestir. Nunca vi tais discrepâncias de estilo! Anos 30, anos 60, anos 70, anos 90, ou anos nenhuns. Como que uma intemporalidade dos espaços do vestir. Uns feíssimos, outros belíssimos. Lembrei-me da resposta de um professor de História da Moda, quando lhe perguntei o que era a moda: “a moda é aquilo que passa de moda.”

 

Mas, no caso, estava-se para além da moda. Uns pobres, outros quase miseráveis, outros, em menor número, a ostentar riqueza, alguns gosto, alguns o último grito da moda (o último, mesmo).  Mas é de notar que em geral, e esta é uma característica das mulheres russas (das Natashas, Ludmilas, Irinas, Lenas, Olgas e Tânias), há um esmerado cuidado no arranjarem-se. Elas distinguem perfeitamente as ocasiões. Se de festa, se de trabalho, radicalizando por vezes despropositadamente, mas apesar de tudo muito naturalmente, a maneira de se apresentarem.

 

A nossa Natasha, baby-sitter e amiga, para ilustrar o que digo, tem todo um ritual de se arranjar de manhã, antes de sair para a universidade, impressionante. Às vezes excessivamente apinocada para a circunstância, mas nunca sem um toque de cuidado que lhe ressalta, sem dúvida, as suas notas naturais de beleza; tem uns olhos azuis lindíssimos.

 

Dá a ideia que se preparam para o dia como se fosse a sua oportunidade única para brilhar, o que denota um gosto pelo momento presente, um viver a vida de uma forma intensa (isto faz parte da alma russa...).

 

O mesmo se diga das roupas: têm pouco mas o que têm é bom. Não precisam de quarenta camiseiros nas gavetas mas sim de dois, ou apenas um, de boa qualidade. Por isso se apresentam cuidadas, às vezes estilosas. E até czarinas.

 

Voltando ao Kremlin, lá dentro, as cores vermelhas da sala gigantesca aliadas ao escuro da cor do espetáculo tornavam todos e cada um num pequeno pormenor dum quadro único (sensação semelhante à que tive na sala de espetáculos do Kennedy Center: a mesma imponência, o mesmo vermelho). Muito esbatidos ofereciam-nos a vida e o sentido do horizonte que se respirava na animação do palco. Fiquei a perceber o valor do totalitarismo. Percebi também que para a sociedade russa a cultura faz parte da vida. Isto é, as pessoas não vão ver um espetáculo apenas para se divertirem, mas sobretudo porque precisam dele para viver. A arte é ar que se respira. Percebi como nunca que os russos são, essencialmente, um povo de artistas.

 

As velhinhas estão na primeira fila, fazendo tricot, e olham para o espetáculo como se olham as telenovelas."

 

 

Moscovo, 20 Abril de 1999

 

Exortai-vos cada dia uns aos outros, até ao dia que se chama «Hoje» (Hebr 3, 13). Exortai-vos cada dia uns aos outros, até ao dia que se chama «Hoje» (Hebr 3, 13).

06.07.18

O meu post mais lido: Sócrates e a banalidade da "canalhice"


Fátima Pinheiro

 
 

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"José Sócrates hoje ao pequeno meu almoço, eu a ouvir as notícias. Dizia a "pivot" que ontem à noite (não me lembro, se calhar era fim do dia; estava ainda a acordar… e nas dentadas da minha torrada) a Procuradoria Geral da República, negando a notícia da Sábado (seria esta Revista?), assegurava que o antigo PM não está a ser investigado, nem foi constituído arguido no caso Monte Branco (ou troquei com alguma notícia de ski… ainda me falta  um café para ficar boa). Entra depois Sócrates a dizer - de uma entrevista que deu ontem à televisão (…voltei, já bebi o café) - que não está envolvido, ue não conhece a empresa que fazia "tais movimentos": “Isso é uma campanha de canalhice….eu não conheço ninguém…”; "querem agora arranjar um socialista qualquer...". Fiquei a saber que Sócrates é "um socialista qualquer". Nunca é tarde! É a banalidade; já me estava a esquecer da sua paixão pela sua colega Arendt (que não é de filosofia, mas de filosofia política; ai estas "rendas" filosóficas de quem se esqueçe que tudo está interligado!!! ou do Maritain que distingue sim, mas para unir)

“Canalhice”? Não conhecia o termo. Canalha sim, conheço. Pensei: deve ser uma adaptação do francês, "nuances" que lhe ficaram da Sorbonne. Fui ao Dicionário:
«Patologia: que ou aquele que apresenta comportamento comparável ao desse estado; imbecil, idiota – Cretino
Regionalismo-Brasil: pessoa insolente, atrevida, cínica
Fulano: somente quer ser aquilo que não é. É um perfeito cretino!»

A palavra existe, pronto.Os cretinos também. Nisto, nada como uns aninhos em Paris para aprofundar regras de método, de Descartes, por exemplo; sobretudo a de evitar juízos precipitados. São eles que muitas vezes levam ao erro. E caminhar no sentido da clareza e da evidência, as quais são adquiridas em intuições e deduções, os principais actos do espírito.

Cretinice? Campanha dela contra quem já foi considerado entre nós (ou seria isto para Manuel Maria Carrilho? Preciso mais café) o “Armani da Covilhã”? “Mais non, quel dommage”! Eu prefiro chamar mesmo  cretino a quem o é. Será isto campanha – caseira, a minha – de cretinice? Que seja. O bom senso está bem distribuído, com ou sem o homem de um Discurso do Método."
31 Julho 2014
 
 
Exortai-vos cada dia uns aos outros, até ao dia que se chama «Hoje» (Hebr 3, 13). Exortai-vos cada dia uns aos outros, até ao dia que se chama «Hoje» (Hebr 3, 13).

05.07.18

Para que serve um livro


Fátima Pinheiro

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 fotografia

 

Desde que me conheço que adoro livros. Fui comprando e comprando. Começei em Sintra, onde havia uma loja que num canto tinha livros diferentes. Lembro-me do dia de Agosto em que comprei As Confissões de Santo Agostinho, das quais tinha ouvido falar da boca do Pe Peter Stillwell, uns dias antes na missa de Memória do Santo, na minha Igreja de S. Martinho, na Vila. Nunca mais esqueci o que ele leu, muito sentido, do Livro X, capitulo 27 (1). Fiquei marcada por saber que "nunca é tarde".

E continuei a coleccionar. Tenho livros dos sítios por onde passei e vivi. De três cantos do mundo. Noutro dia pensei que uma vida não chega para ler tudo aquilo. Dei e Dei. Fiquei  com aqueles que li e gostei. E com os que ainda penso ler. Não são meus, são nossos. Adoro livros.

Leio hoje com gosto, e como meu, o que disse o agora D. Tolentino Mendonça, nomeado Bibliotecário e Arquivista da Santa Sé, à vaticanista Aura Miguel, em entrevista à Rádio Renascença : "Os livros têm muitas vidas ao longo dos tempos e penso que ... é preciso garantir a integridade daquele tesouro (A Biblioteca e Arquivo do Vaticano), conservando-o da melhor maneira e fazendo tudo para que ele possa ser transmitido às gerações futuras, nas melhores condições; e, ao mesmo tempo ... fazer ressoar este tesouro no presente, na contemporaneidade, estabelecendo diálogos e pontes que possam, de certa forma, permitir que aquele tesouro continue a nutrir o coração dos cristãos e dos homens e das mulheres do nosso tempo." 

 É isso, os livros não são para enfeitar ou fazer de conta, não são para encher as prateleiras mas para encher o coração. Nunca é tarde...

(1) "Tarde Vos amei, 

Beleza tão antiga e tão nova, 
tarde Vos amei! 
Eis que habitáveis dentro de mim, 
e eu, lá fora, a procurar-Vos! 
Disforme, lançava-me sobre estas formosuras que criastes. 
Estáveis comigo e eu não estava Convosco! 
Retinha-me longe de Vós 
aquilo que não existiria, 
se não existisse em Vós. 
Porém, chamastes-me, 
com uma voz tão forte, 
que rompestes a minha Surdez! 
Brilhastes, cintilastes, 
e logo afugentastes a minha cegueira! 
Exalastes Perfume: 
respirei-o, a plenos pulmões, suspirando por Vós. 
Saboreei-Vos 
e, agora, tenho fome e sede de Vós. 
Tocastes-me 
e ardi, no desejo da Vossa Paz"

Exortai-vos cada dia uns aos outros, até ao dia que se chama «Hoje» (Hebr 3, 13). Exortai-vos cada dia uns aos outros, até ao dia que se chama «Hoje» (Hebr 3, 13).

01.07.18

Uma Madona à séria!


Fátima Pinheiro

 

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 foto da última execução em Portugal

 

 
A 1 de julho de 1867  Portugal aboliu a pena de morte, numa decisão pioneira a nível mundial. Desde a sua fundação, em 1498, a Santa Casa da Misericórdia de Lisboa  (SCML) apoiou, confortou e sepultou os condenados à morte na cidade. As execuções públicas incluíam uma procissão, conduzida pela SCML, que levava o condenado do cárcere ao patíbulo. No cortejo a bandeira processional, a Bandeira dos Condenados,  anunciava a execução que se avizinhava. Uma Madona à séria, a acompanhar os filhos até ao fim.
 
O ano passado, nos 150 anos da abolição da pena de morte,  a SCML assinalou o dia com uma iniciativa cultural de destaque,  que não entusiasmou os media como outros temas o têm conseguido. Veja-se o recente tema dos 15 lugares de Parking para uma Pop Start. Cada um entretem-se com madonas à sua medida.
 
No Museu de São Roque  há duas Bandeiras em exposição. Estas bandeiras eram também utilizadas na Procissão do Dia de Todos-os-Santos, organizada pela Santa Casa, na qual se recolhiam os corpos dos condenados no patíbulo do Campo de Santa Bárbara (atual zona dos Anjos), para lhes dar sepultura no cemitério da Instituição, situado na encosta de Sant'Ana, perto da Igreja da Pena. No século XIX, a Santa Casa deixou de acompanhar os executados, devido à obrigatoriedade de entregar os respetivos cadáveres à Escola Médico-Cirúrgica de Lisboa e ao fim da pena de morte em Portugal. Não mais se ergueram as Bandeiras dos Condenados. 
 
 
Exortai-vos cada dia uns aos outros, até ao dia que se chama «Hoje» (Hebr 3, 13). Exortai-vos cada dia uns aos outros, até ao dia que se chama «Hoje» (Hebr 3, 13).

28.06.18

Obrigada D.Dolores!


Fátima Pinheiro

 

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Faz hoje 20 anos que a Vida venceu em Portugal. A 28 de Junho de 1998 os portugueses disseram "não" à liberalização do aborto.

Nestes 20 anos o trabalho daqueles que continuamente lutaram e lutam pela defesa da Vida desde a concepção até à morte natural foi incansável.

E continuaremos a lutar enquanto houver uma mulher que aborte porque ninguém a ajudou!



 

Exortai-vos cada dia uns aos outros, até ao dia que se chama «Hoje» (Hebr 3, 13). Exortai-vos cada dia uns aos outros, até ao dia que se chama «Hoje» (Hebr 3, 13).

22.06.18

Portugal - Argentina


Fátima Pinheiro

 

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O mundial impõe-se. Tudo é possível. E hoje a Argentina ganhou fôlego. Só faltava uma final que pusesse frente a frente Ronaldo e Messi. Eu prefiro falar de equipas mas quem viu os ultimos jogos de Portugal sabe o que digo. O que seria sem Ronaldo? Pois...

De Messi temos visto pouco. Mas falhar um penalti não é trágico. Eu cá penso que ainda vamos ter a Argentina na final com Portugal.  Mais valia estar calada? Não. Este Blog anda desanimado, os temas nacionais e internacioais são desencorajadores e o mundial é o que está a dar. Eu que não percebo de futebol deu-me para isto.

Exortai-vos cada dia uns aos outros, até ao dia que se chama «Hoje» (Hebr 3, 13). Exortai-vos cada dia uns aos outros, até ao dia que se chama «Hoje» (Hebr 3, 13).

21.06.18

Já não sei o que diga: o mundo está mesmo mau!


Fátima Pinheiro

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Agora é que 'Crianças do Bangladesh trabalham 64 h/semana para fazer a nossa roupa barata'. Nos últimos dias ouvimos gritos de crinças enjauladas,  com Trump a mandar.

Um relatório do OverSeas Development Institute (ODI) revelou que existe um número preocupante de crianças com idades inferiores a 14 anos, no Bangladesh, que abandonaram a escola e têm empregos a tempo inteiro. Em média, estas crianças trabalham 64 horas por semana.

E o rei vai nu.

E nada?

 


 
Exortai-vos cada dia uns aos outros, até ao dia que se chama «Hoje» (Hebr 3, 13). Exortai-vos cada dia uns aos outros, até ao dia que se chama «Hoje» (Hebr 3, 13).

17.06.18

O Brunito comanda a vida!


Fátima Pinheiro

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Bruno de Carvalho domina os media. Com tanto assunto, por que magia eu abro a televisão e só me sai aquele? E porque não escrevo eu sobre outro assunto? É por indignação. Por estar farta de tanta mediocridade, tanta corrupção, tanta ilegalidade, tanta impunidade. Como chegamos a isto? Chegamos a isto porque não nos interessam outras coisas? Não é verdade.

O que move a nossa sociedade são as audiências. Mas quem manda nas audiências ? E as perguntas vêm umas atrás das outras. Onde se pára? Vamos vivendo cada dia, a aturar isto  a que preço? Tontos com este espetáculo, entretidos com os bons momentos do Mundial, ou com os lutos sentidos dos Pedrógãos, que fazem hoje um ano. 

Resta-nos sonhar com  a Taça, parece. O sonho comanda a vida. Afinal que vida é esta? É a pergunta que se impõe. Senão o que somos? Uns grandes palhaços. Quem manda nos meus sonhos? Quem me diz o que existe?

Exortai-vos cada dia uns aos outros, até ao dia que se chama «Hoje» (Hebr 3, 13). Exortai-vos cada dia uns aos outros, até ao dia que se chama «Hoje» (Hebr 3, 13).

13.06.18

O selecionador revela o segredo


Fátima Pinheiro

 

 

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Fernando Santos esteve no Conhaque - Philo em 2014.  No dia em que foi considerado o melhor selecionador do mundo, passei aqui aqui um excerto da sessão na qual esteve acompanhado por outro "selecionador", o Cardeal Patriarca de Lisboa D. Manuel Clemente. O video da Sic Notícias pode vê-lo aqui, e a transcrição abaixo. As palavras continuam actuais.

D. Manuel Clemente e Fernando Santos trocam ideias sobre “o que é seleccionar”. Uma tertúlia animada e realista na Casa-Museu Medeiros e Almeida, com Santo António e Paulo Bento à mistura. A Rádio Renascença também registou a sessão aqui: o que têm em comum um patriarca e um treinador de futebol? (Aura Miguel e Ricardo Fortunato) Repórter da Sic Notícias: Selecionar, ser selecionado, escolher, deixar que os outros escolham por nós... O dilema cruza a vida dos homens, sejam eles selecionados, pela palavra de deus, ou selecionadores de futebol, de um país. Fátima Pinheiro (Rasante): Porque é que não põe o Quaresma a jogar desde o início? Risos Fernando Santos: É prima, é prima... Interveniente: Há aqui uma coisa que tem sido permanente, ele tem resolvido os jogos, nos seus últimos jogos como selecionador. E eu pergunto é: quando é que o vai deixar jogar desde o início? Fernando Santos: Eu acho que a resposta foi dita... Quando é que o vou selecionar? Ele tem sido sempre selecionado, não sei a razão, não percebi a pergunta... Eu percebi, mas não quero responder! Risos Se eu respondesse à sua pergunta agora pela negativa ou pela positiva estaria sempre de alguma forma a pôr em causa um grupo de trabalho que é para mim muito mais importante do que o individuo por si só. Repórter da Sic Notícias: O encontro entre Fernando Santos e D. Manuel Clemente fluiu com outras perguntas do público. Quem foi à Casa Museu Medeiros E Almeida em Lisboa ouviu selecionador e patriarca de Lisboa a concordarem num ponto.Dom Manuel Clemente: É exatamente na medida em que nós nos treinamos a selecionar, é que nos tornamos selecionadores. Fernando Santos: Sim, claro. Dom Manuel Clemente: Isto é, se nós tivéssemos assim uma conceção parada da vida e tínhamos de repente um conjunto de possibilidades à nossa frente, assim como quem vê o/um festival de filmes ou coisa do género, e então depois fossemos escolher, nós nunca escolheríamos nada. Repórter da Sic Notícias: No futebol e na religião as escolhas são muitas vezes condicionadas pelo que está à volta. Fernando Santos: As campainhas tocam, não é? E quando tocam, levam-te a pensar. E levando-te a pensar, aqui não há uma questão de condicionar... Mas levam-te a pensar e levam-te eventualmente até à conclusão de que na realidade quem estavam certos eram eles e não eramos nós, e isso mudar, fazer-nos mudar um pouco. Mas isso só os burros é que não aprendem, acho eu. Eu de burro acho que não tenho nada, felizmente. Risos Dom Manuel Clemente: É um processo educativo, é um processo que tem de ser necessariamente demorado porque nem a pessoa, nem o sujeito, tem consciência daquilo que é capaz. Temos que lhe dar tempo e às vezes é errando uma e outra e outra vez que depois acerta. Repórter da Sic Notícias: As reflexões da iniciativa “Falemos dos Outros” da bloguista e filósofa, Fátima Pinheiro, regressam em 2015 com outros protagonistas da vida pública nacional. Exortai-vos cada dia uns aos outros, até ao dia que se chama «Hoje» (Hebr 3, 13). Exortai-vos cada dia uns aos outros, até ao dia que se chama «Hoje» (Hebr 3, 13). 

Exortai-vos cada dia uns aos outros, até ao dia que se chama «Hoje» (Hebr 3, 13). Exortai-vos cada dia uns aos outros, até ao dia que se chama «Hoje» (Hebr 3, 13).

07.06.18

O mundial segundo Dostoiévski


Fátima Pinheiro

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O mundial da Rússia está à porta. A Rússia promete. Aliás sempre prometeu. É de Dostoiévski a célebre sentença: "a beleza salvará o mundo". Não estou a dizer que é este ano que acabam os males, mas, digo sim, que melhor é possível. Há condições. Falta apenas uma coisa.

O futebol só faz bem, tirando, clario, as partes podres, que as há em tudo o que é humano. Mas são tantas as coisas boas, também como em tudo o que é humano. Todos nós percebemos o que se passa num jogo. Até uma criança. O bom é: cada um dar o melhor, o espírito de equipa, a estratégia, e certeza de que não há impossíveis. Ronaldo lembrou-o ontem. E frisou que a cada jogo se vai vendo onde páram as modas, por assim dizer. O que acabo de dizer é uma bela metáfora da vida. Bela, porque verdadeira. Aliás, já que estamos na Rússia, a praça "vermelha" quer dizer praça "bela" (vermelho e belo têm a mesma raíz etimológica).

Espero então que este mundial nos traga um retângulo "belo". Não um campo para esquecer a vida, mas para a celebrar. O futebol é também para as nossas vidas serem melhores. Em cada jogo se vai vendo onde páram as modas, cada um  pode dar o melhor, o espírito de equipa, a estratégia, e certeza de que não há impossíveis. 

Marcelo, ontem antes do jantar em Belém,  não pediu a taça, mas algo "mais difícil". É a coisa que falta: que cada um seja o que é. Isto ninguém pode fazer por nós. E não está longe, está nas nossas mãos. E agora também nos nossos pés. Nos 46 pés de 23 belos fidalgos desta Casa Mourisca. Seguramente "factor de unidade".

Exortai-vos cada dia uns aos outros, até ao dia que se chama «Hoje» (Hebr 3, 13). Exortai-vos cada dia uns aos outros, até ao dia que se chama «Hoje» (Hebr 3, 13).