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Rasante

De tudo um pouco. Cada manhã. Ao sair da pena, bem cedinho. Tudo me interessa.

Rasante

De tudo um pouco. Cada manhã. Ao sair da pena, bem cedinho. Tudo me interessa.

04
Mar18

A Forma do Tempo

Fátima Pinheiro

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A   expressão "se eu soubesse o que sei hoje" não tem peso na minha vida.  Para já é uma impossibilidade. Quando ma dizem respondo sempre com um "pois". Se tenho tempo desenvolvo os porquês. Geralmente vou pela segunda via. Há quem por essas palavras  vá para a fogueira do que se diz ser o "eterno retorno" do mesmo.  Assim como o defenderam Parménides. Ou Nietzsche. Se assim fosse, era como se o tempo não fosse gostoso, como se a audácia do arriscar nos fosse roubada. Seria perder o gosto das pequenas vitórias que nos tornam cada vez mais do nosso tamanho. E essa medida eu não sei qual é. Seria perder as supresas que nos espreitam. Ou viver dum eu que vai encarnando em corpos , não fazendo assim sentido falar do meu "eu" e do meu "corpo". Porquê? Porque o eu engordaria ao tamanho de uma história que não sei quando começou; porque o corpo seria diluido numa matéria sem graça. Ora a experiência que tenho é que eu não me confundo com outro eu, e cada corpo é a singularidade de uma existência; eu, tu, ele, ela. É tão bom eu ser eu, e tu seres tu. Ah, e por amor de Deus, não se argumente a favor daquela teoria da reencarnação com a coisa do déjà vu. Esta acontece e tem outras razões.

 

O tempo podia ser uma casca de banana, mas não é. O tempo é o mar da liberdade. Nem um carassol é um eterno retorno. Se fosse é porque eu não estaria lá. O que é mentira. Eu ando de carrossel todos os dias, e é do melhor. O que te faz levantar da cama? E quando te deitas, em que lugar estás?

 

Exortai-vos cada dia uns aos outros, até ao dia que se chama «Hoje» (Hebr 3, 13). Exortai-vos cada dia uns aos outros, até ao dia que se chama «Hoje» (Hebr 3, 13).
31
Ago17

O que é "viver um dia de cada vez"

Fátima Pinheiro

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fotografia Rasante 

 

"Eu agora vivo um dia de cada vez", dizem-me como se me estivessem a dar a notícia de última hora. E tenho ouvido esta frase vezes sem conta. E os títulos de muitos livros que têm vendido que nem pão quente vão nesse sentido, género "O poder do agora".  Eu também já a disse e digo, porque eu, há uns meses, também decidi viver um dia de cada vez.

Há sempre uma razão para essa decisão.  Mas não é só uma decisão. Como se poderia viver se não fosse um dia de cada vez? A verdade é que, por um lado, ninguém pode garantir que chega hoje ao final do dia. Não sabemos nem o dia, nem a hora. Por outro lado não é mentira eu dizer que hoje vivi muitos dias, ou seja, ontem, ao olhar para o dia que tinha passado, entrei no "palácio da memória" e vivi muitos, muitos dias. 

Viver um dia de cada vez  - falo do que oiço e vejo  - pode querer dizer, vou mas é gozar e o resto, o que vem, logo se vê. Há mesmo quem pise, ou se aproveite dos outros, para ser mais, no dia de hoje. Menos paleio, mais ação. E nesta forma de viver há mil nuances.

A ansiedade vem, e é verdade, de a pessoa se fixar no futuro, no que serei, ou no passado, o que fui.  Há casos doentios. Mas a verdade é que o passado e o futuro têm que estar. Se não estivessem não viveriamos de forma humana. Mas isto é como uma receita de um bolo, o bolo do tempo. O tempo  presente precisa dos ingredientes todos, nas quantidades certas. O poder do agora, o seize the day,  não se capta numa decisão voluntarista de tipo esperto,  ideológico e estratégico, mas num entender que nada me falta decidir a não ser o alimentar de uma terna, dedicada, integral e arrasadora paixão por mim mesmo, hoje. Sem calculismos, aberta à surpresa e corajosa para inverter o caminho, parar, ou aceitar mesmo as mãos atadas. Como um dia alguém me disse "que o quotidiano se torne heróico e o heróico se torne quotidiano". Como se as minhas mãos não fossem minhas. E realmente, em certo sentido, não são.

Numa  palavra, viver um dia de cada vez não é a decisão agridoce de não ter outro remédio, mas a alegria que vem do abraçar tudo o que me está a acontecer.

Exortai-vos cada dia uns aos outros, até ao dia que se chama «Hoje» (Hebr 3, 13). Exortai-vos cada dia uns aos outros, até ao dia que se chama «Hoje» (Hebr 3, 13).
01
Mai16

Mãe: buraco ou esperança?

Fátima Pinheiro

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  hoje de manhã 

 

Mudo a letra ao Carlos do Carmo e digo que a Primavera nasce porque morre uma andorinha. As mães

morrem aos bocadinhos. A noite morreu. Hoje é dia da mãe. E?

Mais que a sentinela pela Aurora, eu espero, o dia nasce.  Reviver a Aurora de Murnau. O que de melhor se realizou sobre o amor. O filme é mudo mas diz tudo.

Ele vai morrer daqui a dias. E sabe. As perguntas que ele  fazia até agora, não é que  sejam inúteis, mas ganham sentido, pedem outras perguntas. Perguntava ele: vão renovar-me o contrato de trabalho em Fevereiro? Verei os filhos dos meus filhos? Agora já não interessam. Quero, preciso, de outras perguntas. Quem me diz o que ando aqui a fazer? Não é isto um buraco, sem fundo,ou com ele? Se há um Deus, eu não fui consultada. Não gosto disto. Odeio-O. Lembro as palavras de Dante. Pergunta também Dante: mas não é muito melhor amá-Lo?

A minha mãe acreditava, amava-O. Estou a fazer o meu testamento. Nada posso deixar aos meus filhos que valha . Apenas que olhem para mim e vislumbrem ou um buraco ou uma esperança. Nada há que fazer. Apenas abrir os olhos. Abraçar ou ignorar o tempo.

 

 

 

 

 

 

Exortai-vos cada dia uns aos outros, até ao dia que se chama «Hoje» (Hebr 3, 13). Exortai-vos cada dia uns aos outros, até ao dia que se chama «Hoje» (Hebr 3, 13).
05
Mar16

Sou um Espetáculo! Eu e o SOKOLOV

Fátima Pinheiro

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Não porque a arte seja para mim uma segunda pele;  não porque hoje não me responsabilizo pelo que vai acontecer no planeta amanhã, durante e depois de beber todas as notas de Schuman e Chopin saídas da genialidade de Grigory Sokolov, quando eu, no final, cair nas mãos dele. Não porque nesta louca beleza de semana eu tenha feito mil coisas, sem me dividir e estar sempre toda em tudo. Sou um espetáculo porque sou um espanto. Em primeiro lugar, sou-o para mim mesma.

Às vezes perguntam-me: "como é que consegues fazer tanta coisa?". Ser eu, ser mulher, ser mãe, ser amiga, ser inimiga, fazer quase tudo em casa (ok, tenho uma bimbi), ter um trabalho "normal" e mais, isto é, escrever nos meus dois blogues, e escrever coisas por aí. Adorar ir às lojas. Cuscar com os amigos. Ajudar na Mercearia Criativa da minha irmã. Isto não acaba: sobra-me tempo para ajudar quem precisa (eu incluída), para fazer "contas", para dançar, para ver muita coisa linda - refiro-me às artes, todas, gosto de todas; "vejo" quer dizer também oiço, cheiro, mexo, saboreio. E outras coisas lindas. Todas. E adoro produtos e tocar. Sou mazinha. Também estou e muito bem nos milagres do facebook. Vou à missa todos os dias, como os padres e o novo Papa Francisco. E à Catequese. E ao Domingo é mais comprido. Farto-me de fazer coisas cá em casa, desde a festa do Carnaval, aos jantares dos benfeitores da condução (no qual juntei as três pessoas que me ajudaram a conduzir depois de ter estado anos sem o fazer, apesar de ter a carta). E ando sempre a inventar: vou fazer uma festa de Primavera, adoro servir, acolher mais uma conferência do José Milhazes sobre o ícone de Kazan. No meio da fazedura do jantar, diz-me um: "podes ajudar-me nos Lusíadas AGORA, tenho teste amanhã?", e quase ao mesmo tempo "o que é o jantar hoje?." Ainda me sobram horas para ter mau feitio, para as coisas me saírem torto. Mas também para rir, chorar, provocar. E mais diria: adoro chegar a casa mais cedo e fazer lanches parecidos com os que a minha avó materna fazia; tempo também de não fazer outras coisas que devia; e coisas que não devia fazer;  tempo de fazer o que não gosto. E para amostra chega.

"Como é que consegues fazer tanta coisa?". A verdade é que não consigo. É muito simples: É que eu estou sempre a "fazer" o mesmo. E não tenho nada a "defender". É só ser "eu". "Então mas não é porque consegues equilibrar tudo?" Eu? Equilibrar? Nem pensar! Isso seria matar o artista. Porquê? Eu explico. Uma amiga disse-me um dia que na vida não se trata de fazer equilíbrios e contou-me o que uma vez ouvira dizer a uma rapariga, numa conferência sobre felicidade e vida contemporânea (o título é horrível, eu também não gosto). À noite, quando o dia acabou, estás sozinha no teu quarto, e se acontece que choras, quem chora? É a executiva, a mãe, a mulher, quem chora? Quem chora és TU. Todinha e tudinho, se fores simples, como as crianças.

Equilibrar é possível, mas é uma alienação, tem cara triste quem assim tenta sobreviver. Viver é sim por toda a minha liberdade e empenho em deixar que "o que acontece" me aconteça mesmo (não me sentar na cadeira ao lado, fingir que não é comigo, e ficar a "ver passar"). A minha verdade está em espelhar tudo isso. Em ser um espetáculo. Em não fazer nada, a não ser "tender" na atenção do simples esforço de "querer" ser mesmo "eu". Não sou nada de especial, porque como eu não há igual. Sou mesmo ordinária. Hoje. Claro que penso em amanhã e no homem que me co-move como poucos aqui,  e amanhã às 19h Gulbenkian.

Exortai-vos cada dia uns aos outros, até ao dia que se chama «Hoje» (Hebr 3, 13). Exortai-vos cada dia uns aos outros, até ao dia que se chama «Hoje» (Hebr 3, 13).
14
Jan16

"Amanhã é o dia dos ladrões"

Fátima Pinheiro

 Johny Depp

imagem tirada da net

 

Queres? Então corre e apanha. A vida é simples e não parece. Complexa sim, e às vezes muito. Mas isso é outra coisa. Muitas vezes não sabemos é o que queremos. Como diz o poema, o objetivo esfuma-se.

 

Vem isto a propósito de um post no meu face book, com uns poemas de Edmond Jabès, que eu desconhecia por completo.

 

Perguntei quem era: "O Egito produziu um grande poeta de expressão francesa: Edmond Jabès. Nascido no Cairo em 1912, teve de deixar seu país no início da II Guerra, por causa de suas origens judaicas. Com a crise do Suez em 1956, radicou-se na França no ano seguinte e em 1967 tornou-se cidadão francês. Faleceu em Paris em 1991. É considerado um dos grandes poetas de língua francesa." Um dos poemas encontra-se na obra "A obscura Palavra do Deserto" (trad. Pedro Tamen) (ed. Cotovia).

 

A leitura do poema fez-me experimentar como o adiar é uma morte que rouba o dia de hoje.

 

"Não se constrói sobre a pedra côncava. (Ainda menos sobre a neve dos picos?)

As recordações vêm aumentar o seu poder sobre o homem à medida que o objectivo se esfuma.
(Muralhas de sempiternas manifestações de força. Basta a obstinação de uma lágrima, basta um nada de ar decidido para que o ferimento seja mortal.)
Amanhã é o dia dos ladrões.
Dos nossos múltiplos rostos, o único persiste; rochedo onde se apoia a fadiga do mar."

 

Exortai-vos cada dia uns aos outros, até ao dia que se chama «Hoje» (Hebr 3, 13). Exortai-vos cada dia uns aos outros, até ao dia que se chama «Hoje» (Hebr 3, 13).
11
Jan16

Vão-se os olhares ficam os olhos, absolute beginners

Fátima Pinheiro

 

"Mas nós somos principiantes absolutos

Com olhos completamente abertos"  https://youtu.be/o_cHvtPB2dY

 

 

imagem tirada da net

 

O que "aprendi"  (ou ficou mais claro para mim) sobre o olhar na semana que passou! Fui a uma conferência. Uma autêntica fenomenologia do olhar. O que falou perguntou: que olhares te tocaram mais, na fibra mais íntima de ti? Sim, que olhares te desatam o Coração? Que olhares te desapertaram o Desejo? E aí parei e páro.

Contudo ele perguntou: e tu, tu ao olhar o outro páras, re-paras, páras e duras no seu olhar? Nesse olhar o tempo parou? Ou olhamo-nos em máscaras? Em preconceitos?  Não importa. Na natureza nada se perde, tudo se transforma. Foram-se os olhares, ficam de novos e de novo os olhos. Virgens.  Absolute beginners, digo hoje, porque o resto foi escrito ontem.

 

Exortai-vos cada dia uns aos outros, até ao dia que se chama «Hoje» (Hebr 3, 13). Exortai-vos cada dia uns aos outros, até ao dia que se chama «Hoje» (Hebr 3, 13).
03
Jan16

Hoje só me apetece dançar, amanhã penso...

Fátima Pinheiro

 

 

 imagem da net

 

"Todos os dias o mesmo caminho, os mesmos sacos pesados, a mesma dolência no caminhar, uma tristeza funda que a faz mais velha. Os mesmos horários, o mesmo lugar no autocarro. Levanta-se na mesma esquina, antes do Campo Pequeno. Toca no mesmo botão no instante em que se levanta. Ontem, hesitou. Deixou passar a esquina, não carregou no botão, levantou-se quase no último momento. Senti que era o dia em que podia ter mudado a sua vida, o dia em que caminharia à procura de um novo destino, o dia em que sairia numa estação diferente, num outro Campo Pequeno capaz de lhe trazer novos lugares, novas esquinas e novas tristezas que matassem esta que a faz mais velha do que parece. Ou então estava apenas distraída." Luis Osório

Exortai-vos cada dia uns aos outros, até ao dia que se chama «Hoje» (Hebr 3, 13). Exortai-vos cada dia uns aos outros, até ao dia que se chama «Hoje» (Hebr 3, 13).
03
Ago15

Marimbo-me

Fátima Pinheiro

imagem tiradada net

 

Não faço mesmo cerimónia. Trato as pessoas e a vida por "tu", e sigo sempre atrás dos amigos, ao lado dos que se querem encostar. Não tenho agenda rigorosa, embora esteja mais ou menos a par do que se passa. Não há televisão. O que não ponho é nada de lado. Porque em cada esquina encontro um interesse, uma surpresa, uma insignificância, um bocado de tudo, um pedaço de lixo, um vaso partido, e uma tampa ainda boa para o meu frasco. Tudo me pode acontecer hoje. Ontem já foi, e amanhã será. Hoje, agora é que ... ups! já passou! Uma cara nova, um "eu" mais à frente, uma gargalhada diferente. Por isso é que "isto" é bom.

 

É um gosto de vida nova que acontece, cada dia. Às vezes parece que andamos para trás. Mas o que é, é sempre para a frente. Ponho a fasquia junto à lua, já não é preciso sonhar. Dão-me a sopa à boca. Não se agarra tudo nesta vida! Mas já percebi que é assim: a vida não é para agarrar "tudo", a vida é para agarrar Toda. Hoje é segunda. Pode ser que sim. Se não for, tenho a certeza que será melhor. Porquê? Porque quem me garante a vida hoje, não me larga.

 

Ridícula é a injustiça que mata, minuto a minuto. Sigo sem cerimónias, a aparar a vida. A sorver tudo. A beijar as caras todas, as de dentro e as de fora de casa. A prescindir de últimos capítulos, a estrear vestidos novos e a gozar concertos memoráveis. E os sorrisos dos meus pássaros, que no momento que vieram ao mundo, começaram a voar! Que bons que são.

 

As voltas das horas desaguam-nos no Infinito. É o  gosto de respirar fundo. Estar com os amigos e gozar. Ser de tudo, de todos, de cada um e de ninguém. A Foz quem a sabe? Marimbo-me, ou seja não me levo a sério, como diz a genial Agustina. 

Exortai-vos cada dia uns aos outros, até ao dia que se chama «Hoje» (Hebr 3, 13). Exortai-vos cada dia uns aos outros, até ao dia que se chama «Hoje» (Hebr 3, 13).
26
Jun15

O dia do meu funeral, se o tiver, claro...

Fátima Pinheiro

 

 

O título dá a entender que a vida, para mim, não é boa. Nada disso. Gosto mesmo dela. E se calhar posso vir a não ter funeral. Quem sabe o que vem para a frente? Muitos tem morrido - como se diz por vezes, "foram desta para melhor" -, mas isso é passado. O futuro, quem sabe? E não há futuro. Isto que acabo de dizer pretence já ao passado, e o que digo "agora" era o futuro que eu desconhecia. Só há o presente. A vida "são" estes instantes que se vão comendo uns as outros, acontecedo sem a gente saber como. Esta semana estive com duas senhoras. Não há coincidências. E marcaram-me mais uma vez...

 

Quando dei por mim, já cá estava. Há quem viva à espera que "ela" venha" ( "ela", quero dizer, a morte, à qual Franscisco de Assis chamou de "irmã" ). Mas por diversas razões, e não necessariamente por não gostar de viver.  Esta semana estive com duas senhoras, com letra grande. Uma conheço há uns anos, a outra encontrei-a há dias. Uma rica, outra pobre. Ambas viúvas. Uma do Porto, outra de Lisboa. Quatro olhos cor de mel, e sem óculos. Rugas muitas, muitas. Dois olhares em frente, cheios de histórias, e com a esperança toda incontida em dois sorrisos contagiantes. Sei tudo, contaram-me. Cada uma à sua maneira. Com uma lágrima doce e colorida, com a mesma alegria que testemunda que  a "vida vale a pena". Camões leva-me agora a Fernando Pessoa: "Há uma música do povo". Pois há. Ouvindo-as sou quem seria, simples melodia, as que se aprendem a viver,uma emoção estrangeira, erro de sonho ido...

"Canto de qualquer maneira/ E acabo com um sentido!" O funeral? Um por-menor.

Exortai-vos cada dia uns aos outros, até ao dia que se chama «Hoje» (Hebr 3, 13). Exortai-vos cada dia uns aos outros, até ao dia que se chama «Hoje» (Hebr 3, 13).
08
Mai15

Têm-me acontecido coisas deste mundo!

Fátima Pinheiro

 magem tirada da net 

 

Quase tudo depende do olhar. A mesma coisa, acontecimento, ou o que seja, é-me dado pelo meu olhar. Pelo olhar dos outros, sim; mas esse também passa pelo meu olhar.  E o meu olhar tem um tempo, uma história e uma expetativa de futuro. E o meu olhar depende do tempo em que se exerce, das urgências do estar updated, do que dá mais nas vistas, do que se atravessa à toa, ou com propósitos mentirosos.  O meu olhar pode nada topar, de tão bombardeado que é, em cada instante, de todos os lados e por todos os lados. A tal ponto que atinge a cegueira. "Vem por aqui", e José Régio disse que não. Quem não experimentou isto?

 

Eu falo por mim, e pela experiência de ser "eu" a ver. De não me alienar no "correcto". O sabor e o o gosto de vida nova que vem desta virgindade! Quem não experimentou a alegria que ver e ser visto assim nos dá? "Olhos nos olhos", tão bom. Tão reconfortante. Tão saboroso. Sem nada a defender. Com os olhos rasos das águas originais, como dizia Leonardo Coimbra.

 

As coisas genuínas chegam, partem, e estão de braços abertos e, nessa abertura, e paradoxalmente, abraçam sendo abraçadas por  tudo. A plenitude deste abraço é medida pela unidade que o excede. Ultimamente, tendo a esta forma de olhar. Por isso têm-me acontecido coisas deste mundo. Que me tocam, que eu toco, e me tornam feliz. O resto? Apenas fogo de artifício.  Gosto mesmo de estar no ar, de outros fogos.

 

Exortai-vos cada dia uns aos outros, até ao dia que se chama «Hoje» (Hebr 3, 13). Exortai-vos cada dia uns aos outros, até ao dia que se chama «Hoje» (Hebr 3, 13).

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