Saltar para: Post [1], Comentar [2], Pesquisa e Arquivos [3]

Exortai-vos cada dia uns aos outros, até ao dia que se chama «Hoje» (Hebr 3, 13). Renovai-vos pela transformação espiritual da vossa inteligência e revesti-vos do homem novo (Ef 4, 23-24).

Rasante

De tudo um pouco. Cada manhã. Ao sair da pena, bem cedinho. Tudo me interessa.

Rasante

De tudo um pouco. Cada manhã. Ao sair da pena, bem cedinho. Tudo me interessa.

18
Fev15

“As Sombras de Grey”: vamos antes brincar às casinhas?


Fátima Pinheiro

antes de entrar no quartinho de brincar/imagem tirada da net 

 

O sucesso do filme de Grey deve-se ao facto de sermos feitos para o mistério. Só que nos oferece um mistério raquítico, e não aquele que não cabe no desejo que habita em mim, em cada ritmo meu. Desejo que me acompanha desde que sou lançada ao mundo e berro e nesse momento todos se comovem, até ao respiro que nos leva “desta para melhor”. Porque será que gosto de coisas misteriosas? Assim como brincar às escondidas? O que acabo de ver em estreia, e que pretende ser arraso e liberdade,  é mais uma burricada, e a malta engole. 

 

Quando era pequenina adorava o oculto. E agora também. Céus escuros, céus estrelados, quartos ou sótãos proibidos atraem-me. Em pequenina às vezes “entrava” neles, e às vezes tinha medo e precisava da mão de alguém mais crescido (podia ser o irmão mais velho, um ano de diferença chega); outras só mesmo pela mão da mãe ou do pai. E considero que o mesmo se passa com as pessoas em geral. O sucesso do filme «As Cinquenta Sombras de Grey» - adaptação cinematográfica do livro best-seller – tem seguramente parte da sua explicação neste gosto. Desde o seu lançamento, a trilogia «Cinquenta Sombras» foi traduzida em 51 idiomas em todo o mundo e vendeu milhões. Todos! É o hit, fenómeno do qual todos falam, um pouco à maneira do que aconteceu com o livro “O Código da Vinci.” Só que no caso de Grey o cinzento mancha o vermelho fresquinho do amor. Faz mal.

 

O amor do irresistível homem poderoso em tudo, mata. A confiante jornalista é um caso de “o amor é cego”. Quando ele lhe pega na mão para a levar à câmara do brincar dele, ela, de olhos cerrados por ele, ainda lhe pergunta se é o quarto dos jogos de computador ou assim (para jornalista sabe pouquinho; deve ser estagiária; eu com a idade dela já sabia mais qualquer coisita…). Dir-lhe-ia: Não entres tão depressa nesse quarto claríssimo! Ou cantava-lhe com a Dora: “não sejas mau para mim”http://youtu.be/rSFxafh6QJ4

 

Mas não. Nada há que eu não controle, diz convicto o educado Sr.Grey. O querer dela também. E uma rapariga fica a pensar que dar-se é dar-se “assim”. “O meu Ernesto ama-me mesmo”, diz uma. A outra: “Nem penses, o meu Artur tem umas algemas novas que nem imaginas”, replica a outra. “E o chicote!” É o amor. E isto vai-se entranhando e chega-se a pensar que é assim. E o amor fica reduzido ao receber dum domínio que nos faz pensar que somos as únicas a ter tais “delicadezas”. E de sexo, venham-me depois falar de pedofilia ou de padres que fazem isto ou aquilo. Ou pisem-me nos transportes públicos: aí protesto. Mas com os Greys, fiche!

 

O amor é cego. Neste caso é mesmo ceguinho: sombras que não deixam ver porque nada escondem. Câmaras claras que só sabem descarregar o mesmo do mesmo. Não dão o novo amanhecer. O "nosso" (?) mundo está contaminado de Anastasia(s), estudantes de literatura, ou outra coisa,  a chocarem com Christian (s) Grey. Numa ilusão real de um amor etéreo. Numa carne mentirosa porque desenhada a régua e esquadro, carne talhada à medida de um plano. Tudo o contrário da carne viva de um gosto de vida nova, de um prazer que nasce sempre novo, que penetra  os olhos do outro, deixando sempre o fundo dum lago que não tem fundo. Olhos que são janelas do infinito. Olhos de corpos singulares. Pessoais. Já o livro nada nos dava disto. O mesmo do filme. Vá lá. Não são vampiros. Mas é muito pobrezinho. Mesmo desumano. Mesmo destrutivo. E é isto que vende; o que também não é novidade. É a globalização da indiferença, disse hoje o Papa Francisco, nesta quarta-feira de cinzas.

Exortai-vos cada dia uns aos outros, até ao dia que se chama «Hoje» (Hebr 3, 13). Exortai-vos cada dia uns aos outros, até ao dia que se chama «Hoje» (Hebr 3, 13).

Comentar:

CorretorEmoji

Notificações de respostas serão enviadas por e-mail.

Pesquisar

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Exortai-vos cada dia uns aos outros, até ao dia que se chama «Hoje» (Hebr 3, 13).

Comentários recentes

  • Narciso Baeta

    A estupidez é uma cegueira do espírito: não mata, ...

  • Anónimo

    O futebol é um dos pratos principais do actual est...

  • Anónimo

    Esse cardeal, é do mais atrasado que a ICAR tem… a...

  • Anónimo

    Eu gostava era de ver o Marcelo "genuíno" a dar u...

  • Anónimo

    Gostaria de mais informações Recebi uma proposta d...

Arquivo

    1. 2018
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    1. 2017
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    1. 2016
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    1. 2015
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    1. 2014
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D