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Rasante

De tudo um pouco. Cada manhã. Ao sair da pena, bem cedinho. Tudo me interessa.

Rasante

De tudo um pouco. Cada manhã. Ao sair da pena, bem cedinho. Tudo me interessa.

01
Set17

Quem tem nas mãos as rédeas de mim?


Fátima Pinheiro

cavalo 3.jpg

 Tarkovsky

 

Já leram a entrevista que Mariana Mortágua dá ao Diário de Notícias de hoje?  É só uma sugestão. Tem tudo a ver com o post rasante de hoje, e ela é muito acessível.

Hoje escrevo sobre dieta. Uma dieta, imaginem, que fiquei a conhecer ao ler "As Confissões", de Santo Agostino, livro escrito no século IV. Um dos meus  livros  preferidos. Já aqui escrevi porquê. Diz o filósofo: "o meu amor é o meu peso." Ao principio estranhei. Depois tenho vindo a perceber, e confere comigo.  É mesmo assim! Diz ele que eu tenho dois amores. Lembrei-me logo do Marco Paulo. Mas claro que é principalmente outra coisa, muito simples por sinal.

Eu tenho pesos. A vida faz-se por escolhas, com critérios mais ou menos conscientes. O que me leva a inclinar-me para um lado ou para outro? Há um permanente e discreto pendor da minha vontade, um movimento, ou movimentos, que posso surprender no agir. O que me faz correr, ou arrastar-me? Sim, muitas vezes deixo-me ir, sou arrastada e deixo que decidam por mim, quando seria caso para decisão minha. Quem tem nas mãos as rédas de mim? O meu amor.

Onde está o meu amor? Onde ponho o meu coração? Agostinho diz que o meu amor tem uma mistura. S.Paulo disse-o uns séculos antes: vejo o bem que quero, e não estou para isso, ou seja, quero-o e não o faço; faço antes o mal que não quero. Ainda  bem que ele "caíu do cavalo", senão não teria reconhecido esta evidência em que caimos cada dia. Caimos e levantamos numa mistura que se vai decantando com tempo e paciência, e muita dieta. E sobretudo com a força do que, no mais fundo de nós, queremos, Deus. Deus não é uma muleta, como muitas vezes é visto. Ele é aquele X que no fundo amamos, cuida de nós e nos faz queres aceitar regressar à boa cavalgada que é viver. Porquê? Porque é a coisa mas atrativa que há. Ou prefiro outros senhores?

Sim, é impossível escapar a outras "dependêcias". Dependemos sempre de alguma coisa. De outros senhores, ou deuses, ou de um deus que inventamos à nossa maneira. A minha liberdade tem as rédeas, mas o cavalo não sou eu que o faço. Tarkovsky, um senhor do cinema, sabia tudo isso, por isso escolhi uma imagem dele a encabeçar este post.

Eu quero o cavalo que me sirva.

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Comentários recentes

  • Anónimo

    Welcome back home...

  • Anónimo

    O AVC fez-te escrever ainda melhor! Welcome back!!

  • Fátima Pinheiro

    É mesmo!

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    Creio que será claro que Fátima, pelo que escreve,...

  • pita

    Um excelente (grande) filme. Tão marcado fiquei q...

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