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Rasante

De tudo um pouco. Cada manhã. Ao sair da pena, bem cedinho. Tudo me interessa.

Rasante

De tudo um pouco. Cada manhã. Ao sair da pena, bem cedinho. Tudo me interessa.

11
Mar18

A matriz cristã da política


Fátima Pinheiro

 

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Adriano Moreira lembrou ontem na abertura do Congresso do CDS que apenas três lideres religiosos discursaram na Assembleia Geral das Nações Unidas. Nada mais nada menos que três Papas : Paulo VI, S.João Paulo II e Bento VI. Esqueceu-se de dizer que Paulo VI vai passar a S.Paulo Vl, como foi anunciado há dias. E vão dois. Mas sublinhou as palavras sábias  de Paulo VI "o desenvolvimento é o novo nome da paz".  Curioso, no mínimo. Cadê os outros lideres?

 

Num discurso poderoso, a abrir o Congresso, no qual o "poder encantatório das palavras" foi rasante às doenças do mundo e de Portugal, foi claríssimo no reconhecimento da matriz cristã do CDS. E apontou para Assunção Cristas, ela própria essa matriz, em todos os seus aspectos. Por isso é que todos se sentem em casa. Alguns, como Adolfo Mesquita Nunes, até o disseram diante de todos.

Sem quaisquer rodeios, a matriz cristã o que é? Temos uma mãe e mestra. Que é exigente e ama. Que trabalha, sem cessar, no terreno.  Tantos e tantos que dão vida no terreno.  Sujam as mãos, consolam , e muitos são mortos, em silêncio, por Jesus.

Não sou nem conservadora, nem liberal. Prescindo, sempre que possivel, de adjectivos. Matriz cristã não precisa de mais adjectivos. Matriz cristã é o que é e o que tem feito, faz e se propõe fazer esta líder, que cresce cada dia, em especial neste congressso que se propõe fazer de Portugal mais e melhor, contando com cada um  para trabalhar e viver do e para o bem comum. Chega de conversa de chacha. O futuro é agora. E dizer tudo isto não é o mesmo que dizer que o CDS é o dono do cristianismo. Seria desvirtuar a política e a Igreja. O Cristianismo e a Igreja só têm um "dono".

Temos mulher. Alternativa pela positiva a esta geringonça que já não tem cara. Já agora o que Ela disse hoje  aqui  - O Cristianismo não oferece saídas fáceis, mas propõe uma vida moral sã, a recusa do mal, do egoísmo e da corrupção, explicou o Papa durante a  oração do Angelus, este domingo de manhã.

A matriz da política é cada pessoa criada por Deus à Sua imagem e semehança, razão da sua digindade.

 .

10
Mar18

Pensar na morte faz bem


Fátima Pinheiro

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A gente pensa que só acontece aos outros, mas não. É como a morte. E depois todos no velório a por a conversa em dia. Enterrem-se os mortos, cuidem-se dos vivos. E dizemos coisas sem sentido adequado. Como fazemos quando falamos do tempo tantas vezes ao dia. Não estou a dizer que é bem ou mal .É assim. Assobiar para o lado.

Viver em perspetiva leva-nos a uma vida melhor. Connosco e com os outros. As relações  tornam-se relações, e não ralações. Ou provações.

Há poucas semanas tive um amok e fui de charola para o Hospital.

Foi para mim muito bom saber a quem telefonei quando me senti mal. Tudo na vida faz sentido. Fui parar ao hospital. Desta passei. Mas não sou a mesma. Sou muito melhor.

 

Como a Igreja é 'mãe e mestra', na homila de 17 de Novembro passado papa Francisco lembrou:

 

"A Igreja, que é mãe quer que cada um de nós pense na sua própria morte. Todos nós estamos acostumados à normalidade da vida: horários, compromissos, trabalho, momentos  de descanso... e pensamos que será sempre assim. Mas um dia,  Jesus chamará e nos dirá: ‘Vem!’ Para alguns, este chamamento será repentino, para outros, virá depois de uma longa doença; não sabemos.

No entanto , “O chamaamento virá!”. E será uma surpresa, mas depois, virá ainda outra surpresa do Senhor: a vida eterna. Por isso, “a Igreja nestes dias nos diz: pare um pouco, pare e pense na morte”. O Papa Francisco descreve o que acontece normalmente: até participar do velório ou ir ao cemitério torna-se um evento social. Vai-se, fala-se com os outros e em alguns casos, até se come e se bebe: “É uma reunião a mais, para não pensar”.

“E hoje a Igreja, hoje o Senhor, com aquela bondade que é sua, diz a cada um de nós: ‘Pare, pare, nem todos os dias serão assim. Não se acostume como se esta fosse a eternidade. Haverá um dia em que você será levado e o outro ficará, você será levado’. É ir com o Senhor, pensar que a nossa vida terá fim. Isto faz bem”.

Isto faz bem – explica o Papa – diante do início de um novo dia de trabalho, por exemplo, podemos pensar: ‘Hoje talvez será o último dia, não sei, mas farei bem meu trabalho’. E o mesmo nas relações de família ou quando vamos ao médico.

“Pensar na morte não é uma fantasia ruim, é uma realidade. Se é feia ou não feia, depende de mim, como eu a penso, mas que ela chegará, chegará. E ali será o encontro com o Senhor, esta será a beleza da morte, será o encontro com o Senhor, será Ele a vir ao seu encontro, será Ele a dizer: “Vem, vem, abençoado do meu Pai, vem comigo”.

E ao chamamento do Senhor não haverá mais tempo para resolver as nossas coisas. Francisco relata o que um sacerdote lhe disse recentemente:

“Dias atrás encontrei um sacerdote, 65 anos mais ou menos, e ele tinha algo que não estava bem, ele não se sentia bem ... Ele foi ao médico que lhe disse: “Mas olhe - isso depois da visita – o senhor tem isso, e isso é algo ruim, mas talvez tenhamos tempo para detê-lo, nós faremos isso, se não parar, faremos isso e, se não parar, começaremos a caminhar e eu vou acompanhá-lo até o fim”. “Muito bom aquele médico”.

Assim também nós, exorta o Papa, vamos nos fazer acompanhar nesta estrada, façamos de tudo, mas sempre olhando para lá, para o dia em que “o Senhor virá me buscar para ir com Ele”. 

23
Fev18

Para a Quaresma: Manuel, Giussani e Francisco


Fátima Pinheiro

 

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O Comunhão e Libertação ( CL) é um Movimento da Igreja Católica. Fez agora, 22 de Fevereiro, 13 anos que o seu fundador D. Luigi Giussani, morreu . Pouco conhecido entre nós, o “movimento” começou nos anos 50 . O Papa Francisco encontrou-se o ano passado a 7 de Março, em Roma, com este “rosto" de Igreja, como tem feito com outros "rostos" que são a Igreja, uma vida. Celebrou-se então o 36º aniversário do reconhecimento pontifício do CL.

Este post destaca porém uma outra “ignorância”. Para tal refiro um jornalista italiano, que contou em livro a vida de Giussani. Usarei em tradução livre a edição italiana - Alberto SAVORANA, Vita di don Giussani,  Rizzoli – Milano, 2013 -  em português, há pouco entre nós (Tenacitas). Tudo isto para quê? Simples. Um dia, o já padre Giussani  ia no comboio. Ouviu uma conversa entre teenagers sobre Religião e Igreja. Constatou algo muito significativo: as posições que cada um defendia eram baseadas em ignorância, e desenvolvidas a partir de falsos preconceitos. Pensou (digo por minhas palavras): é preciso dar a conhecer, falar verdade. Para que a vida seja boa, mas já, e não para depois. Cristo prometeu que quem O seguisse teria a vida eterna e o cêntuplo JÁ.  E o que os miúdos dizem interessa-me. Quero ir para o meio deles. E veio também para o meio de mim, Graças a Deus,  em 1987.

A questão decisiva  para Giussani, à qual dedicou toda a sua acção educativa, a sua vida, é então esta: Cristo: sim ou não? Hoje continua verdade. Quem sabe mesmo o que é o cristianismo? A educação é a rocha de sociedade, das pessoas. A minha pedra angular. Sem ela não vamos muito longe.

 D. Manuel Clemente numa Catequese de Quarema sobre "A alegria do Evangelho enche o coração e a vida inteira". Tarefa de cada um. Já foi tempo em que a Igreja era uma “coisa” de alguns.

Cristo é para mim “sim” ou “não”? Para responder é necessário saber de quem estamos a falar.

Destaco então o capítulo 19 do livro que referi. A mim esclareceu-me, e vejo-me num caminho em que a companhia deste movimento me alegra e me dá um gosto de vida nova. Como deu a S.Paulo, a Santa Teresinha do Menino Jesus e a tantos, como ao Pe Dâmaso que morreu ontem, e que transbordava "Paixão por Jesus", com repetia vezes sem fim. Porquê? Porque a resposta à pergunta é a razoabilidade em Pessoa que enche e transborda do nosso ”coração”, das exigências e evidências que correm e fazem correr a natureza humana. Quem não tem sede de verdade, justiça, bem e beleza? Bons pontos para focar a Quaresma, assim o faço.

  • O que é a religiosidade? «A essência da razão». E qual é a pergunta que se faz mais vezes? «Faço-me tantas». Pode citar uma, pelo menos? «Se Deus deu aos católicos a inteligência, é para a usarem ou fazerem um holocausto dela?»
  • Quando “os tempos são maus”…quer dizer que veio o momento da conversão do coração e da maturidade na fé. [...] A vida vale a pena ser vivida para edificar a glória de Deus, isto é, para construir a humanidade nova na Igreja. Pois bem, em toda a história do cristianismo a condição para construir é o sacrifício, isto é, a cruz …A maturidade da nossa fé - eis a ressurreição.
  • Introdução à realidade, é o que é a educação. A palavra “realidade” está para a palavra “educação” tal como a meta está para um caminho. A meta é todo o significado do andar humano: esta não está presente unicamente no momento em que a empresa se realiza e termina, mas também em cada passo da estrada. Assim é a realidade, que determina integralmente o movimento educativo, passo a passo, e é a sua realização.
  • Infelizmente, a mentalidade laica – Giussani nota que isto é evidente na escola – «não está interessada em dar um contributo para a tomada de consciência efectiva de uma hipótese que explique as coisas unitariamente. O analismo que predomina nos programas abandona o aluno frente a uma heterogeneidade de coisas e a uma série de soluções contrárias entre si que o deixam, consoante a sua sensibilidade, desconcertado e desalentado no meio da incerteza». Em consequência, o jovem «sente, normalmente, a falta de alguém que o guie e que o ajude a descobrir aquele sentido de unidade das coisas, sem o qual ele vive uma dissociação»
  • É precisamente esta constatação que leva Giussani a aprofundar o conceito de autoridade: «A experiência da autoridade surge em nós como um encontro com uma pessoa rica na consciência da realidade; de modo que esta se nos imponha com a revelação e nos traga novidade, espanto e respeito. Da sua parte há uma atracção inevitável, da nossa parte uma inevitável dependência, sujeição». Para Giussani, a autoridade, de uma certa maneira, é o meu “eu” mais verdadeiro. Mas muitas vezes, hoje a autoridade propõe-se e é vista como algo que nos é estranho, que “se acrescenta” ao indivíduo. A autoridade permanece fora da consciência, ainda que talvez seja um limite devotamente aceite»
  • Dentro do percurso educativo, a figura da autoridade é central até accionar a verificação da proposta vinda da tradição e isto só pode ser feito por iniciativa do jovem e por mais ninguém.
16
Fev18

O império dos sem tidos...


Fátima Pinheiro

Levantei hoje a caneta e voltei a escrever neste blog, que esteve parado por razões menores.  E voltei porque o sexo dos homens é  um dos temas que mais me interessa. Somos sexo, dos pés à cabeça. E regresso para dizer umas boas. Faço-o por uma questão de decência. Não basta ter voz para escrever. É preciso conhecer. E para isso há que ter interesse, paixão. O mesmo se passa com o sexo, não basta tê-lo, é preciso sabê-lo, sê-lo. E ser católico é mesmo sexual. Até o olhar, e não apenas o olho, pestanas e rimel. Aliás, é o olhar que pode tornar o olho sexual.

Uma nota Pastoral mesmo a calhar. Obriga a pontos nos is, e de demente só se pode dizer daquele que não quer saber que a Igreja tem “dono”. Pastor. E que tem um nome. Aqui lembro-me do que escreveu Bento Domingues. E Carlos Bobonne. E de Cristo.

Eu sei que o rebanho” desagrada (ou agrada, depende da perspectiva) aos que ainda vivem agarrados ao entendimento de “rebanho” de Nietzsche, que assim adjetivava a moral do cristanismo, por oposição à moral dos senhores, a apontar para os gregos e para o super-homem. Com Heidegger (aspire-se no “h” ou não), já o homem (upps! o da-sein) ser o “pastor do ser”, tudo bem. Foi a loucura dos anos 80 na Faculdade de letras, com o Pe Cerqueira Gonçalves. Loucura que não “acabou”, e que tal tal como o “namorado” de Arendt, não leva a parte nenhuma a não ser a ela própria, à loucura.

Heidegger foi o grito de um sentido, uma poesia que quiz ser mais do que poesia, e que acabou por nem ser filosofia, nem poesia. Mas o homem do Ser e Tempo, escorregou na casca da banana. Ainda bem que, feitas as contas, perdeu para Husserl seu mestre no início, que não  “morreu” e ainda há os que resistem, vivos ou vivos nos livros, e que tenham trazido ao sexo e à sexualidade muito que está aí para ser estudado. O óscar vai para S. João Paulo II que entendeu, como poucos, o que significa a sexualidade (sexo nós pensamos que sabemos muito bem o que é, mas se calhar assim não tanto…), e disse no século XX o que S. Tomás não disse no XIII.

Os “textos” que li a propósito daquela Nota do Patriarca de Lisboa, vêm todos de novos pastores, especialistas em muitos cores businesses. Sim só podia. Igreja e sexo vende bem, e, curiosamente, são assuntos que geram muita escritura, mas que só revela ignorância. Os nossos intelectuais!

Porque me interessa a Igreja? Porque me interesso por Cristo, que a fundou? E Dele quem fala? Fala Francisco. Fala Manuel. E falam de um Cristo que não inventam. Este é que me interessa. Não me interessam Cristos interpretados a bel prazer, aos domingos ou em encontros de gente boa e mediática, mas que não conhece o Cristo. As águas dividem-se. Aqui lembro do que escreveu Rui Ramos. E do que escreveram uns padres  jesuítas.

Não estimo “as bocas" de quem nem sabe do que está a falar. Mas este mundo de subjetivismos – nas melhores e piores versões, de Austers a Gustavos ou Alexandras – é no que dá também . É muito bom. Neste caso, é muito bom mesmo na asneira. É o meu mundo e eu gosto de todos os que nele vivem. Mas se me meto em alhadas  também  delas saio, e sei chamar as coisas pelo seu nome pessoal. O epicurismo é mentiroso e o estoicismo cansa. Isto só vai com amigos. Eu tenho doze e um chama-se Manuel.Não assobio para o lado nem sou a raposa ressentida. Aqui lembro do José Manuel Fernandes.

E Deus viu que era tudo muito bom. É mais vírgula menos vírgula o que relata o Genesis, um livro da Bíblia, como todos sabem. Viva Frederico Lourenço? Viva Tolentino? Sim, vivam. Até há um retiro para pregar ao papa Francisco.

Tenho assitido aos milhares de letras que o sexo e que a Nota pastoral de D. Manuel Clemente tem provocado. Estão em causa vários textos –  estes sim são palavras cruzadas.  Nesta confusão lembro com alegria que a Igreja não nasceu ontem, Ela é feita de Dogma mas também é uma História. Quem tem escrito tem a noção de que o Senhor da Igreja não tem aqui sido nem tido nem achado?

Aos meus caros “pastores” mais ou menos mediáticos: Quem é Cristo?  A  alguns tiro o chapéu. Mas a grande maioria só diz tolices, alguns até revelam desonestidade intelectual.

Francisco e Manuel seguem  Cristo, seguem Outro.  Não são Pastores “à la Carte”, que só seguem o seu umbigo. Há alguém que se interesse por Cristo? Querem Zefirellis ou Pasolini?

Viva-se o sexo à balda! Os resultados estão à vista.

E como se lê no Documento de Francisco, “A Alegria do Amor”, este assunto interessa porque o desejo de família ainda não morreu no coração dos jovens. Jovens que não vi serem  tidos nem achados. Muitos até os matam sem terem nascido. E tem tudo a ver. (to be continued). Ah, chapéu se tire ao observador, onde li muita coisa boa. E aproveito para notar que já é estupido dizer que uma coisa, uma política, por exemplo , é sexy. O que ainda não saiu de moda é dizer "eu cá sou agnóstico". É tão cómodo. Uma espécie de zona de conforto, civilizada e que revela aquele, falso humilde  "quem sou eu para....?". Ai para umas coisas sou e para outras não! Conheço uma rapariga que é divorciada há 15 e casada com o mesmo homem há quase 30. Ele vai na 4ª amante. Um dia  ainda lhe mudo as fraldas...ou sei lá o quê.
06
Jan18

Peço tudo da vida!


Fátima Pinheiro

 

 

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Simples. E  Francisco lembra. Na homilia do dia da Epifania, hoje, o Papa recordou que a estrela de Deus está “sempre presente”, mas há quem prefira seguir “estrelas cadentes” que, em vez de orientar, despistam.

O olhar contenta-se por vezes com pouco. Deixo andar  e não monto o camelo, fico no conforto do lado de cá. Nem sequer me espantam as estrelas do céu da minha varanda. Elas lá e eu cá, quase uma fatalidade. Viver com os olhos postos no céu, é a forma de ultrapassar um Natal do nosso descontentamento, decadente, a seguir luzes, estrelas, que inebriam, mas logo caem e desiludem.

Não desistir da Estrela segura, não cadente, porque não fui feita para menos. E não sou raposa ressentida.

"Há estrelas deslumbrantes, que suscitam fortes emoções mas não indicam o caminho”, disse o papa: "o sucesso, o dinheiro, a carreira, as honras, os prazeres procurados como objetivo da existência. Não passam de meteoritos: brilham por um pouco, mas depressa caem e o seu esplendor desaparece. São estrelas cadentes, que, em vez de orientar, despistam. Ao contrário, a estrela do Senhor nem sempre é fulgurante, mas está sempre presente: guia-te pela mão na vida, acompanha-te.”

 “Não ficar à espera; arriscar. Não ficar parados; avançar. Jesus é exigente: a quem O busca, propõe-lhe deixar as poltronas das comodidades mundanas e os torpores sonolentos das suas lareiras. Seguir a Jesus não é um polido protocolo a respeitar, mas um êxodo a viver.”, lembra Francisco.

E lança o milenar desafio: “Para encontrar Jesus, é preciso perder o medo de entrar em jogo, a satisfação do caminho andado, a preguiça de não pedir mais nada à vida”.

 

26
Dez17

O Papa Francisco é muito esperto!


Fátima Pinheiro

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 Dryer, A palavra

 

O Papa Francisco está sempre com ideias giras e inovadoras. Agora foi neste Natal. Isto vem ao encontro de conversas que temos em todos os Natais. Afinal quando é que é o Natal? Foi ontem? É quando um homem quer? E haverá mesmo Natal? Quando há tanto desentendimento acerca do seu significado, não seria melhor arranjar nomes diferentes para cada um desses significados? O que é certo é que o Natal anda na baila. Todos falamos dele. E cada um de nós é que está certo.

As conversas sobre o Natal dão-se, em geral, antes da Noite de Natal. Umas prendem-se aos kilinhos a mais que vamos ter, e que no começo de ano é que é a ginástica. Outras vão mais longe e sentencia-se o universal: "o mais importante é que haja saúde". Outras conversas entram por discussões acerca da Igreja. E vem o rol do costume: os padres pedófilos, a riqueza e ostentação do Vaticano, a veracidade dos Evangelhos, já conhecemos. E outra sentença: os valores é que interessam. E a inquisição, o ser contra as afirmações da mais pura ciência, tudo da Igreja Católica se diz.

Como se os valores não fossem universais, como se os homens da Igreja - que é um instrumento humano do divino - não fosse suposto errarem. E quanto  à ciência passa-se um pano sobre o facto de ter sido um físico católico a descobrir a teoria do Big Bang, aceite hoje universalmente. E haveria aqui muito para dizer. Ainda bem que isto não acaba hoje.  Acho eu.

O Papa Francisco pega numa verdade milenar e di-la à sua maneira: "O Natal é todos os dias". E partir daqui começa o con-fronto. Não é a vida uma constante  luta para todos? Mesmo para os que dizem que já desistiram...

Desejo Bom Natal para todos, certa de que "a luta continua".

06
Ago17

De nora para avó


Fátima Pinheiro


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 fotografia Rasante

 

Transcrevo uma carta que encontrei ontem no caminho, ia a chegar a casa. Tem a ver comigo e talvez com mais pessoas. Espero que possa chegar ao destinatário, ou se calhar era um rascunho o que encontrei. 

Cara avó Fernanda,

"hoje é o seu dia de anos, é dia de Festa, e é ao que venho. Parabéns! Como não estou aí a festejar, escrevo estas linhas, porque dia de anos é também dia de verdade, e eu agora já não deixo para amanhã o que posso fazer hoje (nem sempre consigo, nem sempre tenho coragem; gostaria de pedir-lhe para a visitar...). E sobretudo porque no sangue dos meus filhos corre sangue da avó. Era só para lhe agradecer os netos que me deu. Refiro em especial a que é escritora, que sei que hoje lhe escreveu mais uma carta, a qual assino de cruz, porque sei o quanto ela gosta de si. E principalmente porque tenho aprendido que a falar é que nos entendemos e, também, que Deus gosta assim, gosta de paz.

Escrevo para lhe pedir desculpa de todo o azedume e cinismo que tive para consigo. Não soube estar à altura. Devia tê-la compreeendido, e ter sabido como a sua vida, muito complexa, a determinou. A sua mãe morreu, era ainda a Fernanda uma criança. O seu pai trocou-a pela madrastra que lhe arranjou e nunca, pelo que sei, quiz saber de si. Depois, vieram as noras, de quem ninguém a podia obrigar a gostar. Do genro sei pouco. Compreendo por isso o que tenha sentido quando aconteceram as separações.

Queria pois agradecer-lhe os netos que me deu. Melhor não poderia ser!!! Cada um deles.  Se um dia eu vier a ter netos, neles também correrá o seu sangue. Alguns terão os seus olhos, outros a sua altura, ou os seus defeitos. Outros ainda, terão a sua determinação e força para estancar os desaires e os momentos difíceis da família. Brincarei com eles ou então vê-los-ei de longe, onde Deus me quiser "por". Ele fará o melhor, como faz sempre. Ele sabe quando. É ele que faz as contas. Melhor: nem são bem contas. O nome D'Ele é Misericórdia, como nos tem ensinado o Papa Francisco. O Francisco que lhe conte o que aconteceu quando se soube que ele tinha escolhido esse nome. Estavamos os dois juntos, a vir do médico.

Fundamental é também agradecer-lhe o resto, que não necessito de lembrar. Tudo aconteceu e acontece para o bem de cada um. Graças também a si, sou uma mullher feliz. E desejo-lhe tanta ou mais felicidade do que a que tenho.

Só mais uma coisa. Há casamentos que nunca existiram. Mas há outros que existiram, simplesmente não foram alimentados. Cada um sabe do seu, e Deus sabe de todos.

 

Um beijinho desta nora que não a adora, mas que a estima e lhe deseja um dia muito feliz, e muita coragem pela sua nova etapa de vida. Quem sou eu para lhe dar conselhos, mas devo dizer-lhe, que da minha pequenina experiência de vida que tenho (já lá vão quase 60, um zero à esquerda comparado com os séculos dos séculos)  e de ter tido e "ter" uma mãe e um pai que desde cedo me mostraram os olhos de Deus, a vida é para abraçar com muito amor. Como lembrou noutro dia uma amiga minha, médica, o sangue por dentro é todo vermelho." 

Bem  haja!

 

 

 

20
Jul17

Começar de novo e contar comigo...


Fátima Pinheiro

É mais  agradável não abordar temas fraturantes. Como por exemplo este último incidente com Gentil Martins. Ou o das barrigas do Ronaldo. Porquê? Simplesmente porque gostamos de estar de acordo uns com os outros. Preferimos os bem legítimos e merecidos momentos de conforto e prazer. Uma boa almoçarada, e se vem à baila  um assunto em que temos ideias diferentes, mudamos de tema e dizemos que é o melhor a fazer. Não tem mal nenhum, é natural. E até por vezes, mesmo sozinhos, decidimos não pensar em certas coisas. A vida dirá, logo se verá, com estas palavras nos auto - justificamos. Há assuntos mais práticos, úteis, e é sobre eles que interessa investir o nosso tempo, automotivamo-nos. Vamos é ser pessoas modernas, abertas e tolerantes, civilizadas e com sagrado respeito pelas ideias dos outros. O pior é que nem sempre há ideias. Por outro lado, a vida encarrega-se de se antecipar. O sofrimento é tramado! Mesmo assim (dou um exemplo) morre alguém, ou acontece Pedrógão, funeral, exéquias, caras de missa de sétimo dia, passam umas semanas, para a frente e a vida continua. Pois continua...

Trago agora o Papa Francisco à colação porque a Igreja Católica, não sendo a única religião, nem a única forma de pensar, é referência milenar. E está sempre debaixo de olho.  Para o bem e para o mal. Chama muito à atenção. Veja-se o interesse que suscitou e suscita este "novo" Papa, por exemplo. E quando se trata de questões morais, nem se fala! Mas a Igreja não é uma moral. Não é não.

Neste ponto há dois pesos e duas medidas. Para dar um exemplo recente, ai Jesus se aparece uma orgia na casa do conselheiro papal! Agora se o nosso Cristiano nega donas Dolores aos filhos que compra, está tudo bem. Temos pena, mas ambos os casos são crime. Não se brinca com inocentes. Todos erramos. A Igreja também. Quando Deus A inventou, sabia muito bem que estava a construir sobre argila. Então não escolheu para Papa um Pedro que O negou três vezes antes de o galo cantar ? Isto não é um mito. Aconteceu mesmo.

Nem tudo o que parece é. Quanto o Papa Francisco apareceu quase todos diziam que ele era um progressista. E a muitos agradou e agrada mais do que um Ratzinger, para dar um exemplo. Agora não é verdade que ele seja um progressista. Ele posiona-se e age é de forma diferente. Na altura, quando ele surgiu, num prós e contras da RTP, tive o privilégio de sublinhar este e  outros aspectos, como se pode ver e ouvir no video acima.

Houvesse alguma dúvida, e para exemplificar com um assunto também sempre na berra, a família, veja-se o que o Papa ensinou sobre o Matrimónio. Foi numa das Catequeses das 4ªs feiras. No essencial podemos sintetizar assim: Francisco é revolucionário e conservador. Como? Aquilo que Ele conserva é que é uma Revolução: "devemos entender o seu (do matrimónio) sentido espiritual, que é deveras excelso e revolucionário, e ao mesmo templo simples, ao alcance de cada homem e mulher que confia na graça de Deus." E no final reconhece que São Paulo tem razão: "trata-se mesmo de um «mistério grandioso»! Homens e mulheres, suficientemente intrépidos para levar este tesouro nos «vasos de barro» da nossa humanidade — homens e mulheres tão corajosos! — constituem um recurso essencial para a Igreja e também para o mundo inteiro. Deus os abençoe mil vezes por isto!"

Ao fim de 56 anos (mais 9 meses na barriga da MINHA D. Dolores, uma espécie de IRS ou IVA), tenho razões suficientes (algumas são referidas no video acima) para ter a certeza que a Igreja Católica é o único lugar onde posso começar de novo e contar comigo. O único lugar onde a morte é encarada de frente, e incinerada ou não, a pessoa continua.  É por isso mesmo que, na horinha, se chama um padre e se parte de uma igreja.  É por isso que respeito o que de mais sagrado cada pessoa tem: a sua liberdade.

31
Mai17

"Parem!"


Fátima Pinheiro

 

 

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fotografia de  Chris Schwarz 

 

"Não há uma verdadeira vontade na luta contra a corrupção”, reconheceu ontem Baltazar Garzón, na sua intervenção nas Conferências do Estoril (29-31 Maio 2017). Também outros três notáveis juízes participaram no evento: Carlos Alexandre, Sérgio Moro e Antonio Di Pietro. Foi mesmo na mouche! Muitos pontos em "is". "Tudo é global, absolutamente tudo. Tudo, excepto quando é preciso fazer justiça", concluiu.

O Papa Francisco, incontornável, enviou uma carta a convidar os participantes nesta iniciativa a "uma mútua e frutuosa partilha de saber e experiência, assente na nossa dignidade comum e o serviço de um futuro necessariamente comum", pedindo ajuda para "vencer o desafio de uma globalização sem marginalização, de uma globalização da solidariedade". 

Já a 3 de Abril passado, no Vaticano, o Papa lembrara que perante o pecado e a corrupção Jesus “é a plenitude da lei”, porque “julga com misericórdia”, ao contrário de juízes corruptos de todos os tempos.

Francisco explicou que existe corrupção quando o pecado “entra na consciência e não deixa lugar nem para o ar”. “Nós também julgamos os outros no coração? Somos corruptos? Ou ainda não? Parem."

Fareeda viu a família ser assassinada, foi vendida como gado e escravizada, sobreviveu para contar a história. A rapariga yazidi que venceu o Estado Islâmico esteve nas Conferências do Estoril. Está sempre a regressar, a reviver  o cativeiro do Estado Islâmico. Foi ontem uma terna e comovente pedra no charco; a Rádio Renasceça entrevistou-a aqui.

Paremos. Paremos e olhemos para Jesus, que julga sempre com misericórdia:  "‘Eu também não te condeno. Podes ir em paz e não peques mais’”, acrescentou o sucessor de Pedro.

10
Mai17

O transplante


Fátima Pinheiro

Transplante é "arrancar de um lugar para plantar em outro." Vem isto a propósito do que se tem passado nas redes sociais, por estes dias. É uma palavra que sintetiza, ilumina e chuta-nos para a frente, cheios de razões. 

As redes sociais fazem já parte da nossa pele. Sei que nem todos o sabem, acham que podem passar sem elas, mas depois, quando vamos a ver, sabem muito para quem diz que não sabe. Mas é certo que  nem todos têm feitio para aqui parar, e reparar, e mais coisas que não vêm agora para aqui chamadas. Eu tenho feitio para isto, sujo as mãos, lavo-as e ganho, perdendo o que não presta e que não faz falta a ninguém. Hoje apeteceu-me escrever um post "O Papa está com Sarampo". Isto porque por vezes aparecem notícias falsas e eu, parva, acredito. É tudo tão rápido, que às vezes não penso; apeteceu-me entrar no jogo. Mas não. Transplanto-me para o lugar onde posso ser mais eu, e onde continuarei a ser igual a cada um. E também lá estarei, ao pé da Azinheira.

Esta semana em que 100 anos de Aparições trazem a Portugal  um homem invulgar, diferente, brincamos. São os pinos de Nossa Senhora (por amor de Deus, D.Januário!), e que o Papa está arrependido de ter dito que vinha, ou que considera inadequada a tolerância de ponto. Até José Miguel Júdice, que nada parece mostrar que percebe de Teologia, fez hoje de teólogo, na TVI 24... 

O que nos vale é que Salvador Sobral que mesmo a precisar dum transplante de coração, canta que, mesmo assim,  o dele pode amar por dois. 

 

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