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Rasante

De tudo um pouco. Cada manhã. Ao sair da pena, bem cedinho. Tudo me interessa.

Rasante

De tudo um pouco. Cada manhã. Ao sair da pena, bem cedinho. Tudo me interessa.

28.02.18

Enrola-me no teu lençol, a nova canção do festival


Fátima Pinheiro

O Festival já tem nova canção. Foi conhecida ontem aqui e aqui. Música e letra, o hino da Turquia. Intérprete, o Presidente turco Recep Tayyip Erdoğan.

 

Coro, não há. Houve tempos em que o Coro existia e  era bem preciso. Como hoje. Mas os coros de hoje são carneiradas pagas. A ONU podia ser um bom coro, mas não está a dar.

 

Cada coisa tem o seu valor. Tudo tem a sua seriedade. O festival da canção. As Guerras. Está tudo relacionado. E conhecer uma coisa é perceber a sua relação com as outras. As redes sociais existem para se falar de tudo. Ainda bem. E verdade fala Bauman ao reconhecer que anda tudo líquido. Até o novo filme de Del Toro, na corrida aos óscares. Filme a que voltarei. Vão ver que vale mesmo.

 

As images da menina e do co*ro falam por si, mais que  uma espécie de Dora que noutro festival cantou 'Não sejas mau pra mim'. Um plágio, portanto. E na História, há tantos! Chega de Piçarro e especulações. Hoje não falo mais de coros . Hoje é para dizer à menina que se a enrolarem naquele pano eu prometo que vou lá e que a trago comigo e a levo para o único lençol que nos soube libertar. Não é qualquer um que é o Alfa e o Omega.

 

O Presidente da Turquia diz a menina de seis anos que esta seria honrada se morresse em guerra. A criança foi levada ao palco chorou durante toda a interacção com o presidente turco, que disse que ela seria enrolada na bandeira se, “Deus queira”, se tornasse um mártir.

De acordo com o The New York Times, Erdogan discursava num comício de apoio aos soldados que combatem em Afrin, na Síria, um enclave que se encontra sob domínio curdo e que os turcos tentam conquistar. O presidente da Turquia avistou a criança na multidão e decidiu chamá-la até ao palco após reparar que estava vestida com um uniforme militar e usava uma boina grená, tal como a que usam os elementos do Comando de Forças Especiais, destacado no enclave sírio.

Exortai-vos cada dia uns aos outros, até ao dia que se chama «Hoje» (Hebr 3, 13). Exortai-vos cada dia uns aos outros, até ao dia que se chama «Hoje» (Hebr 3, 13).

15.04.15

Cortar as Relações


Fátima Pinheiro

 Está?/Imagem de Rasante

 

Tema da ordem do dia. Atar, reatar. Estar numa relação. Cortar relações. Mas as palavras não são tudo, não esgotam a realidade. Vem isto a propósito da política e da diplomacia - Turquia e Vaticano - no Domingo, e dos amores, ainda ontem. Óbvio que não conhecemos tudo de uma vez e que a verdade não é "absoluta". Como "luz" (Aletheia=verdade) não é absoluta. Tudo depende de que lado o cubo me é dado, ou me aparece (fenómeno = aparecer-me). Verdade não significa que haja apenas uma face de um cubo que não existe. Pendurada, ou assim. Por isso, amigos, quanto mais subjectivo eu for (quanto mais me deixar invadir por este lado do cubo) mais objectivo sou. Não posso é ficar parado numa face do cubo: é preciso virá-lo, revirá-lo, mexê-lo, remexê-lo. Perspectivá-lo. Vê-lo noutros espaços, noutros tempos. Bebê-lo mediante os olhos de outros. Uma aventura que se dá num horizonte que não é a soma das partes, mas excede, em cada passo, em cada respirar, em cada, abraço, em cada olhar, em cada beijo. Cada dia. Como? Muito simples. E a realidade, o que há (o que sei e o que não sei que há e como é), vai sendo descoberto precisamente como relação, da qual não dominamos os contornos e potencialidades. Desde a Trindade, que é relação, ao que se passa comigo, eu comigo somos três.

 

O material tem sempre razão. As relações de sangue não se podem cortar. As outras que eu digo que corto não dependem de palavras mentirosas. Só se pode cortar aquilo que nunca esteve cosido. Viver é então manter, alimentar, tratar do "cosido". É conhecer, amar os laços. Não adianta pintar a manta. "Conhece-te a ti mesmo", "O homem é um ser social", "Eu sou eu e a minha circunstância", tudo bem. Não alinho é com Kant, que nas suas  gordas críticas da razão, nega que a realidade se possa conhecer. Ao distinguir entre "fenómeno" e "coisa em si", isto é, ao distinguir entre o que me aparece, no espaço e no tempo, e a coisa tal como ela é em si, se está a por num patamar que não sei de que espaço e de que tempo... Ou melhor, sei muito bem. Aqui ao leme sou mais do que eu, meu querido Pessoa.

 

Exortai-vos cada dia uns aos outros, até ao dia que se chama «Hoje» (Hebr 3, 13). Exortai-vos cada dia uns aos outros, até ao dia que se chama «Hoje» (Hebr 3, 13).