Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Rasante

De tudo um pouco. Cada manhã. Ao sair da pena, bem cedinho. Tudo me interessa.

Rasante

De tudo um pouco. Cada manhã. Ao sair da pena, bem cedinho. Tudo me interessa.

22
Nov17

Ser Zen é bem!

Fátima Pinheiro

galopi.jpg

 

 

Conheço católicos, e outros crentes, que parecem baratas tontas. É o ativismo e às vezes moralismo. E há quem diga que é tolerante, embora  a palavra certa e mais científica seja indiferença. Quem o disse foi Oscar Wilde. Acontece que a indiferença é mentirosa. Ou seja, é mentira que temos que ver uns com os outros?

Sei que cada um vê de uma maneira. Mesmo dois budistas o fazem. Ou dois católicos. A subjetividade é incontornável, a ontologia é que manda. A Ontologia é a mãe. Subjetividade distingue-se de subjetivsmo. É como beber um copo de água: a água é a mesma, o que muda é a sede e quem bebe (subjetividade). Estar a beber um copo de água e dizer que é vinho, é poesia. E em termos de conhecimento é subjectivismo. É água mesmo!

Ser indiferente é como adormecer no filme. É não perceber que estamos todos no mesmo barco. É alhear-se do bom combate e vestir a camisola da tolerância (que quando bate forte se despe logo) e, assim, ser indiferente a quem não é igual a mim mas de mim não difere por ser uma pessoa; é ollhar para o lado e de certa forma ignorar o outro, uma pessoa. Ou não?

Ou então também se poderá defender que há pessoas que não são pessoas. Temos muitos casos na História em que o indefensável foi defensável. E agora mesmo. Há pessoas que estão a ser tratadas como pedras.

Mas já há muito se vem ganhando a postura de toca e foge, "não tenho nada a ver". "Ser feliz é passar ao lado da dor." Mas a dor e o sofrimento existem. A começar em nós. Não adianta ignorar. Adianta, sim, lutar por uma vida inteligente, realmente subjetiva. Uma luta que não é minha e  que levo como se fosse.  Por muito que seja bem ser "zen", por muito que me gritem que o spa é que é.  Ser civiizado o que é: é escapar ou amar?

 

Exortai-vos cada dia uns aos outros, até ao dia que se chama «Hoje» (Hebr 3, 13). Exortai-vos cada dia uns aos outros, até ao dia que se chama «Hoje» (Hebr 3, 13).
22
Fev16

Queres ter prazer?

Fátima Pinheiro

retiro.jpg

@FP

 

Agita, usa e deita fora. Às vezes é assim nas nossas vidas. Mas tenho duas pernas como "aprendi" no filme  Lucky Start. Duas pernas servidas para tudo e para nada. No filme o milagre acontece: a  incapacidade de andar é morta pelo amor que faz aquele homem correr. Ele galopa movido pelo seu coração que quer ardentemente o que deseja. Pernas para que vos quero?  S.Tomás de Aquino ajuda. Cada acto humano, se é livre, tem a sua perfeição. Um plus, um excesso, um brilho, numa palavra: prazer. Tanto há prazer em pensar, como há prazer em comer, e por aí fora. A Suma Teológica explica isto de forma brilhante.

 

Este fim de semana fui a um retiro, como é habitual na quaresma. Não é uma fuga. É para me re-ter no prazer de pensar. As rotinas levam-nos muitas vezes a sermos pensados pelos outros, a sermos uns alienados, vampirizados "sem cabeça". Não, obrigada.

 

Eu quero uma vida em primeira mão, dias e noites cheios de prazer. Se assim for é uma vida que vale a pena, uma vida a transbordar e a chegar para todos. O que conta não é o que digo é o que faço, eu sei. E para fazer é preciso cabeça, discernimento. Mais, re-tirei-me para que tirem de mim o que precisarem. Eu dou. A minha espiritualidade não é asséptica: é uma espiritualidade encarnada. Em tudo o que faço ou ponho-me toda, ou nada.  E de asneira em asneira vou sendo re-colhida por aquele que não me engana.

Exortai-vos cada dia uns aos outros, até ao dia que se chama «Hoje» (Hebr 3, 13). Exortai-vos cada dia uns aos outros, até ao dia que se chama «Hoje» (Hebr 3, 13).
15
Fev16

Mata-me de amor

Fátima Pinheiro

 

mata.jpg

 imagem do último de Tarantino, tirada da net

 

Dias sem sentido são monstros . Às horas cegas seria eu a primeira  a pedir a eutanásia, a "bela morte" como diz a etimologia (  e há a distanásia, e mais tanásias, é muita coisa....). Alto ou baixinho gritaria a alguém: LEVA-ME DAQUI PARA MELHOR; AH, E QUERO ASSISTIR A ESSE MELHOR (o nada não cabe na cabeça de ninguém). Mas uma coisa é o que digo, o que quero, outra é o que quero MESMO. Escrevo hoje sobre a eutanásia porque a circunstância está no Parlamento. A urgência de legislar. São mais que sabidos os prós e os contras, as literaturas a respeito, os filmes, os casos contados na primeira pessoa. E na semana passada uma rádio a informar-me de um facto que eu não sabia: a razão mais invocada  para quem pede ajuda para morrer é o estado de depressão em que se encontra. Assim sendo a eutanásia tem um vasto campo de actuação. Ou não.

Uma depressão pode pedir remédios. Mas muitas vezes não há. As pessoas vivem mal. O dinheiro anda mal distribuido. Deixemo-nos de tretas. Por outro lado, há a história dos cuidados paliativos, hoje em foco nos media. Uma espécie de revisão da matéria já dada. Números, saúde, vida, filosofia, psicologia e liberdade.

 

Uma depressão pede uma mão com tempo e amor, esta é a verdade. Uma  depressão não se aguenta com picares de ponto, com palavras magras - "quem sabe vai passar", "se queres, és livre, eu faço o que queres" , "ajudo-te a acabares com isto"-, ou boas intenções. Uma depressão exige ternura e firmeza; em palavras como "eu não saio daqui, de ao pé de ti." Bem sei que não sei o que é um viver quase "vegetar" , mas calculo que o que sei chega para desejar que me ajudem  a matar o que de mim experimento à vista desarmada. Mas chega também para saber que, se quiser, posso pedir que não me larguem as mãos e os olhos. A Eutanásia que quero é a de uma morte que me acompanha desde que nasci. Uma bela morte que está no horizonte que pode ser apenas o espelho de um desejo apertado  ou uma janela para contemplar o que me faz viver, um X que desconheço mas me faz gritar e, por pouco que seja, abrir um canto do olho.

Podem as leis apoucar ou engrandeçer o meu Desejo? No fundo, no fundo, o que quero é viver. Mas com dignidade, dizem-me por toda a parte. Esqueçemo-nos que a vida vem sem adjectivos. Nua. 

Digam que isto é música celestial, ou poesia. Não me importa, não é Antero? Não é Mário? Não é Bernardo?

Exortai-vos cada dia uns aos outros, até ao dia que se chama «Hoje» (Hebr 3, 13). Exortai-vos cada dia uns aos outros, até ao dia que se chama «Hoje» (Hebr 3, 13).
16
Jan16

Quem melhor que a música?

Fátima Pinheiro

Em O Gebo e a Sombra, Raul Brandão diz:”nada exprime o amor como a música”. Schubert é um caso. O invisível abraça-nos  o coração.

 

Exortai-vos cada dia uns aos outros, até ao dia que se chama «Hoje» (Hebr 3, 13). Exortai-vos cada dia uns aos outros, até ao dia que se chama «Hoje» (Hebr 3, 13).
11
Jan16

Vão-se os olhares ficam os olhos, absolute beginners

Fátima Pinheiro

 

"Mas nós somos principiantes absolutos

Com olhos completamente abertos"  https://youtu.be/o_cHvtPB2dY

 

 

imagem tirada da net

 

O que "aprendi"  (ou ficou mais claro para mim) sobre o olhar na semana que passou! Fui a uma conferência. Uma autêntica fenomenologia do olhar. O que falou perguntou: que olhares te tocaram mais, na fibra mais íntima de ti? Sim, que olhares te desatam o Coração? Que olhares te desapertaram o Desejo? E aí parei e páro.

Contudo ele perguntou: e tu, tu ao olhar o outro páras, re-paras, páras e duras no seu olhar? Nesse olhar o tempo parou? Ou olhamo-nos em máscaras? Em preconceitos?  Não importa. Na natureza nada se perde, tudo se transforma. Foram-se os olhares, ficam de novos e de novo os olhos. Virgens.  Absolute beginners, digo hoje, porque o resto foi escrito ontem.

 

Exortai-vos cada dia uns aos outros, até ao dia que se chama «Hoje» (Hebr 3, 13). Exortai-vos cada dia uns aos outros, até ao dia que se chama «Hoje» (Hebr 3, 13).
28
Ago15

Onde se "fall" in love?

Fátima Pinheiro

 

 imagem tirada da net

 

"Cair" é algo inesperado. Assim se passa com o "fall in love". Caiem os dois, vertigem e abismo, conscientes ou não, naquele instante, naquela hora, naquele dia, daquele ano. Não é porém como cair num poço. É sim uma janela que se abre. O vendaval do tal poeta. Depois? É ir por ela e voar, nadar e assim por aí. Nunca por menos. Por isso S.Agostinho (cuja festa litúrgica se celebra hoje) reconhece com razões (é preciso ler os livros dele), que o amor é recíproco, um débito conjugal. Menos que isso é morrer antes de nascer. O crédito, esse, é ilimitado. Mesmo na condição de as prestações não serem pagas a tempo e horas. Eu calço um 36, e detesto os sapatos que me apertam e os que me estão largos. Sou livre - e este é o tema central da filosofia agostiniana - se o meu desejo se satisfaz. A liberdade está na experiência de ter o sapato certo com se andasse descalça. 

Exortai-vos cada dia uns aos outros, até ao dia que se chama «Hoje» (Hebr 3, 13). Exortai-vos cada dia uns aos outros, até ao dia que se chama «Hoje» (Hebr 3, 13).
23
Ago15

A CARNE

Fátima Pinheiro

 

 imagem tirada da net

 

A CARNE 

 

A poesia mudou-se

o tempo morreu

vivo agora

de instante

no corpo

que é teu.

 

Entregue

por nós

sem intermezzo

misteriosamente

encarnados gestos

eternamente.

 

Os intervalos?

São um vazio

caras implodentes

num sorriso sem prazo

dose cheia

da maneira.

Exortai-vos cada dia uns aos outros, até ao dia que se chama «Hoje» (Hebr 3, 13). Exortai-vos cada dia uns aos outros, até ao dia que se chama «Hoje» (Hebr 3, 13).
12
Ago15

A vida é questão de músculo

Fátima Pinheiro

  Satantago (1994)/ imagem tirada da net

 

A vida é questão de braços e de pernas.E é também dois dias. Como sempre, são filosofias o que trago no avental. E a filosofia, ao contrário do que se pensa, trata do "simples". Não parece mas é. Tão simples, tão simples, que é esquecido, adulterado, e pior...

Vamos ao que interessa. Todos nascemos um dia,  e um dia todos morreremos, embora não saibamos nem onde nem como. Contudo todos sabemos que a vida chegou-nos numa espécie de kit que se vai desdobrando e descobrindo., momento a momento. Agora é só decidir: abraço-a com todos os meus braços, ou, "vou andando", "tudo bem" com todas as pernas que for arranjando?

 

A vida, já mo disseram, é "Decisão para a existência". Eu acabo de decidir. Vou abraçá-la ao último trago, até ser por ela abraçada no dia em que iremos para outro lugar. Aí terei a certeza, ou evidência, que por ela sim, fui sempre abraçada. Com cuidado. Porque confirmarei quem foram as caras, os sorrisos, os olhares, os ombros, as lágrimas, as festas que sempre enxuguei, encostei, e me vão sustentando. Realmente isto não se faz sem Companhia. E às vezes não parecendo - porque a liberdade não está em saldos - , isto é muito BOM!

Exortai-vos cada dia uns aos outros, até ao dia que se chama «Hoje» (Hebr 3, 13). Exortai-vos cada dia uns aos outros, até ao dia que se chama «Hoje» (Hebr 3, 13).
03
Ago15

Marimbo-me

Fátima Pinheiro

imagem tiradada net

 

Não faço mesmo cerimónia. Trato as pessoas e a vida por "tu", e sigo sempre atrás dos amigos, ao lado dos que se querem encostar. Não tenho agenda rigorosa, embora esteja mais ou menos a par do que se passa. Não há televisão. O que não ponho é nada de lado. Porque em cada esquina encontro um interesse, uma surpresa, uma insignificância, um bocado de tudo, um pedaço de lixo, um vaso partido, e uma tampa ainda boa para o meu frasco. Tudo me pode acontecer hoje. Ontem já foi, e amanhã será. Hoje, agora é que ... ups! já passou! Uma cara nova, um "eu" mais à frente, uma gargalhada diferente. Por isso é que "isto" é bom.

 

É um gosto de vida nova que acontece, cada dia. Às vezes parece que andamos para trás. Mas o que é, é sempre para a frente. Ponho a fasquia junto à lua, já não é preciso sonhar. Dão-me a sopa à boca. Não se agarra tudo nesta vida! Mas já percebi que é assim: a vida não é para agarrar "tudo", a vida é para agarrar Toda. Hoje é segunda. Pode ser que sim. Se não for, tenho a certeza que será melhor. Porquê? Porque quem me garante a vida hoje, não me larga.

 

Ridícula é a injustiça que mata, minuto a minuto. Sigo sem cerimónias, a aparar a vida. A sorver tudo. A beijar as caras todas, as de dentro e as de fora de casa. A prescindir de últimos capítulos, a estrear vestidos novos e a gozar concertos memoráveis. E os sorrisos dos meus pássaros, que no momento que vieram ao mundo, começaram a voar! Que bons que são.

 

As voltas das horas desaguam-nos no Infinito. É o  gosto de respirar fundo. Estar com os amigos e gozar. Ser de tudo, de todos, de cada um e de ninguém. A Foz quem a sabe? Marimbo-me, ou seja não me levo a sério, como diz a genial Agustina. 

Exortai-vos cada dia uns aos outros, até ao dia que se chama «Hoje» (Hebr 3, 13). Exortai-vos cada dia uns aos outros, até ao dia que se chama «Hoje» (Hebr 3, 13).

Mais sobre mim

foto do autor

Sigam-me

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Pesquisar

Exortai-vos cada dia uns aos outros, até ao dia que se chama «Hoje» (Hebr 3, 13).

Links

imagens rasantes

Arquivo

    1. 2018
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    1. 2017
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    1. 2016
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    1. 2015
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    1. 2014
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D