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Exortai-vos cada dia uns aos outros, até ao dia que se chama «Hoje» (Hebr 3, 13). Renovai-vos pela transformação espiritual da vossa inteligência e revesti-vos do homem novo (Ef 4, 23-24).

Rasante

De tudo um pouco. Cada manhã. Ao sair da pena, bem cedinho. Tudo me interessa.

Rasante

De tudo um pouco. Cada manhã. Ao sair da pena, bem cedinho. Tudo me interessa.

20
Jul17

Começar de novo e contar comigo...


Fátima Pinheiro

É mais  agradável não abordar temas fraturantes. Como por exemplo este último incidente com Gentil Martins. Ou o das barrigas do Ronaldo. Porquê? Simplesmente porque gostamos de estar de acordo uns com os outros. Preferimos os bem legítimos e merecidos momentos de conforto e prazer. Uma boa almoçarada, e se vem à baila  um assunto em que temos ideias diferentes, mudamos de tema e dizemos que é o melhor a fazer. Não tem mal nenhum, é natural. E até por vezes, mesmo sozinhos, decidimos não pensar em certas coisas. A vida dirá, logo se verá, com estas palavras nos auto - justificamos. Há assuntos mais práticos, úteis, e é sobre eles que interessa investir o nosso tempo, automotivamo-nos. Vamos é ser pessoas modernas, abertas e tolerantes, civilizadas e com sagrado respeito pelas ideias dos outros. O pior é que nem sempre há ideias. Por outro lado, a vida encarrega-se de se antecipar. O sofrimento é tramado! Mesmo assim (dou um exemplo) morre alguém, ou acontece Pedrógão, funeral, exéquias, caras de missa de sétimo dia, passam umas semanas, para a frente e a vida continua. Pois continua...

Trago agora o Papa Francisco à colação porque a Igreja Católica, não sendo a única religião, nem a única forma de pensar, é referência milenar. E está sempre debaixo de olho.  Para o bem e para o mal. Chama muito à atenção. Veja-se o interesse que suscitou e suscita este "novo" Papa, por exemplo. E quando se trata de questões morais, nem se fala! Mas a Igreja não é uma moral. Não é não.

Neste ponto há dois pesos e duas medidas. Para dar um exemplo recente, ai Jesus se aparece uma orgia na casa do conselheiro papal! Agora se o nosso Cristiano nega donas Dolores aos filhos que compra, está tudo bem. Temos pena, mas ambos os casos são crime. Não se brinca com inocentes. Todos erramos. A Igreja também. Quando Deus A inventou, sabia muito bem que estava a construir sobre argila. Então não escolheu para Papa um Pedro que O negou três vezes antes de o galo cantar ? Isto não é um mito. Aconteceu mesmo.

Nem tudo o que parece é. Quanto o Papa Francisco apareceu quase todos diziam que ele era um progressista. E a muitos agradou e agrada mais do que um Ratzinger, para dar um exemplo. Agora não é verdade que ele seja um progressista. Ele posiona-se e age é de forma diferente. Na altura, quando ele surgiu, num prós e contras da RTP, tive o privilégio de sublinhar este e  outros aspectos, como se pode ver e ouvir no video acima.

Houvesse alguma dúvida, e para exemplificar com um assunto também sempre na berra, a família, veja-se o que o Papa ensinou sobre o Matrimónio. Foi numa das Catequeses das 4ªs feiras. No essencial podemos sintetizar assim: Francisco é revolucionário e conservador. Como? Aquilo que Ele conserva é que é uma Revolução: "devemos entender o seu (do matrimónio) sentido espiritual, que é deveras excelso e revolucionário, e ao mesmo templo simples, ao alcance de cada homem e mulher que confia na graça de Deus." E no final reconhece que São Paulo tem razão: "trata-se mesmo de um «mistério grandioso»! Homens e mulheres, suficientemente intrépidos para levar este tesouro nos «vasos de barro» da nossa humanidade — homens e mulheres tão corajosos! — constituem um recurso essencial para a Igreja e também para o mundo inteiro. Deus os abençoe mil vezes por isto!"

Ao fim de 56 anos (mais 9 meses na barriga da MINHA D. Dolores, uma espécie de IRS ou IVA), tenho razões suficientes (algumas são referidas no video acima) para ter a certeza que a Igreja Católica é o único lugar onde posso começar de novo e contar comigo. O único lugar onde a morte é encarada de frente, e incinerada ou não, a pessoa continua.  É por isso mesmo que, na horinha, se chama um padre e se parte de uma igreja.  É por isso que respeito o que de mais sagrado cada pessoa tem: a sua liberdade.

Exortai-vos cada dia uns aos outros, até ao dia que se chama «Hoje» (Hebr 3, 13). Exortai-vos cada dia uns aos outros, até ao dia que se chama «Hoje» (Hebr 3, 13).
07
Jun16

Senhor Presidente: e os afectos numa barriga de aluguer?


Fátima Pinheiro

marcelo.jpg

Uma mulher sem importância e um Presidente afectuoso

Fotografia de Rui Ochoa

 

 

Pois é. Agora - de barriga de aluguer na agenda - a porca torçe o rabo. Concerteza que sim, o Presidente da República é-o de todos os portugueses, concilia, previne e tudo o mais, o que é bom, o bem comum. Sabemos. Agora preciso de saber, de ouvir da sua boca se acha que é para o bem de uma mulher alugar-se, ser realmente, ontologicamente, MÃE, e depois deixar de o ser? E um filho ser arrancado ao lugar onde foi gerado? Ou Aristóteles já não vale? Se não, é como dizer (e pior ainda) que o Direito de hoje nada tem a ver com o direito Romano. Um Presidente de afectos não se despiu da pele de homem. Ou despiu?

 

Com todo o respeito que lhe devo e merece, pode até chutar a bola. Mas não sem antes DIZER o que pensa deste assunto. Senão é um igualzinho ou pior que os outros.  Ou afinal é só conversa esta cena dos afectos? Ou afinal è à vontade do freguês? Ou andarei distraída? Eu sou a favor do que nos liberta da ditadura dos pseudo-afectos, vestidos e convencidos das mais boas intenções. Há pessoas que não podem ter filhos, e sofrem muito com isso, eu sei. Mas o que sofrem não é resolvido por um expediente  do género dá cá aquela palha. Sem uma razão que valha a pena, em nada contribuimos para construir uma sociedade humana. Então é preciso gritá-lo. Baixinho, mas prenho e cheio de razões adequadas, à altura do Portugal que sempre desejei. À altura de cada pessoa. Não é esta uma boa causa?

 

Exortai-vos cada dia uns aos outros, até ao dia que se chama «Hoje» (Hebr 3, 13). Exortai-vos cada dia uns aos outros, até ao dia que se chama «Hoje» (Hebr 3, 13).
03
Dez14

Transcendência? Não obrigada?


Fátima Pinheiro

 

 

     imagem  do filme "Nostalgia" (1983) de Andrei Tarkovski

 

As recentes semanas bem podem ser chamadas de semanas da dignidade humana. Até António Costa no Congresso do PS a gritou a berrar, citando, também, a “bengala” Papa Francisco, que a ela se referiu como um dos pilares esquecidos de uma Europa “avó” e “envelhecida e engelhada” embrulhada em burocracias e tecnicismos, em números e discursos numa linha de "cultura do descartável" e de "consumismo exacerbado" (no Discurso do dia 24 no Parlamento Europeu).

 

Ontem foi o apelo do sucessor de Pedro, num encontro, na sede da Academia Pontifícia das Ciências, com os vários líderes religiosos mundiais numa declaração comum pela erradicação da escravatura até 2020 e para sempre. Francisco qualificou como crime de lesa humanidade todas as formas de escravatura moderna: “Trabalharemos juntos para erradicar o terrível flagelo da escravidão moderna, em todas as suas formas: a exploração física, económica, sexual e psicológica de homens, mulheres e crianças acorrenta dezenas de milhões de pessoas à desumanização e à humilhação”. Na cerimónia do acordo, estiveram líderes anglicanos, muçulmanos, hindus, budistas, judeus, ortodoxos e católicos, que assinalaram desta maneira o Dia Mundial para a Abolição da Escravatura. 

 

Soares veio também em socorro da dignidade humana, a de José Sócrates. Sim porque os outros, melhor, alguns, são apenas uma “cambada”.

 

Ao falar de dignidade humana importa compreender as razões dessa mesma dignidade. Onde estão as razões da dignidade humana? Ou é sim porque sim? Francisco é claro, mas entre os nossos e os 23 aplausos que interromperam o seu discurso no Parlamento Europeu, bem pode dizer que "cada ser humano é imagem de Deus. Deus é amor e liberdade, que se doa em relações interpessoais, de modo que cada ser humano é uma pessoa livre, destinada a existir para o bem de outros, em igualdade e fraternidade", que nós bem olhamos para o lado e assobiamos.

 

Mas alguma vez eu admito uma razão superior à minha? Era o que faltava. Deus sim, se for um Deus deduzido a esquadro e régua, um “Arquitecto” que cabe nos meus traços iluminados e iluministas. Quem me tira a minha maioridade intelectual?

 

Assobio enquanto Francisco propõe uma viagem às raízes religiosas e defende a liberdade de culto. "Queridos eurodeputados, chegou a hora de construir juntos a Europa que gira não em torno da economia, mas da sacralidade da pessoa humana, dos valores inalienáveis; a Europa que abraça com coragem o seu passado e olha com confiança o seu futuro, para viver plenamente e com esperança o seu presente".

 

Bem lembrou Dostoievski que um dos sinais de humanidade é a inquietação META-FÍSICA, e Maurice Blondel que, em 1893, gritou alto e a bom som que, por aquela razão de Imagem e Semelhança, o Cristianismo é superior à razão, embora em nada lhe seja contrário.

Exortai-vos cada dia uns aos outros, até ao dia que se chama «Hoje» (Hebr 3, 13). Exortai-vos cada dia uns aos outros, até ao dia que se chama «Hoje» (Hebr 3, 13).
29
Ago14

Política: bem comum ou bolsos particulares?


Fátima Pinheiro

fotografia da net

A Platão e Aristóteles regresso, para não ir mais longe e para partir do sistemático. Duas visões do que é o "político". Passo ainda por Camus, pelo seu fabuloso discurso de aceitação do Nobel da Literatura, no qual cada frase é uma bomba, uma mão cheia de humanidade. Plena de "essenciais". É bom ler, reler e "usar". Aqui: http://youtu.be/M5QD-32MCv4. Camus aqui, para uma boa politíca? Sim, porque como ele reconhece, o verdadeiro artista não se põe acima dos outros homens, mas, com a sua geração, luta por uma comunidade vivente onde viver e morrer sejam dignos. Reconciliando trabalho e cultura, a arte tem a dupla e nobre tarefa, um duplo compromisso difícil de manter: a recusa de mentir acerca daquilo que se sabe; e a resistência à opressão.Também a arte está ao seviço da verdade e da liberdade, e o artista é um justo e um apaixonado pela justiça.

A nossa geração, continua o nobel, recusa o niilismo reinante, mas não vai conseguir refazer o mundo. Tem contudo uma tarefa ainda maior. Herdeira de uma civilização morta, vivendo um instante mortal (aqui Camus refere a 1ª e a 2ªguerra mundiais; as revoluções impotentes, as técnicas tornadas loucas; os ideais mortos; as ideologias exaustas; os poderes mediocres que tudo podem destruir, mas já não sabem convencer; a inteligência que se reduz a servir a opressão...), a nossa geração tem a vocação, não de ser optimista, mas sim a vocação de impedir que o mundo se disfaça.

Sim, não é Steiner - por muito que diga verdades - que, homologando Adorno, me vem decretar que a arte virou tetraplégica. Nem é a urgência que pode fazer da política um affair de Mercearia. Artistas e políticos são homens iguais aos outros. Neste ponto Camus, mais uma vez, não cessa de reconhecer os seus e os meus limites. Mas a vocação é a palavra chave. Caimos? Levantamo-nos.

A modernidade no seu Lado B possibilitou um solipsismo que insiste em impedir o Lado A da Política. Que nos dias de hoje - e salvo raras excepções - a Política seja o que se experimenta ("estão mexendo no meu bolso") não é de hoje. Mais do mesmo. Mas como me disse um sábio amigo no dia 23 de Abril do anos passado; "é preciso acreditar". Foi na Foz, e nunca mais me esqueci.

Com efeito como se pode trabalhar para o "bem comum", se por "bem" se entende já não nada em que se "acorde"? Somos tantos, e cada um com a sua postura! Conquista revolucionária que bem caro temos vindo a pagar. O relativismo - todas as concepções têm igual valor - tem vindo a ganhar terreno. Tudo se afirma pela diferença, tudo tem igual "valor". Longe os tempos dos valores universais que apenas cabem no paradigma actual em que vivemos como cabides sem vestuário. Ou ossos sem carne. Todos defendem igualdade, liberdade, fraternidade, amor, justiça, paz, beleza, justiça, e a dignidade da pessoa humana. E o que se entende por tudo isto? As coisas mais diversas. Uma taça, mas uma taça vazia. É o bem comum que acabamos por ir tendo. Um desejo vazio, uma intenção de construção, uma saudade de ideais. Não há "comum" para além deste. Se houvesse como tudo seria diferente! Restam-nos os bolsos onde pomos o que queremos ou podemos. O que fazer?

Falta Filosofia. Falta uma reflexão que vá ao mundo inteligível da "República", ou às primeiras causas e princípios da Metafísica do Estagirita. Platão e Aristóteles. Mais os incontornáveis da Filosofia Política. Porquê? Porque sem reflexão não há acção digna do homem. Já nos esquecemos que o homem é um animal político? E que o homem só é humano se o "seu" animal não for um "lobo", mas antes um "convivente" fraterno e solidário. Mas as urgências costumam abafar ócios. Ficamos apenas com uma sociedade ou mundo de negócios, capazes das maiores monstruosidades. Assim não vamos longe.

O risco que se corre é o de vivermos em brandos lumes e fogueiras arbitrárias e indiferentes. Sem alma. Apenas de corpos que se agitam sem se saberem mover. Confunde-se vida e vivacidade. "Ganha" o que fala melhor, ou o que tem melhor imagem, mais dinheiro. Não interessa tanto o que se vende mas o "como" se vende.

Interessa sobretudo uma algibeira bem provida. Para me guardar, proteger e iluminar. Já não interesa ser virtuoso. Quase ninguém quer ser virtuoso. "Nem morto!", costuma dizer-se. Sobretudo aqueles para quem os limites são um obstáculo e não uma oportunidade.
Exortai-vos cada dia uns aos outros, até ao dia que se chama «Hoje» (Hebr 3, 13). Exortai-vos cada dia uns aos outros, até ao dia que se chama «Hoje» (Hebr 3, 13).
21
Jul14

ONU «resolve» fazer Peditório para Gaza!


Fátima Pinheiro

Gaza and Company em sangue. O Conselho de Segurança da ONU preocupado! Pois, eu percebo. Urgente reunião (mais uma). Pede um cessar-fogo imediato na Faixa da Gaza. Mas isto a pedir não vai lá. É muito jogo de computador, muito pentágono, estratégia, simulação. Era melhor quando se brincava aos índios e cowboys.

E não me venham com a conversa dos números: nas últimas 24 horas – para não ir mais longe - morreram 72 palestinianos, israelitas 13. Nem que fosse 1. A não ser que as pessoas sejam números. Como de facto é assim, somos números; então a narrativa continua: esta manhã foram mais dez palestinianos assassinados.

Perguntam-me: “de que lado estás, de um ou do outro?” Eu respondo: sim. Foi assim que aprendi. E sei que cada pessoa vale tudo. É este sim o argumento. Tudo o mais é ambição, birra, e monstruosidade. É agir sem usar a “razão”.

Sentem-se. Ok. Mas ponham-se na mesa TODOS os factores, mesmo todos, e resolva-se. Mas uma resolução que seja HUMANA. E humana para cada pessoa.

Andamos mesmo a brincar. Chamem-me ingénua. Mas na História está mais que provado que o poder e a política fazem o que bem e mal entendem. Se é isto que queremos…

ONU: Preocupada? Reuniões? Resoluções? Tudo bem. Peçam, peçam. Eu só posso pedir JUÍZO. Para quem? Para os meus…(ia a dizer irmãos)…e para mim, claro. Há verbos muito fracos. Eu sei, é como o Direito Internacional, que não é Direito nenhum mas “uma consciência tranquila”, aparente, do género: para agradar ao chefe.
Exortai-vos cada dia uns aos outros, até ao dia que se chama «Hoje» (Hebr 3, 13). Exortai-vos cada dia uns aos outros, até ao dia que se chama «Hoje» (Hebr 3, 13).

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