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Exortai-vos cada dia uns aos outros, até ao dia que se chama «Hoje» (Hebr 3, 13). Renovai-vos pela transformação espiritual da vossa inteligência e revesti-vos do homem novo (Ef 4, 23-24).

Rasante

De tudo um pouco. Cada manhã. Ao sair da pena, bem cedinho. Tudo me interessa.

Rasante

De tudo um pouco. Cada manhã. Ao sair da pena, bem cedinho. Tudo me interessa.

26
Set15

O plafonamento socrático destas eleições


Fátima Pinheiro

 Já estou a preparar-me para as próximas eleições..

fotografia de JP

 

O show must go on? Parece que sim. E vamos lá saber porquê. Mas do quero mesmo falar é da Campanha para as Legislativas, que decorre com uma espécie de plafonamento socrático. O Engenheiro Sócrates quer ir agora a prolongamento e penalties? (o DN de hoje explica muito bem o que aconteceu ontem). Temos pena. Só o pus no título, porque a marca vende, e eu quero ser ouvida. É a banalidade deste meu blog. A grande pouca vergonha de querermos falar uns com os outros.

 

A Campanha então. A Democracia é um valor inestimável. E mais ainda o é, se ativada; se na base se oferecer uma informação transparente e total, sem tirar nem pôr; uma formação educada. E last but not the least, o primus inter pares é a vocação política "encarnada", para a "execução" do Bem Comum. Seria tão bom! Para o teu, e para o meu bem.

 

Campanha:onde estás, de onde vens, para onde vais? "Conhece-te a ti mesma!", ouve-se no templo em pleno coração da Grécia. O bom senso - outro inestimável, muito prático, sempre à mão - pede razoabilidade nas despesas, na forma de se "dialogar", no esgrimir de argumentos e pontos de vista, largos (humanos) de preferência, sem nada por de parte, por esquecimento,ou porque "não cabe",ou é demasiado complexo para se abordar. "Esquece", oiço tantas vezes...

 

A Campanha: o que vejo? Eu sei. Entra pelos olhos adentro que a justiça é quase sempre feita de justiças.Coloridas de penas e pesares que não dão a cada um aquilo que é seu. Não precisamos de utopias, eu sei. Mas sei que melhor é possível. Vejo que a Campanha é uma burricada se nela passa apenas gente afiambrada. Sei muito bem quem tem a mão no meu bolso.

 

Exortai-vos cada dia uns aos outros, até ao dia que se chama «Hoje» (Hebr 3, 13). Exortai-vos cada dia uns aos outros, até ao dia que se chama «Hoje» (Hebr 3, 13).
31
Dez14

António Costa: «Sype» ou «Scape»?


Fátima Pinheiro

"Mais ser quem vence do que ser quem perde" (último verso do Canto XV do 'Inferno', da Divina Comédia, de Dante, de uma versão da net - ver a minha nota final). Quem tem sido o foco das atenções nesta lusitana praia? Alguém detido em Évora e Romaria a ele, com media a cobrir os andores, os peregrinos a sair e a entrar e a baixar a cabeça, em silêncio. Calar é bom, já o Eça dizia: é simultaneamente sinal  de inteligência ou da ausência dela. Letras garrafais e espantadas para espantar: Costa a 20k de Évora, a passar o seu Natal, e não visita o ex-prime minister! Não vai na Romaria, não mostra seu olhar! Se calhar sabe rezar. Ou, a Sócrates, saíu-lhe à costa uma espécie de fava - doce ou amarga, já digo... - de um bolo rei anunciado. Ou então é mesmo a versão dantesca que prevaleceu. Certo é uma coisa: as badaladas soam hoje mais em Évora do que no Rato. É mais o que por lá "se passas"...

 

Mas que novidade !  Costa sabe muito bem por que caminhos anda e não vai em inversões de valores, não anda aqui para inglês ver. Sócrates está a sair caro ao PS, e ontem na televisão já uma poderosa vidente admitia que o PSD pode muito bem ganhar. Resvés, mas que sim. E outros videntes poderosos, também implicam que se contem as favas. Com esta socrática detenção, já nada era como dante(s). Até eu, que podia era estar a escrever sobre o filme de Abel Ferrara, que estreia amanhã, sobre o meu querido Pasolini (coisa que farei, se Deus quiser), sobre o desempenho fabuloso de Willem Dafoe e Maria de Medeiros (a ante-estreia nacional, foi no Lisbon & Estoril Film Festival, no Estoril, o mês passado), estou a escrever acerca deste novelo. Antes sobre a tia Filomena! Mas pronto. Era para dizer o que penso sobre esta agitação amorosa que me pretende invadir de todos os lados. E devo dizer que tenho uma atração fatal pelo engenheiro. Não me passa um gralha filosófica. Chego a ser chata, mas não me passa uma pretensão sem razoável fundamento. Digo isto também das minhas pretensões. Tenho muita facilidade em reconhecer os meus erros e mudar. Neste processo tenho tido ajuda. E em 2014 que nem gingas. Interessa-me ganhar, sim. Mas não aos outros. Interessa-me ganhar-me, ganhar-nos. E tenho verificado que nós, a raça humana, tem por vezes dificuldade no ouvir. Daí as asneiras e a desumanidade em que caímos. Mas onde deixamos António Costa?

 

«Areais por tufão atormentados. A mente aquele horror me perturbando/, Disse a Virgílio: —  'Ó Mestre, que ouço agora? 'Quem são esses, que a dor está prostrando?' 'Chora quem viveu sem jamais ter merecido  nem louvor, nem desprezo. Mas deles não falemos: olha e passa'. » (cfr. Divina Comédia, 'Inferno', Canto III  30 - 51). Não sei o futuro nem sou metro de ninguém. Costa passou ao lado, ficou a 20km: Sócrates não merece nem louvor nem desprezo. Ou então, em vez deste escape, andam mas é a falar por sype. Se no EP de Évora entra um bolo rei, neste cabe seguramente uma fava especial, um micro Magalhães. E sabe Deus o quê.

 

Nota: prometo que logo, ou amanhã de manhã, uso a tradução de Vasco Graça Moura (que este ano já o passa noutro lugar, e retiro esta tradução da net. Por uma questão de rigor.

Exortai-vos cada dia uns aos outros, até ao dia que se chama «Hoje» (Hebr 3, 13). Exortai-vos cada dia uns aos outros, até ao dia que se chama «Hoje» (Hebr 3, 13).
09
Out14

António Costa: uma política à flor da pele?


Fátima Pinheiro

Ainda é cedo, bem sei. Faltam as formalidades do Congresso do PS. Hoje lembro o “core” da Política com “P” capital; como a entendo, claro. Sugiro, não forço ninguém. Em cima das primárias, Costa disse em comício e bem alto, de rosa em punho, que era tempo de COMEÇAR a pensar em Portugal (sic). Começar? Ok. O tempo ainda é o do luto do vencido, de calma, colorido com ditos de louvores e coros de virgens (neste caso, viúvas) ofendidas com a injustiça ao homem que segurou o PS nos últimos tempos. Só faltam os respectivos hinos. O Governo governa, cai, levanta-se, em direção ao que propôs, com um quase  “aborto” ao colo, e agora com Crato que parece que levou com um vírus em cima. Só pode. Passos tem seguido em frente, parecendo, a muitos, não perceber a trama e o enredo. Mal ou bem, as setas começam a subir e Portugal não caiu no abismo. Fome sempre houve. Só falta dizer que os tempos de Soares e Sócrates (para encurtar), esses sim, estava tudo bem. Memórias curtas. O Povo gosta de causas, de ser mobilizado para elas. Mas faz muita falta olhar para o nosso umbigo. Fazer memória, numa pergunta. Passos e Costa: duas cores políticas ou duas políticas de cor?

 

A política tem cor. Tal como a Medicina, é também uma arte, que sabe aplicar ciências. António Damásio mostra-nos o cérebro e, sabemos que só não regista o “excesso” que não cabe nas cores do monitor. Já viram um abraço de 1 metro e 20? Ou em beijo de 50 centímetros? E Costa? Pois. Homem de escuta activa, sorriso como pano de fundo, inteligente, prudente, charmoso, pronto para a ação. Um cavalheiro que nos olha de olhos nos olhos e que não está para “mariquices”. E soube esperar. Mas já deu a mão a Sócrates, começar de novo e contar “contigo”. Dele, deles - Obama, Gandhi e outros; já agora Mandela - o que oiço: conversas sobre cores de pele.

 

Espero que o silêncio de Costa, e que o que agora dele se diz, não signifique que esteja à minha espera apenas a “identidade infeliz” de uma política à flor da pele. Ou em cima dos joelhos. E espero por não estar bem? Não. É que gosto de ir sempre para melhor. Não vou em “encantos tamanhos” de olhos “castanhos”. Prefiro o “olhar” do “olho” (M. Ponty). E o célebre “invisível” do nosso “Principezinho”. Também não me queres para nada. E eu a ti, nem com uma Flor.

 

Começar a Pensar. A coleção Outono-Inverno 2015-2016 está já concluída. Os bons costureiros sabem o que fazem. A de 2014-2015 já era. Só mais uma coisa: não grites tanto nos comícios, que faz mal aos ouvidos e ficas rouco. Vamos “des-stressar” Portugal.

Exortai-vos cada dia uns aos outros, até ao dia que se chama «Hoje» (Hebr 3, 13). Exortai-vos cada dia uns aos outros, até ao dia que se chama «Hoje» (Hebr 3, 13).
16
Ago14

Candidato-me em 2015, como Cunhal, o homem sexual


Fátima Pinheiro

"Não batas com a língua nos dentes"

Para preparar a minha candidatura às legislativas, trouxe de férias o livro com as fotografias que José Milhazes escolheu e Helena Matos escreveu: "Álvaro Cunhal no País dos Sovietes" (Aletheia, 2013). A obra foi um dos marcos comemorativos do centenário do nascimento de Álvaro Cunhal. Vale a pena ler porque nos dá "mais" de Cunhal: não o reduz ao mito do homem, mostrando, sim, outro seu lado, mais humano. Ou seja, as imagens, reunidas numa bela edição, são como as de um álbum de família, que ficam longe da figura icónica que se pode ver noutro tipo de evocações. Para dar um exemplo, estou a lembrar-me da exposição que esteve então no Pátio da Galé - "Vida, pensamento e luta" - de caráter mais institucional, ou, se quisermos, mais partidário. A contrariar as palavras do cartaz estalinista - acima na imagem -, é como se a mulher me dissesse: "não digas a ninguém que Cunhal era um homem sexual". Em linguagem popular: "ou estás quietinho, ou levas no focinho".

Recuperando o género da banda desenhada, tal como indica o título escolhido - o Tintim de Hergé -, "o livro é um conjunto de imagens que fazem sentido; retratam o lado soviético de Cunhal, lado menos conhecido em Portugal ", sublinhou Helena Matos, a 30 de Abril do ano passado, num encontro dos autores com jornalistas. A fotografia é aliás uma mais valia para Álvaro, um homem que não comunicava facilmente, mas cuja presença bastava para impressionar. "Impressionante " foi mesmo a palavra escolhida pela escritora para definir Cunhal. Não era o orador de excelência, mas tinha uma presença de cabelo bonito, que impressionava. Veja-se na página 26, para dar um exemplo, onde a sua marca chegava bem longe, nas palavras de Yulia Petrova (neta de Kruchov): "Vejo Portugal através do homem que está sentado ao meu lado. Já conheço Portugal: para mim Portugal e Cunhal fundem-se num todo único; sempre verei esse país longínquo através da sua vida, da sua voz e do seu rosto."

O que vem então no livro? O (des)mito: numa capa que bem podia ser a de uma edição especial da revista GQ; a fumar com umas mãos impecáveis, estilosas, dedos de pianista a segurarem uma caixa de fósforos que nelas mais pareciam um isqueiro; com a filha e Arafat nos jogos olímpicos de Moscovo; em amena cavaqueira de barbeiro (e em russo) com Brejnev; a dar autógrafos, qual galã da 7ª arte; entre um molho de miúdos, filhos de portugueses funcionários de PCP; com Nito Alves, um ano antes de o renegar; a rir com Fidel; de mãos nos bolsos a visitar o mausoléu de Lenine...E mais o que não disse num total de 78 páginas. E por vezes em fotografias do tipo "Onde está o Wally?" ou "Anita é feliz na URSS.".

Porém, a felicidade que se espelhou e espalhou no seu rosto por terrenos soviéticos, foi-se apagando à medida que se extinguia a esperança de encarnar o futuro radioso de humanidade na terra lusa.

A sintetizar: Cunhal não se compreende sem este livro que nos dá o Homem sexual, isto é, alguém de carne e osso, e não apenas um bidimensional principal político da segunda metade do século XX. O livro amplia-o em 3D e, como disse Milhazes no dia do lançamento: "os mitos não costumam levar os filhos ao futebol"; "os mitos não fumam." E Portugal, tal e qual: sexual.

Ganho fôlego para não desistir : 2015 é fundamental. O papa Francisco, regista a LUSA, advertiu ontem para o "cancro do desespero" que aflige as sociedades materialistas e pediu aos católicos sul-coreanos para rejeitarem "modelos económicos desumanos", alertando para a "cultura da morte", que pode crescer rapidamente nos países desenvolvidos onde os pobres são marginalizados. E por cá....

* Este artigo teve uma primeira versão aqui :http://expresso.sapo.pt/cunhal-o-homem-sexual=f803869#ixzz3AXB1k0nV (em férias vou ao Baú e actualizo à minha circunstância actual, a de candidata, verdade).
Exortai-vos cada dia uns aos outros, até ao dia que se chama «Hoje» (Hebr 3, 13). Exortai-vos cada dia uns aos outros, até ao dia que se chama «Hoje» (Hebr 3, 13).
15
Ago14

Quem imobilizou Portugal? Faça aqui uma raspadinha.


Fátima Pinheiro

René Magritte, "The Heart of the Matter", 1928 (fotografia da net)

E eu que pensava que tinha que escrever um "post" mais desenvolvido, mais articulado. Qual quê. Facilitaram-me a vida. Fiz uma raspadinha e saiu-me esta de António Costa em Portimão, há dias: "Esta política está esgotada, não vamos lá com novos cortes de salários e pensões ou aumentos de impostos. É necessário devolver estabilidade e confiança aos portugueses. Por isso é tão importante termos um programa para o desenvolvimento do pais e dos portugueses. Que bom termos connosco o camarada Mário Soares. Dá-nos o fôlego da confiança nos nossos princípios." E no princípio era o verbo. Vê-se onde está agora "o fim".

A confiança aos portugueses? Dê-me razões. Eu não nasci ontem, não me encontrei no lixo e já sou do tempo do Dr. Mário Soares. Posso ser avó e muito mais. Numa palavra: fartei-me mais cedo que o senhor. Mas não me imobilizei e sei muito bem quem veste a camisola. Sou portuguesa, não cruzo braços. E tenho um saber de experiência feito. Estou mobilizada desde muito cedo, não acordei agora (sei que o senhor também não), depois de umas eleições europeias mal fadadas para o outro António. Contudo, como a minha cor tem as cores da minha bandeira, então estou com os que mobilizam mais e melhor - estou a pensar nas de 2015. Agora, chamem-se as coisas pelos nomes.

Eu também não sou de ficar a olhar para trás. Mas sei o que aconteceu no passado e não o apago. Antes pelo contrário. É preciso conhecê-lo, e bem, porque, como diz Manoel de Oliveira, um camarada um bocadinho mais velho que eu, "o passado é a fábrica do presente." Mobilizem mas incluam e não se arrastem pelo Pilatos "effect". É, no mínimo, coisa feia. Ou precisam de se "enCostar" a "Patriarcas" que já demonstraram do que foram e do que são capazes? Disto, sim, até já deixei de me fartar. Vomito e prefiro ir ao coração do assunto, como Magritte. Quem esquece, depressa desaparece. Para avançar preciso de saber o chão que piso. Senão acontece-me o que aconteceu ao Titanic (que nem a ponta do iceberg viu...). Mobilizo, mobilizo e depois...
Exortai-vos cada dia uns aos outros, até ao dia que se chama «Hoje» (Hebr 3, 13). Exortai-vos cada dia uns aos outros, até ao dia que se chama «Hoje» (Hebr 3, 13).
11
Ago14

...dois Salgados, grão a grão...


Fátima Pinheiro

fotografia de Toya Coroa

Vem o que escrevo hoje na sequência do que aqui disse ontem à noite. Ora então. "Nem tudo o que reluz é oiro" e sempre me disseram que "as aparências iludem". Ou que "no melhor pano cai a nódoa". E aprendi que nem sempre é verdade quando eu disse "desta água não beberei". E que neste caso que hoje refiro, é verdade que "quem está no convento é que sabe o que vai lá dentro". Não que eu tivesse conta no BES, nem é uma questão de espírito santo de orelha. São histórias que tenho ouvido. E eu, que tinha dito que nunca escreveria nem mais uma linha sobre o Engº Sócrates! E que tinha também dito que nem uma escreveria sobre Marinho e Pinto!

Houve um tempo em que eu só escrevia de outros assuntos: filmes, poesia, música, livros, tachos & panelas, educação. E de mim, de filosofia, dos meus, amigos e família. Agora, nestes tempos, acabo por me encontrar noutros campos. Afinal não sou mesmo maniqueísta. E disto estou certa que continuarei assim para sempre. É como dizer: sei que nunca abandonarei os "meus", sei que a justiça tem uma cara e que pode contar comigo (mesmo que falhe, levanto-me). Nem tanto ao mar, nem tanto à terra. Mas a verdade é que enquanto não se perceber que a lua se prende à política, não se vai longe. O resultado está à vista. Pessoas que sobrevivem, guerras escusadas, consciências demasiado tranquilas. Pessoas cansadas, como bem retrata o jovem filósofo coreano Byung-Chu Han.

Escrever sobre tudo acaba por ser "uma praia". A Filosofia "faz" e "falta". Sugiro então que sejamos prácticos. O seu a seu dono. Sugiro que a cultura tenha mais voz e efeito (para isso dinheiro é preciso). Sugiro que a "política" seja mais culta. Numa palavra, sugiro que nos procuremos para que sejamos felizes, porque é disso que andamos todos à procura. Não defendo nem uma anarquia, nem o salve-se quem puder, ou um governo que tenha de ser daquela determinada cor.

A democracia precisa de roupa nova, tino e rumo. Não para acabar no limite "mentiroso" de cremações, mas para construir a aventura, sempre sem limite, de sermos humanos, cada um, em primeira mão. O céu não pode esperar; aliás já começou. Não podemos esperar. Por que fazer amanhã o que podemos fazer hoje? Não são estas traições ao património, que é de todos e para todos, que nos tolhem o desejo. Nem eu defendo um igualitarismo sem rosto. Defendo sim uma liberdade com rosto, garra, e muito voo. Rasante.

É mesmo preciso um João Ratão que não seja morto no fundo de um caldeirão. Assim como eu, que sou também uma carochinha, que lava a sua cozinha e gosta de estar à janela. Porque procurou e encontrou. Escuso de dizer o quê. E se o meu Primeiro Ministro é laranja, e se ele me parece boa gente, digam o que disserem, aposto sem reservas. Como quem tinha acções no BES. No "jogar" há ganhar e perder. Agora, roubar é que não. Nem grão a grão. Eu? Vou agora lavar a cozinha...
Exortai-vos cada dia uns aos outros, até ao dia que se chama «Hoje» (Hebr 3, 13). Exortai-vos cada dia uns aos outros, até ao dia que se chama «Hoje» (Hebr 3, 13).
09
Ago14

A «silly season» tem desde ontem mais um tema


Fátima Pinheiro

(fotografia da net)

Nunca acreditei na história da Silly Season. Nunca as férias deixaram de fornecer assunto aos jornalistas. Assunto Bom e assunto Mau, como agora se diz – Nietzsche, com o seu “para além” de um e outro, tem tanto a dar. Que pena a Filosofia estar tão em baixo, a "perder pontos" para a ética e para questões de linguagem e de estados de alma. Não que estes não sejam muito importantes, mas há mais Filosofia do que aquela que encontro nas filosofias do cansaço, na astrologia, ou nas arrelias multiculturais; há mais do que nas gramáticas não transversais e nas antropologias que partem do ponto de vista que os animais têm de mim. Mais do que nas Ecologias “baratas”, ou nos “shots” filosóficos para todos os gostos. Filosofia & Company e em kits simpáticos: ela em dez minutos, ou no meu bolso, ou a ser bebida entre dois cafés, colorida e sem ser chata. Era não era? Mas há coisas que quando querem mudar o seu “core”, passam a ser outra coisa, e, neste caso de uma inutilidade que não pertence à “ociosiosidade” da Filosofia. Serve apenas para facturar à custa da ignorância alheia. É mau, muito mau.
A Filosofia não se vende, compra-se. Não é de graça, não. É cara, vem sem acessórios, a preto e branco, e quanto melhor mais consoladora. De resto não vale a pena. É areia para os olhos, ou caruma a engasgar piqueniques.
Mas vamos ao tema de hoje. E restrinjo-me só à secção de Política. Desde ontem que os nossos media têm mais uma «atracção». E se puxarem bem por ele – o que não é muito difícil, e nem sei se necessário – vão sair aí umas boas peças. Refiro-me ao regresso do deputado europeu Marinho Pinto, que surpreendeu nas últimas eleições com um resultado inesperado. Acaba de chegar e vai à corrida das legislativas 2015. Mas que grave! Se “quiserem” eu posso dar mais ideias. Por exemplo: quem é mais sexy, Drago ou Pinto? Dani vai sair do eixo do mal, ou do bem, e juntar-se ao bem bom de um novo pedaço de esquerda?
Em Bruxelas e Estrasburgo já não se fala de outra coisa. Como se pode viver sem Marinho Pinto? Até já se arranjou uma musiquinha: “How Am I Supposed To Live Without You? I could hardly believe it/When I heard the news today/I had to come and get it straight from you/They said you were leavin'/Someone's swept your heart away/From the look upon your face, I see it's true/So tell me all about it, tell me 'bout theplans you're makin'/Then tell me one thing more before I go/Tell me how am I suppose to live without you/Now that I've been lovin' you so long/How am I suppose to live without you/How am I suppose to carry on/When all that I've been livin' for is gone/I didn't come here for cryin'/Didn't come here to break down/It's just a dream of mine is coming to an end/And how can I blame you/When I build my world around/The hope that one day we'd be so much/more than friends/And I don't wanna know/the price I'm gonna pay for dream.”
Não resisti a transcrever o Bolton todo. Mas assim até dá para a banda sonora do filme de Luís Filipe Menezes no facebook, que trata da beleza e da sustentável alegria de umas férias de sonho.
O resto sabemos. Todos vão ouvir: o homem que era 15%, ONUS e Obamas de ar muito zangado, o Iraque, outra vez – tudo em registo de “bora lá ter a consciência tranquila”. E ainda mais ricos e pobrezinhos do Bês não Bês, de dinheiros em Sing a Pura, mosquitos e baratas bem boas que por lá se comem. E mais: vamos ver nos títulos os que não têm férias, os que nem as têm por não terem trabalho. Mais de Maddie e outros desaparecidos. Para acabar: redes em geral. Listas em geral: de livros, de rentrées ideais, "agora é que é...". Ou: "veja quem é seu amigo!". Ou "Será que o Alentejo já deu o que tinha a dar?". "Jesus necessário para a felicidade?" (mas esta é mais no Natal ou na Páscoa). "A auto-ajuda foi chão que deu uvas?" Etc.

Eu vou “to south”, acabo de uma vez com os jornais, e, como disse aqui ontem, não escrevo mais sobre Sócrates. Mas na maleta levo e trago mais surpresas, que espreitam. Não perco nenhuma. E começo a apurar pressentimento e gosto. É bom, muito bom. Apenas mais esta: os Antónios são bons, cuidado com eles. A importância de se chamar António, resumo assim.
Exortai-vos cada dia uns aos outros, até ao dia que se chama «Hoje» (Hebr 3, 13). Exortai-vos cada dia uns aos outros, até ao dia que se chama «Hoje» (Hebr 3, 13).

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