Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Exortai-vos cada dia uns aos outros, até ao dia que se chama «Hoje» (Hebr 3, 13). Renovai-vos pela transformação espiritual da vossa inteligência e revesti-vos do homem novo (Ef 4, 23-24).

Rasante

De tudo um pouco. Cada manhã. Ao sair da pena, bem cedinho. Tudo me interessa.

Rasante

De tudo um pouco. Cada manhã. Ao sair da pena, bem cedinho. Tudo me interessa.

29
Jul14

O que penso do “fenómeno” Paulo Coelho e assim


Fátima Pinheiro

Há dias, aqui no Rasente, escrevi sobre Paulo Coelho. Retive o "bom" mas disse desde logo que era muito critica em relação à sua obra. Em tempos escrevi este texto, que mantem toda a sua actualidade.

«Ao escrever estas linhas não estão em causa as intenções dos autores (Browns, Coelhos e outros) ou mesmo as de quem os lê. Estão sim, na mesa, coisas objectivas, factos, teses, que escapam a esse domínio. Não é por acaso que muitos e muitos visitantes do Museu Louvre já não estejam interessados em ver o famoso sorriso de Mona Lisa. Pena!

A pergunta muito repetida por quem visita aquela jóia de Paris é agora, antes, a de saber o sítio certo onde foi encontrado o corpo morto do conservador do museu, para estar “perto” de Tom Hanks, que encarnou na produção cinematográfica a trama de Dan Brown. Como até parece que com aquele filme “a montanha pariu um rato”, já para os “Anjos e Demónios”, do mesmo escritor, parece que Brad Pitt vai poder descansar.

Até damos de barato que o “Código da Vinci” não tenha qualquer pretensão científica. Faz linha num certo tipo de escrita que a muitos agrada. Como agrada a vasta produção de Paulo Coelho, e de outros também, até de penas lusas.

A pretensão científica poderá não prevalecer. Agora, não se pode ignorar o facto de que estamos diante de livros que abordam questões de interesse espiritual, histórico e filosófico, e que o fazem de uma forma que para o grande público – e é importante sublinhar que estamos a falar de obras intencionadas para o grande público -, podem ser lidas como “verdades”, isto é, como coisas que aconteceram mesmo daquela maneira.

Isto, já descontado todo o negócio que se tem gerado em torno destas produções, um fenómeno que vai do turismo ao franchising, de divulgações científicas e culturais de segunda e terceira mãos. Para não dizermos que já se chegou ao chinelo. Mas não é disto que se trata agora aqui directamente.

Quem pega, por exemplo, no “Alquimista” de Paulo Coelho, não está propriamente à procura de um livro policial, verdade? Está sim, e de uma forma despretensiosa e informal, à procura de um auxílio, de “dicas”, de uma inspiração ou orientação para o seu percurso de vida. Fartos dos escândalos das religiões oficiais – e sem tempo para grandes demandas – muitos se aventuram, sozinhos ou em grupo, em novos caminhos, em novas re-ligiões. Há uma vontade de re-ligação, de recuperar o tempo perdido.

Ou então simplesmente pega-se num livro de Paulo Coelho para descontrair “meditativamente”, isto é, para ler uma coisa que tem de certo modo algo a ver com a vida, mas que não implica com isso o mínimo compromisso com qualquer grupo religioso ou igreja. Teoricamente cada um pode, repito, construir, sozinho ou em grupo, a sua própria religião, o seu caminho de re-ligação ao infinito, na tentativa de encontrar o elo perdido. O autor pode não ter pretensões científicas mas é muitas vezes lido como se as tivesse. E aqui está um grave problema: o “Alquimista” não é a Bíblia ou o Corão, mas é para muitos tido como tal. Com Saramago é diferente, ele não é militante. “Caim”, o seu melhor livro – ele próprio o confessou quando o lançou na Culturgest – não belisca o livro sagrado. Saramago não oferece receitas, embora haja pontos críticos, que deixo para outro texto.

Importaria nestes casos uma clareza objectiva que distinguisse o que é daquilo que não é. A fome (às vezes avidez, às vezes chill out) de espiritualidade que hoje se vive, e se vê na disseminação de tudo o que é produto oriental ou africano – do chinelo ao incenso, do tofu à missanga pós-60 (claro!), dos spas de wellness às naturas das nossa catedrais de con-sumo (onde até também há coisas muito boas!a eterna história do trigo e do joio…) -, pega nos “fenómenos” que se vendem e adere. Segue. Lê, sublinha e pratica, um pouco de um lado e um pouco de outro.

Não é o catolicismo que se vê progressivamente “convertido” numa religião “à la carte”. É a própria vida e suas espiritualidades que assim se vivem e se decidem (melhor, são vividas e decididas) ao menu. Daí o êxito, ou a saída, de produtos que se ofereçem com essas características.

Dan Brown, Paulo Coelho e mais, estarão no céu, na 1ªfila. Mas não é disso que se trata; e até porque Deus é certificado na matemática do amor. Trata-se sim – e agora refira-se em particular o homem de Tom Hanks – de um ataque ao cristianismo histórico pretendendo reduzi-lo a um embuste de dois mil anos por um poder ávido de almas e de mundo. Nisto estou com o arcebispo de Chicago, que pergunta assim: “Haverá alguém que pense realmente que todos os máritres morreram para proteger o segredo de que Jesus e Maria Madalena eram casados?” (Carl OLSON, Sandra MIESEL. A Fraude de “O Código da Vinci”, p.10). E é de notar que o século XX deu mais mártires ao mundo, do que nos outros séculos todos que o antecederam. São factos. E há livros sobre o assunto.»
Exortai-vos cada dia uns aos outros, até ao dia que se chama «Hoje» (Hebr 3, 13). Exortai-vos cada dia uns aos outros, até ao dia que se chama «Hoje» (Hebr 3, 13).

Pesquisar

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Exortai-vos cada dia uns aos outros, até ao dia que se chama «Hoje» (Hebr 3, 13).

Comentários recentes

Arquivo

    1. 2018
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    1. 2017
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    1. 2016
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    1. 2015
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    1. 2014
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D