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Rasante

De tudo um pouco. Cada manhã. Ao sair da pena, bem cedinho. Tudo me interessa.

Rasante

De tudo um pouco. Cada manhã. Ao sair da pena, bem cedinho. Tudo me interessa.

15.08.17

Dogmas há poucos, seu palerma!


Fátima Pinheiro

 

 

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O ano passado, na procissão da Festa da Assunção, na Igreja de Colares

fotografia do meu telemóvel

 

Não me refiro-me a "dogma" no sentido básico do termo, "verdade". Um dogma significa uma verdade. Basta ir ao dicionário. Um quadrado tem quatro lados iguais é uma verdade, um dogma. Quanto a esses, há muitos.

Não é desses que falo agora. Porque hoje a Igreja Católica celebra o dogma da Assunção de Nossa Senhora ao Céu, escrevo sobre dogma neste sentido técnico. Quanto a estes nem chegam a meia dúzia. Estes são proclamados ex-cátedra. Sim, porque mesmo na Igreja há muitos dogmas naquele primeiro sentido. É ir ao Catecismo.

Assunção? Subida ao céu? Em corpo e alma?

Numa época em que corpo ou é idolatrado (corpos Danone, etc.; como se fossemos só casca) ou ignorado e para esquecer (filosofias que afirmam a pés juntos que a dor pode ser sublimada; como se alguma vez a dor fosse uma ilusão), fez e faz falta esta bússola do dia 15 de Agosto. Foi por isso que Igreja o proclamou . Estrela a guiar. A Igreja é Mãe e Mestra. É este um Dogma inventado pelo Vaticano? Não. Dogma quer "apenas" dizer "é assim", e é proclamado ex-catedra porque a força de uma experiência milenar, tra-diz-se cada dia, falando mais alto que todas as mentiras juntas. Um Dogma neste sentido forte não surge do nada mas de uma história milenar. Maria desde sempre foi assim entendida, isto é, sempre foi vista como tendo subido ao Céu em corpo e alma, desde as primeiras comunidades de cristãos. Nem é preciso recorrer à Iconografia.

Subiu Ela e subiremos nós. O resto é conversa miudinha, de quem ainda não entendeu que a força da História fala mais alto que o barulho. Muitos são os que passam a vida a botar discurso, a homologar ou engolir  dogmas por todos os poros, muitos deles tretas relativistas, e chamam-me tótó por acreditar no Dogma da Assunção. "A Igreja é um antro de imoralidade", pedofilia, orgias, etc., e com esta e frases parecidas, pretende-se arrumá-la. Mas a Igreja tem a sua raiz numa questão de conhecimento, de Logos. Não se mede pela moral.

A ignorância é pior que o piolho. Não há honestidade intelectual ser contra ou ignorar ou falsear a História. Sabemos quantos dogmas ex-catedra foram proclamados pela Igreja? Eu por acaso sei. Não é que seja melhor pessoa por isso. Graças a Deus que não sou definida pelas asneiras que faço!!! Apenas cresco e apareco. E um dia vou morrer. Mas to be continued, em corpo e alma. Como Ela.  Se Deus quiser.

 

Exortai-vos cada dia uns aos outros, até ao dia que se chama «Hoje» (Hebr 3, 13). Exortai-vos cada dia uns aos outros, até ao dia que se chama «Hoje» (Hebr 3, 13).

27.03.16

O Nome de Deus é Francisco


Fátima Pinheiro

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Leonardo di Caprio em "O Renascido", imagem tirada da net, a imagem final do filme

 

Cinema não é o tema deste artigo, embora esteja repleto de Revenant, Stalker e Spotlight. Escrevo sim sobre a Páscoa que é mais do que aquilo que mostra o filme “dos padres pedófilos”, como o chamam. Não gostei não, mas não é pelo que se pensa. É por razões apropriadas: a Porta que Bergman refere ao comentar a obra de Tarkovsky.

Spotlight (2015) mostra a investigação feita por uma equipa de jornalistas que usa todos os meios para trazer a verdade ao de cima. É mais um documentário do que um filme propriamente dito. 20 valores. Há contudo um aspeto crucial. Sendo a Igreja ator principal desta história, dela pouco se fica a conhecer no que respeita à sua natureza. Eu sei que o filme não pretende ser uma Suma Teológica, mas acaba por meter a colher em seara alheia. Ou melhor, não consegue meter.

O resultado do filme é a Igreja reduzida aos que praticaram atos monstruosos. O resultado pode ser: “afinal a Igreja é um bando de criminosos, pompas e circunstâncias.” Talvez o Papa Francisco seja outra loiça, etc. Erro gnoseológico: parte-se da premissa de que a Igreja é feita por homens perfeitos. Acontece que Jesus Cristo ao fundar a Sua Igreja sobre Pedro, que o tinha acabado de negar três vezes (e foi isto que os homens de Boston fizeram) sabia muito bem o que estava a fazer. Foi de propósito. A Igreja foi escolhida assim, como um barro que é o instrumento humano do divino. Logo, qualquer objeção à Igreja com base de que ela não tem a pinta do seu fundador, cai por terra. Spotlight mostra de mais e acaba por mostrar de menos. Viro-me então para os outros dois: um filme que não é de vingança, como se diz, filme de um mexicano que quer imitar o artista russo que realizou Stalker. Para chegar assim à Páscoa, à Porta.

Renascido (2015) é sim a história de um pai, de um filho e de uma grande companhia. De um amor que não desiste diante dos maiores obstáculos. O filme é a nossa vida. O grande e o pequeno, a natureza e a história, o dia e noite, o amor e o ódio, o sol e a chuva, a tempestade e a bonança, a mulher e o homem, a musica a dança e o silêncio. É um pedaço de vida que não se conta. Vê-se. Experimenta-se. Depois de meia dúzia de filmes de seguida com Scorcese, Leonardo Di Caprio dá-se na Câmara de Iñárritu. Um mexicano que me foi apresentado recentemente. 

Stalker (Tarkovski,1979): entra-se mudo e sai-se calado. É um murro no estômago. Sou eu, ali. Diante da Porta. Quero entrar? Não há chave, diz Bergman; mas mesmo se houvesse não abriria, continuou Tolentino Mendoça no Domingo ao apresentar este filme (o que escolheria, se tivesse que indicar um de Tarkovsky) no Espaço Nimas. Foi e é preciso a Páscoa. Não há pedofilia que se aguente. Entremos nas “entranhas da Misericórdia”, lembrou há pouco Francisco numa entrevista, um spotlight que é o nome de Deus em ação.

Exortai-vos cada dia uns aos outros, até ao dia que se chama «Hoje» (Hebr 3, 13). Exortai-vos cada dia uns aos outros, até ao dia que se chama «Hoje» (Hebr 3, 13).

14.07.15

Oliveira em 33 dias: MEDIA, PEDOFILIA e mais (12)


Fátima Pinheiro

 

 Manoel de Oliveira/ imagem tirada da net

 

A 15 de Dezembro de 2014, lia-se no Rasante:

«Os nossos media gostam do que vende. A pedofilia na Igreja, por exemplo. Ou José Rodrigues dos Santos. Como se ela existisse só na Igreja; como se o que vende mais é o melhor. Como se nós, leitores,  tivéssemos nascido ontem. Como se não soubéssemos as razões. Não se arranja coisa mais interessante? O mesmo de Manoel de Oliveira. Encontro este último fim-de-semana umas tímidas últimas linhas sobre o “Velho do Restelo”. Na semana em que estreou em Portugal. Não encontrei nada sobre o filme a não ser a enumeração das personagens, e o número 106 em cada esquina. O resto? Copy paste do Variety, na entrevista que lhe fizeram acerca de um mês. É triste.

As notícias gostam é de mexer nas porcarias – o que não acho mal; acho é triste. Entendo que é bom informar também do resto, que não é pouco. Mas o sol não se tapa com a peneira. 

 

Do Prémio Pessoa 2014, o genial Henrique Leitão. Digam-me um artigo ou uma notícia que fale mesmo do essencial. Não peço desculpa, digo mesmo: não chega uma fotografia na primeira página do Expresso (que até se percebe porque é que o melhor que temos no panorama dos media o tivesse feito).»

 

Porcarias na Igreja? Quem sabe o que é a Igreja? Uma senhora muito mazinha da minha terra ia todos os dias à missa. Eu queixava-me à minha mãe. Ela respondia sempre assim: “imagina se ela não fosse à missa, o que seria!” Oliveira na sua filmografia mostra o mesmo.

 

Uma informação parcial  e não-isenta precisa-se. Às vezes a minha querida Amália respondia a perguntas, que exigiam a resposta frontal, desta forma: "Esqueci-me! Esqueci-me!" »

Exortai-vos cada dia uns aos outros, até ao dia que se chama «Hoje» (Hebr 3, 13). Exortai-vos cada dia uns aos outros, até ao dia que se chama «Hoje» (Hebr 3, 13).

15.12.14

Triste o que leio nos media sobre Manoel de Oliveira, mais pedofilia e Henrique Leitão


Fátima Pinheiro

 

 imagem retirada da net

 

Os nossos media gostam do que vende. A pedofilia na Igreja, por exemplo. Ou José Rodrigues dos Santos. Como se ela existisse só na Igreja; como se o que vende mais é o melhor. Como se nós, leitores,  tivéssemos nascido ontem. Como se não soubéssemos as razões. Não se arranja coisa mais interessante? O mesmo de Manoel de Oliveira. Encontro este último fim-de-semana umas tímidas últimas linhas sobre o “Velho do Restelo”. Na semana em que estreou em Portugal. Não encontrei nada sobre o filme a não ser a enumeração das personagens, e o número 106 em cada esquina. O resto? Copy paste do Variety, na entrevista que lhe fizeram acerca de um mês. É triste.

As notícias gostam é de mexer nas porcarias – o que não acho mal; acho é triste. Entendo que é bom informar também do resto, que não é pouco. Mas o sol não se tapa com a peneira. 

 

Do Prémio Pessoa 2014, o genial Henrique Leitão. Digam-me um artigo ou uma notícia que fale mesmo do essencial. Não peço desculpa, digo mesmo: não chega uma fotografia na primeira página do Expresso (que até se percebe porque é que o melhor que temos no panorama dos media o tivesse feito).

 

Porcarias na Igreja? Quem sabe o que é a Igreja? Uma senhora muito mazinha da minha terra ia todos os dias à missa. Eu queixava-me à minha mãe. Ela respondia sempre assim: “imagina se ela não fosse à missa, o que seria!” Oliveira na sua filmografia mostra o mesmo.

 

Uma informação parcial  e não-isenta precisa-se. Às vezes a minha querida Amália respondia a perguntas, que exigiam a resposta frontal, desta forma: "Esqueci-me! Esqueci-me!"

Exortai-vos cada dia uns aos outros, até ao dia que se chama «Hoje» (Hebr 3, 13). Exortai-vos cada dia uns aos outros, até ao dia que se chama «Hoje» (Hebr 3, 13).