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Rasante

De tudo um pouco. Cada manhã. Ao sair da pena, bem cedinho. Tudo me interessa.

Rasante

De tudo um pouco. Cada manhã. Ao sair da pena, bem cedinho. Tudo me interessa.

05
Mai18

Quero lá saber o que é a justiça!

Fátima Pinheiro

 

sofrimento.jpg

 

O mundo é tão injusto que a páginas tantas uma pessoa desiste de perguntar. Assim perde-se a possibilidade de resposta. O que leva a uma contradição porque os nossos dias não passam sem a realização, mais ou menos consciente, de gestos, atitudes, para consigo e com os outros que se querem justos. Ou seja, mesmo sem uma teoria da justiça, cada um quer, ou não, uma vida justa. O prescindir de uma teoria não nega o desejo de uma vida como deve ser. Mas prescindir de uma teoria ou entendimento da justiça é, acima de tudo, uma demissão de humanidade, uma contradição intelectual. Numa época em que tudo tem que ser bem explicadinho, como justicar tal demissão da inteligência? Díriamos que é mesmo uma injustiça para com cada um de nós. Em que queremos ficar?

Partir das injustiças é um bom caminho para resolver estas contradições. Olhemos para os recentes casos de corrupção, ou de quem sofre porque está doente ou não tem que comer. Ou para quem perdeu um filho. Ou para a pedofilia. A nossa indignação faz vir ao de cima o que as coisas deveriam ser, e não são. Ficamos no entanto e na maior parte das vezes num sentimentalismo de lagriminha no canto do olho, ou de um like no facebook, ou um shot para o Instragam. E sentimo-nos actuais e solidários, enquanto o sange escorre, surdo a este pseudo humanismo colorido ou preto e branco, a imitar filmes e fotografia " comme il faut". E há até quem vá tirar o doutoramento na SciencePo, em construtivismos pernetas e sem graça.

No entanto, se olharmos para exemplos de Justiça, como o Rei Salomão, Nelson Mandela, ou para a Madre Teresa Calcutá, é mais eficaz. O bem é contagiante! Por isso fugimos. A familiariedade com o justo exige nobreza, tempo, fidelidade. Sabemos muito bem o que é justo mas queremos lá saber! Ou queremos?

A Teresa amava nas ruas de Calcutá os pobre dos pobres. Um dia disseram-lhe: eu não faria o que você faz, nem por todo o dinheiro deste mundo! A santa respondeu: eu também não. É a Jesus que faço.

Exortai-vos cada dia uns aos outros, até ao dia que se chama «Hoje» (Hebr 3, 13). Exortai-vos cada dia uns aos outros, até ao dia que se chama «Hoje» (Hebr 3, 13).
05
Fev18

Casos de injustiça

Fátima Pinheiro

meryl-streep.jpg

 

 
Estes últimos tempos têm sido pródigos em "casos" de justiça que nos preocupam. Nalguns casos têm implicado muito sofrimento. Como sou fã de Ricardo Araújo Pereira, e acho mesmo que é dos melhores jornalistas que temos em Portugal - óbvio, um jornalismo pouco fedorento e perspicaz até dizer "chega" -, andava ontem a rir-me "com ele", quando me deparo com esta pergunta que ele fez num programa de televisão, ao então Bastonário da Ordem dos Advogados, Marinho Pinto. O Programa era: "Gato Fedorento - Marinho Pinto Esmiúça os Sufrágios". O que fui encontrar!

A terminar, e no fim de uma conversa que merece ser "vista", lá vem a resposta à pergunta "o que é a justiça", igualmente cheia de sentido de humor. Vem aqui: http://youtu.be/Ia1vdEknONM 

E se Ricardo Araújo Pereira é jornalista, Marinho Pinto pode ser outras coisas, também. Como vem num livro que ando a ler (que frase foleira) eu sou antes de mais "eu". E não isto ou aquilo. Ou do clube A ou do Clube B. A  notíca é o princípio da História, afirmou um dia o fundador do Washington post. Vale a pena ir ver o filme, sobretudo a maravilhosa Merly Streep.
 
 

 

 

 
Exortai-vos cada dia uns aos outros, até ao dia que se chama «Hoje» (Hebr 3, 13). Exortai-vos cada dia uns aos outros, até ao dia que se chama «Hoje» (Hebr 3, 13).
13
Abr16

Canalhas há muitos, seu palerma!

Fátima Pinheiro

 

canalha.jpg

(fotografia da net, e a despropósito; foi de uma coisa que eu vi em tempos e lembrei-me, por causa do tema "Da canalhice em geral, e de José Sócrates em particular")

 

O tema "Da  canalhice em geral, e de José Sócrates em particular"  é de uma atualidade que lhe vem dos primórdios da História. Canalhice? Comportamento característico de canalha; canalhada; que não tem caráter; dito ou ação de quem é canalha. E não podia estar mais implicado na Justiça com A. Isto para eventualmente concluir que a canalhice parece avançar, ao passo que o ter carácter é um fait divers, longe do tromp d'oeil que ilude e vai marcando pontos. Uma espécie de negação do sábio provérbio "os atos ficam com quem os pratica". Que mãos farão a justiça?

 

Foi com José Sócrates que aprendi a palavra "canalhice", a propósito de um caso em que ele estaria envolvido, facto que negou, que não conhecia a empresa que fazia "tais movimentos": E disse: “Isso é uma campanha de canalhice…eu não conheço ninguém…”; "querem agora arranjar um socialista qualquer...". Fiquei então a saber que Sócrates é "um socialista qualquer". Nunca é tarde! É a banalidade; já me estava a esquecer da sua paixão pela colega Arendt (que não é de filosofia, mas de filosofia política; ai estas "rendas" filosóficas de quem se esquece que tudo está interligado! ou do Maritain que distingue sim, mas para unir).

“Canalhice”? Não conhecia o termo. Canalha sim, conheço. Pensei: deve ser uma adaptação do francês, "nuances" que lhe ficaram da Sorbonne.
Mas a palavra existe, pronto. Os canalhas também. Nisto, nada como uns aninhos em Paris para aprofundar regras de método, de Descartes, por exemplo; sobretudo a de evitar juízos precipitados. São eles que muitas vezes levam ao erro. E caminhar no sentido da clareza e da evidência, as quais são adquiridas em intuições e deduções, os principais atos do espírito.

Canalhice? Campanha dela contra quem já foi considerado entre nós (ou seria isto para Manuel Maria Carrilho? Preciso mais café) o “Armani da Covilhã”? “Mais non, quel dommage”! Eu prefiro chamar mesmo canalha a quem o é. Será isto campanha – caseira, a minha – de canalhice? Que seja. O bom senso está bem distribuído, com ou sem o homem de um "Discurso do Método."

Exortai-vos cada dia uns aos outros, até ao dia que se chama «Hoje» (Hebr 3, 13). Exortai-vos cada dia uns aos outros, até ao dia que se chama «Hoje» (Hebr 3, 13).
23
Fev16

Lutero tinha razão

Fátima Pinheiro

fto.jpeg

imagem tirada da net 

Vem isto a propósito de uma conversa recente. Sobre tudo. Religião inclusivé. Lutero em especial. Mas o que escrevo é mais abrangente e serve para as nossas vidas. Serve para mim. Se eu tenho razão, e do outro lado de que faço parte não há razão, o que faço? Saio, e faço à parte?

A este propósito verifiquei mais uma vez que somos muito ignorantes e tomamos muitas vezes opções apenas por desconhecimento. Se soubessesmos da matéria, muito poderia ser diferente. Depois não temos tempo para aprofundar as questões. A vida é complexa e vamos fazendo o que pudemos. Rotinas, obrigações, urgências, cansaço. O tempo para amar também se esvai.Todos sabemos do que estou a falar...

Lutero fez bem ao "sair"? Ele estava cheio de razão. A História da Igreja não é propriamete um mar de rosas. E quem fundou a Igreja bem sabia que Pedro, o escolhido para primeiro papa, o tinha negado três vezes antes do galo cantar. Pois aqui está. O gesto fundacional é o de uma vida, não o de uma moral. A moral é toda quase igual em todo o lado. Mas a Igreja não é uma moral, é uma vida. Humana. Instrumento do Divino.

Lutero tinha razão. Havias razões de sobejo para sair. Mas ao fazê-lo foi bem diferente daquela mulher que à decisão de Salomão - de cortar o menino ao meio, metade para cada uma das duas pretensas mães -  decidiu abdicar do seu filho só para que não o partissem ao meio. Lutero tinha razão, mas "perdeu-a".

 

 

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27
Jan16

Lixai-vos uns aos outros como eu vos lixei.

Fátima Pinheiro

Já me tentaram lixar muitas vezes. E eu também aos outros.  Olho por olho. O novo livro do Papa Francisco tem um título super atrativo: "O nome de Deus é misericórdia". Muita gente comenta comigo: deve ser muito bom.  "Vou ler". Este sim. Novidade total... Como se fizessemos um favor ao livro. Um "vamos lá ver" se isto ainda vale a pena. Dar uma chance à Igreja. O Papa Francisco sim. Mas S.João Paulo II escreveu uma encíclica com o título "Deus é Rico em Misericórdia". Pois é, veja as diferenças. Serão assim tantas? E isto aplica-se à Política, às Presidenciais e a tudo o que há mais, Cavaco, Sócrates, e sucateiros...

E há uma excitação ao dizer-se que na pintura de Rembrandt, "O Regresso do Filho Pródigo", o célebre quadro da Misericórdia que está no Hermitage, o Pai agarra o filho com as duas mãos, sendo uma masculina e outra feminina! Mas alguém em seu pleno juízo pensa que o Deus que desejamos tem alguma mão "madrasta"? E não sabemos nós que não há mais mãe que Deus? Estes deslumbramentos assim, pela novidade, pensam que "hoje é que é", ou que "amanhã é que vais ser." Milhares de vida e de história reciclada em fast food. 

Que criancice. É mas é adiar o coração para o século vinte e picos, querido Ramos Rosa. Isto não vai lá com livros novos. É a justiça que aqui está no centro mais a experiência, que esquecemos, de que o metro que mede as acções nos excede. Fazer contas é tempo perdido. 

A criança fez borrada, vem ter comigo, o que faço? Não é melhor começar de novo, abraçá-la na bela justiça que aqui não serve para nada e deixar-nos invadir pela alegria de um recomeçar? Misericórdia? Por-me no coração do outro e deixar que aconteça o abraço que esse outro deseja? Ter um coração assim? Antecipar-se e dar ao outro o que deseja, sem que ele o peça. Não sei. Só sei que já me aconteceu. Não preciso de dizer quem foi pois não? Em perdão e  Miseri-córdia somos uns incompetentes. O único know how que temos é a nossa liberdade. E essa nem Deus toca. Quero ser abraçado? Então tenho que pedir; e a isto se chama oração. E fica-se com uma vontade de abraçar os que se cruzam comigo...

Exortai-vos cada dia uns aos outros, até ao dia que se chama «Hoje» (Hebr 3, 13). Exortai-vos cada dia uns aos outros, até ao dia que se chama «Hoje» (Hebr 3, 13).
06
Ago15

A oposição: feia,porca e má?

Fátima Pinheiro

 

Passam hoje 70 anos de Hiroshima/ imagem tirada da net

 

Esta season é silly, mas não pelas razões do costume. É por causa das eleições. Sou de todas as cores. Sobretudo gosto de uma cara lavada de quem diz o que pensa, na base de que se confronta consigo mesmo. Só pode ser exigente com outros quem é exigente consigo. Procurei as palavras, muitas. Uma caçadora de mim. E mais uma vez verifiquei que o dualismo e o maniqueísmo é do piorzinho. E que felizmente sei discernir, palavra que a Raquel Abecasis usou aqui no Rasante, anteontem. Náo há almoços grátis e ainda bem que os factos são os factos. Feios, porcos e maus? Ou Hiroshima meu amor?

 

Sei que em clima de pré campanha muito se diz. Encontrei palavras feias, porcas e más. Mas como o que disse no título é o nome de um filme (foi só para por um título mais chamativo; eu gosto mesmo que me leiam), prefiro as palavras certas, uma vez que esta minha quinta é filosófica, e digo que procurei as palavras  justas e injustas. Óbvio que com o meu critério. Aconselho a que se faça esse exercício e que se dê a cada um aquilo que é seu. Este post nada diz? Pois não. Isto da Democracia é para fazer mesmo, e dá muito trabalho de casa. A liberdade é coisa fina, discreta.

Exortai-vos cada dia uns aos outros, até ao dia que se chama «Hoje» (Hebr 3, 13). Exortai-vos cada dia uns aos outros, até ao dia que se chama «Hoje» (Hebr 3, 13).
10
Abr15

Cameron e as aldrabices do amor...

Fátima Pinheiro

 

Pe Duarte da Cunha/imagem de há dias, tirada da net

Romeu e Julieta/ imagem tirada da net 

 

Parabéns a Cameron pelos apelos que tem feito. Hoje foram mais centenas assassinados. E ele tocou outra vez com o dedo na ferida. YES! Ontem contudo lembraram-me que a justiça não chega. E muito menos em palavras. A justiça eficiente chama-se AMOR. Nem por acaso fui ouvir ontem o PeDuarte da Cunha no lançamento do seu novo livro: Só o amor gera vida (Paulus, 2015)  Lê-se no site da editora que nele o autor apresenta uma visão global sobre o tema do amor, analisando-o sobre diversas perspetivas: filosófica, teológica, psicológica etc. Na base do trabalho está a certeza de que só o amor é capaz de sustentar e salvar a família e a sociedade europeia contemporânea.

 

E mais disse ontem que o amor é "indigno". Já a justiça faz capa de jornais. Vale a pena lê-lo e ouvi-lo (no registo acima), onde ele explica porque é que o amor é Possível e Impossível, e tem um Nome.  E que tem as suas "aldrabices". O resto é conversa...

 

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10
Mar15

Pulgas e tremelgas eleitorais

Fátima Pinheiro

 

uma tremelga/imagem tirada da net

 

É pedir muito que este periodo eleitoral -  uma das mais valias da democracia - seja um debate de ideias, de olhar para o que se fez e se pode fazer pelo país? De construir para edificar? Querer mesmo o bem comum, que passa necessariamente , e tendencialmente, por cada um? Tendencialmente, sim, porque Roma e Pavia não se fazem num dia. Ingénua eu? Pode ser.  Mas quero dizer ainda que, mal por mal, prefiro  - e não desisto - a tremelga à pulga.

 

Tudo tem girado em torno de uma pessoa que nós já sabemos quem é. Ainda ontem mais dois ou três nomes se levantaram para que ele saia da bela cidade de Diana. Mesmo assim, quando chegar a altura eu vou votar. Não sou perfeita e sei que a vida pode cair nestas coisas. E sei que a justiça é das coisas mais nobres da vida. Não gosto é de a ver aos farrapos, nas cidades e serras, assim ao desbarato e à vontade de poder (não falo da de Nietzsche, porque desta poucos percebem, encerrando muitas verdades; boa ideia para outro post). 

 

Venham as tremelgas a sério. Porquê?  Porque ao menos a tremelga,  sempre obriga a uma reflexão ( falo das boas tremelgas e não das assim assim). A tremelga sempre faz parte  do método socrático que vai da ironia à maiêutica. Como sabemos, a mãe de Sócrates era parteira, e o filósofo comparava o seu labor a um processo similar, no caso, o de ajudar a parir ideias. Ai era tão bom. Mas infelizmente muitas vezes "a montanha pariu um rato". E as pulgas são uma chatice. Nem coçando!

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29
Dez14

A prisão mais filosófica está em Évora

Fátima Pinheiro

 

Sócrates: no pensar está o ganho/imagem da net

 

Não largo o osso. Temos pena. Mas há limites. Em 2015 vou largar. Ano Novo, Vida Nova. A não ser que Jesus Cristo desça à terra. Mas Ele está sempre a descer à terra em cada Natal. Em cada dia. É o ponto fuga. Mas mantenho o propósito, não falo mais do engenheiro que nos deixou des-penados. É só hoje. Este é um blogue filosófico, não é? Então só umas perguntinhas. 

 

Há detidos de primeira e detidos de periferia? Há necessidade de expôr assim o contraste entre aquilo que uns comem e outros não? Viram as recentes fotografias da APAR sobre o que por lá se come (aos presos mesmo)? Ao ser noticiada pelos nossos wonderfull media a Consoada-2014 do meu ex-prime minister, é como se dissessem : vêem como ele se vai refastelar com as iguarias maravilhosas desta época? Ou, detiveram-no mas ele vai comer do bom e do melhor? Não têm mais nadinda para contar, sei lá, como vai ser a sua passagem de ano? Precisam de encher primeiras páginas, é? Eu arranjo uma boa dúzias delas, querem? Daquelas que merecem mesmo honras de capa? Só mais um bocadinho....

 

Os detidos podem ler?  Se sim, porque andam a devassar a Biblioteca do homem. O saber não ocupa lugar. Ou será isto uma versão literária tipo Os Irmãos Karamas ON ? Isto chateia. Larguem o osso também. Nao andem a engonhar. A justiça quando quer é célere. Querem animar a campanha eleitoral? Ou é para certas coisas ficarem para segundo plano? Ou será para promover a escrita epistolar? Ou querem elevá-lo aos Altares: até passou as Festas na Prisão. Coitadinho. É por isto que a nossa justiça almeja? Portugal merece? Mereço isto? E o dinheiro flui...E quem paga? E quem não teve a tal consoada? Ou uma consoada, em versão basic, pelo menos. Gozem com certos  Bolos  Rei, gozem...

 

Um dia destes ainda vou a Évora, levo pano para um Sudário, e encomendo-me a Diana.

 

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27
Nov14

Isto não é o PREC, Dr. Soares.

Fátima Pinheiro

Mário Soares em Évora, ontem /imagem da net 

 

Soares fala, e o mundo pára. E para muitos o que ele diz, será ainda lei. Desde a morte do PREC que o Dr. Soares tem crédito ilimitado, via verde, ou chamem-lhe o que quiserem. Eu já estava a estranhar ele não ter aparecido. Desta vez foi demais. Diz o quer, quando quer, e não parece que não tenha as suas razões bem pensadas. Não, não está fora de si. Está muito bem, e, como sempre, ataca no timing que considera mortal. E que não se pense que a missiva que Sócrates terá ditado ao seu advogado, hoje lida no público, seja de geração espontânea.

Os amigos são para todas as ocasiões. Fica-lhe bem visitar o seu amigo. Eu se fosse ele, já teria aparecido há mais tempo. Mas percebo que, neste caso, razões ponderosas o tivessem levado a demorar um pouco mais. Eu própria já estive em sítios menos simpáticos a apoiar os meus. Até tive que passar por perto certas noites, para no dia seguinte estar a tempo. Não tive televisão, como ele teve. E nem ele se preocupou em pedir para ela estar ausente. Antes pelo contrário. Ele gosta de falar para a Câmara...

Soares disse com todas as letras que este é "um caso político" orquestrado por “malandros que estão a combater um homem que foi um primeiro-ministro exemplar". Só gostava de saber quem eram esses “malandros”, “que combate”, e de que primeiro-ministro está a falar. Bocas para o ar, Dr. Mário Soares? Piratas à solta? Lançar o terror? Imunizar o Dr. Costa a qualquer preço? Não, não, não. 

No PREC talvez o pudesse fazer assim, Dr. Soares. Agora, quando é outra coisa que está em causa, agora que o senhor revela cada vez mais ponderação, mais responsabilidade terá. A idade é para mim uma mais valia. Uma coisa é não ter o vigor físico que teve. Outra é ter-se passado da cabeça. Não me parece. Tem uma cabeça muito boa. O que o senhor é, é um animal político. Recomenda-se. Agora, eu tenho a obrigação de escolher a política que me parece mais razoável. A falar assim, Sr. Doutor, não recomendo a sua ninguém. Estimo o que fez por Portugal. Imagino onde hoje estaríamos se o senhor se tivesse mantido no seu melhor. Mas não me deve nada; sobretudo a mim, que tenho uma folha assim assim. Digo-lhe isto porque o senhor prometia. Mas cada um faz o que pode, não é?. José Sócrates fez o que pôde. Não é? E chegou onde me parece estar bem.

Que isto (o processo de Sócrates - ironia do destino...) não deveria ser tão mediatizado? Fosse pela calada. Que isto não se pode misturar com PS, disse o engenheiro, ontem, de sua boca? Impossível. Ia dizer impossibilidade ontológica. Mas não o faço por respeito às coisas como elas são. Seria como dizer que o senhor é monárquico, António Costa um asceta, ou o detido um filósofo. O que está em curso é uma outra revolução que usa a areia para atirar aos nossos olhos, e o esquecimento como uma arma de sedução a abanar para outros ares. Tanta mentira, meu Deus! "Como defender um assassino", estreia hoje à noite na AXN. Aconselho vivamente.

Exortai-vos cada dia uns aos outros, até ao dia que se chama «Hoje» (Hebr 3, 13). Exortai-vos cada dia uns aos outros, até ao dia que se chama «Hoje» (Hebr 3, 13).

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