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Exortai-vos cada dia uns aos outros, até ao dia que se chama «Hoje» (Hebr 3, 13). Renovai-vos pela transformação espiritual da vossa inteligência e revesti-vos do homem novo (Ef 4, 23-24).

Rasante

De tudo um pouco. Cada manhã. Ao sair da pena, bem cedinho. Tudo me interessa.

Rasante

De tudo um pouco. Cada manhã. Ao sair da pena, bem cedinho. Tudo me interessa.

13
Mai18

E Fátima? Ou nem por isso...


Fátima Pinheiro

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Papa Francisco, hoje no Twitter, associa-se às celebrações de Fátima

 

Hoje é dia 13 de Maio. Em 1917, num dia como este, "apareceu brilhando a Virgem Maria". Ou nem por isso? Não se pode ir atrás de modas.

Fátima "tem a ver" com a Igreja Católica. Esta afirmação é tão vaga como esta: Chaplin "tem a ver" com Cinema. Isto para dizer que falamos muitas vezes sem conhecimento de causa. O que é certo é que as aparições estão na lista das coisas que se criticam à Igreja.

Na lista dos top contra a Igreja estão: a inquisição, o obscurantismo ou os ataques à ciência, a Bíblia ter sido escrita por mãos humanas, e seus livros arbitrarimante reunidos em Concílios  estratégicos. A confirmação, em Niceia, de que Jesus é Divino, como conveniência de Constantino. Os dogmas. O celibato  dos padres . A pedodifila e outros crimes sexuais. As riquezas do Vaticano e seus documentos secretos. A exclusividade do sacerdócio aos homens, e sua negação às mulheres. Os santos. Ou seja, está quase tudo mal. Uma visão negativa da sexualidade. Numa palavra: um chorrilho de magistérios  contra o Magistério de Roma. A pente fino de ignorância que se fica pelo escandalizar-se com erros comportamentais. "Ai o padre que...". "Ai eu rezo diretamente a Deus". "Ai eu gosto é de ir a Fátima quando está calmo, não gosto de multidões". Tout un progamme!

Quem foi mesmo Francisco? E Jacinta?  E Lúcia? Estudamos ou nem por isso? A Igreja nasceu por instituição divina no dizer de Jesus a Pedro: tu és Pedro e sobre ti edificarei a minha Igreja. Pedro acabara de o negar. Ou nem por isso?

Exortai-vos cada dia uns aos outros, até ao dia que se chama «Hoje» (Hebr 3, 13). Exortai-vos cada dia uns aos outros, até ao dia que se chama «Hoje» (Hebr 3, 13).
12
Mai18

As ideologias são "idologias"


Fátima Pinheiro

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Ontem li, já não sei onde e não sei sequer se é verdade, que António Mexia se tinha queixado de só ganhar sete mil euros por mês. Realmente tudo é relativo. Ronaldo ganha mais. E eu não me importaria. Por outro lado, as depressões e os livros de "saiba como isto e aquilo" aumentam as suas vendas. E o Celeiro também. O consumidor mais sofisticado,  vai à procura de gurus e novas metafísicas. É o espírito Zen.

Eu acabo de ler  o livro que está acima na fotografia. Escrito por um monge tibetano. Fabuloso, porque ajuda. Ao contrário do que muitos pensam, ser católica não me põe num pedestal de prescindir de tudo o que há de bom  no que é diferente. Mais, eu tenho fome do que é diferente. Isso sim, é ser católico. É ser universal, nada se põe de lado. As ideologias sim, põem de lado. São "idologias".

Os ídolos nasceram bem cedo. Ainda os homens eram nómadas.   E continuam atuais, dessacrilasados mas bem actuantes. Quem não tem os seus ídolos? Mas o que é um ídolo? Simples , um ídolo é aquilo que me faz correr  cada dia, o que me faz ter forças para agir assim e assado. É o que me motiva , assumindo assim o lugar central da minha vida. Pode ser o dinheiro. Mas há mais. Os filhos. As ginásticas. O peso. A tensão. Ou seja,  o ídolo é uma coisa que não é Deus, mas, porque eu decido, passa a ser. O meu Deus. Teoricamente posso dizer que há tantos deuses quantas as pessoas.

As ideologias podem ser vistas como  "idologias" porque são visões da realidade que partem de um absoluto que afinal é relativo. As ideologias são mentirosas porque mascaram a realidade. A única visão da realidade que não é ideológica é a que admite o totalmente Outro. O Deus desconhecido, de que fala S.Paulo na primeira Carta aos coríntios, como lembra a Liturgia Católica ontem. Ele, também, idolatrado vezes sem conta.

Exortai-vos cada dia uns aos outros, até ao dia que se chama «Hoje» (Hebr 3, 13). Exortai-vos cada dia uns aos outros, até ao dia que se chama «Hoje» (Hebr 3, 13).
07
Mai18

Os meus sonhos irrealizáveis


Fátima Pinheiro

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Vi ontem pela primeira vez o filme Great Gatsby, com o famoso Leonardo Di Caprio. Gostei muito. Sabia que era  um bom filme mas ainda não tinha visto. Caprio já aqui testemunhei o quanto tem de genialidade. Este filme tem a magia de me transformar. Faz-me sonhar acordada, porque sonho aderindo ao que acontece, e não fugindo sem norte. Abraço o passado como ele é. Não o torço dizendo "não gosto de como as coisas foram no princípio". Abraço-me. Isto sim é auto-estima.

Não aceitar o seu "Princípio" é a escolha possivel a quem não se olha todo. Só conta o que está à mão. Dá muito trabalho trazer o passado à mão e dele aprender. Gatsby não aceita a sua história e decide viver um sonho. Não enxerga nada porque esse sonho sufoca-lhe a liberdade. A loucura da grandeza acaba por se virar contra si, roubando-lhe também o presente e o futuro.

Gostamos dele porque com ele sonhamos. Eu quero ter asas mesmo. Como um pásssaro. Outro Leonardo, em tempos, fez mesmo umas asas para voar. Mas os homens não têm asas. Os pássaros sim. E os aviões. E as panelas.

O homem sim, disse S.Tomás de Aquino, tem duas asas: a fé e a razão. São as duas asas do espírito que lhe permitem voar aonde nunca terá imaginado.

 

"A fé e a razão (fides et ratio) constituem como que as duas asas pelas quais o espírito humano se eleva para a contemplação da verdade. Foi Deus quem colocou no coração do homem o desejo de conhecer a verdade e, em última análise, de O conhecer a Ele, para que, conhecendo-O e amando-O, possa chegar também à verdade plena sobre si próprio (cf. Ex 33, 18; Sal 2726, 8-9; 6362, 2-3; Jo 14, 8; 1 Jo 3, 2)". Encíclica Fides et ratio, de João Paulo II.

Quero as duas asas que habilitam o homem a uma grandeza superior ao que jamais pensou. Um sonho irrealizável e perfeito.

Exortai-vos cada dia uns aos outros, até ao dia que se chama «Hoje» (Hebr 3, 13). Exortai-vos cada dia uns aos outros, até ao dia que se chama «Hoje» (Hebr 3, 13).
06
Mai18

Mãe: a espera de mim!


Fátima Pinheiro

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Nunca é demais falar da minha mãe. Assim revejo a minha história pessoal. Eu sou o que sou porque tenho um passado marcado, uma história feita de passos que remontam a 23 de Setembro de 1960, dia em que vim à Luz. A minha liberdade agora, traça-se em factos que de mim não dependeram. Arriscas-se comigo toda, no horizonte, passado e futuro que não domino. Esquecer o que está para trás, ou  ignorar as possibilidades que tenho pela frente é esquecer a plenitude do instante. Pensar a mãe é, agora, fixar-me naquela que, primeiro, esperou por mim. Mais  do que 9  meses. Continua à minha espera. Assim como eu esperei e espero pela Maria Margarida, pelo Francisco Xavier e pela Maria Teresa. O que esperava  ela e que espero eu também? Tudo. Uma espécie de apetite ou fome.

 

Neste trabalho de reflexão tenho a vida facilitada porque ela deu tudo. Pude ver e sentir o tal amor incondicional  que todos esperamos. Ela foi mesmo o amor em ação. Honrava pai e mãe. E tinha diante de si o Senhor da Vida e da História, o seu Jesus. Ser educada por tanto amor gerou em mim uma herança inestimável e frutífora. Só esse Senhor saberá responder à pergunta: e aqueles que não conheceram tesouro assim? Eu não sei responder, mas sei que Ele sabe. E sei que sou chamada a viver o que recebi e sei. Jesus é também meu, agora. Assim como de Maria, Sua Mãe e minha também. Nossa Senhora.

Exortai-vos cada dia uns aos outros, até ao dia que se chama «Hoje» (Hebr 3, 13). Exortai-vos cada dia uns aos outros, até ao dia que se chama «Hoje» (Hebr 3, 13).
21
Abr18

Tive um AVC!


Fátima Pinheiro

                                                                                                                                 

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Tive um AVC! Incrível mas é verdade. Não foi por acaso, como não é por acaso, que ainda estou aqui. Podia ter ficado arrasada totalmente, mas não. Por enquanto ainda aqui estou. Agora nova. Uma segunda vida. Porquê? Para quê?

Quanto custa 4 semanas no Hospital dos Capuchos a ver o que vi? O que vi!!!!!  E agora é que Canto até que a voz me doa. Não podemos calar o que vimos. Cantarei. À borla. Uma lua de mel inesquecível.

A minha filosofia de vida provou-se verdadeira. O Rasante é transparente em relação ao que penso. Sou assim, vamos dizer, como o Papa Francisco, como BentoXVI, e S.João Paulo Il, e recuando de século em século, até Pedro, a Rocha. Ou seja, sem papas na língua, católica, apostólica, romana. Numa sociedade onde tudo vale tudo e nada vale nada, levei tempo a descobrir este lugar que me foi dado. Mas olhando para trás, vejo como fui conquistada. E agora, tendo por dentro e por fora o que me aconteceu, sei que importa sofrer. E importa também olhar para os outros, por dentro e por fora. Diante do mistério que cada um é. Um silêncio que grita por sentido. O mistério do mal que, apesar e através de tudo, não é a última palavra.

E agora? Agora é como sempre foi, vem o dia, vem a noite, vem a vida. E eu podia dizer que "não" mas digo sim. 

Perdem as politiquices, as corrupções. Quão ridículo o que move a sociedade.  Ai o Serviço Nacional de Saúde e os subsídios que Carlos César terá recebido! E as armas químicas!

Hoje chega. Mas voltarei para contar. Para não me esquecer. E para partilhar. Principalmente para retomar o dia com um coração que é mais que "eu", porque tem lá dentro o João, a Helena, a Isabel, a Emília, a Aidir, e os mais que compõem o ramalhete. Tudo conta. Mas há coisas que contam mais que outras.

O que move Francisco? Cristo, Deus encarnado, nascido da virgem Maria. Sem caracóis louros, carregou uma cruz , foi morto e ressuscitou. Não é passivel de interpretações. Vem com kit

completo. É pegar ou largar. Não me venham com piedososas intenções. Eu é mais bolos, isto é, Madres Teresas de Calcutá. A Patrícia , que eu não via há anos, está a chegar e traz o almoço. Que maravilha!

Exortai-vos cada dia uns aos outros, até ao dia que se chama «Hoje» (Hebr 3, 13). Exortai-vos cada dia uns aos outros, até ao dia que se chama «Hoje» (Hebr 3, 13).
11
Mar18

A matriz cristã da política


Fátima Pinheiro

 

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Adriano Moreira lembrou ontem na abertura do Congresso do CDS que apenas três lideres religiosos discursaram na Assembleia Geral das Nações Unidas. Nada mais nada menos que três Papas : Paulo VI, S.João Paulo II e Bento VI. Esqueceu-se de dizer que Paulo VI vai passar a S.Paulo Vl, como foi anunciado há dias. E vão dois. Mas sublinhou as palavras sábias  de Paulo VI "o desenvolvimento é o novo nome da paz".  Curioso, no mínimo. Cadê os outros lideres?

 

Num discurso poderoso, a abrir o Congresso, no qual o "poder encantatório das palavras" foi rasante às doenças do mundo e de Portugal, foi claríssimo no reconhecimento da matriz cristã do CDS. E apontou para Assunção Cristas, ela própria essa matriz, em todos os seus aspectos. Por isso é que todos se sentem em casa. Alguns, como Adolfo Mesquita Nunes, até o disseram diante de todos.

Sem quaisquer rodeios, a matriz cristã o que é? Temos uma mãe e mestra. Que é exigente e ama. Que trabalha, sem cessar, no terreno.  Tantos e tantos que dão vida no terreno.  Sujam as mãos, consolam , e muitos são mortos, em silêncio, por Jesus.

Não sou nem conservadora, nem liberal. Prescindo, sempre que possivel, de adjectivos. Matriz cristã não precisa de mais adjectivos. Matriz cristã é o que é e o que tem feito, faz e se propõe fazer esta líder, que cresce cada dia, em especial neste congressso que se propõe fazer de Portugal mais e melhor, contando com cada um  para trabalhar e viver do e para o bem comum. Chega de conversa de chacha. O futuro é agora. E dizer tudo isto não é o mesmo que dizer que o CDS é o dono do cristianismo. Seria desvirtuar a política e a Igreja. O Cristianismo e a Igreja só têm um "dono".

Temos mulher. Alternativa pela positiva a esta geringonça que já não tem cara. Já agora o que Ela disse hoje  aqui  - O Cristianismo não oferece saídas fáceis, mas propõe uma vida moral sã, a recusa do mal, do egoísmo e da corrupção, explicou o Papa durante a  oração do Angelus, este domingo de manhã.

A matriz da política é cada pessoa criada por Deus à Sua imagem e semehança, razão da sua digindade.

 .

Exortai-vos cada dia uns aos outros, até ao dia que se chama «Hoje» (Hebr 3, 13). Exortai-vos cada dia uns aos outros, até ao dia que se chama «Hoje» (Hebr 3, 13).
10
Mar18

Pensar na morte faz bem


Fátima Pinheiro

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A gente pensa que só acontece aos outros, mas não. É como a morte. E depois todos no velório a por a conversa em dia. Enterrem-se os mortos, cuidem-se dos vivos. E dizemos coisas sem sentido adequado. Como fazemos quando falamos do tempo tantas vezes ao dia. Não estou a dizer que é bem ou mal .É assim. Assobiar para o lado.

Viver em perspetiva leva-nos a uma vida melhor. Connosco e com os outros. As relações  tornam-se relações, e não ralações. Ou provações.

Há poucas semanas tive um amok e fui de charola para o Hospital.

Foi para mim muito bom saber a quem telefonei quando me senti mal. Tudo na vida faz sentido. Fui parar ao hospital. Desta passei. Mas não sou a mesma. Sou muito melhor.

 

Como a Igreja é 'mãe e mestra', na homila de 17 de Novembro passado papa Francisco lembrou:

 

"A Igreja, que é mãe quer que cada um de nós pense na sua própria morte. Todos nós estamos acostumados à normalidade da vida: horários, compromissos, trabalho, momentos  de descanso... e pensamos que será sempre assim. Mas um dia,  Jesus chamará e nos dirá: ‘Vem!’ Para alguns, este chamamento será repentino, para outros, virá depois de uma longa doença; não sabemos.

No entanto , “O chamaamento virá!”. E será uma surpresa, mas depois, virá ainda outra surpresa do Senhor: a vida eterna. Por isso, “a Igreja nestes dias nos diz: pare um pouco, pare e pense na morte”. O Papa Francisco descreve o que acontece normalmente: até participar do velório ou ir ao cemitério torna-se um evento social. Vai-se, fala-se com os outros e em alguns casos, até se come e se bebe: “É uma reunião a mais, para não pensar”.

“E hoje a Igreja, hoje o Senhor, com aquela bondade que é sua, diz a cada um de nós: ‘Pare, pare, nem todos os dias serão assim. Não se acostume como se esta fosse a eternidade. Haverá um dia em que você será levado e o outro ficará, você será levado’. É ir com o Senhor, pensar que a nossa vida terá fim. Isto faz bem”.

Isto faz bem – explica o Papa – diante do início de um novo dia de trabalho, por exemplo, podemos pensar: ‘Hoje talvez será o último dia, não sei, mas farei bem meu trabalho’. E o mesmo nas relações de família ou quando vamos ao médico.

“Pensar na morte não é uma fantasia ruim, é uma realidade. Se é feia ou não feia, depende de mim, como eu a penso, mas que ela chegará, chegará. E ali será o encontro com o Senhor, esta será a beleza da morte, será o encontro com o Senhor, será Ele a vir ao seu encontro, será Ele a dizer: “Vem, vem, abençoado do meu Pai, vem comigo”.

E ao chamamento do Senhor não haverá mais tempo para resolver as nossas coisas. Francisco relata o que um sacerdote lhe disse recentemente:

“Dias atrás encontrei um sacerdote, 65 anos mais ou menos, e ele tinha algo que não estava bem, ele não se sentia bem ... Ele foi ao médico que lhe disse: “Mas olhe - isso depois da visita – o senhor tem isso, e isso é algo ruim, mas talvez tenhamos tempo para detê-lo, nós faremos isso, se não parar, faremos isso e, se não parar, começaremos a caminhar e eu vou acompanhá-lo até o fim”. “Muito bom aquele médico”.

Assim também nós, exorta o Papa, vamos nos fazer acompanhar nesta estrada, façamos de tudo, mas sempre olhando para lá, para o dia em que “o Senhor virá me buscar para ir com Ele”. 

Exortai-vos cada dia uns aos outros, até ao dia que se chama «Hoje» (Hebr 3, 13). Exortai-vos cada dia uns aos outros, até ao dia que se chama «Hoje» (Hebr 3, 13).
08
Mar18

Hollywood: pela cruz é que vamos!


Fátima Pinheiro

 

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A recente edição dos óscares levou-nos de novo ao espírito que há 90 anos move Hollywood. Para quem estima a 7ªarte é muito bom. Também pode ser apenas para alguns entretenimento, glamour. Quero notar hoje que há dois anos o sonho tem sido um dos temas mais focados, com La la land e este ano com o que Guillerme del Toro afirmou ao receber o óscar para o melhor realizador e melhor filme, dedicando-o em parte para ser estímulo ao sonho dos jovens. Os seus filmes são encarnações de "sonhos", de facto. Mas o deste ano vai mais longe.
Sonhar, os sonhos, sempre estiveram presentes em grandes filmes. O nosso Manoel de Oliveira dá-nos uma bela amostra em “ O Estranho caso de Angélica”. E sonhar é até fácil. O filme deste ano, “A forma da água”, quer mostrar que se pode romper a rotina. A protagonista é-nos apresentada na sua rotina. Do trabalho para casa e de casa para o trabalho, com todos os pormenores. E del Toro faz muito bem em mostrar o que a rotina tem de desumano – sim, porque há um lado bom da rotina-, em mostrar que o “menos” não nos corresponde, não nos satisfaz. Tanto assim é que ela, porque atenta, abre-se ao diferente, neste caso a um humanóide. Apaixonam-se e ficarão juntos para sempre. O sonho realizou-se. Mas Hollywood sonha poucachinho A minha vida sonha mas eu não vou ao engano porque sei que não é assim. Hollywood deixa-me pendurada. Eu vou pela realidade, não pelo sonho. Eu vou na forma da Cruz. Eu não sou artífice da História da Salvação.
Neste ponto importa realçar que na sua inocência a água de Del Toro foi escolhida a dedo. A sua costela sul americana está bem presente, e sabemos o que a água significa. Símbolo de vida, de renovação, de novas formas. Mircea Eliade puro e duro. O sonho de Platão vai contudo ao cerne, mais longe. Põe a hipótese de uma Revelação do absolutamente outro: Deus, o mais transcendente dos transcendentes poder encarnar e contar-nos tudo. Aconteceu? Há 2000 anos sim e permanece. De forma inimaginável. Na barriginha de uma mulher de 15 anos (aqui é que está o dia da mulher). A água passa a ter outra forma, no Baptismo do Jordão e no de cada um. Não é sonho, é realidade. Quem não experimenta o que é ser uma nova criatura não sabe o que perde. Quem tem interesse dá o Primeiro passo de ir saber se aconteceu ou não. A resposta é dada a cada um. Não há aqui respostas colectivas. Como no filme que tenho no horizonte. Bom esforço, grande talento, Guillerme. Mas espero ainda por outro filme teu. Aquele em que a realidade do sonho dos sonhos rasgue as fronteiras do imaginável. E mostre não mostrando. O essencial é invisível, embora de carne.
 
Exortai-vos cada dia uns aos outros, até ao dia que se chama «Hoje» (Hebr 3, 13). Exortai-vos cada dia uns aos outros, até ao dia que se chama «Hoje» (Hebr 3, 13).
24
Fev18

Vou a um retiro


Fátima Pinheiro

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Como é Quaresma vou a um retiro. Também vou a retiros  noutras alturas. É uma prática milenar e de todas as religiões. A razão de ser é o amor. Ama-te. Em ti, através dos 'ti' que lá estarão encontra-se o Inestimável. É desta forma. Aconteceu assim, Acontece e Acontecerá. O mesmo, ontem, hoje e sempre. Iluda-se quem quiser, mas Deus encarnou. Naquela rapariga chamada Maria. É por isso que a Igreja é tão odiada e perseguida. Tanto amor!

A História está cheia dos nossos limites. Mas quem olhar para tudo não é só isso que vê. Vê coisas grandes na Sua vida. E nas horinhas más quem é Requisitada? Não sou pessimista nem ando sempre a pensar na morte, mas a sua perspectiva é a verdade nua e crua. Do pó e pó, que verdade!

Vou a um retiro para ver melhor. Pode-se fazer em casa um retiro. Ou na natureza. Também se pode. Mas não tem nada a ver. Ele está no meio. Eu sei menos do que Aquele que me fez, e faz, agora. Eu vou aprender e cada vez amo mais este Caminho. É realmente um caminho para quem quer. É bom! Um pó salvo!

"Eu gosto de ir à Igreja quando não está ninguém.", dizem-me. Percebo. Acontece que está sempre lá Alguém, e esse Alguém escolheu uma Companhia. Está na hora de ir. À imagem e semelhança.

Exortai-vos cada dia uns aos outros, até ao dia que se chama «Hoje» (Hebr 3, 13). Exortai-vos cada dia uns aos outros, até ao dia que se chama «Hoje» (Hebr 3, 13).
23
Fev18

Para a Quaresma: Manuel, Giussani e Francisco


Fátima Pinheiro

 

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O Comunhão e Libertação ( CL) é um Movimento da Igreja Católica. Fez agora, 22 de Fevereiro, 13 anos que o seu fundador D. Luigi Giussani, morreu . Pouco conhecido entre nós, o “movimento” começou nos anos 50 . O Papa Francisco encontrou-se o ano passado a 7 de Março, em Roma, com este “rosto" de Igreja, como tem feito com outros "rostos" que são a Igreja, uma vida. Celebrou-se então o 36º aniversário do reconhecimento pontifício do CL.

Este post destaca porém uma outra “ignorância”. Para tal refiro um jornalista italiano, que contou em livro a vida de Giussani. Usarei em tradução livre a edição italiana - Alberto SAVORANA, Vita di don Giussani,  Rizzoli – Milano, 2013 -  em português, há pouco entre nós (Tenacitas). Tudo isto para quê? Simples. Um dia, o já padre Giussani  ia no comboio. Ouviu uma conversa entre teenagers sobre Religião e Igreja. Constatou algo muito significativo: as posições que cada um defendia eram baseadas em ignorância, e desenvolvidas a partir de falsos preconceitos. Pensou (digo por minhas palavras): é preciso dar a conhecer, falar verdade. Para que a vida seja boa, mas já, e não para depois. Cristo prometeu que quem O seguisse teria a vida eterna e o cêntuplo JÁ.  E o que os miúdos dizem interessa-me. Quero ir para o meio deles. E veio também para o meio de mim, Graças a Deus,  em 1987.

A questão decisiva  para Giussani, à qual dedicou toda a sua acção educativa, a sua vida, é então esta: Cristo: sim ou não? Hoje continua verdade. Quem sabe mesmo o que é o cristianismo? A educação é a rocha de sociedade, das pessoas. A minha pedra angular. Sem ela não vamos muito longe.

 D. Manuel Clemente numa Catequese de Quarema sobre "A alegria do Evangelho enche o coração e a vida inteira". Tarefa de cada um. Já foi tempo em que a Igreja era uma “coisa” de alguns.

Cristo é para mim “sim” ou “não”? Para responder é necessário saber de quem estamos a falar.

Destaco então o capítulo 19 do livro que referi. A mim esclareceu-me, e vejo-me num caminho em que a companhia deste movimento me alegra e me dá um gosto de vida nova. Como deu a S.Paulo, a Santa Teresinha do Menino Jesus e a tantos, como ao Pe Dâmaso que morreu ontem, e que transbordava "Paixão por Jesus", com repetia vezes sem fim. Porquê? Porque a resposta à pergunta é a razoabilidade em Pessoa que enche e transborda do nosso ”coração”, das exigências e evidências que correm e fazem correr a natureza humana. Quem não tem sede de verdade, justiça, bem e beleza? Bons pontos para focar a Quaresma, assim o faço.

  • O que é a religiosidade? «A essência da razão». E qual é a pergunta que se faz mais vezes? «Faço-me tantas». Pode citar uma, pelo menos? «Se Deus deu aos católicos a inteligência, é para a usarem ou fazerem um holocausto dela?»
  • Quando “os tempos são maus”…quer dizer que veio o momento da conversão do coração e da maturidade na fé. [...] A vida vale a pena ser vivida para edificar a glória de Deus, isto é, para construir a humanidade nova na Igreja. Pois bem, em toda a história do cristianismo a condição para construir é o sacrifício, isto é, a cruz …A maturidade da nossa fé - eis a ressurreição.
  • Introdução à realidade, é o que é a educação. A palavra “realidade” está para a palavra “educação” tal como a meta está para um caminho. A meta é todo o significado do andar humano: esta não está presente unicamente no momento em que a empresa se realiza e termina, mas também em cada passo da estrada. Assim é a realidade, que determina integralmente o movimento educativo, passo a passo, e é a sua realização.
  • Infelizmente, a mentalidade laica – Giussani nota que isto é evidente na escola – «não está interessada em dar um contributo para a tomada de consciência efectiva de uma hipótese que explique as coisas unitariamente. O analismo que predomina nos programas abandona o aluno frente a uma heterogeneidade de coisas e a uma série de soluções contrárias entre si que o deixam, consoante a sua sensibilidade, desconcertado e desalentado no meio da incerteza». Em consequência, o jovem «sente, normalmente, a falta de alguém que o guie e que o ajude a descobrir aquele sentido de unidade das coisas, sem o qual ele vive uma dissociação»
  • É precisamente esta constatação que leva Giussani a aprofundar o conceito de autoridade: «A experiência da autoridade surge em nós como um encontro com uma pessoa rica na consciência da realidade; de modo que esta se nos imponha com a revelação e nos traga novidade, espanto e respeito. Da sua parte há uma atracção inevitável, da nossa parte uma inevitável dependência, sujeição». Para Giussani, a autoridade, de uma certa maneira, é o meu “eu” mais verdadeiro. Mas muitas vezes, hoje a autoridade propõe-se e é vista como algo que nos é estranho, que “se acrescenta” ao indivíduo. A autoridade permanece fora da consciência, ainda que talvez seja um limite devotamente aceite»
  • Dentro do percurso educativo, a figura da autoridade é central até accionar a verificação da proposta vinda da tradição e isto só pode ser feito por iniciativa do jovem e por mais ninguém.
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    12. N
    13. D