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Exortai-vos cada dia uns aos outros, até ao dia que se chama «Hoje» (Hebr 3, 13). Renovai-vos pela transformação espiritual da vossa inteligência e revesti-vos do homem novo (Ef 4, 23-24).

Rasante

De tudo um pouco. Cada manhã. Ao sair da pena, bem cedinho. Tudo me interessa.

Rasante

De tudo um pouco. Cada manhã. Ao sair da pena, bem cedinho. Tudo me interessa.

16
Fev18

O império dos sem tidos...


Fátima Pinheiro

Levantei hoje a caneta e voltei a escrever neste blog, que esteve parado por razões menores.  E voltei porque o sexo dos homens é  um dos temas que mais me interessa. Somos sexo, dos pés à cabeça. E regresso para dizer umas boas. Faço-o por uma questão de decência. Não basta ter voz para escrever. É preciso conhecer. E para isso há que ter interesse, paixão. O mesmo se passa com o sexo, não basta tê-lo, é preciso sabê-lo, sê-lo. E ser católico é mesmo sexual. Até o olhar, e não apenas o olho, pestanas e rimel. Aliás, é o olhar que pode tornar o olho sexual.

Uma nota Pastoral mesmo a calhar. Obriga a pontos nos is, e de demente só se pode dizer daquele que não quer saber que a Igreja tem “dono”. Pastor. E que tem um nome. Aqui lembro-me do que escreveu Bento Domingues. E Carlos Bobonne. E de Cristo.

Eu sei que o rebanho” desagrada (ou agrada, depende da perspectiva) aos que ainda vivem agarrados ao entendimento de “rebanho” de Nietzsche, que assim adjetivava a moral do cristanismo, por oposição à moral dos senhores, a apontar para os gregos e para o super-homem. Com Heidegger (aspire-se no “h” ou não), já o homem (upps! o da-sein) ser o “pastor do ser”, tudo bem. Foi a loucura dos anos 80 na Faculdade de letras, com o Pe Cerqueira Gonçalves. Loucura que não “acabou”, e que tal tal como o “namorado” de Arendt, não leva a parte nenhuma a não ser a ela própria, à loucura.

Heidegger foi o grito de um sentido, uma poesia que quiz ser mais do que poesia, e que acabou por nem ser filosofia, nem poesia. Mas o homem do Ser e Tempo, escorregou na casca da banana. Ainda bem que, feitas as contas, perdeu para Husserl seu mestre no início, que não  “morreu” e ainda há os que resistem, vivos ou vivos nos livros, e que tenham trazido ao sexo e à sexualidade muito que está aí para ser estudado. O óscar vai para S. João Paulo II que entendeu, como poucos, o que significa a sexualidade (sexo nós pensamos que sabemos muito bem o que é, mas se calhar assim não tanto…), e disse no século XX o que S. Tomás não disse no XIII.

Os “textos” que li a propósito daquela Nota do Patriarca de Lisboa, vêm todos de novos pastores, especialistas em muitos cores businesses. Sim só podia. Igreja e sexo vende bem, e, curiosamente, são assuntos que geram muita escritura, mas que só revela ignorância. Os nossos intelectuais!

Porque me interessa a Igreja? Porque me interesso por Cristo, que a fundou? E Dele quem fala? Fala Francisco. Fala Manuel. E falam de um Cristo que não inventam. Este é que me interessa. Não me interessam Cristos interpretados a bel prazer, aos domingos ou em encontros de gente boa e mediática, mas que não conhece o Cristo. As águas dividem-se. Aqui lembro do que escreveu Rui Ramos. E do que escreveram uns padres  jesuítas.

Não estimo “as bocas" de quem nem sabe do que está a falar. Mas este mundo de subjetivismos – nas melhores e piores versões, de Austers a Gustavos ou Alexandras – é no que dá também . É muito bom. Neste caso, é muito bom mesmo na asneira. É o meu mundo e eu gosto de todos os que nele vivem. Mas se me meto em alhadas  também  delas saio, e sei chamar as coisas pelo seu nome pessoal. O epicurismo é mentiroso e o estoicismo cansa. Isto só vai com amigos. Eu tenho doze e um chama-se Manuel.Não assobio para o lado nem sou a raposa ressentida. Aqui lembro do José Manuel Fernandes.

E Deus viu que era tudo muito bom. É mais vírgula menos vírgula o que relata o Genesis, um livro da Bíblia, como todos sabem. Viva Frederico Lourenço? Viva Tolentino? Sim, vivam. Até há um retiro para pregar ao papa Francisco.

Tenho assitido aos milhares de letras que o sexo e que a Nota pastoral de D. Manuel Clemente tem provocado. Estão em causa vários textos –  estes sim são palavras cruzadas.  Nesta confusão lembro com alegria que a Igreja não nasceu ontem, Ela é feita de Dogma mas também é uma História. Quem tem escrito tem a noção de que o Senhor da Igreja não tem aqui sido nem tido nem achado?

Aos meus caros “pastores” mais ou menos mediáticos: Quem é Cristo?  A  alguns tiro o chapéu. Mas a grande maioria só diz tolices, alguns até revelam desonestidade intelectual.

Francisco e Manuel seguem  Cristo, seguem Outro.  Não são Pastores “à la Carte”, que só seguem o seu umbigo. Há alguém que se interesse por Cristo? Querem Zefirellis ou Pasolini?

Viva-se o sexo à balda! Os resultados estão à vista.

E como se lê no Documento de Francisco, “A Alegria do Amor”, este assunto interessa porque o desejo de família ainda não morreu no coração dos jovens. Jovens que não vi serem  tidos nem achados. Muitos até os matam sem terem nascido. E tem tudo a ver. (to be continued). Ah, chapéu se tire ao observador, onde li muita coisa boa. E aproveito para notar que já é estupido dizer que uma coisa, uma política, por exemplo , é sexy. O que ainda não saiu de moda é dizer "eu cá sou agnóstico". É tão cómodo. Uma espécie de zona de conforto, civilizada e que revela aquele, falso humilde  "quem sou eu para....?". Ai para umas coisas sou e para outras não! Conheço uma rapariga que é divorciada há 15 e casada com o mesmo homem há quase 30. Ele vai na 4ª amante. Um dia  ainda lhe mudo as fraldas...ou sei lá o quê.
Exortai-vos cada dia uns aos outros, até ao dia que se chama «Hoje» (Hebr 3, 13). Exortai-vos cada dia uns aos outros, até ao dia que se chama «Hoje» (Hebr 3, 13).
05
Fev18

Casos de injustiça


Fátima Pinheiro

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Estes últimos tempos têm sido pródigos em "casos" de justiça que nos preocupam. Nalguns casos têm implicado muito sofrimento. Como sou fã de Ricardo Araújo Pereira, e acho mesmo que é dos melhores jornalistas que temos em Portugal - óbvio, um jornalismo pouco fedorento e perspicaz até dizer "chega" -, andava ontem a rir-me "com ele", quando me deparo com esta pergunta que ele fez num programa de televisão, ao então Bastonário da Ordem dos Advogados, Marinho Pinto. O Programa era: "Gato Fedorento - Marinho Pinto Esmiúça os Sufrágios". O que fui encontrar!

A terminar, e no fim de uma conversa que merece ser "vista", lá vem a resposta à pergunta "o que é a justiça", igualmente cheia de sentido de humor. Vem aqui: http://youtu.be/Ia1vdEknONM 

E se Ricardo Araújo Pereira é jornalista, Marinho Pinto pode ser outras coisas, também. Como vem num livro que ando a ler (que frase foleira) eu sou antes de mais "eu". E não isto ou aquilo. Ou do clube A ou do Clube B. A  notíca é o princípio da História, afirmou um dia o fundador do Washington post. Vale a pena ir ver o filme, sobretudo a maravilhosa Merly Streep.
 
 

 

 

 
Exortai-vos cada dia uns aos outros, até ao dia que se chama «Hoje» (Hebr 3, 13). Exortai-vos cada dia uns aos outros, até ao dia que se chama «Hoje» (Hebr 3, 13).
30
Jan18

Deixem o homem ir à Bola!


Fátima Pinheiro

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Os jornalistas têm tantos temas e focam-se em Centeno! Deixem o homem ir à bola! Cada vez gosto mais do Correio da Manhã! Ao menos não é sonso!

Os nossos Media são afinal movidos por razões que nada têm a ver com a finalidade para que existem. Baralham, cometem gaffes e por vezes mentem. Calem-se por amor de Deus. Ainda não perceberam que isto  passou dos limites. Se não fossem homens como o Miguel Sousa Tavares, que quando quer DIZ ... Mas nem é preciso ir à Sic , que também faz das suas...Este assunto é canja. Uma coisa são casos tipo Lula da Silva, outra é Centeno pedir. Há coisas que um governante não deve pedir, mas isto...

Se não têm temas para as notícias, eu posso sugerir alguns. Querem? Não precisam, eu sei. Do que precisam é likes, audiências e tachos. Não se aponte o dedo a ninguém. Eu sei. A vida é dura. E o desemprego uma dramaticidade. Mais: Deus, mesmo para um ateu, tem agora outro nome. Ninguém passa sem um Deus. Isto sim é um bom tema. Mas não há tempo. É um assunto que não se arruma numa penada. E hoje o que está a dar são as penadas. Ou bocas.

Se é para investigar, investigue-se, mas sobre o que já nem dela precisa. Investigação. Eu dava muitas sugestões, mas não sou jornalista, E tenho que ir trabalhar. Acusem, mas com material e razões dignos desse nome. Mostrem o que valem. Bem posso esperar sentada. Mas não parada. 

 

Exortai-vos cada dia uns aos outros, até ao dia que se chama «Hoje» (Hebr 3, 13). Exortai-vos cada dia uns aos outros, até ao dia que se chama «Hoje» (Hebr 3, 13).
27
Jan18

"SuperNanny" ou "SuperMan"?


Fátima Pinheiro

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Super soa a detergente. O busílis do badalado programa (leia-se show, circo) "SuperNanny" está precisamente em se apresentar como SUPER. Super porquê? Elementar: audiências. Um show com o nome "Nanny", não seria suficientemente atrativo. O adjectivo escolhido é o sapatinho perfeito.

"Piedosa intenções": é pedagógico. Vem ao encontro das necessidades de muitos pais. Provincianismos: o programa passa em países avançados. Avançados? será avançado o circo que se oferece abusando do que não é para ser instrumentalzado: crianças, família, privacidade. 

O problema da educação está em educar os educadores, dizia e bem Maria Ulrich, que dispensa apresentações. E mais, vivemos vidas desorientadas, onde a casa veio abaixo, e coisas destas acontecem como consequência lógica.

A falar a sério, super, para mim, só o Superman.

 

Exortai-vos cada dia uns aos outros, até ao dia que se chama «Hoje» (Hebr 3, 13). Exortai-vos cada dia uns aos outros, até ao dia que se chama «Hoje» (Hebr 3, 13).
14
Dez17

Há coisas que é preferível não saber?


Fátima Pinheiro

 

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A minha pergunta vem porque uma amiga minha escreveu no facebook que há coisas que ela preferiria não saber. Isto a propósito da entrevista do agora ex-secretário de estado e do seu relacionamento com a Rarissimas. Eu tinha acabado de  ver a entrevista.  A entrevista entristeceu-me muito.

Ao almoço a entrevista foi tema de conversa. A certa altura eu disse que se  calhar  era melhor  não saber certas coisas, e que as redes sociais em certa medida poderiam ser uma perda de tempo. Depois pensei melhor.

Ser político envolve uma responsabilidade distinta. Quer dizer, diferente das outras e, por outro lado, a Política é para ser nobre, elevada. Não é como conduzir uma coisa qualquer. É como conduzir um país. É o destino das pessoas que pode estar em causa. A Política pode ter muitas cores. A Política é construida por homens, não por deuses. Contudo a Política não pode ser a bel-prazer.  Da Política se exige e dela devem decorrer exigências.

Obrigada à Ana Leal. Obrigada às redes sociais. É bom saber que  homens e mulheres temos ao leme. Até para que saibamos se o leme e o norte se perderam.

Exortai-vos cada dia uns aos outros, até ao dia que se chama «Hoje» (Hebr 3, 13). Exortai-vos cada dia uns aos outros, até ao dia que se chama «Hoje» (Hebr 3, 13).
16
Nov17

Há dois tipos de pessoas


Fátima Pinheiro

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       TM Rasante

 

Revi nestes dias três entrevistas a pessoas que me interessam. O entrevistador, era o mesmo. Na segunda-feira fui ouvir Eduardo Lourenço, na Gulbenkian, numa conferência sobre o tema Haverá lugar para Heterodoxias? E há aqui um ponto de convergência que se tornou claro para mim, bem como a redescoberta do que é saber entrevistar. E uma grande conclusão, que mais uma vez reapreendi, que é a palavra que me "diz" mais. Eu já sabia, mas experimentei mais uma vez.

Há dois tipos de pessoas: as pessoas discurso e as pessoas presença. A vida passa por mim e vou apreendendo a reconhecê-las. E mesmo quando cada um destes tipos têm laivos do outro, acaba por imperar ou uma ou outra. Em relação ao que vi nestes casos que referi não tenho dúvidas: dois discursos e três presenças. O discurso pode ser lógico, interessante e ortodoxo, mas reduz-se a uma lógica demagógica, corriqueira e asfixiante. Perde assim até o direito a ser chamado de discurso na verdadeira acepção da palavra, sendo apenas a cassete de sobrevivência. E por incrível que pareça, vende.

Com as pessoas presença é diferente. O tempo pára, elas têm olhos e olhar.  A entrevista e o grande plano deixam ver. Revelam. É como estar ao vivo com as pessoas e ao fim do dia lembro, como se fosse agora. E sorrio. Aí soa então bem fundo a palavra que mais me diz. Que me realiza. Já estão a ver qual é? E todos os dias soa mais. Todos os dias é como se fosse diferente. Não é cassete, realiza!

Uma boa entrevista? É saber entre vistar. É saber, quanto baste, antes de enfrentar o entrevistado. Trabalho, mais trabalho de casa, que inclui o trabalho da própria vida de quem pergunta. E nesse entre ter, mostrar na cara e no corpo, o bicho que está na berlinda. No que está gravado  - no gravador e na memória do coração - podemos andar para a frente e para trás (chama-se  silêncio, meditar, recolher, recuar para avançar, tempo ao tempo).

No caso, o entrevistador foi sempre o mesmo. E nas entrevistas que revi, vi de tudo. Numa delas porém vi dois homens.

De Eduardo Lourenço já aqui disse tudo. Ele, o homem das heterodoxias, é um ortodoxo, como lembrou no outro dia. A humanidade tem a vocação da verdade. Não a da verdade opressiva, mas a da verdade positiva, que liberta. Foi o que revi há dias naquela entrevista, dois homens desarmados, sem rede, a mostrarem-me quem sou. Uma arte.

Exortai-vos cada dia uns aos outros, até ao dia que se chama «Hoje» (Hebr 3, 13). Exortai-vos cada dia uns aos outros, até ao dia que se chama «Hoje» (Hebr 3, 13).
23
Ago17

O que é "assumir" ser homossexual?


Fátima Pinheiro

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A Secretária de Estado da Modernização administrativa,  disse ao DN que é homossexual. Graça Fonseca considera “importante” fazer a declaração a que chama “afirmação política”, "assumiu" publicamente a sua homossexualidade, leio no jornal. Por isso escrevo este post. Mas principalmente porque o tema da sexualidade me interessa e é raro, sim, falar-se sobre o que é a sexualidade. E porque esta política está cada vez mais fora do real.

Tive o privilégio de estudar com  bons professores de fenomenologia. São João Paulo  II, que poucos conhecem como fenomenólego, deu um passo de gigante no estudo do corpo, uma vez que desde São Tomás de Aquino, século XIII, que não se  dizia nada de novo e verdadeiro sobre o tema. Ligando o sexo ao amor, reconheceu que sexo não se identifica com procriação, mas que as pessoas envolvidas se querem unir, fundir, se querem como que comer uma à outra. Novidade na Igreja Católica? Sim. Pouco conhecida? Sim. A Igreja Católica errou? Sim. A Ciência também erra? Sim. Lembro o que a Ciência disse antes de Galileu, antes de Pasteur. O pensamento evolui, sim senhor.

Em relação à secretária de estado tenho a dizer que entendo "assumir" como um verbo que não faz sentido no seu discurso.  Uma pessoa é homosexual, ponto. O que acrescenta "assumir"?

“Acho que as leis não bastam para mudar mentalidades", diz Graça Fonseca. Pois não, são as mentalidades que fazem mudar.

“Se as pessoas começarem a olhar para políticos, pessoas do cinema, desportistas, sabendo-os homossexuais, como é o meu caso, isso pode fazer que a próxima vez que sai uma notícia sobre pessoas serem mortas por serem homossexuais pensem em alguém por quem até têm simpatia”, sublinhou. Sim, eu gosto de ver os governantes a falarem de si. Agora, "assumir" aplica-se a responsabilidades. Por exemplo, quem assume a responsabilidade destes fogos? Isso sim. Isso é política!

“E se as pessoas perceberem que há um semelhante, que não odeiam, que é homossexual...". Será que li bem? Pessoas mortas ? Odiar?  Preferia estar enganada, mas esta entrevista cheira a agenda mediática, eleições (e aqui ressalvo as intenções da senhora secretária de estado, a quem ponho, como a cada pessoa, político ou não, acima de mim, por razões ontológicas). A esquerda é moderna, e eu sou de esquerda. Um dia destes ainda me vêem a "assumir" que sou católica? A palavra "assumir" é palavra de telenovela.

Exortai-vos cada dia uns aos outros, até ao dia que se chama «Hoje» (Hebr 3, 13). Exortai-vos cada dia uns aos outros, até ao dia que se chama «Hoje» (Hebr 3, 13).
17
Ago17

Os jornais é que são cabeças rapadas!


Fátima Pinheiro

Não parece, mas abordo hoje um tema de profunda atualidade. O que me leva a fazê-lo? Um artigo do Expresso de papel, do fim de semana passado, a história de Manuela Moura Guedes com revelações que não me entram por um ouvido e saem por outro, a frontalidade de Camilo Lourenço e do Observador, sobretudo de José Manuel Fernandes e outras coisas aqui e ali que não deixam de ser menos determinantes para me ajudarem a construir o que penso. Sim, porque ando aqui para pensar. Sem isso como transcendental, sou apenas um pedaçito de matéria que de espacito caminha para o "the end." Apesar de ainda acreditar que é possível um jornalismo credível, há muito que verifico que o que temos agora, com honrosas excepções, é um monte de esterco, e apenas sabe parir ratos.

Nem preciso de me alongar com exemplos. Está à vista. Apenas uns sublinhados. Eu sei que os jornais precisam de vender. Mas não a qualquer preço. Seremos uma república de bananas? Quem manda calar quem? É quem tem guito. Meus queridos jornais, digam-me "espelho meu", qual o valor que os portugueses deram para os fogos? Não sabem!! Não vos pagam para dizer, não é? Isto é que são cabeças bem rapadas.E o artigo do Expresso sobre barrigas de aluguer? Cheira-me a encomenda. Laurinda Alves escreveu no "Observador" o melhor artigo que saiu sobre o tema, com o título "Cheira a negócio", no qual refere praticamente todos os aspectos implicados com esta lei. E o que faz o Expresso? Vai ao clássico expediente do puxar da lágrima, e afirma, sic, que esta lei permite a Isabel realizar o sonho de ter um filho. Graças à lei a felicidade aumenta sobre a terra. Bruxo, que a mãe dela, de Isabel  - a quem já foi dado o nome de avó - oferece  a barriga sem cobrar. É por amor. Não dúvido, e apreçio o gesto da senhora! Mas o artigo,que só pretende contar este caso, o primeiro na lista de candidaturas, acaba por tecer discurso sobre a lei. Discurso incompleto e enganador. Não me venham com piedosas intenções. Quero uma cabeça cheia de verdades, clareza e rapada de preconceitos que só enchem o bolso dos outros. Quero preconceitos que ajudem, que façam de mim, do meu País e do meu mundo um lugar de esperaça, e já. 

Há muita vida para lá das eleições. E vou continuar a ouvir e a apostar em quem não me engana. A vida é bela, não apesar, mas mesmo através deste desnorte!

Exortai-vos cada dia uns aos outros, até ao dia que se chama «Hoje» (Hebr 3, 13). Exortai-vos cada dia uns aos outros, até ao dia que se chama «Hoje» (Hebr 3, 13).
01
Ago17

A minha querida LGBTIQ+++++....


Fátima Pinheiro

 

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A ideologia de género é mesmo ideologia e não faz o meu género. Pretende fazer do zero, rebentar com a família, embora use o mesmo termo para a sua aquitectura. E, obviamente, eu, e alguns como eu,  sou categorizada, pertenço, a um período histórico mental ultrapassado.  Até a gramática já mudou!! A língua, essa, já mudou.

Não é por acaso que a Filosofia, há milénios, começou com a lógica, com um estudo das palavras e, sempre que surge um filósofo, é da linguagem que tem de tratar primeiro. Aristóteles ontem, Husserl em 1900, e hoje, para abreviar, os analíticos. Não falo hoje da origem, mas da natureza. Da origem há novidades: Dan Brown já nos deu o presente de Natal.  Da natureza sim, vou abundar. Para isso recorro ao meu filósofo preferido que diz que reconhece, e bem, que "o enunciado não termina em si, mas na coisa". Por exemplo, se eu digo "este copo é de vidro" este enunciado não fica fechado em si mas aponta para "isso" que intenciono. E posso intencionar de forma gestual, ou das formas que eu for capaz de criar para referir a mesma coisa, neste caso o que é designado pela palavra "copo". Com a LGBTIQ (a abreviatura tem vindo a aumentar) passa-se o mesmo.

Pouco importa o nome que eu der a esta ou àquela pessoa, o masculino e o feminino são intencionados por mim, mesmo se eu usasse outras palavras. Há homens e há mulheres. Ponto. Por muito que se diga o contrário quando alguém nasce, não nasce selvagem, é menino ou é menina. É como na gramática haver o género masculino e o femininino. 

Uma vez perguntaram ao  D.José Policarpo se era a favor do casamento homosexual. Ele, que conhecia o jovem jornalista, respondeu: "só se for na tua terra!". 

Obviamente que "cada cabeça sua sentença", não nos vamos processar uns aos outros por pensarmos as coisas de forma diferente. Posso ser Lésbica, Gay, Bisexual, Transexual, Intersexual ou ainda a Questionar. Trata-se de uma ideologia porque trás disto vem uma visão do mundo, não faz por menos. É uma uma forma de entender os homens e as mulheres,  uma forma de ver que parte da cabeça e perde pouco tempo a olhar as coisas; que defende que uma visão do sexo apenas como atração entre um homem e uma mullher é mentirosa e redutora. É só uma opção, uma entre tantas... Ser mulher  e ser homem é algo que cada um vai decicidindo ao longo da vida. O "y" dos cromossomosas é para esquecer.

E se argumentos mais não tenho para pensar de forma diferente, paciência. Tenho o mais forte de todos: a natureza. Gosto de ter pai, de ter e ser mãe e de ter filhos. Claro que se algum deles fosse das comunidades LGBTIQ, amá-lo-ia assim, da forma como escolheram viver. Faz parte da minha natureza e da deles. Amarmos e ser amados.

Donde tira a sociedade, de onde tiramos nós, a ideia dos papéis masculino e feminino? Não é de ser rico ou pobre. É das vidas e das caras das pessoas que por mim passaram e passam. É das vidas e das caras das pessoas por quem passei e passo. E esses encontros e desencontros são muitas vezes duros e complicados. Mas não é por isso que as coisas deixam  de ser o que são. Só a liberdade é que gosta de "sair", faz parte da sua natureza. Tudo o mais é para se construir. Um filósofo português lembrou que o homem é dado em natureza para se reconstruir em liberdade. E  ontem Eduardo Lourenço - um homem que sempre quiz ser homem ao longo da vida... - na entrevista que deu ao Público disse "Sei tanto agora que tenho quase cem anos como quando tinha dois."

Quando eu era pequenina, aos domingos de manhã, ainda na cama, ouvia o meu pai e a minha mãe, também ainda na cama, falavam, falavam, falavam. Por isso eu sou hoje tão feliz. Ao longo da vida fui questionando, finalmente encontrei-me e sei o que quero. Fui a menina do meu pai. Não fui a sobrinha do tio que ia casa do irmão brincar ao "ursinho" com a menina que conheci em mulher, e ainda  lhe dói o que calou durante anos. 
Teria mil mil histórias para aqui contar. E sei que somos todos únicos e irrepetíveis. Lembro só a da Patrícia, que antes de se chamar  assim, se tinha chamado Pedro,  fez uma operação ... Disse que ainda era infeliz, mas que ao pé de mim se sentia bem, que nem precisava de fumar. A cara rebentava de silicone.

E a história do João, que passa a vida a dizer bem das tias, que eram gays, lésbicas, ou homosexuais, mas que o criaram, e que lhe deram tudo, mais do que muitas famílias com pai e mãe. Ainda bem. O amor é muito bom. Agora, as coisas são o que são. E cada caso é um caso.  Como se passa com os heterosexuais. Eu não me reduzo a um número.

Por vezes é como se os meus queridos LGBTIQ tivessem várias peles vestidas. Às vezes despem-nas. Para mim!!! Alguns fumam...

Exortai-vos cada dia uns aos outros, até ao dia que se chama «Hoje» (Hebr 3, 13). Exortai-vos cada dia uns aos outros, até ao dia que se chama «Hoje» (Hebr 3, 13).
26
Jul17

Senhor contente e senhor feliz: como vai este País !


Fátima Pinheiro

 

transferir (9).jpgO País? Bem. Vê-se no espelho de quem governa e no espelho de quem garante o regular funcionamento das instituições.  Os fogos passarão. A onda de optimismo que caracteriza a esquerda, agora alargada, continua em crescendo, uma espécie de vie en rose. A ilusão de que a culpa é do fogo, e de quem atravessou a estrada quando não devia; essa ilusão floresce nas barbas de quase todos, incluindo-se aqui o misterioso, inefável e inestimável apoio de onda dos media em geral. Só falta o canto de Sócrates que agora , e uma vez descoberto o dono do dinheiro, vai piando mais fino. Mas a farsa é tal que algumas ricas vozes sensatas insistem em chamar as coisas pelo seu nome. Bem hajam. Sem vocês, tudo seria uma esquizofrenia, ou uma monstruosidade.  Ainda acredito no fogo que arde sem se ver, no fogo que muda e vira as páginas da História.

 

O senhor feliz, após breve e notório desaparecimento foi agora para Mação. Só quem lá está é que compreende, diz. Então eu não compreendo? Será que o País caberia todo em Mação, ou estaremos condenados à ignorância? Feliz por ser compassivo com quem sofre, o senhor feliz, magnânino, até ignora a mentira do CEMGFA. Primeiro o material de Tancos era sucata, e ontem ficamos a saber pela mesma boca, que o material não era sucata. Na minha terrra isto chama-se mentir. Por que não ser magnânimo com o General? Eu bem queria acreditar que as instituçoes estão a funcionar regularmente, mas não consigo. Nem quero ser desmancha prazeres. Mas não vejo razões que me dêem prazer. O utilitarismo do senhor feliz desgosta-me. O seu comportamento político de não fazer ondas para ser cada vez mais feliz, entristece-me, gera mal, envergonha. 

Mas isto de não querer confrontos com o senhor contente - nem com ninguém - tira-lhe em coluna vertebral. Lembra-me um senhor chamado Pilatos. E, à maneira de Jesus, caminha sobre as águas, deixa as ondas para o mar e vai abraçando a gente da nossa terra. Tolera Costa, porque o que o move é mesmo, e só , ser feliz. Como comentador já assim era, muito Gentil e a fazer todos muito felizes também. 

 

O senhor contente, cada vez mais contente com o seu "comigo é que é" (e muitos indices e relatórios independentes do estrangeiro a confirmar...). Bem pode agora - depois das merecidas férias - planear, dizer que vai fazer, chutar para canto, e aparecer nas televisões com hora estudada e marcada. O destino marca a hora! Catarinas, Mortáguas, Jerónimos, aguentam bem o preço do poder, e aqui e ali vão tapando buracos. Mas já não têm a graça de um touro enraivecido. Até já tenho saudades de quando eles eram genuínos e abriam a boca para dizer verdades. Mas passaram para a Côrte e o caldo, sem se entornar, até poder ter bom aspecto, mas azedou. Sonsice. E insonso é o ar que nos dão a respirar. Sal? Aumenta o das lágrimas de Portugal.

 

E já agora falando de Salgados: vem agora o homem inocente (atchim)  a querer passar por marmota bébé. Cabia aqui um palavrinha às editoras, mas isto vai longo. Nos anos recentes tem saido cada livro. Eles, os "inocentes", ficam com mais tempo e escrevem a sua inocência. Mas voltando ao mister Ricardo Salgado, e porque escrevo sobre o meu País, devo escrever que houve um homem que lhe disse Não. Por acaso esse homem foi o mesmo que ganhou as últimas eleições. Para quem esqueceu chama-se Pedro Passos Coelho. E o senhor feliz o que decidiu? Decidiu ser mais feliz, e investir o senhor contente com mais contentamento. Optou por uma ave rara...

Qual flautista de Hamelin, Costa continuará a pular e a saltar, a encantar tudo e todos. Mas a música começa a soar mal, e ainda há quem se ache gente, e não um rato que só vive para o queijo. Por enquanto esta tristeza que trago, tenho a certeza, foi de vós que a recebi. Porreiro, pás!!!  

A  Proteção Civil acaba de dizer que está tudo  controlado, mas o vice-presidente da Câmara de Mação, ao início desta manhã, diz outra coisa: "já ardeu metade do Concelho", sendo a situação "completamente descontrolada", "catastrófica" (sic). O senhor ainda aí está com o seu Povo? Ah, e o Ministro da Saúde acaba de dizer que vai ter mais orçamento. Pudera!!!!

 

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