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Rasante

De tudo um pouco. Cada manhã. Ao sair da pena, bem cedinho. Tudo me interessa.

Rasante

De tudo um pouco. Cada manhã. Ao sair da pena, bem cedinho. Tudo me interessa.

09.01.18

Guerras de estrelas


Fátima Pinheiro

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Reina agora uma Stars War, como se depreende do Globos de Ouro, de ontem, que promete uma noite de Oscares diferente. Até saiu da cerimónia a possibilidade de uma guerra presidencial, para 2020, entre Donald Trump e Oprah Winfrey. O seu discurso empolgou as estrelas presentes na cerimónia (e desde então 220 mil publicações nas redes socias). Discurso poderoso como ela, a mulher mediática e influente disse com todas as letras qual é a arma mais poderosa: dizer a verdade. Estou de acordo. A verdade, sempre. Embora a palavra "verdade" esteja muito embaçada. Falava ela sobre os escândalos que "abalaram" a indústria de Hollywood, de assédio sexual, chantagens e quejandos. Time is up para os que abusaram das estrelas, foi um dos momentos mais excitantes. Poderosas palavras que podem ser uma auto-contradição. Ao dizer o que disse, ela não disse a verdade toda.

Sucesso no passeio das estrelas, a ele muitos querem chegar. E por vezes a ele sobem por meios menos próprios. Acho muito bem que se lute pelo que se quer. Mas as que se  vestiram de preto para  a  cerimonia  ainda acreditam no lobo mau? E o que acusou Kevin Spacey só agora teve voz? Mas vale tarde do que nunca, é certo. Mas ninguém estava  anestesiado . Ou estaria? Sim, a ânsia de estrelar muitas vezes cega. Isto para dizer que as responsabilidades têm que ser distribuídas. A responsabilidade está dos dois lados.

Não estou a louvar Harvey Weinstein por 30 anos de assédio e chantagem sexual. Era o que faltava. Agora quem se deixou ir, tem também parte de responsabilidade. Eu gosto muito de mini saias e decotes, mas sabemos as consequências. Também não acredito nos cordeirinhos, ou em cegueiras manhosas, por muito que actuem com boa intenção, a do "I have a dream". O poder de um decote ou de um gesto insinuante, todos sabemos, não nascemos ontem. E um bom actor sabe fazer muito bem. Equívocos? Não obrigada.

Não há cavalheiros. E senhoras?  Será que tudo o vento levou? Alguém disse uma vez que uma sociedade civilizada se mede pelas relações entre o homem e a mulher. Não poderia estar mais de acordo. 

Olhar para esta guerra, é  olhar para todo o homem. Isto leva- me a pensar no que se passa nas guerras de cada dia, entre nós. Somos livres de seguir os nossos La la Land. O desnorte e os diversos tipos de chantagem e assédio, que não são se reduzem aos sexuais, são o pão nosso de cada dia. Condutas mediocres e dúbias: time is up. Eu tento. Não pisar nem ser pisado.

 

To be continued.

Exortai-vos cada dia uns aos outros, até ao dia que se chama «Hoje» (Hebr 3, 13). Exortai-vos cada dia uns aos outros, até ao dia que se chama «Hoje» (Hebr 3, 13).