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Rasante

De tudo um pouco. Cada manhã. Ao sair da pena, bem cedinho. Tudo me interessa.

Rasante

De tudo um pouco. Cada manhã. Ao sair da pena, bem cedinho. Tudo me interessa.

16.02.18

O império dos sem tidos...


Fátima Pinheiro

Levantei hoje a caneta e voltei a escrever neste blog, que esteve parado por razões menores.  E voltei porque o sexo dos homens é  um dos temas que mais me interessa. Somos sexo, dos pés à cabeça. E regresso para dizer umas boas. Faço-o por uma questão de decência. Não basta ter voz para escrever. É preciso conhecer. E para isso há que ter interesse, paixão. O mesmo se passa com o sexo, não basta tê-lo, é preciso sabê-lo, sê-lo. E ser católico é mesmo sexual. Até o olhar, e não apenas o olho, pestanas e rimel. Aliás, é o olhar que pode tornar o olho sexual.

Uma nota Pastoral mesmo a calhar. Obriga a pontos nos is, e de demente só se pode dizer daquele que não quer saber que a Igreja tem “dono”. Pastor. E que tem um nome. Aqui lembro-me do que escreveu Bento Domingues. E Carlos Bobonne. E de Cristo.

Eu sei que o rebanho” desagrada (ou agrada, depende da perspectiva) aos que ainda vivem agarrados ao entendimento de “rebanho” de Nietzsche, que assim adjetivava a moral do cristanismo, por oposição à moral dos senhores, a apontar para os gregos e para o super-homem. Com Heidegger (aspire-se no “h” ou não), já o homem (upps! o da-sein) ser o “pastor do ser”, tudo bem. Foi a loucura dos anos 80 na Faculdade de letras, com o Pe Cerqueira Gonçalves. Loucura que não “acabou”, e que tal tal como o “namorado” de Arendt, não leva a parte nenhuma a não ser a ela própria, à loucura.

Heidegger foi o grito de um sentido, uma poesia que quiz ser mais do que poesia, e que acabou por nem ser filosofia, nem poesia. Mas o homem do Ser e Tempo, escorregou na casca da banana. Ainda bem que, feitas as contas, perdeu para Husserl seu mestre no início, que não  “morreu” e ainda há os que resistem, vivos ou vivos nos livros, e que tenham trazido ao sexo e à sexualidade muito que está aí para ser estudado. O óscar vai para S. João Paulo II que entendeu, como poucos, o que significa a sexualidade (sexo nós pensamos que sabemos muito bem o que é, mas se calhar assim não tanto…), e disse no século XX o que S. Tomás não disse no XIII.

Os “textos” que li a propósito daquela Nota do Patriarca de Lisboa, vêm todos de novos pastores, especialistas em muitos cores businesses. Sim só podia. Igreja e sexo vende bem, e, curiosamente, são assuntos que geram muita escritura, mas que só revela ignorância. Os nossos intelectuais!

Porque me interessa a Igreja? Porque me interesso por Cristo, que a fundou? E Dele quem fala? Fala Francisco. Fala Manuel. E falam de um Cristo que não inventam. Este é que me interessa. Não me interessam Cristos interpretados a bel prazer, aos domingos ou em encontros de gente boa e mediática, mas que não conhece o Cristo. As águas dividem-se. Aqui lembro do que escreveu Rui Ramos. E do que escreveram uns padres  jesuítas.

Não estimo “as bocas" de quem nem sabe do que está a falar. Mas este mundo de subjetivismos – nas melhores e piores versões, de Austers a Gustavos ou Alexandras – é no que dá também . É muito bom. Neste caso, é muito bom mesmo na asneira. É o meu mundo e eu gosto de todos os que nele vivem. Mas se me meto em alhadas  também  delas saio, e sei chamar as coisas pelo seu nome pessoal. O epicurismo é mentiroso e o estoicismo cansa. Isto só vai com amigos. Eu tenho doze e um chama-se Manuel.Não assobio para o lado nem sou a raposa ressentida. Aqui lembro do José Manuel Fernandes.

E Deus viu que era tudo muito bom. É mais vírgula menos vírgula o que relata o Genesis, um livro da Bíblia, como todos sabem. Viva Frederico Lourenço? Viva Tolentino? Sim, vivam. Até há um retiro para pregar ao papa Francisco.

Tenho assitido aos milhares de letras que o sexo e que a Nota pastoral de D. Manuel Clemente tem provocado. Estão em causa vários textos –  estes sim são palavras cruzadas.  Nesta confusão lembro com alegria que a Igreja não nasceu ontem, Ela é feita de Dogma mas também é uma História. Quem tem escrito tem a noção de que o Senhor da Igreja não tem aqui sido nem tido nem achado?

Aos meus caros “pastores” mais ou menos mediáticos: Quem é Cristo?  A  alguns tiro o chapéu. Mas a grande maioria só diz tolices, alguns até revelam desonestidade intelectual.

Francisco e Manuel seguem  Cristo, seguem Outro.  Não são Pastores “à la Carte”, que só seguem o seu umbigo. Há alguém que se interesse por Cristo? Querem Zefirellis ou Pasolini?

Viva-se o sexo à balda! Os resultados estão à vista.

E como se lê no Documento de Francisco, “A Alegria do Amor”, este assunto interessa porque o desejo de família ainda não morreu no coração dos jovens. Jovens que não vi serem  tidos nem achados. Muitos até os matam sem terem nascido. E tem tudo a ver. (to be continued). Ah, chapéu se tire ao observador, onde li muita coisa boa. E aproveito para notar que já é estupido dizer que uma coisa, uma política, por exemplo , é sexy. O que ainda não saiu de moda é dizer "eu cá sou agnóstico". É tão cómodo. Uma espécie de zona de conforto, civilizada e que revela aquele, falso humilde  "quem sou eu para....?". Ai para umas coisas sou e para outras não! Conheço uma rapariga que é divorciada há 15 e casada com o mesmo homem há quase 30. Ele vai na 4ª amante. Um dia  ainda lhe mudo as fraldas...ou sei lá o quê.
Exortai-vos cada dia uns aos outros, até ao dia que se chama «Hoje» (Hebr 3, 13). Exortai-vos cada dia uns aos outros, até ao dia que se chama «Hoje» (Hebr 3, 13).

03.09.15

Sou nudista não praticante


Fátima Pinheiro

 Henri Cartier Bresson / imagem tirada da net

 

Já viu um nudista não praticante? Eu não. Até agora só vi nudistas. E não sou praticante. Não sou nudista, quero eu dizer. Até posso vir a ser. Se tiver razões para isso. Vem isto a propósito da expressão "católico não praticante", que muitos utilizam ao posicionaram-se no quadro das religiões. Dizem-me isto quando eu digo que sou católica, que vou à missa e o resto. Podem dizer. Como eu também o posso. Cada um é o que escolhe. Mas não faz pleno sentido dizer "católico não praticante". Usa-se o adjetivo para dar mais força a essa auto-declaração? Porque sempre são 3.000 anos "às costas"! E com cremação ou sem ela, quando um dos nossos morre, lá se chama o padre, não é?

Eu percebo o sentido que se quer dar: alguém, batizado ou não, quer dizer com essa expressão que tem determinado apreço por certos valores "católicos", mas que não aceita tudo o que o Vaticano diz. Mas para apreciar e seguir esses valores não é preciso ser católico. Qualquer moral os apregoa: amor, justiça, paz, e os outros todos.

O que oiço mais de quem assim se designa é: a Igreja está cheia de contradições; o fausto, pompa e circunstância; as riquezas em geral; a pedofilia; os padres que têm amantes; a inquisição; e mais, muito mais. Mesmo assim não tem sentido. É como se alguém dissesse: eu sou nudista, mas não sou praticante. Mas não é bom. É bom ser-se plenamente uma coisa. Ser benfiquista assim-assim, por exemplo, não tem graça nenhuma. Quando ele perde, na minha casa cai o Carmo e a Trindade. Mas ninguém é obrigado a ser isto ou aquilo. E como pessoas valemos todos o mesmo. Qual o mal em ser católico, ou não o ser? Onde está a liberdade religiosa? E não me venham com os fantasmas do passado. Neste ponto todos temos culpas no cartório.

É costume dizer-se que para uma boa diplomacia há dois assuntos que devem ser evitados: religião e política. Vou a muito sítio e confirma. Fala-se de tudo, menos disso. Há que ser politicamente correto. Como se fosse possível viver tirando a pele: a da política e a da religião. Eu percebo que se possa viver sem querer tomar posição; o que redunda numa posição também. Mas como optei por refletir estas coisas, sou politicamente incorreta. Se vem a propósito, abordo tudo. Às vezes também o faço quando parece não vir a propósito, como hoje, se calhar, agora aqui.. Ou seja, não faço questão de começar a atirar para matar, mas considero mais humano não fazer tabu de certos temas. Uso a "razão". Nasci com ela. E aplico-me à argumentação. Na praia onde descansamos, ainda sabe melhor. E vai mais um mergulho.

É bom ser-se plenamente de uma coisa, dizia eu. Pois é, a minha família (a começar por mim) está cheia de contradições. Mas eu não a trocava por nada. Tenho orgulho nela. Por ser a minha. E não me calo. O segredo e a intimidade é outra coisa. E esta última é do que mais humano há. Aí o silêncio é natural. Como a respiração. Aliás, sem isso não há "família" que resista.

Exortai-vos cada dia uns aos outros, até ao dia que se chama «Hoje» (Hebr 3, 13). Exortai-vos cada dia uns aos outros, até ao dia que se chama «Hoje» (Hebr 3, 13).