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Rasante

De tudo um pouco. Cada manhã. Ao sair da pena, bem cedinho. Tudo me interessa.

Rasante

De tudo um pouco. Cada manhã. Ao sair da pena, bem cedinho. Tudo me interessa.

06.07.18

O meu post mais lido: Sócrates e a banalidade da "canalhice"


Fátima Pinheiro

 
 

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"José Sócrates hoje ao pequeno meu almoço, eu a ouvir as notícias. Dizia a "pivot" que ontem à noite (não me lembro, se calhar era fim do dia; estava ainda a acordar… e nas dentadas da minha torrada) a Procuradoria Geral da República, negando a notícia da Sábado (seria esta Revista?), assegurava que o antigo PM não está a ser investigado, nem foi constituído arguido no caso Monte Branco (ou troquei com alguma notícia de ski… ainda me falta  um café para ficar boa). Entra depois Sócrates a dizer - de uma entrevista que deu ontem à televisão (…voltei, já bebi o café) - que não está envolvido, ue não conhece a empresa que fazia "tais movimentos": “Isso é uma campanha de canalhice….eu não conheço ninguém…”; "querem agora arranjar um socialista qualquer...". Fiquei a saber que Sócrates é "um socialista qualquer". Nunca é tarde! É a banalidade; já me estava a esquecer da sua paixão pela sua colega Arendt (que não é de filosofia, mas de filosofia política; ai estas "rendas" filosóficas de quem se esqueçe que tudo está interligado!!! ou do Maritain que distingue sim, mas para unir)

“Canalhice”? Não conhecia o termo. Canalha sim, conheço. Pensei: deve ser uma adaptação do francês, "nuances" que lhe ficaram da Sorbonne. Fui ao Dicionário:
«Patologia: que ou aquele que apresenta comportamento comparável ao desse estado; imbecil, idiota – Cretino
Regionalismo-Brasil: pessoa insolente, atrevida, cínica
Fulano: somente quer ser aquilo que não é. É um perfeito cretino!»

A palavra existe, pronto.Os cretinos também. Nisto, nada como uns aninhos em Paris para aprofundar regras de método, de Descartes, por exemplo; sobretudo a de evitar juízos precipitados. São eles que muitas vezes levam ao erro. E caminhar no sentido da clareza e da evidência, as quais são adquiridas em intuições e deduções, os principais actos do espírito.

Cretinice? Campanha dela contra quem já foi considerado entre nós (ou seria isto para Manuel Maria Carrilho? Preciso mais café) o “Armani da Covilhã”? “Mais non, quel dommage”! Eu prefiro chamar mesmo  cretino a quem o é. Será isto campanha – caseira, a minha – de cretinice? Que seja. O bom senso está bem distribuído, com ou sem o homem de um Discurso do Método."
31 Julho 2014
 
 
Exortai-vos cada dia uns aos outros, até ao dia que se chama «Hoje» (Hebr 3, 13). Exortai-vos cada dia uns aos outros, até ao dia que se chama «Hoje» (Hebr 3, 13).

19.05.17

Saiu-me e disparou


Fátima Pinheiro

 

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 a capa de umas revistas que gosto

 

Explodi! Ele há coisas, há.  Já ando um bocado farta da agenda mediática Fátima, Papa, Sobrais e Benfica. Dá muito jeito uma agenda  pronta a comer, quase self service. Eu própria, como se está a ver, estou neste momento a usá-la. Eles, os tópicos, não são de agora e não são consensuais.  Mas nestes dias só se fala deles. Sempre com filtros, monoclos, não há outra forma. Descartes pensava que sim, mas enganou-se. E tudo ao mesmo tempo, o que levou a uma espécie de atropelamento, por vezes um certo stress, de sempre mesmo do mesmo. Assuntos interessantes, mas sem se adiantar nada de novo, de constructor. Salvo raras excepções. Abençoado João Canijo. E certos livros.  Passada a febre, já voltamos ao normal. Ou não??

Madonas, Trump, Rússia, a má da Coreia, Brasil, agora pela voz de Temer, Uber, Lua de mel de Bruno Carvalho, e pouco mais. Sempre no fundo a intolerância, a ONU de Guterres, as autárquicas, os mártires cristãos na Siria, Macron, Chico Buarque e Carminho, Rui Moreira. E Marcelo, Ronaldo e Costa sempre. Ah, e o terrorismo, já me ia esquecendo. Sobral no Parlamento e a Aveiro a fazer furor, agora no Brasil. A economia a crescer, e de quem é afinal o mérito, e onde e como vai ser o festival da Eurovisão. As videntes e a Terceira Guerra Mundial. Voltamos a ler-nos no epidérmico. Mas onde é que está o gato?

Voltando ao que me referia inicialmente  - onde já vai a discussão teológica visões versus aparições - há dois dias saiu-me quase sem querer um post.  Muito porque nâo gostei da televisão, salvo raras excepções. Estive em Fátima a 13 mas pernoitei de véspera em casa de uns amigos, e vi pela televisão. Tiraram-me a fotografia que inspirou o dito post. Tive tantas visualiações! E fiz o que sempre faço. Escrevo o que penso das coisas que se passam e gostei de ter tido muitas visualizações. E penso na razão que terá feito subir os que por aqui passam.

Cheguei a uma primeira conclusão. O facto de toda esta circunstância  ser rica de potencialdades mudou-me; fez-me carregar o botão com mais força e parar. Fazendo o que sempre faço, fi-lo de forma mais exigente, paradoxalmente, baixando os braços. A querer respostas mais completas. A querer uma comunicaçâo social mais séria, uma vida mais autêntica. A pedir que me ajudem na procura e construção de músicas, teologias, políticas e pessoas mais belas. A ser uma pessoa mais bela.  É o que quero. Talvez o Salvador, a cantar como ninguém, seja o mais pessoal e universal de tudo isto, mais um "pastorinho" que me ensina o que me corresponde: eu sei que não se ama sozinho.

Exortai-vos cada dia uns aos outros, até ao dia que se chama «Hoje» (Hebr 3, 13). Exortai-vos cada dia uns aos outros, até ao dia que se chama «Hoje» (Hebr 3, 13).

19.08.15

Serei um bidé intelectual?


Fátima Pinheiro

Encontrei isto na net. Não deixa de ter a sua graça.

Ligação directa ao “blogue”, ou melhor, ao coiso pessoal da Pinheiro: “100mim”, um cancioneiro indis’pensável “100ela”!

mr-2e77“100mim” é o blogue pessoal da Fátima Pinheiro, o local de partida antes de chegar ao blogue do Expresso. O espaço é de tal maneira espectacular que será alvo de vários destaques nos próximos tempos. Para abrir esta nova rubrica no L’Obéissance Est Morte, escolhi um que revela o fôlego pedagógico da senhora professora, e a sua capacidade de explicar a beleza da morte às pobres almas que a têm como mestre. Para ler e reler. Para aprender que quando as coisas são más elas podem sempre ser piores.  Eis, para vosso deleite, algumas passagens de E a seguir ao Mês do Desassossego? Ai Saramago, Saramago del rio!

“Julho foi dedicado à Educação. Em Agosto foram as Bombásticas na praia, na sua 2ªedição. Outubro foi o mês dos roubos no FB que gosto. O mês de Novembro, que hoje termina,foi sobre o DESASSOSSEGO. Começou num voo de moscardo, dentro de mim.”

“Uma altura dei aulas numa escola profissional pela qual nutro um enorme respeito, porque a pessoa é tida como um todo, e assisti a muitos milagres. Uma turma foi muito especial. Só quase de raparigas. Aliás como quase todas. Todas teens, com piercings, as barriguinhas, e outros pormenores, bem em destaque. Nos intervalos agarradas umas às outras. Às vezes também na aula.”

“E eu que julgo que uma aula tem professor e alunos, que autoridade é sinal de beleza, que uma turma não é igual a outra – e cada uma delas muito menos – procurei educá-las. Que é a para isso que serve a escola, certo? E como um todo. Ensinava-lhes filosofia. Por isso a muitas mandei fazer dieta, não espremer as borbulhas. Algumas deixaram de fumar e mais sei lá o quê. Muitas ficaram mais bonitas e mais mulheres (incluida aqui também eu).

“Era uma sexta feira, entra as quatro e as cinco. No dia seguinte, a primeira página do Correio da Manhã trazia o brutal acidente no qual a Ana foi. Não há palavras que descrevam a aula de 2ªfeira. Foi a “melhor” aula. Fui esmagada por abraços e choro, choro, coro. O “pior” foi os pais daquela filha única, linda de morrer ( os rapazes estiveram uns tempos em crise; se tivesse morrido uma assim mais feiosa, seria mais compreensível…). Apetece-me agora dizer uma asneira. Mas não digo. Há o outro lado.”

FP1

Um autêntico bidé intelectual que devia ser proibido de se aproximar a menos de “100metros” de uma sala de aula. Será que sou só eu a ler nestas linhas material suficiente para acusar esta senhora de um crime público qualquer?

Exortai-vos cada dia uns aos outros, até ao dia que se chama «Hoje» (Hebr 3, 13). Exortai-vos cada dia uns aos outros, até ao dia que se chama «Hoje» (Hebr 3, 13).

24.03.15

Roubaram-me e gostei!


Fátima Pinheiro

 Agora passei a andar de avião/ TM rasante

 

"Rasante",  roubaram-me de caras numa garagem de automóveis. Gostei. Mas foi o carro. Agora ando de avião.  E a mim, sei eu bem quem me quer roubar, mas não quero dizer. Agora, hoje só quero aqui deixar um post do livro "Rasante" (Chiado editora"), que é apresentado na 5ª feira, na FNAC CHIADO às 19 e 30h. Foi escrito faz a 25 de Março 1 ano. Se gostarem apareçam na livraria...

 

 «Foi engraçada a minha estreia aqui, no expresso online. Faz hoje um ano. O carro não pegou nesse dia, tive que pegar um táxi para chegar, na hora combinada, à sede da Impresa. Detesto chegar atrasada. O primeiro post publicado em vez de sair cedo, como inicialmente previra, saiu ao meio dia em ponto. Regresso depois ao local onde tinha deixado ficar o carro. O reboque veio e tive que pagar uma pipa de massa pelo arranjo. Pensei: isto promete! 25 de Março de 2014, um dia igual aos outros, mas novo. Branco no branco. Porque o preto é ilusão. Um ano de “Luz e Lata”. 365 dias de “vale a pena se alma não é pequena”. Como não sei o tamanho da minha, faço memória de um “sim” que fez e faz História. A Igreja que frequento celebra hoje a Festa da Anunciação do Anjo a Maria, ao mostrar o modo de viver daquela rapariga. Lembra assim para que serve afinal a vida. E faz a prova - e leva a provar - que o “impossível”, naquilo que significa, é apenas uma palavra mas também uma realidade da qual desconhecemos os contornos. Vivemos na base do que consideramos serem possibilidades. E fazemo-lo por razões que conhecemos e desconhecemos. Invocando Deus, diz um texto do livro mais lido do mundo: ao olhar o universo e tudo que ele contem, o que é o homem para que Vos lembreis dele? (Salmo 8). 

 

Paul Claudel, que aqui referi, di-lo de outra forma: “para que serve a vida se não for para ser dada?” (in Anúncio a Maria). Desde o dia 25 de Março de 2013 até hoje, foi um tempo em que atravessei o útil e o inútil. Postei e des-postei. Na certeza de que nada é possível sem o impossível, o de uma Luz que sei e não sei. Um tempo em que certezas foram avesso de dúvidas e vice-versa. Um tempo em que o “tactear” ocupou mais espaço do que o do tiro no alvo. Parece um balanço, e se calhar é. E serve para dizer que a Lata morre solteira, e que a Luz é o horizonte sempre presente a conquistar em liberdade. Ela tinha 15 anos e esperava desde pequena um Gozo que lhe matasse a sede toda. No imprevisto de uma impossibilidade pressentida, a sua barriga começou a oferecer um Pão menino. José, seu noivo, quis sair de cena. Não porque não confiasse na noiva, mas porque considerou não ter pinta suficiente para tal mistério. O Verbo a fazer-se carne; ele, um simples carpinteiro sem pregos nem martelo à altura. Mas o Anjo foi mais teimoso. Era meio-dia. Ela disse que sim, e José não soube dizer que não, apesar de se sentir indigno para tal aventura. No dizer de T. S. Eliot: nesse dado momento do tempo, o tempo aconteceu. Até ao osso, digo eu. E comemoro hoje esse “sim” que me con-voca a liberdade. Olhar essa “cena” é experimentar a impotência de nada perceber, a não ser que é verdade. É verdade porque me corresponde, embora nem sempre comigo coincida. “Caçador” de mim é o que me experimento. Não mando na vida. Não a faço, simplesmente a aceito e a vou criando à minha maneira. Ela, a vida, amou-me primeiro, numa anunciação que me fez ser empurrada do ventre da minha mãe. Chorei como todos os bebés. Não sei onde me leva este anúncio, mas é com ele que me entendo e é com ele que nunca mais chorei da mesma maneira. Não nado em dinheiro, mas até gostei de ter pago aquela pipa de massa que tive que pagar há um ano. E mais foi, porque quando os homens das garagens vêem que é mulher, acham que somos umas nabas, e dizem que o problema do meu carro é muito grave. Eu deixei que ganhassem. Não são eles nem o Expresso que me pagam. É o olho da “rua”.

 

(Fátima Pinheiro, "RASANTE", Chiado Editora, 2014)

Exortai-vos cada dia uns aos outros, até ao dia que se chama «Hoje» (Hebr 3, 13). Exortai-vos cada dia uns aos outros, até ao dia que se chama «Hoje» (Hebr 3, 13).

23.03.15

Prémio Pessoa 2014 apresenta livro "Rasante", na FNAC CHIADO


Fátima Pinheiro

 

 

PRESS RELEASE:

 "Rasante", diz tudo. Sem meias tintas, Fátima Pinheiro, filósofa e bloguer, escreve sobre política, arte, igreja, cultura, gastronomia, amor, cinema (de Tarantino a Oliveira) e a vida em geral. Um ano de crónicas diárias no Expresso on line, mais de 300 escritos matinais, sobre tudo e todos. 


"Obrigada, Fátima! - estes pequenos textos, com a sua energia renovável, conseguem evitar os lugares comuns do discurso político que tantas vezes polui o nosso ambiente de palavras", convida José Manuel Durão Barroso, na contracapa. "Não pretendo influenciar ninguém, a não ser a mim mesma", desafia a autora.

Fátima Pinheiro aprendeu e lecionou na Católica, viveu e trabalhou entre Luanda, Washington e Moscovo, E organiza conferências, sob o título Conhaque-Philo. Na última, juntou o selecionador nacional, Fernando Santos, e o Cardeal Patriarca, D. Manuel Clemente. Não perca!

 

Um amigo - que sabe que sou comunicativa por natureza - falou-me na possibilidade de criar um blogue. Comecei por achar que era uma tarefa impossível, até porque não sou muito dada a tecnologias e não sabia como começar tal “coisa”; mas a certa altura resolvi arriscar, e “atirei-me” a essa aventura. Na altura vivia uma circunstância pessoal difícil, e vi este desafio como uma oportunidade de me abrir à vida e aos outros, em vez de me fechar na minha própria dificuldade.

Tomei como fonte de inspiração uma grande figura da nossa cultura, de quem gosto e que admiro muito, o cineasta Manoel de Oliveira. Alguns dos seus filmes foram marcantes na minha vida, e por isso decidi dedicar-lhe a minha entrada na blogosfera. Daí ter escolhido como primeira imagem do meu blogue a estátua de Joana d’Arc que se pode encontrar em Paris e que surge precisamente no filme de Oliveira “Belle Toujours”.

De certo modo posso dizer que tudo o que escrevo tem no olhar o modo como Oliveira olha para a vida, portanto nesse sentido este conjunto de crónicas é um pouco “o filme da minha vida”.

Tal como dizia Camus, quem escreve deseja ser lido, não há escrita exclusivamente para si próprio, e portanto estes meus textos são também isso: reflectem a necessidade e o gosto de chegar aos outros, de comunicar, de dar um pouco de mim, das minhas alegrias e das minhas tristezas, da minha forma de pensar e de sentir a vida – e, claro, de receber em troca o feedback de quem me lê.

O ritmo de escrita de um blogue como este é o ritmo quotidiano, por isso estes textos estão marcados pelos acontecimentos diários do nosso país, do mundo, e pelo modo como eles atravessaram a minha vida.

Há poucos anos publiquei um livro a quatro mãos, com uma amiga minha, a Maria do Rosário Lupi Bello, sobre uma outra grande figura da nossa cultura, a pedagoga Maria Ulrich, de quem aprendi que na vida tudo interessa, não há nada desprezível, que não mereça o nosso olhar e o nosso juízo. Também este aspecto me norteou sempre na construção dos meus textos: o desejo de olhar tudo o que acontece com curiosidade e vontade de compreender.

 

 

Exortai-vos cada dia uns aos outros, até ao dia que se chama «Hoje» (Hebr 3, 13). Exortai-vos cada dia uns aos outros, até ao dia que se chama «Hoje» (Hebr 3, 13).

28.12.14

E o elefante, nada?


Fátima Pinheiro

 imagem da net

 

Sigo a tradição se ela me corresponde, se me torna tudo mais claro, a fazer sentido. Incluo ditados, provérbios e assim. Vem este post porque conversa puxa conversa. Melhor, porque blogue puxa blogue. Embora o tema deste post não seja de hermenêutica; é sim, também, para umas boas festas. Perguntava o autor do outro blogue: quem anda a estorvar quem? Isto a propósito da sua interpretação de um capítulo do livro, considerado por insuspeitos e homens de gosto, o melhor livro de sempre. Para mim é um livro sem adjectivos. Aquilo é que é um livro. Até o meu Oliveira o usa à exaustão num dos seus filmes. Já digo qual é. Se digo agora depois ninguém me atura até ao fim. Mas o livro sim: Os irmãos Karamazov. Quem sabe ler, se não não leu este, anda a leste. 

O que estorva? Para já "estorvar" é uma palavra maravilhosa. Entra a wikipedia: fazer estorvoimportunar, incomodar; embaraçar;  tolherdificultar; impedir.  Palavra maravilhosa porque é leve para o que significa. Não é por acaso que na brincadeira se diz que a palavra russa para "sogra" é "sóstrova". Avante.

By other side, "se um elefante incomoda muita muita gente, dois incomodam muito mais."  Neste caso não acho a tradição muito rigorosa. Não que seja especialista em elefantes.Conheço apenas os cinzentos, o cor de rosa e o invisível (o que toca, ou tocava, o sino no Jardim Zoológico não conta, era mais macaco). Então?

É que tudo depende do que é incomodar? Pois é. Aqui não preciso de ir ao dicionário. O filme não lembro agora do nome. E vou tentar hoje, mais uma vez, não in-comodar ninguém. A não ser tremelgamente. Ossos do ofício.A filosofia é a única "profissão" que mesmo a brincar está em serviço. Uma chata, é que é. Mudem  de elefante. Pronto eu digo: o filme é A Divina Comédia (Manoel de Oliveira, 1991).

Exortai-vos cada dia uns aos outros, até ao dia que se chama «Hoje» (Hebr 3, 13). Exortai-vos cada dia uns aos outros, até ao dia que se chama «Hoje» (Hebr 3, 13).

03.10.14

O Papa Francisco passa por mim no Rossio, HOJE, à noite


Fátima Pinheiro

 

  

 

O papa Francisco foi recentemente à Coreia e à Albânia. "Desde " S.João Paulo II, a Rádio Renascença envia a jornalista Aura Miguel,  para acompanhar as viagens dos Papas. É a única vaticanista portuguesa, uma profissional exemplar, que um dia quis ser diplomata, como conta num dos seus livros. "Venha saber como é viver a fé em contextos adversos e o que significa optar pelo essencial quando tudo à volta diz o contrário!", é o convite que ela deixa aos leitores deste Rasante. Enviou-mo ontem. Eu - primeira leitora deste blogue - aceitei. É hoje à noite, em frente ao Coliseu, e não é preciso bilhete, a não ser a boa e simples curiosidade acerca do que se passa, e "fazer" o que um dia lhe disse João Paulo II. Santidade, como posso ser uma boa jornalista? Perguntou ela , mais ou menos com estas palavras. Como é vaticanista, Aura faz quase todas as viagens no avião papal. Foi pois num deles que Ele lhe respondeu : "é preciso discernir, discernir sempre".

Aura Miguel conhece como ninguém quem é este Papa que a todos agrada - ver os videos dela no youtube, como este que considero DOS MELHORES, http://youtu.be/1tt1k0gNxbw  "como o Vaticano se tornou próximo como ninguém". A jornalista  acampanhou estas últimas duas visitas, que eu também segui, quase como se fosse  no avião de Francisco, e andasse com Ele por dois Países dos quais pouco conheço. Duas ou três coisas (como eu gosto deste título do blogue doutro Francisco, o Embaixador Seixas da Costa, que fez o seu último posto em Brasília! - "Me perdoa, tá?"): eu que vivo a fé num contexto "adverso", eu que quero saber o que andamos aqui a fazer, eu que sei que a fé é simples ( nós é que "simples" só às vezes...), opto pelo essencial?

Há Papas e Papas. Conversa de chá das cinco (estamos na mesa ao lado a tomar o café e ouve-se tudo): eu gosto mais do João Paulo II... Ai, Ratzinger, que horror, aquele ar frio, parece a polícia. Este Papa é que é. E o nome Francisco é o máximo.  Poderia referir outros chás e outros cafés. Mas hoje não é para isso. Hoje é sobre a Coreia e a Albânia que quero aprender a discernir. Sem saber o que se passa lá, como poderei discernir? Não gosto de falar de cor, e muito menos de conversa fiada. Os jornalistas têm muito a aprender com ela. Muito do "jornalismo" que temos: "diz-se", "tem que se"; ou "vai-se" em comitivas em aviões e "cobrem-se" os acontecimentos. Não é que às vezes são mesmo "cobertos"? Ficamos iguais ou pior. O jornalismo a sério é de todo o terreno - não é para ficar de pantufas no hotel pago; estou a falar nas horas de serviço, claro. E sobre as notícias do que se passa em Portugal? Vai dar tudo ao mesmo. Como em tudo há raras excepções. Temos crème de la crème temos, é preciso é saber discernir. Tenho aprendido a ler o essencial. Como sei? Muda-me em direção ao melhor, nos outros e em mim. Tenho a certeza que S.Antão me vai propocionar hoje à noite mais um passo. 

Eu já aqui disse - foi  no Prós e contras - como vejo este Papa http://youtu.be/RhfNYlQrHGk . O Cristianismo não são os valores. Como o principal não são os seus "monstruosos" aspetos externos: o despesismo dos escândalos do vaticano, a sua pedofilia, tudo verdades. Os valores são iguais em todas as pessoas de bem, e todos queremos endireitar o mundo, não duvido. E é bom. Mas não chega para se perceber o que está em causa. Neste sentido a esquerda divina - que vive também de certas homilias, ou cassettes - dá muitas vezes uma no cravo e outra na ferradura. 

Até parece que estou enxofrada com os discursos que valorizam este Papa ( com os 11 milhões de seguidores no Twitter). Mas não, não me enxofro por isso. O que me enxofra - talvez até por deformação profissional - é a ignorância: o que é específico no cristianismo não são os ensinamentos de Cristo. Esses são iguais aos de Buda, Maomet, ONU, etc.

Estou contente com tanto elogio, sim! Mas por razões que não dependem de aberturas de Papas, mas do Logos da vida. Por isso gosto mesmo de Pasolini e daquela troca de olhares entre Maria e José, quando este percebe finalmente o que estava em causa. Aquela silenciosa troca de olhares  (o filme "Evangelho segundo Mateus" está inteirinho no youtube) dá-se porque a Ponte tinha acabado de se fazer - ou fazer - Presente. A Unidade está dada. Não é uma Utopia. O essencial do Cristianismo é própria Pessoa de Jesus Cristo.  Ponte feita, encarnou há 2000 anos e hoje Passa por mim no Rossio. 




Exortai-vos cada dia uns aos outros, até ao dia que se chama «Hoje» (Hebr 3, 13). Exortai-vos cada dia uns aos outros, até ao dia que se chama «Hoje» (Hebr 3, 13).

02.10.14

Francisco Seixas da Costa: o que faz um embaixador


Fátima Pinheiro

 

 

“Mostra-me o que fazes, dir-te-ei quem és.” Aplica-se este ditado (creio que inventado agora) a tudo. É o mais elementar bom senso que o diz. A árvore vê-se pelos frutos, é outra forma de o dizer. Querem mais filosófico? Então tenho esta: “o eu descobre-se em acção”, princípio metafísico de um filósofo italiano século XIV - aliás um dos meus preferidos porque dá conta, razões, da realidade como poucos. Por exemplo: uma pessoa pode ser um grande pianista, mas se nunca mexeu e praticou num piano, então nada feito! O que nada retira em valor à pessoa em questão. E esse “eu” descobriu-se a fazer outras coisas. Um “eu”, uma pessoa, vê-se pelas acções – “de boas intenções está o inferno cheio” -, mas é muito mais do que aquilo que “faz”. Transcende e é transcendental ao que faz. Daí a sua dignidade. Um homem pode falhar mas não deixa a sua categoria de ser uma “realidade” única e irrepetível. Que se pode ou não arrepender de um gesto seu, para dar o exemplo mais óbvio.

 

Eu sou daqueles que experimento o que pode “fazer” uma entrevada na cama. Conheço e “convivo” com ela. “Faz muito mais” do que muitos como eu, que se mexem, mexem, e vão “fazendo”, às vezes apenas por “fazer”. Mas aquele potencial pianista teria dado, vamos supor, um Sokolov. A cambalhota que Descartes teve que dar para cair na real! Mas hoje não entro nos caminhos da filosofia moderna. Quero falar de embaixadores. Apenas “duas ou três coisas”.

 

Lembrei-me do embaixador Francisco Seixas da Costa, que tem precisamente um blogue assim intitulado. Agora que me descobri bloguista, encontrei-o por essa esfera, e leio-o muitas vezes. Mais ao que escreve nos Jornais e no seu trabalho empresarial. Há uns meses que a carreira o deixou. Ele é que não saiu da carreira. Escusa apresentações, ele que também foi Secretário de Estado (acumulando então com outras coisas, como ser então administrador do seu condomínio – ai, ai!!!, “outras tecnoformas”). Isto para dizer o quê? Olhem: nada! É como em tudo. Há os bons e os maus e os assim assim. Este blogue Rasante também regista pela manhã apenas duas ou três coisas. Não quer isto dizer que lhe chegue aos calcanhares. E mais. São poucos os embaixadores que o conseguem “fazer”.

 

A qualidade do que escreve é inestimável. A cultura que tem é invejável. O amor de Portugal está-lhe na cara. Escreve de tudo, como hoje por exemplo , sobre um episódio “banal”, passado num café, que descreve ao detalhe, e o fez lembrar, e citar, um dos nossos Poetas; a comentários políticos pertinentes e oportunos, como o que disse sobre um jornalista que disse o quão positivo que era António Costa ser o primeiro líder não branquinho (isto são palavras minhas) à frente de um partido em Portugal. Foi no seu facebook, anteontem e disse-o assim “ESTÁ TUDO DOIDO? O diretor de um jornal diário refere-se hoje a António Costa como ‘o primeiro não-branco a chefiar um partido em Portugal’. Que diabo de país é este?” Quem sabe, digo eu, se será prenúncio de um Nobel “à Obama”, também quando foi “feito” Presidente muito notado pela cor. Agora continua a ser notado mais pelo colorido – ou vermelho líquido, banal, e não-ketchup Tarantino; mas sangue a sério - que vai deixando por esse mundo fora. Mas voltando ao homem, que também é conhecido pelos seu gosto pela “cozinha”, o qual partilha nos guias sobre sítios bons para se comer com os quais nos vai presenteando e aos quais a minha carteira chega. Tascas do melhor. E que comenta a escolha de Ferro Rodrigues para líder Parlamentar e diz porquê. Enfim.

 

É um embaixador, ponto. E até me corrigo e digo que nem há os bons, os maus e os assim assim. Há os que são e os que não. E nada tenho contra croquetes, atenção. Adoro! O que faz um embaixador? É ter obra feita e andar nas obras. Este que aqui hoje refiro, agora noutro activo, continua a “graduação mais elevada de representante de um governo ou Estado, junto de outro Estado ou governo”. Que ninguém diz que não possa ser também Portugal em Portugal. Uma vez numa embaixada nossa - onde a circunstância me levou a “viver” uns bons anos, encontrei, por acaso, uns quantos caixotes carregados com Revistas do Instituto Camões. Aquela Revista boa, temas bons, em papel couché. Era o número dedicado ao 25 de Abril. Estavam ali há mais de um ano. Cheias de pó. Não digo o que lhes fiz. Estavamos, curiosamente, perto do 25 de Abril desse ano em que neles, nos caixotes, tropecei. E não digo por ter medo de ir para a prisão, ou por ter vergonha da diplomacia cultural que vamos não-tendo, mas porque não me quero hoje gabar. Às vezes gabo o que faço e faço bem. Mas hoje só quero dizer 2 ou 3 coisas: que Francisco Seixas da Costa não era o nosso embaixador nesse país, que aqui voltarei a este “tema” (que tem pano para mangas, e de todas as cores) e que tenho orgulho em ser feita, cada minuto, portuguesa.

Exortai-vos cada dia uns aos outros, até ao dia que se chama «Hoje» (Hebr 3, 13). Exortai-vos cada dia uns aos outros, até ao dia que se chama «Hoje» (Hebr 3, 13).

22.09.14

A escorregadela de Luis Filipe Menezes e o Jornal I


Fátima Pinheiro

Luis Filipe Menezes, da net

Este blogue tem um audiência modesta. E devo dizer que há dias que me surprendem, pela positiva. E, para quem não me conhece, devo dizer que escrevo porque gosto muito e no sentido de construir. Isto mesmo quando às vezes parece brincadeira.

E também devo dizer que me aconteceu uma coisa inédita: no dia 20, o meu post acerca de Luis Filipe Menezes teve 0 visitas. Acabei de visitar as estatísticas. Talvez seja porque o tema é demasiado desinteressante.

Agora vou ali e já venho. Tenho uma peçinha que vou deixar da parte da tarde sobre o Jornal I. Até já.
Exortai-vos cada dia uns aos outros, até ao dia que se chama «Hoje» (Hebr 3, 13). Exortai-vos cada dia uns aos outros, até ao dia que se chama «Hoje» (Hebr 3, 13).

17.09.14

José Sócrates e Carrilho: a síndrome Linda de Suza


Fátima Pinheiro

Suza da Net

Sócrates outra vez? "C'est de la chance". Neste caso mais "au hasard." É que ele diz sempre coisas tão espantosas que eu, como filósofa, só me posso espantar. Podia ficar calada que dava no mesmo. Mas escrevo na mesma. Gosto muito. Mas hoje em jeito de "bis" - ou "encore" - de uma coisa que escrevi no "expresso online" há anos " luz", e que mantem toda a actualidade. Hoje é dia de muitos afazeres. Regresso amanhã para acabar de uma vez com esta "lata". Como escrevia todos os dias, às vezes saía assim informal e "espiralenta". Tambem gosto. Mas gosto de forma diferente, também.

"Carrilho e José: Filosofia tem 'encanto' na hora da despedida"
9:06 quinta-feira, 31 de outubro 2013

«Tenho pensado na “síndrome” Linda de Suza, ou Mala de Cartão, e seus efeitos mediáticos. O artigo de ontem de Henrique Monteiro - "A lição de Filosofia de Manuel Maria Carrilho" - foi o mais visitado e comentado aqui no "online". Sócrates é obra. Finalmente acho que sei porquê. Sócrates então, primeiro. Uma espécie de breve "longe da vista, longe do coração": para quê? Para os estudos em quê? No lançamento do livro menos livro desta "rentrée", no Chiado, fez questão de dizer que não era um livro de Filosofia. Concordo. E a imolação, mais uma vez, este sábado em entrevista a um "media", a responder a tudo!!!! Para quem como ele (e afirma isto citando citando um "filósofo") vê a felicidade em não aparecer nos jornais, é digno do "espanto filosófico" aquilo de que fala nesta entrevista, ela também, reconheça-se, digna de espanto. Por que razão um homem como José, agora ainda mais bem posto e "espaçoso" (com laivos ou trejeitos, semelhanças físicas até, de um, sei lá, André Glucksmann), se deixa "infelicitar" e se imola na praça da qual já disse não querer "favor"?

E Carrilho? Faço também questão de não entrar na sua vida privada. Estas minhas linhas querem apenas entender aquilo que poderá interessar a todos. Mas o facto de Carrilho ter gritado por mais Filosofia a um mediatismo apetitoso ou carente - grosseiro por vezes -, fez-me juntar as peças e cheguei a uma conclusão.

Síndrome Linda de Suza? Da entrevista de Sócrates : "Cheguei a Coimbra com o Luís Patrão, meu amigo de infância da Covilhã (...) O carro chegou a Coimbra carregado com as minhas MALAS. Fui estudar." Ou: "Descobri o meu tema [da tese] no dia em que o filósofo Fréderic Gros, um tipo novo e muito interessante, chegou do aeroporto com as MALAS para fazer uma aula magistral. Duas horas a falar de filosofia."

E as contradições? "Se voltei ao comentário político é porque me quis defender, estava a ser atacado sem defesa. Não sinto nenhuma inclinação para voltar a depender do favor popular." Ó para ele na entrevista! Ou esta, ao falar de si: "Embora seja mais um homem da acção do que da vida contemplativa que tive nestes dois anos, que não é o que sei fazer. Só sei viver em determinação. Em contingência. Não sou um filósofo [do que falou então com Gros, as 2 horas?] não olho para uma situação com a ideia de a entender mas de a alterar." Ouvi bem? É e não é filósofo? Eu acho que não é: como o pode ser alguém que quer alterar sem entender? Marx também só queria transformar. Mas nem me passa pela cabeça comparar estas duas pessoas. Isto deve ter a ver com o dilema de Hamlet; neste caso de Omolete, em Paris bem boas (para quem não sabe, Annette Poulard recriou a receita persa como uma refeição tipo "fast food" para os famintos peregrinos que chegavam ao Santuário de S.Miguel; de mala, mochila, não importa - Carrilho é mais mochilas).

E continua José a citar: "Citando um filósofo, a política é a eterna aprendizagem do convívio com a deceção." Aqui, muito pano para mangas ..."Fiquei com a minha pedra no sapato.", diz a certa altura da entrevista. Pois eu também. Ele tinha era uns belo botins - e então não é muito melhor ter gosto? -, na entrevista dada na "Controle" do Porto de Lisboa. A Pedra? O subtítulo da entrevista: "O livro 'A Confiança no Mundo', sobre a tortura em democracia, é a tese de mestrado de José Sócrates na escola "Sciences Po", Paris. É lançado em Portugal, depois no Brasil e em Moçambique. Pretexto para uma conversa franca com o ex-primeiro-ministro." Conversa "franca"? Estranho ter que dizê-lo. Dever ter a ver com o "francês".

A conclusão em duas linhas (não preciso de duas horas): a Filosofia chama a atenção. Não que se saiba bem o que ela é, mas porque foi posta de lado, por razões, por uns mais sabidas que outros. A Filosofia quer, sim, entender. Dos filósofos espera-se mais, quase tudo. De Carrilho também. Por isso é que decepciona ao primeiro sinal de desumanidade e de desumanização que é a dor de quem com tudo isto sofre. Chegamos a este ponto porque há quem pense que o "quis saber quem sou, o que faço aqui?..." é brincadeira de ociosos. Que o que interessa é o negócio. Mas é que interessam os dois!! É só parar e pensar. A filosofia é determinada, sabe o que quer e, ela sim, vive da contingência radical. E dá muito "trabalho"! A Filosofia tem mais encanto na despedida. Na hora dos abandonos, dos desabraços, das crises. Para terminar e para parecer que isto é uma crónica filosófica, cito então Heidegger e digo que não há nada como a sua "Fundierung", desenvolvida em Sein und Zeit.»
Exortai-vos cada dia uns aos outros, até ao dia que se chama «Hoje» (Hebr 3, 13). Exortai-vos cada dia uns aos outros, até ao dia que se chama «Hoje» (Hebr 3, 13).