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Rasante

De tudo um pouco. Cada manhã. Ao sair da pena, bem cedinho. Tudo me interessa.

Rasante

De tudo um pouco. Cada manhã. Ao sair da pena, bem cedinho. Tudo me interessa.

25
Dez17

Serei a couve do Natal?


Fátima Pinheiro

 

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https://www.publico.pt/2015/12/24/sociedade/opiniao/serei-a-couve-do-natal-1718328

Evitemos a tentação de vegetarmos na existência; e atiremo-nos antes a ela, com toda a liberdade, o empenho e a afeição.

 

Três Conversas com Eduardo Lourenço é o meu recente livro, saiu a semana passada. Estamos no Natal e o livro fala de couves. Por isso escrevo este artigo, que é o meu presente para estes dias e noites, mais ou menos felizes ou santos. E adianto já que não quero ser a couve. Umberto Eco espantou-se um dia — contaram-me anteontem — pelo facto de os seus netos não saberem o que era o presépio. Eu já nada me espanta. Não é tudo à la carte? Uma cambada de couves é o que felizmente somos. Mas a luta não é minha. Meu só a liberdade. Poderá haver mellhor?

O livro nasceu de um encontro improvável. Não nos conhecíamos. Admirava-o. Cruzámo-nos numa recepção, abordei-o e o pensador ouviu-me. Achava-o hermético, ele foi simples. E alguém sugeriu: passem a livro! Falámos de tudo: fé, razão, Europa, família, educação, filosofia e arte, vida e morte. Como se fosse a primeira e a última vez. “Discernir é o grande problema”, diz o pensador a dada altura. O meu presente de Natal é assim lembrar, lembrar-me, a alternativa que se põe com mais agudeza e ternura no Natal. Nestes encontros e reencontros de família, ou de quem não a tem, mas tem abraços a dar e a receber. É tudo uma questão de decisão. Ninguém escapa ao milenaríssimo fio da navalha que é também um fio de chocolate quente a regar o melhor sonho da noite. E dum embrulho, vamos lá saber a história.

Lourenço, como sempre, é brilhante. Afirma a páginas tantas: “Em função do que ainda não existe, do tempo do futuro, a gente dá um passo e nessa acção é que nós nos humanizamos, é que nós ultrapassamos as barreiras. Ultrapassamos barreira e barreira, e atingimos um objectivo. Damos um outro passo. A vida é feita desses passos contínuos, uns atrás dos outros, mas nenhum está pré-determinado. Se não déssemos um passo, ficávamos pa­rados num sítio, como um legume.

Desembrulho então o meu presente, e ponho a parada como se segue. Um dos grandes contributos que a leitura da obra e o conhecimento da pessoa de Eduardo Lourenço nos traz é o desejo de darmos este passo: evitarmos a tentação de vegetarmos na existência; e antes atirarmo-nos a ela, com toda a liberdade, o empenho e afeição.

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