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Exortai-vos cada dia uns aos outros, até ao dia que se chama «Hoje» (Hebr 3, 13). Renovai-vos pela transformação espiritual da vossa inteligência e revesti-vos do homem novo (Ef 4, 23-24).

Rasante

De tudo um pouco. Cada manhã. Ao sair da pena, bem cedinho. Tudo me interessa.

Rasante

De tudo um pouco. Cada manhã. Ao sair da pena, bem cedinho. Tudo me interessa.

04
Dez17

Com Brown não se vai


Fátima Pinheiro

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Ontem foi o primeiro dia do Advento. Nestas festas natalícias, à medida de cada um, abundam ofertas de produtos, potenciais presentes. Para os amigos, para família, colegas, etc. A "Origem" é um desses. Um livro muito grosso, género Bíblia. Há muitos assim, nesta altura. Mais não valha, dá um ar de boa prenda, e atual. E está no papo. Foi muito bom. Ainda mais porque li o livro em boa companhia.

Não faz o meu género, é de calcular. E tanta página, confesso, guardo para paixões. Comprei e li porque quis experimentar. O que faz o autor vender tanto? E porque trata de um assunto muito sério. De onde venho? Para onde vou? E quero ainda dizer que é grave confundir as pessoas desta forma. Devo ainda confessar que no género ele é o melhor: escreve bem, uma imaginação que não lembra ao diabo, uma capacidade de enredo invulgar e um talento para prender a atenção, invejáveis. Quem se lembraria de inventar a categoria da "lacuna de Deus"? E tem frases que são como setas, certeiras a quem lê, como se desvelasse a humanidade numa expiração. E ficam na memória. As ideias já existem há séculos, mas as palavras!!!!

O livro apresenta-se como romance, mas depois dá Catequese. Não é honesto. A imagem que destaquei do livro tem uma frase que precisa de argumentação. Cadê? Pois é. Não há.

Este dogmatismo fofinho é engandor. Eu defendo que a religião não tem "era", e que a ciência casa bem com ela, aliás dito pelos próprios cientistas. Cientistas mesmo. Mas é preciso argumentar. Quem lê Brown pensa contudo que a religião está a passar de moda. Dan seria excelente se escrevesse sobre outros temas. Mas "religião"  vende. Eu sei porquê. Porque como todos também pergunto de onde venho e para onde vou.

Exortai-vos cada dia uns aos outros, até ao dia que se chama «Hoje» (Hebr 3, 13). Exortai-vos cada dia uns aos outros, até ao dia que se chama «Hoje» (Hebr 3, 13).
16
Jun17

Grande mariquice


Fátima Pinheiro

 

mariquices.jpg

 imagem tirada da net

 

Eu sei que estou a fazer o mesmo que hoje critico. Mas não faz mal, é só hoje! Isto dava mesmo pano para mangas. Podemos dizer "Madonnas há muitas!". Pois podemos, e até devemos. E títulos também. Mas o que agora ponho  aqui no meu blog se calhar enferma já de vícios de olhar. Uma Madonna já não é o que era. Nem um título. Muitas vezes não sabemos ao que vamos, outras vezes somos enganados. Para ir ao que interessa tenho passado, antes, a ler os verdadeiros opinion makers, que para mim são pessoas que pensam. Referências. Graças a Deus ainda há quem pense. Parafraseando Nuno Abecasis, "o que se escreve ou é uma coisa séria, ou é uma grande mariquice". Referia-se à política, mas não estamos longe dessa grande área. Pensar, escrever, dizer, fazer. Exterminar as barracas intelectuais que crescem em tablets e coisas digitais, como se o caminho fosse por aí. Digital sim, mas com cérebro. E a Madonna?

Não sei quem escolheu o título da exposição que está agora no Museu das Janelas Verdes, sobre a Mãe de Deus. Mas também isso não me interessa. Olho o título e poderia ser um convite a uma exposição sobre a estrela rock que tem andado pelo nosso país, e, diz-se, vai comprar a bela Quinta do Relógio, em Sintra, onde neste momento me encontro. Ainda ontem passei por ela, pela Quinta.

A exposição tem como título "Madonna. Tesouros dos Museus do Vaticano". Embora a cantora não seja ainda de museu, o título combina com ela no mood de um Dan Brown ou de um Rodrigues dos Santos. Estratégia de marketing para chamar para uma visita ao museu? É mesmo ao arrepio de chamar as coisas pelos nomes. As pessoas em geral pensam que Madonna é a Madonna. Como uma vez, estavamos perto da Páscoa, pus no Goole "Quaresma" e sairam-me só coisas de futebol.  

Exortai-vos cada dia uns aos outros, até ao dia que se chama «Hoje» (Hebr 3, 13). Exortai-vos cada dia uns aos outros, até ao dia que se chama «Hoje» (Hebr 3, 13).
29
Jul14

O que penso do “fenómeno” Paulo Coelho e assim


Fátima Pinheiro

Há dias, aqui no Rasente, escrevi sobre Paulo Coelho. Retive o "bom" mas disse desde logo que era muito critica em relação à sua obra. Em tempos escrevi este texto, que mantem toda a sua actualidade.

«Ao escrever estas linhas não estão em causa as intenções dos autores (Browns, Coelhos e outros) ou mesmo as de quem os lê. Estão sim, na mesa, coisas objectivas, factos, teses, que escapam a esse domínio. Não é por acaso que muitos e muitos visitantes do Museu Louvre já não estejam interessados em ver o famoso sorriso de Mona Lisa. Pena!

A pergunta muito repetida por quem visita aquela jóia de Paris é agora, antes, a de saber o sítio certo onde foi encontrado o corpo morto do conservador do museu, para estar “perto” de Tom Hanks, que encarnou na produção cinematográfica a trama de Dan Brown. Como até parece que com aquele filme “a montanha pariu um rato”, já para os “Anjos e Demónios”, do mesmo escritor, parece que Brad Pitt vai poder descansar.

Até damos de barato que o “Código da Vinci” não tenha qualquer pretensão científica. Faz linha num certo tipo de escrita que a muitos agrada. Como agrada a vasta produção de Paulo Coelho, e de outros também, até de penas lusas.

A pretensão científica poderá não prevalecer. Agora, não se pode ignorar o facto de que estamos diante de livros que abordam questões de interesse espiritual, histórico e filosófico, e que o fazem de uma forma que para o grande público – e é importante sublinhar que estamos a falar de obras intencionadas para o grande público -, podem ser lidas como “verdades”, isto é, como coisas que aconteceram mesmo daquela maneira.

Isto, já descontado todo o negócio que se tem gerado em torno destas produções, um fenómeno que vai do turismo ao franchising, de divulgações científicas e culturais de segunda e terceira mãos. Para não dizermos que já se chegou ao chinelo. Mas não é disto que se trata agora aqui directamente.

Quem pega, por exemplo, no “Alquimista” de Paulo Coelho, não está propriamente à procura de um livro policial, verdade? Está sim, e de uma forma despretensiosa e informal, à procura de um auxílio, de “dicas”, de uma inspiração ou orientação para o seu percurso de vida. Fartos dos escândalos das religiões oficiais – e sem tempo para grandes demandas – muitos se aventuram, sozinhos ou em grupo, em novos caminhos, em novas re-ligiões. Há uma vontade de re-ligação, de recuperar o tempo perdido.

Ou então simplesmente pega-se num livro de Paulo Coelho para descontrair “meditativamente”, isto é, para ler uma coisa que tem de certo modo algo a ver com a vida, mas que não implica com isso o mínimo compromisso com qualquer grupo religioso ou igreja. Teoricamente cada um pode, repito, construir, sozinho ou em grupo, a sua própria religião, o seu caminho de re-ligação ao infinito, na tentativa de encontrar o elo perdido. O autor pode não ter pretensões científicas mas é muitas vezes lido como se as tivesse. E aqui está um grave problema: o “Alquimista” não é a Bíblia ou o Corão, mas é para muitos tido como tal. Com Saramago é diferente, ele não é militante. “Caim”, o seu melhor livro – ele próprio o confessou quando o lançou na Culturgest – não belisca o livro sagrado. Saramago não oferece receitas, embora haja pontos críticos, que deixo para outro texto.

Importaria nestes casos uma clareza objectiva que distinguisse o que é daquilo que não é. A fome (às vezes avidez, às vezes chill out) de espiritualidade que hoje se vive, e se vê na disseminação de tudo o que é produto oriental ou africano – do chinelo ao incenso, do tofu à missanga pós-60 (claro!), dos spas de wellness às naturas das nossa catedrais de con-sumo (onde até também há coisas muito boas!a eterna história do trigo e do joio…) -, pega nos “fenómenos” que se vendem e adere. Segue. Lê, sublinha e pratica, um pouco de um lado e um pouco de outro.

Não é o catolicismo que se vê progressivamente “convertido” numa religião “à la carte”. É a própria vida e suas espiritualidades que assim se vivem e se decidem (melhor, são vividas e decididas) ao menu. Daí o êxito, ou a saída, de produtos que se ofereçem com essas características.

Dan Brown, Paulo Coelho e mais, estarão no céu, na 1ªfila. Mas não é disso que se trata; e até porque Deus é certificado na matemática do amor. Trata-se sim – e agora refira-se em particular o homem de Tom Hanks – de um ataque ao cristianismo histórico pretendendo reduzi-lo a um embuste de dois mil anos por um poder ávido de almas e de mundo. Nisto estou com o arcebispo de Chicago, que pergunta assim: “Haverá alguém que pense realmente que todos os máritres morreram para proteger o segredo de que Jesus e Maria Madalena eram casados?” (Carl OLSON, Sandra MIESEL. A Fraude de “O Código da Vinci”, p.10). E é de notar que o século XX deu mais mártires ao mundo, do que nos outros séculos todos que o antecederam. São factos. E há livros sobre o assunto.»
Exortai-vos cada dia uns aos outros, até ao dia que se chama «Hoje» (Hebr 3, 13). Exortai-vos cada dia uns aos outros, até ao dia que se chama «Hoje» (Hebr 3, 13).

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