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Rasante

De tudo um pouco. Cada manhã. Ao sair da pena, bem cedinho. Tudo me interessa.

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De tudo um pouco. Cada manhã. Ao sair da pena, bem cedinho. Tudo me interessa.

17
Jul15

O touro não é um panhonhas, não.


Fátima Pinheiro

 Ontem o Grupo de Forcados de Beja, pelo 2º ano consecutivo, levou a melhor pega da noite, por Guilherme Santos

 

Ontem mais uma tourada, no Campo Pequeno. Como não tive tempo para escrever, reponho o que aqui já publiquei, e que não mudou no essencial. Uma corrida? "Festa brava. O início da temporada reabre a velha polémica. A corrida de touros é um património ou um ato de barbárie? A tourada expressa tradição, cultura e valores artísticos, ou é um atentado à civilização e aos direitos dos animais? Eu estimo as touradas. E tenho razões. São minhas, pois são. De quem haveriam de ser? Eu não quero ser uma panhonhas...

Assim como sou Benfica de nascença (pela linha do avô paterno) e agora convicta; como estimo o Fado, pela linha direta da minha mãe, que me pôs desde o berço Alfredo Marceneiro, Manuel de Almeida, Amália, Maria Teresa Noronha, e outros do género; como de Fátima, pelos pais, que se eu fosse menina me chamariam Fátima, e agora sou, e sou uma daquelas para quem Fátima é para ser levada a sério porque há razões humanas muito poderosas. Mas hoje falo de touradas. E quero dizer e argumentar que sim, sou “Pró”. Porquê? Porque o touro não é um panhonhas. E porque sou a favor do direito dos animais, também estimo o toureiro. Sobretudo a pega. Adoro pegas, visto-me a rigor: aqui para nós, as filosóficas são as minhas preferidas porque as tomei e tomo como lides de uma grade faena, para a qual nem todos estão virados. Mas também gosto de “comer e beber e passear na rua.”

 

Vamos a ela. As razões "genéticas" são insuficientes. Só um dos meus filhos estima corridas de touros. Mais: a genética exige mais argumentos. Perguntei a um amigo que foi forcado, que sabe do que fala. Ainda para mais pegou vários touros. Sim, porque eu sou um animal racional e não me quero babar com espetáculos bárbaros. Ó Malhão, diz-me lá, mas o touro não sofre mesmo? É que tu não és o touro….sabes lá! Ele disse-me que o touro gosta de luta, que não gosta da pasmaceira à qual a sua vida é muitas vezes reduzida; apenas a comer e beber, preparado para o que sabemos. A arena é também para o touro para ele festa brava. Por ser quem é. Um animal lutador. Assim como o homem. Se não gostassem da tourada, nenhum dos dois investia. O touro “desinteressava-se”. Mas não, ambos estão prontos para morrer, nos carismas – diferentes – que têm. Foi o que disse José Tomás, o genial espanhol, a propósito de uma célebre faena a pé, em setembro de 2008, na qual se toureou com o bravo “Idílico” que indultou em plena lide.

 

Os rituais da festa não são secundários: a música, a cor, o sol, a lua, e tudo o que é tradição. O essencial está contudo naquele olhar, mano a mano, que só não entende quem não é animal. Por isso é que gosto dos filmes de Tarantino. E no caso das touradas, nem falo de ketchup. É de sangue mesmo. E esse corre-me nas veias. Todas. Gosto muito. Barbaridade? Ora essa. O touro não é nenhum panhonhas. Panhonhas são aqueles que, como eu, em maior ou menor grau, só se lembram de alguns amigos nos funerais, ou que vão a funerais que não têm interesse nenhum a não ser o de aparecer bem de fato preto e com os melhores óculos escuros; panhonhas que deixamos os nossos muitas vezes entregues a não sei bem quê, em horas e horas de coisas “in”; panhonhas  os que não se importam da violência no futebol, e aí não abrem a boca, e continuam a gostar de futebol; panhonhas os que se desinteressam de Fátima, só porque muita porcaria lá se passa, esquecendo o “diamante” que lá está, debaixo da terra suja que esconde; panhonhas que esquecemos porque é que é bom viver. Razão tem o quase genial Ricardo Araújo Pereira quando pergunta: “ó malhão, malhão, que a vida é a tua?”, no quase genial “Melhor que falecer”.

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