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Rasante

De tudo um pouco. Cada manhã. Ao sair da pena, bem cedinho. Tudo me interessa.

Rasante

De tudo um pouco. Cada manhã. Ao sair da pena, bem cedinho. Tudo me interessa.

27.10.14

Frei Bento Domingues já não acredita no Papa Francisco.E eu?


Fátima Pinheiro

                                 Sergio Cerchi/imagem da net

 

Li ontem o artigo de Frei Bento Domingues, onde o colunista se centra nas razões que o levam a já não acreditar no Papa Francisco. E nisso refere em abundância o recente Sínodo. Está aqui:

 

http://www.publico.pt/mundo/noticia/eu-ja-nao-acredito-no-papa-francisco-1674128

 

Ambos pertençemos à mesma Igreja. Tenho também a minha ideia do Papa Francisco. Tenho as minhas razões, que continuam ainda mais acesas depois de ter acompanhado, na medida do possível, este recente e extraordinário encontro dos "nossos" bispos que, como disse o Papa, estão neste "trabalho" para servirem a Igreja, e não para serem donos da Igreja  "Mãe e Mestra" (Encíclica do Papa João XXIII sobre a evolução da Questão Social à luz da Doutrina Cristã).

 

Pareceu-me que a beatificação de Paulo VI, incomodou Frei Bento Domingues. Tinha de ter acontecido longo ontem! Foi como se isso viesse a atrasar aggiornamentos. Mas para não me desviar agora no caminho, deixo o que penso deste Papa Francisco, aqui: 

 

http://youtu.be/RhfNYlQrHGk

 

 

Exortai-vos cada dia uns aos outros, até ao dia que se chama «Hoje» (Hebr 3, 13). Exortai-vos cada dia uns aos outros, até ao dia que se chama «Hoje» (Hebr 3, 13).

19.10.14

O Papa Francisco è mobile


Fátima Pinheiro

 

     "Cristo" e Pasolini, na rodagem  de "O Evangelho segundo Mateus" (1964) - imagem da net

 

Os bispos são servos de Cristo, e não uma espécie de donos da Igreja, palavras do Porta voz do Vaticano em conferência de imprensa à saída da Assembleia sinodal extrordinária, justamente para preparar o Sínodo da Família que se realizará em 2015. O pe Frederico Lombardi apresentava assim, anteontem, o Documento de trabalho, que o Papa Francisco quiz publicar, o que até agora ainda não tinha acontecido neste tipo de reuniões episcopais. Em 63 pontos, para que conste. Preto no Branco. Quem votou o quê. As questões fracturantes: uniões civis, acesso dos recasados aos sacramentos, homosexualidade. Designo-as como questões estruturantes. A vida, não sendo um puzzle, é um organismo. Assim a Igreja, que é uma vida e, como tal, está sujeita a reajustes naturais.

 

O papa Francisco, também homem da Companhia de Jesus, terá como o Papa Negro muito a aprender do amor por uma Igreja que se identifica com o Evangelho: Os Bispos são chamados a ir ao encontro de todos, sem excepção, frisou ainda Lombardi. É que Cristo não se inventa au fur et à mesure. É aquilo que é: o Mesmo,  ontem, hoje e amanhã. Nem Pasolini, ateu confesso, se pôs a inventar. Antes pelo contrário, o que nos mostrou foi o mais belo Cristo da História do Cinema. Também a preto e branco. O que, finalmente, não passou ao lado do Vaticano. O jornal L'Osservatore Romano, afirmou recentemente que se trata do melhor filme já feito sobre a vida de Jesus. A obra foi digitalizada pela filmoteca do Vaticano.

 

Este encontro dos bispos encerrou ontem solenemente com a Beaticação de Paulo VI, o homem que abriou e concluiu os trabalhos do Concílio Vaticano II. Todos os caminhos vão dar a Roma. Cristo não tem "lados", é um todo que não se divide mas antes se multiplica. Diante d'Ele revelam-se os corações, sempre ouvi dizer. E é verdade.

 

Exortai-vos cada dia uns aos outros, até ao dia que se chama «Hoje» (Hebr 3, 13). Exortai-vos cada dia uns aos outros, até ao dia que se chama «Hoje» (Hebr 3, 13).

19.10.14

O Papa Francisco: preto no branco


Fátima Pinheiro

 

     Cristo,  de "O Evangelho segundo Mateus" (1964) de Pier Paolo Pasolini - imagem da net

 

Os bispos são servos de Cristo, e não uma espécie de donos da Igreja, palavras do Porta voz do Vaticano em conferência de imprensa à saída da Assembleia sinodal extrordinária, justamente para preparar o Sínodo da Família que se realizará em 2015. O pe Frederico Lombardi apresentava assim, ontem, o Documento de trabalho, que o Papa Francisco quiz publicar, o que até agora ainda não tinha acontecido neste tipo de reuniões episcopais. Em 63 pontos, para que conste. Preto no Branco. Quem votou o quê. As questões fracturantes: uniões civis, acesso dos recasados aos sacramentos, homosexualidade. Designo-as como questões estruturantes. A vida, não sendo um puzzle, é um organismo. Assim a Igreja, que é uma vida e, como tal, está sujeita a reajustes naturais.

 

O papa Francisco, também homem da Companhia de Jesus, terá como o Papa Negro muito a aprender do amor por uma Igreja que se identifica com o Evangelho: Os Bispos são chamados a ir ao encontro de todos, sem excepção, frisou ainda Lombardi. É que Cristo não se inventa au fur et à mesure. É aquilo que é: o Mesmo,  ontem, hoje e amanhã. Nem Pasolini, ateu confesso, se pôs a inventar. Antes pelo contrário, o que nos mostrou foi o mais belo Cristo da História do Cinema. Também a preto e branco. O que, finalmente, não passou ao lado do Vaticano. O jornal L'Osservatore Romano, afirmou recentemente que se trata do melhor filme já feito sobre a vida de Jesus. A obra foi digitalizada pela filmoteca do Vaticano.

 

Este encontro dos bispos encerra hoje solenemente com a Beaticação de Paulo VI, o homem que concluiu os trabalhos do Concílio Vaticano II. Todos os caminhos vão dar a Roma. Cristo não tem "lados", é um todo que não se divide mas antes se multiplica. Diante d'Ele revelam-se os corações, sempre ouvi dizer. E é verdade.

 

Exortai-vos cada dia uns aos outros, até ao dia que se chama «Hoje» (Hebr 3, 13). Exortai-vos cada dia uns aos outros, até ao dia que se chama «Hoje» (Hebr 3, 13).

17.10.14

Absolute beginner


Fátima Pinheiro

          

         Fernando Santos e Agustina Bessa-Luís, imagens da net

 

Assino todas as linhas do "Absolute beginners", de David Bowie. O momento presente destaca-se, entre outros, pelas recentes cartas políticas, pelas eleições, pelos acidentes da governança, pela nova Europa, pelos costumeiros escrutínios das vidas públicas e privadas dos que se perfilam a candidatos... Passa também pelo Sínodo da família e alegada prova ao Papa que agrada a todos, e ainda pelo novo treinador da seleção nacional, Fernando Santos. Quando digo “destaca-se” quero aqui dizer que é isso que tem chamado a atenção. O resto é paisagem. Mas eu não fico num canto, qual virgem ofendida. Acredito nas nossas escolhas, mesmo com as que eu não concordo. Porque nas inversões de valores, ou de atenções, está um trampolim para outros voos. Para uma erradicação da "pobreza".

 

Sei que o que está a dar é o golo. E assim é que é. Para Fernando Santos também. E ele não está a pensar só no futebol. Mas se a vida é também um “futebol”, então vamos a isso. Como se marcam os golos na vida? Principiantes absolutos. Virgens. Nada na manga. Com olhos completamente abertos. Por isso voamos bem acima das montanhas, rimo-nos do oceano. Não há razões para enfatizar os dias difíceis: "If my love is your love , we're certain to succeed." O amor? É correr com o coração. Caso contrário estou condenada a ficar sentada no banco dos suplentes.

 

Bombástica como sempre, Agustina Bessa-Luís, celebrada há dias na Fundação Gulbenkian, uma absolute beginner, com muito pouco para oferecer : “Eu não me levo muito a sério. É a melhor maneira de viver. Aquele que se leva a sério está sempre numa situação de inferioridade perante a vida.” Diz-me "tu", Sibila.

Exortai-vos cada dia uns aos outros, até ao dia que se chama «Hoje» (Hebr 3, 13). Exortai-vos cada dia uns aos outros, até ao dia que se chama «Hoje» (Hebr 3, 13).

16.10.14

Não foi por causa da secretária que o meu marido me deixou


Fátima Pinheiro

   4.10.2014 Fátima Pinheiro/  MR@MIGUELRIBEIROPHOTO.COM

 

Nestas coisas a dois, ou dão os dois para a caixa, ou a coisa fica torta. Vem isto agora porque no meu facebook dei com um texto de um grupo de jovens casais católicos. Genial! Dizem como eu não saberia dizer. Por isso o transcrevo. Rasantes, não querem uma Igreja que mude com o mundo, mas uma Igreja que mude o mundo (Chesterton). E muito oportunos, enquanto em Roma decorre o Sínodo da família.

 

Cada um faz da sua vida o que quiser. No sentido em que temos razões, sentimentos e uma vontade que serve para consentir. Eu escolhi a Igreja Católica, ou, melhor foi Ela a mim. Não que seja melhor que os outros. Sei de mim o que faço e argoladas tenho feito e farei muitas. E até esta é uma das razões porque esta Igreja é mais humana que as outras. Não se venha agora com a coisa: fazes, confessa-te, e pronto. Toda a gente sabe que isso é batota. Mas até a batota “cabe” na Igreja de Pedro, que negou Cristo muito mais que três vezes. Mas tal como ele, também eu não digo como a raposa disse das uvas maduras: “são verdes, não prestam”. Não meço o que quero para a minha vida pelos meus “conseguires”. Todos, católicos e não católicos, somos feitos da mesma massa. A Igreja Católica não é uma moral mas sim uma presença que muda. Ai tanta ignorância sobre estes assuntos, sobre esta vida. 

 

Apesar de não ser jovem, de o meu casamento ter agora outra cara, assino então por baixo, porque quero ser católica mesmo. É no pertencer a esta família que encontro as razões do meu viver.

 

“No artigo publicado no passado dia 14 de Outubro, o jornal I quis saber como vivem e pensam os jovens casais católicos de hoje. Para ajudar a cumprir o propósito do artigo, vimos por este meio apresentar-nos: somos jovens casais católicos de hoje, unidos pelo Sacramento do Matrimónio, fiéis à doutrina da Igreja. Passamos a explicar:

 1)Somos casais, homem e mulher, baptizados, que aderiram a Cristo por Amor, em total liberdade. E esta adesão é completa porque, para nós, Amar implica uma experiência de entrega total, sem reservas ou limites: por isso frequentamos regularmente os Sacramentos e participamos activamente das comunidades e Movimentos a que pertencemos.

2) Entendendo o Amor como a nossa vocação, ou seja, aquilo para que fomos chamados, e tendo como exemplo máximo Cristo que morreu por nós na Cruz, para nós o Sacramento do Matrimónio não pode significar uma entrega menor que esta. Por isso, com Deus, tornamo-nos um só, uma só carne, até que a morte nos separe.

3) Sabemos que a sexualidade é parte integrante do nosso corpo e que, tal como ele, é boa e foi criada por Deus. Sabemos que não temos um corpo, mas que somos um corpo, e o sexo para nós só faz sentido se corresponder a uma entrega total por amor: livre, aberto a todas as suas consequências, sem reservas, uma experiência de comunhão total entre 2 pessoas. Menos do que isto não queremos.

Trocado por miúdos, dispensamos as pílulas, os preservativos e tudo o que poderia distorcer esta união livre. Não queremos ser objectos sexuais, queremos amar e ser amados. E não queremos excluir Deus desta parte da nossa vida. Para nós, o sexo tem tanto de humano como de divino. Os casais católicos de hoje são sem dúvida muito exigentes neste assunto.

4)Sim, estamos abertos à procriação, porque consideramos que a Vida é um dom. Os filhos são os frutos do nosso amor e não faria sentido negá-los, adiá-los ou planeá-los com a leveza de quem projecta umas férias ou a compra de uma casa. Viver assim, em generosidade, traz-nos uma alegria imensa. Mas sabemos que as circunstâncias da vida nem sempre são fáceis. E por essa razão procuramos conhecer o nosso corpo, estudar em casal a fertilidade da mulher, e os métodos naturais que melhor se adaptarem a nós nessas alturas difíceis. Mas a generosidade mantém-se. Os bebés, para nós, nunca são persona non grata.

5)Por último, era bom que fosse, mas nada disto veio da nossa cabeça. Veio do Novo Testamento, das encíclicas dos Papas (Humanae Vitae, Familiaris Consortio, ...), das catequeses do Papa João Paulo II que deram origem à Teologia do Corpo, e do próprio Catecismo, que estabelece inequivocamente, apesar de V.Exas. não terem publicado no fim do artigo, que: "a sexualidade é fonte de alegria e de prazer. (...) foi o próprio Criador quem estabeleceu que, nesta função, os esposos experimentassem prazer e satisfação do corpo e do espírito."

Serve esta carta aberta para dar testemunho real de casais jovens que vivem de acordo com aquilo que a Igreja lhes pede. Não faz sentido querer fazer uma entrevista a um maratonista e para tal inquirir uma pessoa que faz jogging aos sábados de manhã.

Queremos dizer que é possível e que desejamos que todos os casais sejam tão felizes como nós somos, apesar das dificuldades que possam surgir"  http://samuraisdecristo.blogspot.pt/2014/10/resposta-de-jovens-casais-catolicos-ao.html

 

 

 

 

 

Exortai-vos cada dia uns aos outros, até ao dia que se chama «Hoje» (Hebr 3, 13). Exortai-vos cada dia uns aos outros, até ao dia que se chama «Hoje» (Hebr 3, 13).

15.10.14

Eduardo Lourenço: rasante a Agustina Bessa-Luís


Fátima Pinheiro

 

Eduardo Lourenço dá-nos hoje, ao final do dia, a chave que abre a beleza, riqueza e complexidade do aparente “Mundo fechado” (1948) de Agustina. Mundo dele e dela. E meu também. Será a última intervenção do Congresso que a Fundação Calouste Gulbenkian acolheu, ontem e hoje. Múltiplas foram as reflexões sobre, entre outros temas, o divino e o religioso em Agustina Bessa-Luís.  De difícil leitura, a obra desta rainha ou génia do norte, abre-nos um mundo solar cuja densidade tudo encerra. E por tudo conter é paradoxal, como o é a cinematografia de Oliveira. Foi alíás ele que ma apresentou. “Gémeos falsos”, coincidem em cada canto. Destaco “Vale Abrãao”, que ela escreve em 1991 e ele adapta em 1993. Foi a ela que o cineasta pediu uma “bovarinha” mais nossa. A mão foge-lhe logo para a caneta. E Ema chega-nos assim num filme obrigatório. Destaco ainda “A ronda da noite”, romance de 2006, que Oliveira gostaria de incluir num dos projectos que tem em mão, que é também o título de um dos quadros de Rembrandt.

 

Eduardo Lourenço falará sem papéis, num discurso sempre novo, sem esquema nem etiquetas. Com a virgindade dum olhar que não acaba, um olhar que com nada se escandaliza, tudo encerra e tudo dá. Ele? Um absolute beginner...E tenho a certeza que, neste caso, a sua fonte é incerta, mas poderosa, duma pobreza pródiga da riqueza de sentido. Com plena consciência da vertigem em que vivemos, por entre as trilogias de amores frustrados, a norte e a sul, não nos facilitará a vida. Mas dá-nos o que mais precisamos. É como se estivesse no Sínodo da família, a decorrer ainda em Roma. Tanto disparate tenho lido estes dias sobre a Igreja, sobre as famílias, sobre a liberdade, sobre sexualidade. Mas por que se fala tão superficialmente, quando tudo é mais simples: parar, escutar e olhar. Mas não, falar de cor e no joelho, do é assim porque se diz que é assim, é o que tenho visto. Escrevam livros, sei lá, sobre doçaria conventual portuguesa.E a pergunta a que se foge, como diabo da cruz: “o que quero?” Devolve-me os laços, devolve-me a mim mesmo. Estreia absoluta; esta, a de uma liberdade provocadora.  E como Eduardo não fala sem mais nem porquê, terá já pedido a Agustina: diz-me “tu” quanto vale Abrãao!

 

O que nos valeu Caim, sabemos muito bem. E o que vence a morte, já o devíamos saber há muito. Mas “quero lá saber”, diz Leonor Silveira, a Ema presa à gaiola de uma vida que corre para a felicidade, aquilo que mais deseja. Mas a felicidade que a bovarinha tanto quer, insiste em não se dar no barulho da sua vida agitada. “Ó menina, não diga disparates”, diz-lhe um dia uma das suas criadas. Ema nem a ouve. É tão melhor navegar com Diogo Dória, no Douro e a alta velocidade. A Bovarinha sou eu, também. Sim, porque a luz de Agustina,  de Oliveira, a luz de Eduardo Lourenço, dá-nos a porta de uma vida humana. E esta não se compra de chave na mão.

 

 

Exortai-vos cada dia uns aos outros, até ao dia que se chama «Hoje» (Hebr 3, 13). Exortai-vos cada dia uns aos outros, até ao dia que se chama «Hoje» (Hebr 3, 13).