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Exortai-vos cada dia uns aos outros, até ao dia que se chama «Hoje» (Hebr 3, 13). Renovai-vos pela transformação espiritual da vossa inteligência e revesti-vos do homem novo (Ef 4, 23-24).

Rasante

De tudo um pouco. Cada manhã. Ao sair da pena, bem cedinho. Tudo me interessa.

Rasante

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03
Abr17

Manoel de Oliveira, fez dois anos


Fátima Pinheiro

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 a imagem é tirada da net

Fez ontem 2 anos. Era uma Quinta-feira santa, vieram escoltá-lo. Na sexta santa, às 15 horas, junto da faina do seu Douro, foi a enterrar, da Igreja de Cristo Rei. A terra, que ele nos dá sempre objetiva e nela misturado, aguardou o silêncio do sábado que é santo, na antecipação da explosão, anunciada na cara que Pasolini escolheu para aquela Maria. É muita fé! Nem falta dizer que ao terceiro dia ressuscitou. Pontaria não lhe faltou, vê-se. E não era ao calhas. Era ao pormenor, ao detalhe, num olhar exigente e assim obediente ao real. E assim se aprende que ao “sim” interessa voltá-lo, porque, ao contrário do “non”, muda. Nunca tinha entrado num olhar assim. Estranho, o caso de Manoel de Oliveira. Palavras leva-as o vento. E que importa? A vida é “incertitude”, confessou em Veneza ao apresentar Angélica. A morte sim, certeza, “une sortie”. Como? Um “Acto da Primavera” – Auto da Paixão – em 1963. Outro documentário míssil, que não passou despercebido, como ele nunca passou. Ao colega que se dizia ateu, deu-lhe em 1964 na Paixão Segundo Mateus. Ambos estranhos. Mas não pela longevidade do primeiro e pelo segundo ter sido assassinado. Falo por mim, entranharei sempre.

O que parecia a uma primeira vista apenas prenho de tédio e obnubilação, sai-me ao contrário e cada vez melhor. “Eu cá aprecio, mas…”, oiço agora e sempre. A questão é no entanto outra. O cinema afinal o que vale?, é a pergunta. Por outras palavras, tenho a “certitude” que o realizador faria o melhor Bond de sempre, se tivesse dinheiro. Mas era preciso querer fazê-lo. Ele não quis. Para saber porquê é preciso ver os seus filmes. Pão, Belle Toujours, Vale Abraão, O Gebo e a Sombra, lembro-me agora. Mas não há nenhum que não me caiba. Excedem-me. Vejo-me num espelho. Como agradecer? Caminhar em e para face a face. Na glória. Como quem começa à mesa, uma refeição, e o que quer “comer” é o outro. Deixar-se uma unidade, em que cada um se distingue cada vez mais do outro. Não há filme de Oliveira que não tenha ceias. A Divina Comédia tem mesmo uma última ceia à volta da qual passeiam Maria João Pires e Dostoievski. Agradeço sim. De mãos dadas, como irmãos, na massa, à luz da sombra que lhe expõe a ferida a todo o terreno. Na pobreza que me ensinou a pedir. E no bravo fluvial da sua cidade, onde planos e acções se continuam a cortar, para me dar vida. Pergunta Claudel: para que serve a vida se não for para ser dada?

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