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Exortai-vos cada dia uns aos outros, até ao dia que se chama «Hoje» (Hebr 3, 13). Renovai-vos pela transformação espiritual da vossa inteligência e revesti-vos do homem novo (Ef 4, 23-24).

Rasante

De tudo um pouco. Cada manhã. Ao sair da pena, bem cedinho. Tudo me interessa.

Rasante

De tudo um pouco. Cada manhã. Ao sair da pena, bem cedinho. Tudo me interessa.

21
Ago17

Kilo metrosexuais


Fátima Pinheiro

 

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Pelo sim, pelo não, é melhor dizer que não tenho nada contra as pessoas metrosexuais. Um homem faz o quer, ponto. A liberdade é o must. Agora, eu também sou livre. Tenho pelos e tiro alguns. Mas prefiro ir mais longe, um género ou espécie de kilometrosexuais. Tá-se memo a ver que ontem vi muito pessoal quasi desnudado. A acordar com esta capilar narrativa!

Pessoas muito rapadas parecem-me galinhas depenadas. Sempre disse às minhas filhas para não fazerem depilação total e que um dia iria vir a moda das peludas. Para os cabeleireiros o negócio não se estragaria porque se inventaria o método do implante de pelos. Sintéticos ou naturais e de todas as cores. E eu a pagar para tirarem definitivamente, e depois a pagar para depois porem, também definitivamente. Definitivamente já foi o que era. Ou não? A morte sim, é definitiva. Aí é que não há pelo que resista. Mas a gente sabe lá...

Uma vez tirei os pelos como as brasileiras e jurei para nunca mais. Não é por causa do doer, nada me dói na depilação, às vezes até adormeço. É porque alguns pelos fazem falta. E porque não me interessa o sim porque sim. Acho até esta conversa um bocado estúpida. Só falo disto porque anda por aí. Então no verão! É porque a Maria de Lourdes, filha da Madona, exibe sua penugem axilar sem pudor. É ela e uma do Mónaco, que vi na Ola espanhola. É guess quem das belas portuguesas dos cor de rosa fez isto ou aquilo.  Tudo muito divertido. Eu gosto de tudo. De tudo o que acontece. Mas há coisas de que gosto mais. E há coisas de que gosto mesmo. E há aquilo de gosto definitivamente. 

Exortai-vos cada dia uns aos outros, até ao dia que se chama «Hoje» (Hebr 3, 13). Exortai-vos cada dia uns aos outros, até ao dia que se chama «Hoje» (Hebr 3, 13).
08
Jul17

Faz Capas que o teu filho possa ver!


Fátima Pinheiro

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O meu post de hoje era para se chamar "Primeiro é ser mãe, depois é que é ser mulher", mas não faz mal, fica a ser o próximo. Hoje escrevo a uma menina que se "passou". A gente na vida às vezes precipita-se. E também às vezes damos um passo maior que as pernas. Eu já aqui neste blog, sem te fazer favor absolutamente nenhum, afirmei várias que te apreciava. Talvez por ser também como tu, com bravura e orgulho, uma saloia. Feliz e alegre, portanto. Mas como a coerência não é para mim um valor absoluto, se vejo razões para mudar mudo. Para melhor, claro. Na tua balança isto não pesa, eu sei. Mas na minha pesa. Então foste por na Capa da tua Revista uma coisa daquelas? Queres vender mais, é?

Comprei várias vezes a tua Revista e, disse-o neste blog, gostei. Sabes entrevistar. Os assuntos tabú são para ser falados. Melhor, não há assuntos tabú. Estamos cá para falar de tudo. Tudo me interessa.  As Capas eram às vezes ousadas, eu sei, como as tuas gargalhadas estridentes, mas sempre disse que eram genuínas e sem maldade. E eu não ponho rótulos nas pessoas. Se gosto, gosto. Ponto. Mas tenho que ter razões, mesmo aquelas que a razão diz que desconhece. E até sei que o dinheiro da Gala de solidariedade para Pedrógrão sem ti não teria atingido o milhão. Por isso te puseram na linha da frente, no teu Canal, ao lado de um José Alberto Carvalho meio atordoado e a faltarem-lhe palavras, e por vezes presença. Um embaraço. Mas também já aqui disse o que penso dessa Gala. Hoje é só sobre ti que falo. Sabes muito bem o que vales. Mas com esta Revista descambaste.

Já a última Capa   - como vês não escrevo de cor  - tinha plástica a mais para o meu gosto. Foi até pela televisão que fiquei a saber onde se fazem as melhores mamas do país. Da boca de uma pessoa que as foi retocar no mesmo sitio da tua colega de capa. A tal ponto que ficam todas iguais e boazonas. Mas dessa vez passou. Agora esta Capa é um nojo. Choca-me, perguntas-me? Não, não me choca. O que me choca és tu.

Faz capas que o teu filho possa ver! E o que são capas que o teu filho possa ver? São capas em que se aprenda, mesmo que a rir, ou a sério, se aprenda alguma coisa. Alguma coisa pode ser "apenas"  a ver coisas bonitas. Eu também não acho piada a coisas muito light, muito zénicas. Mas confusões não! Talvez a mediocridade seja o limite. Como dizia uma mulher muito cool,  uma educadora de mão cheia, Maria Urich, que não foi mãe, a mediocridade é pior que o piolho. E também dizia que as crianças percebem tudo e detestam conversa mole, daquela em que se baixa a fasquia e pomos aquela vozinha diferente, aquela vozinha miudinha de quem está a falar para crianças.

Glamour não é para todos. Pode descambar numa selva, mas a ser como deve ser, o glamour não é nada disto, o glamour é muito bom. Até porque a vida é curta e vale melhor e mais que esta coisa que acabas de produzir. Tabus não. Mas lixo também não. Não, não estou a dizer que faças uma revista para crianças...

 

Exortai-vos cada dia uns aos outros, até ao dia que se chama «Hoje» (Hebr 3, 13). Exortai-vos cada dia uns aos outros, até ao dia que se chama «Hoje» (Hebr 3, 13).
01
Abr15

As mulheres gostam de acessórios?


Fátima Pinheiro

A Maria da Paz ( a da Peace´s) a certa altura, já de madrugada, mudou de vida, ontem/ imagem da net

 

 

Eu gosto de dum tipo especial de acessório. Bem visto, até não há nada acessório...Cada um sabe de si, não é? Hoje, para não variar, falo do "mesmo"...

 

E faço mesmo publicidade a uma artista portuguesa, muito, muito minha amiga e vale a pena. Beleza, gosto, e mais uma vez a pronúncia do norte.  Vão à página dela aqui e estejam vontade. Um privilégio. O lado estético da vida e a felicidade. E muitas, muitas, raízes...Passando por Iris Appfel, Cleópatras, e Prada....

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Exortai-vos cada dia uns aos outros, até ao dia que se chama «Hoje» (Hebr 3, 13). Exortai-vos cada dia uns aos outros, até ao dia que se chama «Hoje» (Hebr 3, 13).
03
Fev15

Glamour ou Glamor?


Fátima Pinheiro

 

Sim, é a resposta. Quero os dois. Isto embora o primeiro termo esteja associado às classes mais altas, à moda e ao cinema americano. Mas o meu “mais que tudo” – que disto nada tem – é muito elegante, charmoso, atraente. Não se costuma dizer que “quem feio o ama bonito lhe parece”? Pois então! À luz de um grande amor tudo muda de figura. Como num dia em que o sol volta a brilhar de novo, mesmo sabendo que os dias cinzentos têm o seu encanto e a beleza de alternaram com os outros dias.

Já agora, fui à net e fiquei a saber que “glamour” é uma palavra de origem escocesa, pois nos tempos medievais, somente poucos clérigos sabiam ler e escrever e tinham conhecimento de gramática, e para todos os outros, a gramática era associada a práticas ocultas e misteriosas. Naquela época, a palavra “Grammar”, em inglês, significava encantamento; feitiço, e em escocês, a palavra era escrita com a letra L, em vez de R, o que acabou tornando-se o termo Glamour.

Quanto a (Gl)amor não precisei de recorrer a esse expediente. Sei muito bem o que é. Eu tenho dois. Que em nada são iguais. Têm tudo, glamour concerteza, e tenho a certeza de qual eu gosto mais. Tudo em todos.

Exortai-vos cada dia uns aos outros, até ao dia que se chama «Hoje» (Hebr 3, 13). Exortai-vos cada dia uns aos outros, até ao dia que se chama «Hoje» (Hebr 3, 13).
31
Jan15

Moscovo, 20 Abril de 1999


Fátima Pinheiro

estes são italianos/ imagem da net

 

« Moscovo, 20 Abril de 1999* Ontem fomos ver Romeu e Julieta. Mais uma vez lá fomos ao Palácio de Congressos do Kremlin. Mais uma vez tive a oportunidade de me aperceber de várias coisas. Estavam milhares de pessoas. Quando chegamos às portas das muralhas, estranhamos desde logo a multidão. Nem nos passou pela cabeça que toda aquela gente se deslocara ali para ir ver o nosso (afinal o deles...) Prokoviev. Foi o André que nos esclareceu acerca do destino de tal mar. Lá entramos bem devagar, uns atrás dos outros, muitos que éramos. Todos tão diferentes…Já não falo nas cores, ou nas nacionalidades. Refiro-me também à idade, à maneira de vestir. Nunca vi tais discrepâncias de estilo! Anos 30, anos 60, anos 70, anos 90, ou anos nenhuns. Como que uma intemporalidade dos espaços do vestir. Uns feíssimos, outros belíssimos. Lembrei-me da resposta de um professor de História da Moda, quando lhe perguntei o que era a moda: “a moda é aquilo que passa de moda.”

 

Mas, no caso, estava-se para além da moda. Uns pobres, outros quase miseráveis, outros, em menor número, a ostentar riqueza, alguns gosto, alguns o último grito da moda (o último, mesmo).  Mas é de notar que em geral, e esta é uma característica das mulheres russas (das Natashas, Ludmilas, Irinas, Lenas, Olgas e Tânias), há um esmerado cuidado no arranjarem-se. Elas distinguem perfeitamente as ocasiões. Se de festa, se de trabalho, radicalizando por vezes despropositadamente, mas apesar de tudo muito naturalmente, a maneira de se apresentarem.

 

A nossa Natasha, baby-sitter e amiga, para ilustrar o que digo, tem todo um ritual de se arranjar de manhã, antes de sair para a universidade, impressionante. Às vezes excessivamente apinocada para a circunstância, mas nunca sem um toque de cuidado que lhe ressalta, sem dúvida, as suas notas naturais de beleza; tem uns olhos azuis lindíssimos.

 

Dá a ideia que se preparam para o dia como se fosse a sua oportunidade única para brilhar, o que denota um gosto pelo momento presente, um viver a vida de uma forma intensa (isto faz parte da alma russa...).

 

O mesmo se diga das roupas: têm pouco mas o que têm é bom. Não precisam de quarenta camiseiros nas gavetas mas sim de dois, ou apenas um, de boa qualidade. Por isso se apresentam cuidadas, às vezes estilosas. E até czarinas.

 

Voltando ao Kremlin, lá dentro, as cores vermelhas da sala gigantesca aliadas ao escuro da cor do espetáculo tornavam todos e cada um num pequeno pormenor dum quadro único (sensação semelhante à que tive na sala de espetáculos do Kennedy Center: a mesma imponência, o mesmo vermelho). Muito esbatidos ofereciam-nos a vida e o sentido do horizonte que se respirava na animação do palco. Fiquei a perceber o valor do totalitarismo. Percebi também que para a sociedade russa a cultura faz parte da vida. Isto é, as pessoas não vão ver um espetáculo apenas para se divertirem, mas sobretudo porque precisam dele para viver. A arte é ar que se respira. Percebi como nunca que os russos são, essencialmente, um povo de artistas.

 

As velhinhas estão na primeira fila, fazendo tricot, e olham para o espetáculo como se olham as telenovelas.»

 

*excerto do meu Diário da Rússia (onde vivi quatro anos), a publicar em breve 

Exortai-vos cada dia uns aos outros, até ao dia que se chama «Hoje» (Hebr 3, 13). Exortai-vos cada dia uns aos outros, até ao dia que se chama «Hoje» (Hebr 3, 13).
10
Out14

Sou mesmo coco


Fátima Pinheiro

    Fotografia/MR

 

Noutro dia um profissional da Chanel pintou-me. Mesmo a sério. Enquanto ele me punha gira, perguntei-lhe (quase) tudo sobre esta senhora da moda. Estão a ver quantas vezes ele me disse: “agora é que tem mesmo que ficar quieta.” Certo é que ele não se calou. Contou-me a vida da ícone da moda, deixou-me ficar por ali a ver os livros sobre ela; uns só com fotografias, outros de texto mesmo, entrevistas e assim. Identifiquei-me em muitas coisas, e fiquei com vontade de saber mais. Uma coisa que me impressionou foi o facto de ela ter ficado órfã, de o pai a ter deixado num orfanato e ter sido a partir daí que ela se inspirou no simples. O seu preto e branco, o seu azul e branco nasceram naquele colégio de freiras vestidas precisamente de preto e branco. Ou seja, uma contrariedade na vida levou-a a uma criatividade contagiada e contagiante. E as cores da sua arte dizem muito. Eu também sou muito “preto no branco”, e tenho por hábito “fazer das tripas coração”.

 

Não que concorde com tudo, mas gostei muito de um livro que lá folhei, depois de me estilarem a cara, intitulado “Evangelho segundo Coco Chanel”. Deixo umas notas, algumas com um comentário, ou outro.

 

“Uma mulher precisa apenas de duas coisas na vida: um vestido preto e um homem que a ame” (esta não acho; um é poucachinho, a não ser que seja um especial…)

“A natureza  dá-te o rosto que tens aos 20. A vida desenha-te o rosto dos 30. Mas, aos 50, és tu que decides o rosto que queres ter.”

“Veste-te mal e vão reparar no teu vestido. Veste-te bem e notarão a mulher.”

“Não interessa o lugar de onde vens. O que importa é quem tu és! E quem és tu? Sabes?” (aqui lembrei-me de Sócrates)

 “A moda sai de moda, mas o estilo nunca.”

“Para seres insubstituível, deves ser diferente.”

“A elegância é tudo aquilo que é belo, seja do direito seja do avesso.”

“O dinheiro nunca significou muito para mim, mas a independência (conseguida com ele), muito.”

“Há pessoas que têm dinheiro e pessoas que são ricas”

 “Eu já não sou o que era: devo ser o que me tornei.”

“Nem tudo que é bonito te vai fazer bem quando te tocar.”

“Quando a paixão se vai, permanece o tédio e tudo acaba, mesmo que continue.”

“Sou contra a moda que não dure. É o meu lado masculino. Não consigo imaginar que se deite fora uma roupa, só porque é primavera.”

 “A mulher pode ser crisálida e borboleta. Sê crisálida durante o dia e borboleta à noite.”  

“Moda é como a arquitetura, pura questão de proporções.”

“O luxo tem que ser confortável ou não é luxo.”

“O luxo é tudo aquilo que não se vê.”

Exortai-vos cada dia uns aos outros, até ao dia que se chama «Hoje» (Hebr 3, 13). Exortai-vos cada dia uns aos outros, até ao dia que se chama «Hoje» (Hebr 3, 13).
03
Set14

Encontrei a «Casa Batalha» e a Shakira na Praia: uma parceria?


Fátima Pinheiro

Carolina "Batalha"
Fotografia - Joana Guedes Oliveira

Na Praia tudo pode acontecer, como conhecer a Casa Batalha. Já a conhecia, claro! E foi bom reler há dias a história da Casa de comércio mais antiga do País, sempre no mesmo ramo e na mesma família (http://150anos.dn.pt/2014/08/26/casa-batalha-batalha-de-400-anos-pela-sobrevivencia-e-o-sucesso/). Não é disso que falo. Mas de um encontro. Inesperado. Há duas semanas quando pus o pé na areia dei de caras com uma "loja" diferente. Chamou-me a atenção a arte que estava exposta. Colares e pulseiras, missangas, pedras, trabalhadas de forma diferente do que costumo ver. Era o sangue Batalha, neste caso de uma Batalhadora de nome Carolina, que passei a conhecer. Está-lhe no sangue. Depois de me falar das peças, fomos para a sombra de um toldo e eu registei no meu bloco de notas improvisado, sobre o duro da capa do livro verde que tenho nas mãos, "O homem que sabia demais". Ela também. E será que traz à família uma parceria nas mãos?

Rodeadas de coisas lindas. Mulheres! Olhem os dois anéis que ela tem nos dedos, na fotografia acima. Ela? Disse sobre a sua arte "coisas" que servem para se viver de forma mais humana. Faz a partir do que tem à mão, faz o que gosta, pensa em vender mas pensa no que os outros gostam. Tem a sua cor preferida e um segredo para sermos felizes.

A Carolina é bisneta de um dos nove irmãos Batalha. Maria da Paz Batalha Manzoni de Sequeira, tendo vivido desde sempre rodeada de missangas, pedras e contas, o que pode explicar o seu interesse e gosto pela bijuteria. Desde muito cedo que ela, a sua irmã Sofia e já mesmo o irmão Afonso fazem colares e pulseiras para oferecer como prendas ou fazer vendas à família. Este ano, tal qual como no ano passado em Moledo, juntou-se com a irmã Sofia e com o primo António Maria para venderem na praia e foram fazendo as pulseiras durante as férias. O Afonso ajudava a chamar as pessoas para virem ver.

Inundada de cores, formas e vidas, começou por volta dos 4 anos a fazer pequenas "batalhas". Fazia para dar, e agora também para vender. Pensa no destinatário, mas só faz o que gosta. A cor preferida? Vai gostando de todas. A felicidade está em ajudar quem não consegue ter esperança, dizendo que vale sempre a pena.

"Então e a quem sofre, muito, o que dirias?", insisto. Sempre com aquele sorriso discreto mas vincado, pensa e diz no mesmo tom: "não se pode desistir...". Por muito que alguém sofra - e aqui referiu as crianças abandonadas - não se pode desistir. Falou-me da fotografia de uma menina com o olhar vazio. Mas nada de lamechices. Antes pelo contrário. E deu-me o exemplo da cantora Shakira, que ajuda as crianças da América Latina (fui à Net: Shakira criou a ALAS que, em espanhol, significa asas; García Márquez participou na campanha que luta contra as condições que matam 350 mil crianças por ano na região; Miguel Bose, Ruben Blades, Juanes, Ricky Martin, o grupo de rock Mana, Aleks Syntek, David Bisbal e Alejandro Sanz ajudaram - não sei se ainda ajudam; e que não foi a primeira vez que Shakira deu o que tem e partilha o que recebe; logo após o seu primeiro disco de sucessos a cantora criou uma outra fundação não lucrativa, Pies Descalzos, que ajuda crianças vítimas de violência).

Volto ao toldo. À Carolina. Cara alegre, de luta, de quem não cruza os braços. Firme, sólida, bela, discreta. Como o que sai das suas mãos. O talento revela-se no fazer e no partilhar. Por isso tenho saudades boas. Da praia e dela. Volto se Deus quiser.
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21
Ago14

O «Glamour» da Praia Maria Luísa


Fátima Pinheiro

o "meu" Celestino num memorável 10 de Junho (fotografia da net)

Leio sempre revistas estrangeiras tipo "Vogue". Na praia adoro paginar pelo menos uma, para ver onde andam as modas, para ver os bonecos, para no friozinho do mar sentir as camisas de gola alta quentinhas que guardo para o Natal, e por todas as razões. Ontem escolhi uma de que gosto muito e que tinha um artigo cujo título era a minha cara: "15 coisas que uma mulher deve ter...". O autor era um homem giro, entre os 30 e os 54.... Cheio de estilo. O George Steiner ficou no saco o dia todo, com o Ramin Jahanbegloo. E os livros estragam-se na praia, coitadinhos.

O que é que eu devo ter? O que é que eu devo ter? Depoir de ler pensei que o jornalista era afinal fracote. E era uma magazine, estrangeira e tudo. Então? É que eu tenho afinal tudo o que ele diz. Não pode estar completo. Eu acho que preciso de ter mais qualquer coisita. Hoje - porque ontem já era tarde - vou ter com o Comendador Celestino, que cuida muito bem da praia, e vou perguntar-lhe pelas 15 coisas que devo ter. A ver se me safo melhor.

Então que 15 coisas são essas? Puxa, são 7h e 45. Tenho que ir, senão perco o bom da manhã. Logo, se não vier tarde do T Club deixo aqui as preciosas informações do Celestino e do francesinho, e depois durmo até querer. Agora até estou a parecer o Luís Filipe Menezes que no seu facebook se deu ao trabalho de nos contar os momentos das suas férias. A lembrar que o político é humano, diverte-se, enfim, que trabalho é trabalho, e que conhaque é conhaque.

O Steiner tem mesmo razão ao dizer que a nossa época é genial. Mas apenas num ponto. Não é difícil identicá-lo. Hoje, as 4 entrevistas que deu em Cambridge vão andar pela praia Maria Luísa. Se calhar deixo o Celestino descansado na azáfama que leva a sério e cheio de gosto. Observar como ele trabalha, a transbordar de «Glamour», é seguramente uma coisa que devo "ter". E livros estragados, já agora.
Exortai-vos cada dia uns aos outros, até ao dia que se chama «Hoje» (Hebr 3, 13). Exortai-vos cada dia uns aos outros, até ao dia que se chama «Hoje» (Hebr 3, 13).
03
Ago14

A «esquerda» veste chique


Fátima Pinheiro

(fotografia da net)

“Cunhal, homem sexual” foi um post que fiz quando saiu o livro "Álvaro Cunhal no País dos Sovietes" (Aletheia, 2013), um dos marcos comemorativos do centenário do seu nascimento Veio isto outra vez porque ultimamente tenho reparado mais na moda masculina. Os homens de «esquerda» andam mais giros. “Esquerda” e “giros” são termos ambíguos, mas penso que se entende o que quero dizer. Já não aparecem “brega” nem “cafona”, mas sim chiques. E isto é relativamente recente; uma meia dúzia de anos. Gravatas e coisas assim já “eram”. Mas o que agora noto é que se vestem com mais requinte, e o estilo light que aparentam, é cuidado, e muitas vezes requintado. Desde os botões de punho que eram de uma "avô" que não era de sangue, mas sim "escolhida", aos feitos de missangas "outras", ou mesmo a um botim desconcertante e inesperado...

Helena Matos na véspera do lançamento do livro, num encontro que reuniu na editora autores e jornalistas, frisou que as fotografias que o livro mostra são uma mais valia para Álvaro, um homem que não comunicava facilmente, mas cuja presença bastava para impressionar. "Impressionante " foi mesmo a palavra escolhida pela escritora para definir Cunhal. Não era o orador de excelência, mas tinha uma presença, de cabelo bonito, que impressionava. Veja-se na página 26, para dar um exemplo, onde a sua marca chegava bem longe, nas palavras de Yulia Petrova (neta de Kruchov): "Vejo Portugal através do homem que está sentado ao meu lado. Já conheço Portugal: para mim Portugal e Cunhal fundem-se num todo único.”

O que vem então no livro? O (des)mito: numa capa que bem podia ser a de uma edição especial da revista GQ; a fumar com umas mãos impecáveis, estilosas, dedos de pianista a segurarem uma caixa de fósforos que nelas mais pareciam um isqueiro; com a filha e Arafat nos jogos olímpicos de Moscovo; em amena cavaqueira de barbeiro (e em russo) com Brejnev; a dar autógrafos, qual galã da 7ª arte.

Como diria Herman José (cf. “Nelo e Idália” sobre Manoel de Oliveira, onde Nelo diz que gosta dos filmes de Oliveira porque neles os verdes são muito verdes, os vermelhos muito vermelhos, aqui: http://youtu.be/MSx3TAIcjc4), a esquerda veste chique: uns fatos pretos muito pretos, umas camisas brancas muito brancas, umas gangas muito ganga. Ou uns cabelos penteados muito despenteados por cabeleireiros vestidos de preto, também muito preto. Barbas quase invisíveis, mas feitas à lupa e ao sabor da cara. Mais o toque de umas havaianas ou de um relógio de marca, a contrastar com último grito de uns jeans: ecológicos e de riscas cinzentas muito cinzentas, quase pretas mesmo pretas. Ou cinzento.

Já agora – vi na Revisata "Life Style" – deixem-se da mistura do azul e do preto e das cotoveleiras e botões claros, a contrastar com os pretos muito pretos. Já é muito previsível, gasto. Eu por mim não faço nada disto. Das revistas retenho apenas o bom. E não digo o que é. Como dizia a famosa Canal cinque, a moda é uma questão de atitude. Veja bem a minha direita o que sabe fazer a minha esquerda. Mas para as mulheres de "esquerda" tenho que escrever outro post, porque são outra loiça. E começo em Paris, claro!
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