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Rasante

De tudo um pouco. Cada manhã. Ao sair da pena, bem cedinho. Tudo me interessa.

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17
Set14

José Sócrates e Carrilho: a síndrome Linda de Suza

Fátima Pinheiro
Suza da Net

Sócrates outra vez? "C'est de la chance". Neste caso mais "au hasard." É que ele diz sempre coisas tão espantosas que eu, como filósofa, só me posso espantar. Podia ficar calada que dava no mesmo. Mas escrevo na mesma. Gosto muito. Mas hoje em jeito de "bis" - ou "encore" - de uma coisa que escrevi no "expresso online" há anos " luz", e que mantem toda a actualidade. Hoje é dia de muitos afazeres. Regresso amanhã para acabar de uma vez com esta "lata". Como escrevia todos os dias, às vezes saía assim informal e "espiralenta". Tambem gosto. Mas gosto de forma diferente, também.

"Carrilho e José: Filosofia tem 'encanto' na hora da despedida"
9:06 quinta-feira, 31 de outubro 2013

«Tenho pensado na “síndrome” Linda de Suza, ou Mala de Cartão, e seus efeitos mediáticos. O artigo de ontem de Henrique Monteiro - "A lição de Filosofia de Manuel Maria Carrilho" - foi o mais visitado e comentado aqui no "online". Sócrates é obra. Finalmente acho que sei porquê. Sócrates então, primeiro. Uma espécie de breve "longe da vista, longe do coração": para quê? Para os estudos em quê? No lançamento do livro menos livro desta "rentrée", no Chiado, fez questão de dizer que não era um livro de Filosofia. Concordo. E a imolação, mais uma vez, este sábado em entrevista a um "media", a responder a tudo!!!! Para quem como ele (e afirma isto citando citando um "filósofo") vê a felicidade em não aparecer nos jornais, é digno do "espanto filosófico" aquilo de que fala nesta entrevista, ela também, reconheça-se, digna de espanto. Por que razão um homem como José, agora ainda mais bem posto e "espaçoso" (com laivos ou trejeitos, semelhanças físicas até, de um, sei lá, André Glucksmann), se deixa "infelicitar" e se imola na praça da qual já disse não querer "favor"?

E Carrilho? Faço também questão de não entrar na sua vida privada. Estas minhas linhas querem apenas entender aquilo que poderá interessar a todos. Mas o facto de Carrilho ter gritado por mais Filosofia a um mediatismo apetitoso ou carente - grosseiro por vezes -, fez-me juntar as peças e cheguei a uma conclusão.

Síndrome Linda de Suza? Da entrevista de Sócrates : "Cheguei a Coimbra com o Luís Patrão, meu amigo de infância da Covilhã (...) O carro chegou a Coimbra carregado com as minhas MALAS. Fui estudar." Ou: "Descobri o meu tema [da tese] no dia em que o filósofo Fréderic Gros, um tipo novo e muito interessante, chegou do aeroporto com as MALAS para fazer uma aula magistral. Duas horas a falar de filosofia."

E as contradições? "Se voltei ao comentário político é porque me quis defender, estava a ser atacado sem defesa. Não sinto nenhuma inclinação para voltar a depender do favor popular." Ó para ele na entrevista! Ou esta, ao falar de si: "Embora seja mais um homem da acção do que da vida contemplativa que tive nestes dois anos, que não é o que sei fazer. Só sei viver em determinação. Em contingência. Não sou um filósofo [do que falou então com Gros, as 2 horas?] não olho para uma situação com a ideia de a entender mas de a alterar." Ouvi bem? É e não é filósofo? Eu acho que não é: como o pode ser alguém que quer alterar sem entender? Marx também só queria transformar. Mas nem me passa pela cabeça comparar estas duas pessoas. Isto deve ter a ver com o dilema de Hamlet; neste caso de Omolete, em Paris bem boas (para quem não sabe, Annette Poulard recriou a receita persa como uma refeição tipo "fast food" para os famintos peregrinos que chegavam ao Santuário de S.Miguel; de mala, mochila, não importa - Carrilho é mais mochilas).

E continua José a citar: "Citando um filósofo, a política é a eterna aprendizagem do convívio com a deceção." Aqui, muito pano para mangas ..."Fiquei com a minha pedra no sapato.", diz a certa altura da entrevista. Pois eu também. Ele tinha era uns belo botins - e então não é muito melhor ter gosto? -, na entrevista dada na "Controle" do Porto de Lisboa. A Pedra? O subtítulo da entrevista: "O livro 'A Confiança no Mundo', sobre a tortura em democracia, é a tese de mestrado de José Sócrates na escola "Sciences Po", Paris. É lançado em Portugal, depois no Brasil e em Moçambique. Pretexto para uma conversa franca com o ex-primeiro-ministro." Conversa "franca"? Estranho ter que dizê-lo. Dever ter a ver com o "francês".

A conclusão em duas linhas (não preciso de duas horas): a Filosofia chama a atenção. Não que se saiba bem o que ela é, mas porque foi posta de lado, por razões, por uns mais sabidas que outros. A Filosofia quer, sim, entender. Dos filósofos espera-se mais, quase tudo. De Carrilho também. Por isso é que decepciona ao primeiro sinal de desumanidade e de desumanização que é a dor de quem com tudo isto sofre. Chegamos a este ponto porque há quem pense que o "quis saber quem sou, o que faço aqui?..." é brincadeira de ociosos. Que o que interessa é o negócio. Mas é que interessam os dois!! É só parar e pensar. A filosofia é determinada, sabe o que quer e, ela sim, vive da contingência radical. E dá muito "trabalho"! A Filosofia tem mais encanto na despedida. Na hora dos abandonos, dos desabraços, das crises. Para terminar e para parecer que isto é uma crónica filosófica, cito então Heidegger e digo que não há nada como a sua "Fundierung", desenvolvida em Sein und Zeit.»
Exortai-vos cada dia uns aos outros, até ao dia que se chama «Hoje» (Hebr 3, 13). Exortai-vos cada dia uns aos outros, até ao dia que se chama «Hoje» (Hebr 3, 13).
16
Set14

José Sócrates indignado com fugas e debandadas

Fátima Pinheiro
lareira da net

Este post é só um desabafo. É já noite e amanhã tenho que me levantar muito cedo. Mas é só para ter a certeza que estou acordada e para acreditar mesmo onde chega a lata. Ontem no seu comentário semanal - o do regresso - José Sócrates, com aquela voz de lamento e indignação muito dele, achou coisas inusitadas e impróprias fugas e debandadas. Se calhar foi um sonho. E como somos ambos formados em filosofia, estavamos provavelmente de robe vermelho à lareira, como Descartes, em sonhos. Mas não. E não há crítica ao argumento do Génio Maligo que o salve da dúvida hiperbólica. Isto é mesmo matemático. Ou se quiserem "pão, pão, queijo, queijo." O povo é de memória curta. E bem vestido, a falar bem, cheio de "argumentos" - e com os conselhos de imagem do Luís - irá longe.
Exortai-vos cada dia uns aos outros, até ao dia que se chama «Hoje» (Hebr 3, 13). Exortai-vos cada dia uns aos outros, até ao dia que se chama «Hoje» (Hebr 3, 13).

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